Caminhando entre os mortos 2
20 Capitulo 20 - Sintomas
Notas iniciais
Pov – Beth
─Oi Beth. – Bruce me assusta quando toca meu ombro, dou um pulo e me viro apressada. – Desculpe, não queria assusta-la.
─Não tem problema, estava tão distraída arrumando a nova enfermaria, no fim aprendi um pouco com a vida.
─Alice me pediu para avisar que foi caçar esquilos, não sei se faz sentido para você.
─Até faz sentido em se tratando de Alice, por que o fato de nada ter sentido então... Esquece, já comemos muito esquilo na vida.
─Ficaram muito na estrada?
─Muito, em períodos diferentes, mas isso nos fez fortes.
─Dá para ver Beth.
─Daryl é muito preparado, ele não a levaria se não estivesse pronto.
─Imagino que sim, agora me diga, precisa de ajuda?
─Não. Acabei aqui, vou dar uma olhada na Judy, Rick e Mich tem umas coisas para fazer e me comprometi com ela.
Ele me olha com carinho, depois segura mais uma vez minha mão, meu coração dispara, definitivamente preciso conversar com as garotas. As borboletas no estômago me deixam ansiosa, gosto disso.
─Quem sabe não levamos Judy para te ouvir tocar um pouco de piano?
Adoro a ideia, meus olhos marejam, posso ensinar minha menininha, sim, é isso, a música não vai se perder, se começar agora ela vai acabar aprendendo a apreciar música.
─Vamos.
Sem me dar conta eu o puxo pela mão e caminhamos juntos, solto seus dedos entrelaçados aos meus quando me dou conta. Encontro Mich com Judy no meio do caminho, ela me estende os braços sorrindo, eu a pego no mesmo momento.
─Oi meu anjinho! – Beijo seu rosto. – Vou levar ela para me ouvir tocar piano Mich, nossa menininha vai aprender.
─Será seu legado! – Mich diz acariciando o rosto de Judy. – Vamos fazer uma ronda rápida, só uma volta para ter certeza sobre as condições do lugar.
─Cuidado, não se preocupem com nada.
Me afasto com Bruce ao meu lado, nem me preocupo se ele tem ou não compromissos, ele quis estar comigo e isso me deixa feliz.
Assim que entremos Bruce da uma volta pela casa, depois me encontra de volta na sala.
─Só conferindo. – Ele pega Judy dos meus braços. – Vai, ficamos aqui te ouvindo.
Me sento no piano, levanto a tampa e ele me sorri, depois olha para Judy, gosto de como seu olhar se aquece quando a observa, qualquer um que olhe para minha menininha assim ganha meu coração e Bruce vem conseguindo isso.
Toco piano um tempo e os olhinhos dela brilham, ela aplaude, sorri, balbucia palavras, me estende os bracinhos encantada, meus olhos ficam úmidos, essa garota que não chora mais anda derramando muitas lagrimas.
Bruce me traz Judy, ela vem para meu colo e rimos quando ela bate os dedos no teclado criando sons desafinados.
─Vai ser uma linda pianista.
─Vai não é meu amor? – Beijo seus cabelos.
Uma hora depois, decidimos ir embora, me ergo com Judy nos braços, com o movimento ficamos frente a frente, ele é mais alto e preciso erguer a cabeça para encara-lo.
Com delicadeza ele afasta meus cabelos, toca minha cicatriz me afasto incomodada, Bruce respeita.
─Vem, acho que precisamos achar July, viu ela hoje?
Adoro como ele é protetor com a pequena.
─Você gosta dela não?
─Muito, me preocupo, acho que até tudo estar mesmo seguro não é bom ela ficar solta por ai, pense numa horda invadindo o lugar e nós dois tendo que caçar July?
Meu coração se aperta com a ideia, mesmo feliz por ele se incluir na responsabilidade por July.
─Me assustou agora, vamos encontrá-la.
─Quer que leve a pequena?
─Ela não pesa nada! – Digo sorrindo. – Cuido dela desde que nasceu, por um tempo sentia que não servia para mais nada, era bom, ao mesmo tempo sufocante, agora que posso só amar Judith as coisas são diferentes.
