Caminhando nas Sombras
33 Decepção
Notas iniciais
Espero que tenha ficado bom. *cof cof*
Boa Leitura.
Não sabia o que sentir pela pessoa que estava em minha frente: ódio por ter transformado Nathale em vampira, pena por ela estar sendo controlada por algum tipo de magia negra ou uma mistura dos dois. Não sabia o que pensar, não sabia se Alice ainda existia dentro daquele ser maligno envolto pelas trevas, não sabia de mais nada.
Ela se aproximava de nós passo por passo lentamente, como se estivesse apreciando aquele momento o máximo possível até que pulasse em nossos pescoços e nos matasse ali mesmo. O olhar era algo que nunca vi antes, não eram os olhos de Alice, mas sim como olhos de uma boneca de porcelana. Reais, porém vazios.
Dei-me conta da real situação assim que Nathale deu um passo atrás. Olhei para trás, e ela estava em uma mistura de estado de choque com pavor, como se tivesse visto um fantasma. Compreendia o porquê de ela estar assim, já que a pessoa que provavelmente arruinou sua vida normal estava em sua frente, se aproximando a cada segundo. Isso sem contar que seu plano não era inicialmente transformá-la, e sim matá-la.
- Ora essa, está com medo de mim? – Alice disse, com a voz suave. Provavelmente tentou imitar a voz de Alice naturalmente, mas não aguentou por muito tempo e voltou ao seu tom feroz e ácido – Não era nem para estar viva, humana tola. A sua sorte é que Katlyn tinha o sangue Fiorossi em suas veias, por isso pôde salvá-la. Não que tenha adiantado alguma coisa, já que vocês morrerão em breve.
Ela já estava a poucos passos de mim. Podia sentir o ar gélido que circulava ao seu redor, raspando em minha pele como navalhas afiadas. Demorei um pouco para demonstrar algum tipo de reação, mas tinha que fazer algo logo ou morreríamos. Caleb e Mary ficaram para trás e provavelmente se sacrificaram para que pudéssemos seguir em frente, e não deixaria isso em vão. Invoquei meus sabres, e apontei um diretamente para o peito de Alice, olhando exatamente em seus olhos vazios.
- Oh Katlyn, realmente pretende lutar? Seria tudo tão mais fácil se você morresse sem tentar – ela apertava cada vez mais sua mão na foice, mantendo-a com a lâmina para trás. Logo quando estava no meu alcance, colocou sua mão solta na haste e antes que pudesse ver, já me tinha como alvo – Mas se prefere assim, então morra!
Dei uma esquiva para trás e senti a afiada lâmina passando rente a minha pele. Fiquei em posição defensiva com meus sabres, para evitar qualquer ataque que ela poderia fazer.
- Nathale, se esconda! – gritei alto o bastante para que ela me ouvisse sem discussões, e correu para o mais longe que pôde. Até onde pude ver, foi para trás de alguma árvore.
- Vejo que não terei uma luta de duas contra uma. Que pena, queria matar dois coelhos com um só ataque! – e avançou para mim novamente. Dessa vez não me esquivei, mas usei minhas espadas para parar o ataque. Estávamos bem perto uma da outra, e quando olhei para seu rosto, ela estava com um sorriso maníaco e sedento por sangue – Vamos ver quem vai sair viva disso!
Ela atacava freneticamente, mais forte do que qualquer pessoa com quem eu já havia lutado antes. Estava com dificuldades de me defender, já que sua foice tinha irregularidades propositais em sua lâmina, dificultando o meu trabalho de não me machucar. Ela também era rápida, o que resultou que eu estava me cansando demais a cada ataque. Em um momento de descuido, ela passou a lâmina em meu braço, fazendo um corte profundo, e dando um pulo para trás logo em seguida, como se estivesse observando e se divertindo com o primeiro de muitos de meus machucados.
