Alice era bem normal. Alta, cabelos lisos e castanhos claros até a metade das costas, se não fossem seus olhos vermelhos e sua pele quase branca falaria que ela poderia ser qualquer pessoa da minha vila. Ela estava lendo algumas revistas de fofocas, ouvindo música com seu Ipod, realmente ela parecia uma pessoa normal.

- Então, Katlyn – ela soltou a revista e olhou pra mim – por que veio para a Blood no meio do trimestre? Pensei que em Argentori tinham escolas ótimas.

- Bem, é que eu estava tendo problemas com notas – menti – e minha mãe me mudar de escola.

- Ah, sim – ela se levantou da cama e colocou um par de que estavam ao lado da cama – Quer dar um passeio? Já estou aqui faz horas. Feriados sem nada para fazer são tão chatos!

- Claro – respondi e fui seguindo-a para fora do quarto

Saímos da área da escola e fomos andando pelas ruas movimentadas da cidade, passando por lojas de todo tipo: roupas, restaurantes, mercados, e várias outras. Essa cidade tinha até mais lojas que minha vila!

Passaram-se mais horas, fomos em todos os tipos de lugares da cidade, Alice me explicava e mostrava cada canto de lá, e eu ouvindo com atenção para captar todas as informações possíveis que possam ser úteis qualquer dia.

Por volta de 19h30 da noite, fomos até um restaurante de comida japonesa – já que eu amo comida japonesa – e jantamos lá. Alice pediu um Yakisoba e, por mais nojento e tentador que pareça, sangue. Pedi o mesmo que ela, só que quase pedi um refrigerante, então pensei direito em como eu estava com fome e pedi sangue mesmo.

Enquanto esperávamos a comida, Alice começou a puxar conversa...

- Então, Katlyn...

- Me chame de Kat, por favor. Já estou acostumada a me chamarem assim.

- Ahn, claro – ela colocou e tirou a mão rapidamente da boca e retornou a falar – então, Kat, você tem namorado?

Meio que fiquei sem ar quando ela tocou no assunto, nem sabia se Johny iria querer falar comigo depois de tudo o que aconteceu naquela noite. A essa hora ele já deve estar me chamando de todos os nomes possíveis relacionados á “aberração”.

- Erm, não – respondi meio que gaguejando

- Ah, que pena. Se quiser posso apresentar uns amigos do meu namorado para você depois, tem uns que são bem gatinhos.

- Bem, talvez outro dia – não estava a fim de achar um namorado vampiro logo agora que estava tentando me arrumar por aqui – então, fale-me do seu namorado.

- Ah, o Michael – ela colocou os cotovelos sobre a mesa e as mãos sobre as bochechas – ele é tão lindo, legal, talentoso, romântico, e o único que tem coragem o bastante para namorar comigo.

- Coragem? Por que? – perguntei

- Ah, é que meu pai é meio que “importante” na cidade e no mundo dos vampiros, se acontecesse alguma coisa comigo relacionada ao meu namorado não sei nem o que ele faria.

- Hum, entendi.

Ficamos em silêncio por mais alguns minutos até a comida chegar. A comida de lá era realmente ótima – principalmente o sangue, meu deus – e o lugar onde sentamos era bem ao lado da janela, assim dando para observar o movimento.

Acabamos de jantar e voltamos para a escola. Entramos no nosso quarto, acabei de arrumar minhas coisas enquanto ela tomava banho. Depois de tomarmos banho, escovarmos os dentes e etc fomos dormir. Foi uma noite ótima: sem sonhos, sem vampiros estranhos, sem Johny, sem nada.

Acordei as 7h da manhã, a hora na qual o despertador de Alice tocou. Ela continuava dormindo, decidi não acordá-la. Coloquei minha roupa normal – calça jeans, camiseta manga curta, jaqueta de moletom por cima – peguei meu horário e saí do prédio.

Na área que havia entre os quatro prédios, haviam várias garotas sentadas em bancos de madeira conversando, como uma escola normal mesmo. Segui em diante até os prédios escolares.

No papel que a diretora Larisse me dera, estava escrito que minha sala era a 113 do 2º andar, e minhas duas primeiras aulas seriam de Ciências.