Caminhamos de volta para casa, vou olhando em volta em busca de July, Carl e Pam, encontro os três em volta de uma fogueira, com eles Daryl e Alice.
Me aproximo para entender o que se passava. Carl sorria, July e Pam faziam cara de nojo, Daryl tinha aquele olhar apaixonado e bobo que sempre lançava para Alice.
Já Alice devorava a carne de esquilo que conheço tão bem e posso evitar para sempre. Olho para aquilo sem entender nada.
─Porque está comendo esquilo Alice? – Ela lambe os dedos e recebe um cutucão de Daryl e sei que é por conta da presença de Bruce.
─Vai fazer como o Carl e fingir que nunca comeu isso? – Alice responde. – Estava com saudades porra.
─De esquilo assado? – Aquilo me parece bem estranho, não é apenas isso, mas decido não investigar a fundo, não ainda.
Pov – Alice.
A carne está absolutamente saborosa, não sei se sempre foi assim, mas no momento estou achando a melhor coisa que já comi.
─Amor a gente gostava de comer esquilo? – Decido confirmar.
─Sei lá Alice, acho que sim, era isso ou a morte lenta.
─Estou achando esse treco uma delícia.
Os garotos se afastam junto com Beth. Ficamos eu e Daryl sentados diante da fogueira.
─Vai comer mesmo todo esquilo?
─Sabia que iria querer, nem vem, ninguém mandou caçar um só Daryl, não vou te dar.
─Quem disse que quero isso? Só estou achando estranho querer ele todo.
─Amor eu também estou, então me deixa!
─E não precisa ficar lambendo os dedos precisa? – Sorrio, reviro os olhos.
─Cacete Daryl não tem ninguém aqui.
─Mas tinha o Bruce. – Que chato isso, não posso nem lamber os dedos em paz. Passo as mãos sujas na camisa dele, as duas, tenho o prazer de soltar a carne só para fazer isso, ele fica mudo mais uma vez. – Alice você é ridícula, não vai crescer nunca?
─Velho! Um vovô, cento e um anos hoje!
─Cinco anos! – Ele resmunga.
─Você tem muito ciúme de mim Daryl, me ama demais! Sufoca isso.
Ele revira os olhos e pego de novo o último pedaço de carne, mastigo feliz enquanto Daryl se ergue apagando a fogueira.
─Satisfeita? – Ele me pergunta quando me ajuda a ficar de pé.
─Completamente. Agora a próxima refeição será o jantar né?
─Sério que já está pensando nisso? – Ela me olha espantada.
─Está com medo de eu ficar gorda?
─Sabe que não ligo para isso.
Abraço Alice, beijo seus lábios, está tão linda, os cabelos soltos, o rosto corado, os olhos brilhando como duas joias.
─Eu ligo amor, quero ficar sempre gostosa, eu sou bem gostosa não é? Admite que me acha uma delícia.
─Vou trabalhar Alice.
─Vai, também vou caçar o que fazer. Ando meio preguiçosa.
─Merece um descanso, trabalho por nós dois. Se me deixar é claro.
Faço cara de coitada, logo ele me puxa de volta para seus braços, me beija, amo como ele pode ser carinhoso e romântico, como sempre se preocupa em como me sinto e me agrada mesmo quando não mereço.
─Te amo sua louca. Vai achar o que fazer e nos vemos mais tarde.
─Amanhã a gente podia caçar mais esquilos, não é? Me apeguei com o bichinho.
─Morto!
─Tinha que me lembrar? Pobrezinhos.
Aquilo é mesmo uma pena, mas o que posso fazer se acabou o supermercado?
─Deixa eu ir, não fiz nada hoje Alice e para de chorar pelos animais, eles nos mantem vivos.
─Sim senhor.
Beijo Daryl, depois sigo ao encontro de Beth, ela estava com Maggie mais uma vez, as duas arrastavam uma mesa para o futuro refeitório comunitário, ajudo, a coisa pesa uma tonelada.
─Essa merda é feita de aço? – Reclamo parando um pouco.
─Vai Alice! – Maggie ria ─ São dois degraus só.