Coloquei a mão em cima do corte por reflexo. Aquilo ardia mais do que qualquer corte que já havia feito em toda a minha vida. Algum truque com as trevas, talvez? Já que doía tanto quanto as cobras negras de Miguel. Em algum lugar a minha esquerda, ouvi um provável grito abafado de Nathale.
- Você é boa, devo admitir – Alice não parecia cansada, muito pelo contrário, queria pular em cima de mim o quanto antes, mas preferia observar minha dor antes – Qualquer um já teria morrido no segundo ou terceiro ataque, mas também os últimos com quem lutei eram vampiros comuns. Sem graça, morrem fácil. Só poderia ser uma da família.
- Você... Matou vampiros inocentes? – Não acreditava no que ouvia. Aquela pessoa dizia tudo isso na voz de Alice, mas não era Alice. Ou era? Não poderia ser. A Alice que conheço nunca faria isso.
- Inocentes? – ela gargalhou – Desde quando vampiros são inocentes, Katlyn? Tomam sangue de criaturas vivas, matam por prazer. Essa é a verdadeira natureza dos vampiros. Somente nesses últimos tempos os vampiros estão ficando mais passivos, tentando não serem os vilões da história, esquecendo-se de sua verdadeira natureza, mas eu não. Christie me libertou disso! Isso que eu sou agora, o que você vê, é a verdadeira natureza dos vampiros. Somos poderosos! Deveríamos ser como antes, e controlar este mundo!
Então essa era a verdade? Aquela que estava em minha frente era realmente a Alice que eu conhecia, e nenhum ser maligno a controlando? Irônico. Pensando por este lado, até que era verdade de certa forma. Quando ainda tinha minha vida normal, todos falavam que os vampiros eram maus e matavam pessoas desde os tempos antigos, e me esqueci disso quando cheguei á cidade. Tudo aquilo era só uma amostra de como uma sociedade pacífica de vampiros poderia ser, não a realidade. Todos os vampiros são maus, então? De certa forma, eu também sou.
Neste momento já estava de cabeça baixa, perdida em meus pensamentos. Estava confusa e aturdida, não sabia o que fazer. Pude ouvir os passos de Alice chegando cada vez mais perto de mim, preparando o ataque final.
No momento que a foice dela já estava em movimento, vi um vulto a minha esquerda se mover para perto de mim, e um som de espada se chocando. Não percebi o que havia acontecido até o momento que levantei a cabeça e vi Nathale á minha frente, com sua espada em mãos, defendendo o ataque de Alice com uma agilidade que nunca vi nela.
- Não se deixe afetar pelo que ela fala, Katlyn! – ela gritou, ainda de costas para mim e defendendo o ataque – Vampiros não são assim, eu vi isso com meus próprios olhos. Quando era humana, tinha medo dos vampiros, achava que todos eram maus e me matariam na primeira vez que me vissem. Estava errada. Depois que virei uma de vocês, percebi que não é assim. Claro, temos sede por sangue e tudo mais, mas se eu ainda penso em matar alguém, acho errado. Muito errado. Seus ancestrais poderiam até ser assim, do jeito que falou, Alice. Mas os tempos mudam, pessoas mudam, e vampiros também mudam, como qualquer um. Neste momento estamos em uma época de paz entre os povos, e deveria continuar assim! Não são todos os vampiros que são assim como você! Katlyn não é assim!
Antes que pudesse falar mais alguma coisa, dei um contragolpe que fez a espada de Nathale parar de defender para colocar a minha no lugar, e dei um chute na barriga de Alice, fazendo-a cair para trás, mais distante de nós. Não tirava os olhos dela, mas agora me direcionava a Nathale.
- Você tem razão, Nathale. Fui tola em ouvir as palavras dela – disse, ainda olhando para Alice, que se levantava do chão com puro ódio no rosto – Essa não é a Alice que conhecemos. Ela nunca falaria coisas como essa, não importa a situação. Ela me ajudou quando eu cheguei aqui nessa cidade, e agora é a hora de retribuir o favor. Fique para trás.