Entrei no prédio escolar e subi para o 2º andar. Procurei a sala 113, em algum momento de noite Alice me falara que era da mesma sala que eu e que ela ficava no cruzamento do corredor da sala da diretoria.

Fui andando pelos corredores até chegar á sala. Boa parte dos alunos já estavam lá dentro, incluindo Alice – ainda não sei como ela chegou antes de mim, sendo que eu acordei antes dela, deve ser algum truque – que estava rodeada por pessoas e abraçada com Michael, seu namorado-super-hiper-legal como ela diz.

Entrei na sala. Senti alguns olhares se virando para mim, mas foi bem rápido e eles logo se voltaram para o centro da atenção, que parecia ser Alice. Pelo jeito ela era bem popular, ela estava contando algumas coisas para o grupo que não entendi muito bem, então sentei no fundo da sala. Logo depois a professora chegou.

- Sentem-se pessoal – falou a professora – hoje eu tenho um assunto muito interessante para comentar com vocês.

- O que é professora? – falou um menino do outro lado da sala

- Você vai saber quando eu começar a contar, oras – ela pegou a lista de chamada – bem, vou fazer a chamada. Alice?

- Presente – Alice falou levantando a mão

Ela falou milhares de nomes até chegar no meu, que era praticamente o último da lista de chamada.

- Katlyn? – ela falou

- Aqui – falei levantando a mão

Metade da sala olhou pra mim, observou bem e começou a fofocar, isso era normal já que eu era uma aluna nova que entrou na escola praticamente no meio do ano letivo.

- Você é aluna nova, não é? Bem vinda á Umbrae School. – e ela continuou falando – Caleb?

- Ele não chegou ainda, professora – falou uma menina ao lado de Alice – deve estar faltando aula de novo

- Se faltar de novo vai levar outra falta, simples...

Nesse momento, a porta se abriu e um garoto entrou. Ele tinha cabelos castanhos claros nem muito curtos nem muito compridos, um pouco mais alto que eu – deveria ter mais ou menos 1,75 de altura – e estava com fones de ouvido.

- Chegou, Caleb. Quase levou falta. – falou um garoto da frente da sala.

- Ah, dane-se – ele falou e sentou na cadeira ao meu lado.

- Bem, podemos começar a aula? – falou a professora – hoje falaremos inteiramente sobre um assunto: Tatuagens Vampíricas – uma aluna que parecia ser meio nerd levantou a mão e a professora apontou para ela – Marcela.

- Tatuagens Vamíricas são como o “código de barras” de um vampiro, cada um tem uma diferente em qualquer parte do corpo, pode variar muito, pode ser parecida com a de alguém da sua família, mas nunca são iguais. Caso um vampiro transforme um humano em vampiro, o humano recém-transformado recebe uma tatuagem no mesmo lugar e igual a do vampiro que o transformou, só que em preto e branco.

- Corretíssimo Marcela. – a professora bateu palmas e continuou – Vamos ver uma pessoa aqui para mostrar a sua. Alice?

- Sim – Alice se levantou e foi até o lado da professora.

- A Tatuagem de Alice é um exemplo de, como eu chamo, “Tatuagem Hereditária”, que parece com a de parentes próximos, mas não igual.

Alice tirou os cabelos do pescoço e mostrou sua Tatuagem no pescoço. Era uma Rosa bem vermelha, com alguns detalhes em azul e prata.

- Como podem ver, a Tatuagem é bem pequena, mais ou menos do tamanho da unha do dedão. A Tatuagem em vampiros normais, aparece depois dos 16 anos, mas em vampiros de sangue nobre, como Alice, elas aparecem bem antes, com uns 5 ou 6 anos. Pode se sentar, Alice.

Então isso confirma minhas suspeitas de que Alice é de alguma família nobre por ali, já que o pai dela é “temido” pelos meninos.

O resto da aula foi bem chato, ela começou a contar a história de quando sua tatuagem apareceu e todos pareciam muito entendiados. Senti um formigamento no pulso direito, dei uma olhada e me deparei com um pequeno redemoinho com uma estrela no centro desenhado no meu pulso.

Isso é... uma tatuagem?