Caminhando entre os mortos 2
2 Capítulo 2 - Sem direção
Notas iniciais
Pov – Alice
─Ficou com medo dos zumbis perceberem que estava viva? – Carol me olha enquanto caminhamos infinitamente
─Só pensei que vocês estavam lá e os queria vivos.
─Voou pedaço de zumbi para todo lado?
─Sim.
─Porra queria ter visto isso, deve ter sido bem legal.
─Não pensei muito sobre isso – Ela ri.
─Sabia que te veria de novo, agora só falta a Beth.
─Alice...
─Não Carol, não me tira as esperanças, estão tentando fazer isso desde que a prisão caiu e ninguém conseguiu, no fim eu estava certa o tempo todo, estamos todos aqui!
Ela respira fundo, estamos todos bem cansados, depois ela afirma com um movimento de cabeça e sorrimos, Daryl surge ao meu lado, seguro sua mão, Carol se afasta um pouco e Rick está logo a frente.
─Quanto tempo falta para ficar de noite, Rick? – Esse negócio de andar e andar é irritante.
─Ok gente, vamos passar a noite aqui, amanhã seguimos em frente descansem e comam alguma coisa.
Rick diz cansado dos meus pedidos de descanso, suspiro aliviada quando ele vai conversar com Tara, ainda não sei nada sobre ela e os outros, só que Abraham é meio chato e Eugene um nerd.
─Feliz? – Daryl me pergunta quando nos sentamos encostados em uma árvore.
─Muito! Estamos vivos e sempre gosto quando a gente fica vivo.
─Também gosto.
─Vou ali falar com o Bob, é um minuto! – Aviso e aproveito que Sasha está conversando com o Ty, me sento com Bob, ele me sorri, está tão bem, gosto de vê-lo assim – Ainda vivos! – Eu digo e ele sorri.
─Sim, é bom ter você de volta! – Ele me segura a mão.
─Você e a Sasha estão se pegando que eu vi!
─É amor garota! – Bob me diz orgulhoso – Mas não pense que foi fácil.
─Ela se fez de difícil? – Ele junta as sobrancelhas sem me entender – Esse negócio de difícil é ótimo!
─Deve ser, ao menos comigo funcionou, ela me tem nas mãos!
─Boa sorte, fico feliz, torcia por você lá na prisão, que bom que tudo está quase bem para quase todos nós.
─Sempre um quase! – Bob ri. – Obrigado Alice.
─Por que? – Pergunto sem entender.
─Por aquele dia na estrada, pela chance que me deu, pelos bons dias que vieram depois, por ter me perdoado pelo passado e ainda poder sorrir para mim, mesmo depois de tudo.
─Bobagem Bob, decidi que não teve culpa de nada, e também decide que se sobramos e estamos juntos vamos fazer o melhor disso, como esse jogo que joga com a Sasha.
─Certo, Obrigado!
─Mas preciso dizer que pôquer é muito melhor!
─Aposto que é!
─Vou lá com o Daryl que se não ele fica com ciúme de você, sabe que ele me ama muito! – Bob concorda e me levanto, Daryl está mexendo nas folhas enquanto finge que não me nota sentada ao seu lado.
─Bob e Sasha estão juntos, isso é bem legal não acha amor?
─Acho, acho ótimo! – Diz sério, me encosto nele ignorando sua leve irritação, Judy está no colo do pai e toda vez que olho para ela penso em Beth, isso é tão confuso.
Procuro Maggie com o olhar, ela está com Glenn, ainda não falamos sobre isso, não tenho coragem de puxar esse assunto com ela.
─Com fome? – Daryl pergunta passando um braço por meu ombro, me encosto em seu peito.
─Um pouco! – Não sou do tipo que fica mal se está com fome, odeio mesmo o frio, mas a fome é aceitável, ele me oferece umas nozes, ganha um beijo de gratidão – A gente devia fazer sexo.
─Alice! – Ele olha em volta, mas estão todos envolvidos demais para nos ouvirem.
─Só o Carl e a Judy não sabem o que é isso amor, sei que é estranho, mas todo o resto já fez isso, pode apostar!
─Shiu! – ele me aperta, rio do seu nervosismo.
─A gente podia ir atrás de umas árvores! ─ Nunca vou cansar de provoca-lo com isso.
─E ser devorados?
─Um pelo outro? – Ele me beija, o velho método de me calar, adoro ele.
─Maluca.
─A gente ficaria bem mais relaxados.
