Caminhando entre os mortos 2

37 Capítulo Bônus - Parte final.


Notas iniciais
Oieee. Não sei muito se estou feliz, no fundo acho que não muito. Amo Alice, escrever sobre ela sempre me traz leveza, mas vamos dar um descanso para essa familia, prometi um nova temporada no fim do ano, não será longa, mas vamos matar as saudades, até lá não vamos ficar sem Daryl, tem um monte de coisas em andamento e muito mais por vir. Fou incrivel ter vocês comigo, dividir Alice e suas maluquices com vocês, Vamos ver se gostam. Como de costume por favor, deixem um recadinho para que eu possa agradecer pessoalmente.

Pov – Alice

─Eu sei monstrinha, está cansada de ficar aí dentro, mas está chegando a hora, vai ver que o mundo aqui fora é bem divertido. – Aliso minha barriga, eu não tinha a menor ideia de que ter um bebê dentro de mim fosse ser tão divertido.

Me sento no sofá, uma certa angustia me domina, um mal estar estranho, respiro fundo, arrumo almofadas nas costas, a barriga nunca foi problema, em nenhum momento. Daryl até fica bravo porque não paro quieta, mas agora está meio estranho.

Olho no relógio, seis e dez, logo ele está aqui. Emma disse que eu saberia quando a hora chegasse e começo a achar que chegou, se ela não estivesse tão longe eu ligaria, mas só vou preocupa-la.

Fico de pé, dou uma volta pela sala.

─Vai ser uma menininha bem espertinha não é Alien? Papai escolheu o nome certo para você. Agora ele que aguente as consequências, já sei, vamos ligar para o tio merle, irrita-lo vai me animar um pouco.

Pego o telefone e sinto uma dor estranha, merda isso vai ser um problema, se o papai não chegar logo vamos ter que fazer isso sozinhas.

Digito o número de Merle, Helen foi um bom presente, ela o põe mesmo na linha, o pobre homem faz qualquer coisa para não perde-la.

─Helen? –Escuto sua voz suave do outro lado da linha, ela veio nos conhecer há dois meses, ficaram um fim de semana e descobrimos que Merle tem um bom emprego e vai todos os dias do trabalho para casa.

─Como vai Alice?

─Bem, o Merle está aí?

─Sim. Só um minuto. – Um tempo depois ele atende.

─O que quer maluca?

─Oi tio Merle! Como está a vida de casado?

─Melhor que a do meu irmão que tem que te aturar, eu disse a ele que devia procurar melhor, mas ele foi logo aceitando o que a vida mandou de cara.

─Também te amo! – Uma dor forte me faz morder o lábio, gemo sem querer.

─O que foi? Cadê meu irmão?

─Daryl está no trabalho e eu acho que estou tendo um bebê.

─Porra Alice! E liga para mim? Desliga essa merda e chama uma ambulância! – ele esbraveja, esses Dixons são sempre tão irritáveis.

─Para de gritar Merle, estou tendo um bebê, não ficando surda!

─Se a Alien nascer ai no meio da sala do nada vai ver o que faço! Desliga logo isso e faz o que mandei. Está com dor?

─Porra! Aí! Ela está meio que me rasgando toda! – Acho que ele está certo, é mesmo melhor eu ir para um hospital e tomar uma injeção bem grande e acordar quando ela fizer quinze anos. – Merle eu acho que vou ter que desligar. Cacete a menina está com pressa, a gente se fala, da um beijo na Helen.

─O que vai fazer?

─Vou para o hospital.

─Sozinha? Não! Liga para ambulância!

─O Daryl chega aqui e vê uma ambulância e tem um enfarte, eu vou indo, para de falar comigo, quero desligar.

─Alice! – Eu desligo, conversa chata no meio do parto. Escrevo um bilhete para Daryl. Depois pego a chave da moto e vou para a porta, desço as escadas, demoro dez minutos no processo, cada degrau uma nova dor. Abro a porta da rua e a caminhonete de Daryl como que por milagre para na porta, seu rosto fica pálido ao me ver.

─Oi amor! – Sorrio para ele não ficar muito bravo. – Pode subir em casa pegar a mala da monstrinha e me levar para o hospital?

Ele está mudo, me olha de olhos arregalados, engole em seco, afirma e me apoio nele quando uma nova onde de dor me domina.

─Se der para ser ainda hoje.

─Eu... Eu... Vem, vou te colocar no carro, como assim nascendo? Sem aviso? Só nascendo mesmo?

─Não amor, ela mandou um telegrama avisando! – Uma onda bem forte me domina e belisco seu braço. – Vai logo, merda!

Ele me ajeita no banco, depois bate a porta com força, corre escada a cima em busca da mala, desce com ela meio minuto depois, balançava meu bilhete nas mãos com ar furioso. Entra batendo a porta do carro.