─Deixa a Alice Maggie, eu e você conseguimos. – Beth avisa e olho torto para ela.
─Porque não?
─Nada Alice, apenas não precisa.
─Que cara de mentirosa! – Eu percebo, Maggie troca um olhar com a irmã e num movimento brusco as duas sobem a mesa, depois ajudo a colocar na varanda, ao lado da outra, em seguida colocamos cadeiras em volta e então nos sentamos as três nos degraus da escada.
─Preciso de ajuda. – Beth diz e logo sorrimos. – Agora te entendo porque de vez em quando precisa de uma garota Alice.
─Para de enrolar e diz o que rolou.
─Nada. – Meu ar de tédio faz as duas rirem. – Mas quero que role.
─E onde nos encaixamos? – Maggie questiona. – Parece decidida.
─É que estou achando que é aquela coisa mais permanente. – Temos um ataque de risos.
─Nem consegue dizer amor! – Eu e Maggie dizemos juntas. Ela faz careta.
─Isso é sério, nunca me senti assim.
─Não tem nada errado nisso, se ama o Bruce se entregue, ele te ajuda a superar as coisas, vai ver. Não foge não. – Quero tanto que ela sinta como é bom viver um amor verdadeiro.
─E se não der certo? – Beth pergunta.
─Vai sofrer muito e depois ficar de pé, e pode mandar ele se foder e pegar o Noah.
─Alice! – Maggie briga comigo.
─Foi só uma ideia! – Me defendo, elas acabam por rir. – Acham que já está na hora do jantar?
─Mulher o que deu em você? – Maggie me pergunta, dou de ombros.
─O assunto aqui é Beth Greene e seu futuro homem, aliás um bem gostoso louco para adotar a July.
─Ele é tão lindo. Adoro como gosta das crianças.
─Amo como joga mal pôquer.
Rimos mais uma vez e então Glenn surge chamando Maggie, ela se ergue, depois de se despedir nos deixa.
─Está bem Alice? O cansaço passo?
─Acha que estou doente Beth?
─Claro que não, só perguntei.
─Me sinto ótima, mas o assunto aqui é você.
Ela suspira, depois assiste encanrada Bruce passando e sei que não tem como fugir quando algo assim acontece.
─Tive medo de amar o Daryl, tive medo de me entregar e sofrer, mas sem ele eu já estaria morta, amo a vida que temos, ele é minha melhor parte, faz minha vida valer a pena.
─Quero isso, mas depois de tudo que passei.
─Da uma chance, vai com calma, vai dar tudo certo.
─Vamos ver. Agora vai procurar o Daryl que deve estar na sua casa achando que deixou ele.
─Não duvido.
Quando entro em casa está tudo escuro, ainda deve estar nos muros, esse povo ama trabalhar. Me lembro na moto, prometi não sair lá fora com ela, não disse nada sobre andar aqui dentro.
Corro para a moto, dou partida e sigo pelo caminho mais longo em direção aos muros, os homens juntavam o material de trabalho encerrando o dia quando me aproximo.
─Vim te buscar! – Ele me olha torto, faço bico, Rick ri. – Não vai brigar comigo amor.
─O que está fazendo com essa moto?
─Só queria ser legal, achei que podia estar muito cansado.
─Não acredito nessa sua cara de pau! – Ele me faz descer, depois se posiciona, sem bem que nunca aceitara minha garupa.
Me abraço a ele, dois minutos estamos em casa, desço e ele ainda está de cara fechada, sinto um aperto no coração, não gosto que fique bravo comigo.
─Que foi amor? Vai brigar comigo?
─Só me preocupo.
─Eu sei, mas acho que se brigar comigo eu vou chorar.
─Não vai não, amo você, pode andar aqui dentro quando quiser.
─Te amo, vamos comer! – Ele me beija.
─Amanhã vamos numa busca por suprimentos, Rick disse que a reunião parece segura.
─Eu vou? – Ele me puxa para seus braços, passa o braço por meu ombro e caminhamos juntos para o jantar em grupo.
─Vai maluca, mas já sabe...
─Lá vem a lista, me deixa Daryl, já decorei a porra toda.
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