─Vamos encontrar uma maneira, mas se puder calar a boca por agora eu agradeço.
─Quanto é por agora?
─Até estarmos sozinhos.
─Na próxima vida você quer dizer! – Reclamo fechando meus olhos, me aconchego e adormecemos.
Odeio mosquitos, mais do que zumbis, mais do que baratas, eu odeio mosquitos, penso antes mesmo de abrir os olhos, o dia mal tinha amanhecido, dou um tapa no meu braço, esbarra em Daryl.
─O que? – Ele abre os olhos atento.
─Nada, moscas, um time inteiro, elas me acham uma delícia sabia?
─Moscas assim como os zumbis não são muito seletivas.
Eu o beijo e logo estamos de novo caminhando, aquilo nunca mais vai acabar, talvez a gente esteja indo para a América do sul a pé, ou para o polo norte, não sei dizer se caminhamos para o norte ou para o sul, só caminhamos e caminhamos e de vez em quando matamos uns zumbis.
─Acha a Rosita gostosa? – Pergunto no meio do dia.
─Ahm? – Daryl me olha com aquela cara que faz quando digo algo que ele não entende – Acha ou não?
─Outra daquelas perguntas sem resposta certa?
─Se eu fosse um homem eu acharia a Rosita gostosa, você acha?
─Amo você Alice, já disse um monte de vezes, não presto atenção nas outras.
─Só estava checando, é sempre bom, já convivo com seu lencinho delicado.
─Bom eu convivo com você, então está em vantagem.
─Me magoou agora! – Capricho no olhar triste porque ele para no mesmo instante preocupado, mas depois de me vasculhar com o olhar me puxa pela mão bravo.
─Idiota!
─Vai escurecer de novo algum dia? – Rick ri ao meu lado.
─Mais uma hora e paramos Alice, prometo.
─Só quero registrar que prefiro a América do sul, o polo norte é muito gelado.
─O que? – Rick me olha sem entender do que estou falando.
─Eu digo, Alice não é fácil Rick, vai saber do que ela está falando, ela acha que vivemos em seu cérebro, que todo mundo sabe de onde vem essas coisas que ela solta sem aviso.
─Dois irmãos babacas, vou lá com o Carl e a Judy, eles são muito mais divertidos.
Sentamos com Carol á noite, tem algo nela que não entendo, algo que a magoa de um modo confuso, que ela parece não querer contar, não foi fácil para nenhum de nós, mas não sei, para Carol foi devastador e me dá medo de que ela não possa superar isso.
─Não quero falar sobre isso! – Ela diz nos encarando. – Quero esquecer apenas.
─Tudo bem! – Daryl diz e continuamos a olhar para ela.
Ficamos em silencio um tempo, apenas nós três ali, enquanto o grupo dorme um pouco.
─Devolvi o relógio do Rick que encontrei em Terminus, e nos entendemos.
─Isso é bom! – Daryl responde.
─Não faz nada direito em Carol, cadê a Katana da Mich? Adorava as cabeças rolando, pegou até o relógio.
Carol me olha série, depois sorri e o sorriso se alarga e então está rindo e gosto de vê-la assim, ela me faz bem e quero fazer o mesmo por ela.
Daryl se ergue em alerta, nos manda fazer silencio, olha em volta todo atento, depois volta para perto de mim.
─Acho que não era nada.
Passamos a noite em alerta, um pouco antes do sol amanhecer ele me acorda.
─Ainda é ontem Daryl! – Eu reclamo, ele revira os olhos.
─Vamos caçar, não vou te deixar aqui, você vem comigo.
─Não é louco de dar um passo sem mim.
Nos afastamos do grupo, andamos um tempo e sei que ele procura mais do que coelhos e esquilos.
─O que foi?
─Acho que podemos ter tido companhia essa noite, mas não achei nenhuma pista.
─Acho que devíamos ter voltado em Terminus e acabado logo com aquilo, agora vamos sempre ficar com receio.
─Com Judy? Não, tínhamos que partir e se aquele infeliz conseguiu sair de lá e está nos caçando espero que apareça logo.
─Meu marido é muito mal! Adoro isso.
Daryl acerta um esquilo e fecho os olhos.
─Acho que eles comeram – Digo triste enquanto Daryl prendia o esquilo entre os outros que já caçou, ele para e me olha, meus olhos ficam marejados.
─O que foi? – Me pergunta quando uma lágrima escapa.
