Notas iniciais
É eu sei que demorei, mas aqui esta mais um novo capitulo para vocês... Espero que gostem... Boa leitura.. Bjs

O silencio envolta da floresta mascarava o tormento que era no desfiladeiro, alguém fora jogada pelo vento e essa mesma pessoa se encontrava no chão, sem respirar. De repetente olhos cinzas se abriram e a ruiva puxou uma longa lufada de ar, seu corpo doía, estava assustada e desnorteada, olhava ao redor perdida.

— Tem certeza que caiu por aqui Serena?

— Claro que sim Zac!

— O corpo deve estar destruído, cair daquela altura sem se esbagaçar é impossível, você lembra dos outros humanos!

— Calado!

Do meio da folhagem branca um casal muito estranho apareceu, uma garota de estatura baixa, corpo rechonchudo, mas ainda assim torneado, cabelos longos e castanhos e olhos lilases e um rapaz alto, cabelos platinados, olhos dourados, mas com algumas escamas aparentes no lado esquerdo do rosto. O casal se espantou ao ver a garota ali, viva e sentada, totalmente bem.

— Ela...

— Ela está...

— É, eu estou viva, e muito bem obrigado, porém, quem são vocês?

— Sou Serena, este ao meu lado é o Zacarias, mas prefere só ser chamado de Zac!

O albino apenas maneou a cabeça e permaneceu calado, com todo a jovialidade que havia em seu rosto a alguns segundos se perdendo.

— O que... O que vocês são?

— Hnm?

— Seus olhos são lilases e ele tem escamas!

— Ah, sobre isso, eu sou uma bruxa e ele meu dragão!

Salácia inclinou a cabeça de lado e começou a analisar a energia do dragão, ela era realmente similar ao do Andrew, porém ainda assim eram diferentes, a energia dele parecia ser mais antiga.

Zacarias a encarou de volta e não fora de uma forma muito animadora.

— E o que você é?

Salácia engoliu em seco.

— Então, sabe, eu até acho engraçado falar sobre isso, mas é que tipo, eu, talvez, só talvez, não saiba exatamente o que eu sou!

Salácia parecia realmente constrangida ao falar sobre aquilo. O albino bufou irritado e se voltou para a pequena bruxa.

— Vamos embora!

— E vamos deixar ela aí?

A menina o encarava como se pedisse para pegar um gato abandonado, porem isso não comoveu nem um pouco o rapaz.

— Ela não veio sozinha, ela já é grandinha e ela é poderosa, pode muito bem achar seu caminho de volta, agora você senhorita, está em sérios apuros se a rainha descobre que deixou a filha da rainha da terra solta por aí, enquanto está sob sua responsabilidade!

— Zac!

— Não adianta implorar com esses olhinhos não, você sabe que eu estou certo!

— A tia não está nem aí se eu estou vadiando pela floresta ou se estou no palácio estudando, assim como a mamãe não está nem aí para mim, tanto que me mandou para cá, e eu também não estou indefesa, tenho meu poder e tenho você!

Zac a encarou sem dizer nada, apenas lhe deu as costas e saiu, Serena revirou os olhos e bufou.

— Sinto muito, ele é meio mal-humorado mesmo, boa sorte para sair daqui e encontrar seus amigos!

Rapidamente a morena se virou e saiu correndo e gritando para que o dragão lhe esperasse.

Salácia observou ao redor e ao olhar para cima viu o despenhadeiro de onde cairá, definitivamente não entendia como havia sobrevivido a queda quase que ilesa, deveria ao menos ter quebrado algumas partes do corpo.

Um longo suspiro escapou dos lábios da ruiva que acabou com um pequeno resmungar. Jogando os braços para o alto ela resolveu seguir uma direção qualquer.

O caminho era tranquilo, só os sons da própria natureza se fazia presente, os troncos das arvores eram de um branco tão puro e tão liso que facilmente pareceriam com mármore, suas folhas se misturavam aos galhos e eram quase indistinguíveis, a grama era de um verde bem claro, mas não menos vivo, parecia ser levemente coberto por neve, pequenas flores que se assemelhavam a sinos cobria quase todas as raízes das arvores e se misturavam a lindos lírios perfumados, o ambiente chegava a ser magico.

— Não sei porque falaram tanto que esse lugar era perigoso, é tão calmo e lind...

A ruiva nem pode terminar seu pensamento, uma flecha cortou o ar e fez um fino corte em seu rosto. Ao sentir a ardência ela elevou sua mão e tocou com a ponta dos dedos o corte, ao ver os dedos manchados de sangue a raiva lhe subiu, ela se virou e deu de cara com um homem vestido da cabeça aos pés com uma túnica branca, um turbante e um tecido cobrindo a boca e o nariz, a única coisa realmente visível ali era seus olhos, que eram de um cinza azulado.