Não tive tempo de ouvir uma resposta de Nathale, pois Alice investiu tão ferozmente que quase não consegui me defender. Agora ela já não estava mais com aquele sorriso no rosto, e parecia que estava só brincando comigo. Deixei-a irritada, e agora ela realmente quer me matar.
Agora entendi o porquê de Dan ter sido tão rígido no treinamento, pois aquilo era brincadeira de criança. Lutar contra amigos e treinar minhas habilidades é totalmente diferente de lutar para salvar sua vida e o mundo. E vou confessar, é assustador.
Alice agora não baixava a guarda e muito menos descansava, dando golpe atrás de golpe. Quase não conseguia atacar de verdade, lutando somente com defesas e contra golpes, mas a maioria dos que conhecia e aprendi são mais eficientes com espadas, e não dão muito certo com foices gigantes. Estava cheia de cortes que a lâmina irregular da foice fizera em mim quando tentava me defender, mas o corte profundo em meu braço esquerdo ainda doía como se tivessem jogado ácido, fazendo com que lutar tenha se tornado uma tarefa muito mais difícil.
Não trocávamos uma palavra sequer, deixando a energia somente para a batalha. Ela sabia usar muito bem a foice, fazendo arcos no ar e combos impressionantes, mas era difícil achar uma abertura. Se eu pudesse achar alguma...
E então finalmente entendi. Quando ela fazia o arco com a foice, suas laterais opostas ao ataque ficavam desprotegidas por alguns segundos, perfeito para começar um contra ataque. Só precisava esperar o momento certo e testar.
Como se estivesse lendo meus pensamentos, ela começou a fazer outros tipos de ataque com a foice. De cima para baixo, investidas, mas nada de aberturas. “Se ela abaixasse a guarda só um pouco...” pensei comigo mesma.
Depois de mais alguns ataques, ela desistiu e fez o arco para tentar acertar meu braço. “Perfeito”. E avancei.
Bati com a parte chata da lâmina em seu tórax, dando um primeiro ataque surpresa, e comecei dali. Aproveitei a chance ao máximo, dando combos e fazendo alguns cortes em seus braços e pernas. Alguns de meus ataques ela conseguia defender, mas a maioria eu conseguia acertar. Aproveitei meu contra ataque para empurrá-la até um dos vários pilares em ruínas que tinha ali, onde não pudesse escapar. Quando deu de costas em um dos grandes pilares, ela deu um sorriso debochado para mim.
- Nunca pensei que poderia acontecer isso, você é melhor do que eu esperava, maninha.
- Não me chame assim – eu disse, ríspida.
- Como disse, só alguém com o mesmo sangue que eu poderia ter pensado em um plano e descoberto uma abertura – ela fez um pequeno sinal com as mãos, como se estivesse estalando os dedos, mas logo voltou ao normal – Impressionante.
- Agora, me diga como trazer a Alice de volta, seja você quem for – apontei uma de minhas espadas para ela, em ameaça.
- Parece que você não acreditou mesmo que eu sou Alice. Pois você acredite ou não, eu sou ela, só que uma parte muito bem escondida de sua alma, na qual todos os vampiros têm. Bem, saber isso não fará muita diferença, você morrerá em breve mesmo...
- Morrer? Você não está em posição de dizer iss-
Senti uma dor pior do que qualquer outra que já havia sentido na região do abdômen. Foi muito rápido, não dera tempo de ver o que havia acontecido, mas quando coloquei a mão no local, senti um metal fino e afiado atravessado na parte esquerda de meu estômago: uma espada.
Caí de joelhos, tossindo sangue e ainda com a espada fincada em meu corpo. O que havia acontecido? Alice tinha algum aliado por perto? Não poderia ser...
- Deveria agradecer mais vezes por estes poderes que Christie me deu, são muito úteis. Não é, Nathale?
Olhei para cima, e não sabia o que pensar. Não sei o que doeu mais: a espada fincada em meu corpo, ou saber que foi Nathale que a tinha feito.
Notas finais
Fiquem curiosos, até o próximo. HOHOHO
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