─Fico tentando não pensar, tenho brincado, mas... não quero pensar que eles faziam aquilo, que comiam pessoas, que faziam isso por escolha, não importa o que disseram a si mesmos eles tinham uma escolha, nós morreríamos não é?
Daryl me abraça, me aperta a ele, beija meus cabelos e faz um carinho no meu rosto, sempre que sabe que estou mesmo triste fica carinhoso, cuida de mim, ele me beija.
─Sim, Alice, nós morreríamos, mas saímos de lá, acabou.
─Quando chegamos eles nos ofereceram carne, teríamos aceito não fosse o Rick ter visto o relógio do Glenn, acho que fizeram isso com os outros, eles chegaram famintos como todos que chegavam por lá, nunca mais poderia viver se tivesse comido aquilo.
─Não pensa mais nisso, viramos essa pagina, temos novos desafios agora.
─Andar até o inferno! – Resmungo entre as lágrimas e ele ri.
─Então já chegamos, vem eles estão perto, pegamos um bom número, vamos nos juntar ao grupo.
Seco as lágrimas, elas vêm e vão e isso não posso mudar, uma vez Daryl me disse que eu podia ficar triste as vezes e acho que está certo, mas não posso nunca deixar que me domine.
Quando encontramos o grupo todos nos apontam suas armas, bela recepção penso sorrindo de novo.
─Nos rendemos! – Daryl brinca, depois avisa a Rick que não encontramos nenhum sinal e seguimos, mas gritos por socorro nos fazem parar atordoados, Carl quer ajudar, Rick fica em dúvida, olha para Daryl e então corremos todos em direção ao som.
Zumbis tentavam alcançar um homem que gritava desesperado sobre uma pedra.
Derrubamos os zumbis, na verdade eu não, eles, eu estou achando aquilo tão confuso que nem me movo.
É um padre, descubro quando ele finalmente desce, o homem vomita, mas isso nem é grande coisa, já vimos coisa bem pior.
Começa a velha entrevista de Rick Grimes, o homem diz que nunca matou, que só confessa seus pecados a Deus e aquilo bem me preocupa, ele tem uma igreja, decidimos ir com ele, sei lá se ele gostou da ideia, mas não se atreveria a dizer não.
─Você é padre mesmo? Do tipo que trabalha para Deus? – Pergunto e ele me afirma com um sorriso – A gente não devia ter salvo um padre! Agora fodeu tudo. – Sussurro para Daryl que me olha chocado.
─Disse mesmo isso? Justo você?
─Amor, ele é padre, trabalha direto com o cara, sei lá, agora estamos bem mais perto de Deus, ele vai ficar de olho em tudo.
─Alice, você com certeza caiu de cabeça quando nasceu.
Faço careta, é hora de agir, alguém tem que salvar nossas almas.
─Padre – Eu o chamo, estão todos atentos a ele, com medo de ser uma emboscada, eu penso mesmo é em Deus – Quando estiver em reunião com o cara, você sabe, rezando e essas coisas, pode dizer a ele que não era sério?
─O que? – O padre pergunta.
─Ele vai saber, quer dizer, eu gostei quando aquela vadia da Tess morreu, mas não muito, talvez, um pouco – Melhor admitir logo tudo de uma vez – Certo, eu adorei, mas ela foi para o inferno, então acho que Deus não vai se importar, e tem mais umas coisinhas, eu odiava meu cunhado matava ele mentalmente, tem os palavrões também, acha que ele escuta tudo? E sobre casamento e sexo, a gente começou pela segunda parte, mas...
Daryl me puxa pelo braço, me fuzila com o olhar.
─Pode esperar chegar a porra do confessionário? Que merda Alice, está todo mundo te ouvindo.
─Estou tentando salvar nossas almas!
─Está tentando me matar de vergonha isso sim! – Me calo, acho que a gente não tinha mesmo mais salvação, que se dane, ele vai ter que me pegar primeiro antes de me mandar para o inferno.
─Talvez isso seja mesmo uma emboscada! – Escuto o padre dizer a Rick – Talvez eu queira apenas roubar seus esquilos!
Daryl o fulmina, agora sim ele brincou com fogo, os esquilos do Daryl disputam o primeiro lugar comigo.
─Os membros da minha congregação sempre disseram que meu humor deixava a desejar
─Verdade! – Daryl avisa.
A igreja finalmente surge, adoro vê-la, ao menos assim, ela parece um bom lugar, mas nunca se sabe afinal, de qualquer modo é melhor que andar dia e noite sem direção, vamos ver o que nos aguarda.
Fale com o autor