— O que pensa que está fazendo humana?

— Eu? Nada que seja da sua conta! E você? Porque atirou uma flecha em mim?

— Porque você é uma intrusa, não deveria estar aqui, deveria ter ido embora assim que recobrou a consciência!

— Então você estava me vigiando?

— Vá embora!

— Não!

O homem empunhou seu arco e puxou uma flecha de sua aljava, mirando bem no peito da garota.

— Este é meu último aviso!

O rapaz erguei o arco com a flecha já engajada, Salácia encarou aquele pequena ponta de aço, seus olhos se desfocaram e perderam sua coloração natural, tornando se brancos, sem pupila, seus cabelos esvoaçavam sem uma única brisa a soprar.

— Você me observa, me fere e ainda pede por minha obediência elfo? Não brinque comigo não sou uma força cuja a qual você possa controlar!

Centenas de borboletas brancas apareceram do nada rodeando a garota, que desaparecera em meio elas. O homem ficara surpreso por ela saber o que ele era, mas a surpresa fora maior ao sentir uma bancada em sua nuca e ver sua visão escurecendo.

Salácia encarava o corpo no chão com o rosto completamente neutro, seus olhos voltaram ao azul esverdeado normal, com movimentos bruscos ela se livrou do turbante e o tecido que lhe cobria o nariz para baixo. O rapaz possuía uma pele pálida, feições geladas, desprovido de marcas de emoções, lábios finos, e cabelos loiro claro. Sem um pingo de cuidado a ruiva o arrastou até uma arvore e a ela o amarrou, vasculhou as vestes do homem encontrando finas facas de prata. Satisfeita ela se afastou e sentou-se bem em frente e ficou a observe-lo.

Sua nuca doía, sua visão ainda estava embaçada e seus movimentos impedidos, era assim que o elfo se sentia, ao abrir os olhos com a visão já focalizada a primeira coisa que vira fora uma fogueira, logo adiante estava a ruiva que atacara, sentada o encarando com um meio sorriso no rosto.

— O que vai fazer comigo?

Salácia deixo o sorriso se tornar um meio sorriso e elevou uma sobrancelha em divertimento.

— Com você? Absolutamente nada!

— E porque eu estou amarrado?

— Porque você me atacou!

Salácia apontou para o próprio rosto, onde se via um fino corte.

— Intrusos não devem ser tratados com misericórdia!

— Mas você foi misericordioso, afinal não mirou para matar, e pelo o que eu posso deduzir você não é um tipo que erra sem motivo!

O elfo olhou para um canto qualquer.

— Fui instruído a não ferir mulheres!

Salácia revirou os olhos.

— Certo, então vamos começar novamente, agora pelos nomes, eu sou Salácia e você? Como se chama elfo?

— Adan!

— Então Adan, quem é você?

— Sou um elfo branco, filho da Rainha Calliope, eu patrulho a floresta branca em busca de intrusos!

— Rainha Calliope? Ela é a rainha do ar?

— Sim, minha mãe é a manipuladora do ar!

— Jura?

— Palavra de elfo!

— Você conhece alguma pessoa chamada Lyra?

— Minha irmã mais velha, não cheguei a conhece-la, mas sei que esse é o seu nome!

— Mas velha é?

— Sim!

— Certo!

— E você?

— Eu?

— É que é você?

— Ninguém importante!

Salácia deu de ombros e se calou, porem viu que seu prisioneiro não estava confortável ou sequer feliz com seu silencio.

— Certo, não é justo você me dizer quem é você e eu me calar, eu sou uma mera viajante que busca respostas, respostas as quais sua mãe parece ter, e trago notícias de sua irmã!

— Lyra está morta!

— Pode estar escondida, mas morta? Morta ela não está!

Salácia olhou para um canto qualquer contrariada.

— O que ela aprontou para você falar dela assim!

— Ela nada, já meu companheiro de viajem, digamos que não soube controlar seus hormônios direito!

— Ah, seu namorado?

Salácia corou e negou com veemência.

— Não, não temos esse tipo de relação!

— Não é o que parece!

— Chega, vamos dormir, pois pelo visto amanhã teremos uma longa caminhada para chegar até a sua mãe!

— E como pretende chegar até ela?

— Você vai me levar!

— Vou?

— Vai, afinal, agora você é meu prisioneiro!

Adan vira a garota se deitar e logo adormecer, olhou para o céu e viu as estrelas que agora se mantinham caladas.

— Agora vocês se calam? Deveriam ter me avisado que a garota chegaria hoje, me enchem o saco a anos sobre isso e só agora se calam, maldade suas malditas fofoqueiras!

Por fim ele fechou os olhos e adormeceu.

A noite seguiu silenciosa e o sol nasceu tranquilo. Adan acordou num sobressalto, não era sua intenção dormir tão pesado. Salácia já havia arrumado suas coisas e agora o desamarrava.

— Não acha perigoso me deixar sem as cordas?

A ruiva olhou para as cordas em sua mão e depois encarou o elfo.

— Cordas não lhe seguram de qualquer forma, se você quisesse se soltar já o teria feito a muito tempo!

— Como?

— Você é um elfo, mas acima de tudo é um soldado, deve ter sido treinado a sair dessas enrascadas, posso ter lhe privado de suas principais armas, mas você ainda deve ter uma escondida!

O elfo olhou para cima e abriu a boca assustado.

— Como pude esquecer isso?

— Não faço ideia!

Salácia parou a sua frente e lhe entregou seu arco, a aljava e seu arsenal de facas.

— Tem certeza de que vai me entregar minhas armas!

— Você não é meu inimigo Adan, nem sua mãe, não venho aqui procurando encrenca, apenas quero respostas!

Adan olhava no fundo dos olhos de Salácia e ali ele via apenas sinceridade, não podia evitar querer ajuda-la.

— E seus amigos?

— Meu amigo tem seu próprio guia!

— Certo, então vamos!

O elfo colocou novamente o turbante e o lenço e começou a caminhar pela floresta. Salácia suspirou e o seguiu, estava preocupada com Kallel e Bellon, queria saber onde estavam, mas não tinha como encontra-los em meio àquela enorme floresta e Adan não ajudaria em mais nada que não fosse chegar até a rainha.

— Você está calada!

— Boca calada mente em turbilhão!

— Como?

— Nada Adan, nada!

O elfo a encarou de canto de olho, mas logo voltou seu olhar para o caminho.

A paisagem era linda, mas Salácia não conseguia observa-la com real interesse, seus pensamentos não saiam de Kallel.

A vegetação tomava conta de pequenas ruinas de antigas colunas de mármore, escadarias se perdiam em meio a raízes, terra e mato cresciam e cobriam pisos, trepadeiras subiam por paredes e muros e de seus topos samambaias cresciam tampando gravuras.

— Seu amigo está bem, você vai ver!

— Se ele não estiver minha fúria vai ter destino certo meu caro Adan!

— Tem é?

— Sim, se Kallel não estiver em perfeitas condições quando eu o encontrar Bellon será um elfo morto!

Um calafrio desceu a espinha de Adan, algo nas palavras da ruiva lhe deu a certeza de que Bellon realmente seria um elfo morte se o companheiro da ruiva não chegasse inteiro até a entrada do reino do ar.

O sol já ia alto no céu e a fome começava a apertar.

— Adan!

— Sim?

— Estou com fome!

— Não há o que comer em sua mochila?

— Kallel ficou com os petiscos!

— Há algumas arvores frutíferas em frente, você pode...

Adan nem terminou sua frase, pois logo vira um vulto vermelho passar por si e ir em direção que indicara. Um suspiro escapou de seus lábios e continuou a andar tranquilamente.

Salácia escalou a primeira arvore que viu e se pôs a comer desesperadamente. A primeira mordida fora tão prazerosa, a fruta era tão suculenta que ela não se aguentou e continuou a comer até não aguentar mais.

— Tudo bem aí Salácia?

Adan olhava para a garota que estava em cima de um galho e encostada no tronco da arvore. A ruiva olhou para a sua direção de forma sonolenta.

— Acho que comi demais!

— Acha?

— Uhum!

— Temos que continuar andando!

— Temos mesmo?

— A menos que não queira encontrar seu amado logo!

Salácia suspirou e sem pensar nas consequências pulou de cima do elfo, que por ter bons reflexos a segurou.

— Você é bem forte em!

— Se recomponha!

Adan estava sério, porem suas orelhas lhe denunciavam, elas estavam ligeiramente vermelhas.

— Certo, nada de brincadeiras com o senhor elfo!

A ruiva parecia afirmar isso para si mesma.

— Você está bêbada?

— Como posso estar bêbada se não bebi nada alcoólico?

O elfo olhou para a arvore e depois para os frutos e riu.

— Bela escolha de fruta, foi direto na que nós usamos para fazer hidromel, ela por si só já é altamente alcoólica!

— Opps!

A ruiva colocou a mão na boca em fingido constrangimento e logo riu.

— Vamos!

Adan deu os primeiros passos, mas logo parou, pois Salácia mal conseguia andar, o elfo respirou fundo e suspirou, jogou a garota por cima do ombro e continuou a andar.

— Eu não sou um saco de farinha para ser carregada desta forma!

— A não ser que queira ser levada no colo, sugiro que se mantenha calada!

Com uma leve olhada de canto a ruiva pode ver que as orelhas do elfo estavam furiosamente vermelhas.