─Peguei a moto e fui para o hospital, a mosntrinha está escapando por minhas pernas? Você tem problema mental? É assim que pretendia me avisar? Queria me matar Alice? – Ele da a partida no carro e acelera.

─Escrevi um, fica tranquilo no final, não leu?

─De moto? Esse era seu plano?

─Queria que eu fosse a pé? Porra acelera ai que ela está apressada. Brincadeira besta essa de ter filho. Fica ai amorzinho, é tão confortável, mamãe adora te carregar.

─Não vai convence-la! – Ele diz acelerando ainda mais.

─Shiu! Estou negociando, cala a boca.

O hospital se aproxima e me sinto aliviada, ele para uns centímetros antes da porta, logo um batalhão de gente se aproxima e quando vejo estou numa sala de cirurgia vestindo roupas adequadas, com Daryl segurando minha mão enquanto pareço ser capaz de arrancar seus dedos de tanto que aperto.

─Amo você, vai ficar tudo bem, não tenha medo, vamos conseguir.

─Eu sei amor. – Aviso com o rosto molhado de suor, ele me beija os lábios, a dor vem mais uma vez, é algo fora do normal, porque as pessoas têm mais de um filho? Essa porra é infernal. – Alguém me dá um negócio para essa dor parar.

─O bebê quer nascer. – Uma enfermeira me avisa como se eu não soubesse disso.

─E tenho que fazer tudo que ele quer?

A mulher e o médico trocam um olhar confuso, foda-se, nem ligo amo meu bebê, mas traze-lo ao mundo dói.

─Eu sabia que essa coisa de sexo era bom demais para ser verdade, tinha que ter uma merda qualquer para a gente não querer nunca mais ver um homem na frente. Mentira amor, ainda quero.

─Shiu Alice, não é hora de dizer bobagens se concentra.

─Pronto Alice, agora quando a dor vier você ajuda. – O médico me pede sério.

─Ajuda? A monstrinha ainda precisa de ajuda? O que quer que eu faça, use palavras de incentivo, foça mosntrinha, rasga a mamãe!

─Empurra! Faz força! – O médico pede rindo, todo mundo se divertindo nessa merda, menos eu.

A dor vem e faço que me mandaram, empurro com força, canso, a dor diminui um pouco, aperto a mão de Daryl meus olhos procuram os dele, sinto medo, quero meu bebê em meus braços, quero minha filha linda e saudável, e se der algo errado, choro, Daryl me beija os lábios.

─Vamos lá, é uma garota infernal, consegue tudo que quer, sabe que pode, então vamos lá, coloca logo minha filha em meus braços.

Afirmo, nada no mundo pode me vencer e faço força, busco toda energia que tenho e coloco naquele momento, sinto uma parte de mim me deixar e então meu corpo relaxa quando escuto seu choro, ela vem para meus braços, linda, perfeita. Tenho uma crise de choro enquanto investigo seu corpo.

─Olha amor, tão linda perfeita. – Daryl está ao meu lado, sorri e chora, mudo e emocionado.

─Amo você Alice, agora mais do que em qualquer momento, é minha vida, vocês duas são. – Ele me beija, depois beija a cabecinha dela, então ela é retirada de nós, vai receber os primeiros cuidados, já que não posso acompanhar Daryl fica comigo, me envolve, beija, segura minha mão, eu não devia ser tão má com ele como sou as vezes, mas ele gosta. – Moto? Moto? Queria vir de moto?

─Acabei de ter um bebê Daryl, estou fraca, quase morri, não briga comigo.

─Sempre apelando.

Daryl fica comigo no hospital, os dois um tanto bobos olhando nosso coração bater agora fora de nós, é estranho que aquela coisinha pequena e perfeita é dona de todo meu ser, que eu a ame mais do que a mim mesma.

Amanhã vamos para casa começar uma vida nova, essa noite ficamos ali, olhando para ela meio idiotas, com medo de perder qualquer movimento.

─Quando amanhecer liga para Emma? – eu peço enquanto ele segura minha mão e assiste Ally mamar. Cinco da manhã e a mosntrinha come tranquila.

─Sim e o Merle.

─Ele sabe, liguei para ele quando o bebê estava nascendo, ele ficou gritando comigo feito um imbecil. – Ela termina a mamada e está adormecida em meus braços, não tenho a menor vontade de me afastar dela.

─Não acredito que só me diz isso agora! O cara deve estar maluco sem noticias, eu vou ligar para ele.

─Agora? – Merle surge na porta, depois de ter me feito guiar a noite inteira? – Ele se aproxima, aperta a mão do irmão sorrio para ele. – Deixa eu ver essa coisinha. – Afasto um pouco as cobertas. – Coisinha esquisita. Não parece com nada? Tem certeza que é a de vocês?

─Ela é linda Merle, perfeita. – Falo bico, ele ri, faz uma careta.

─Vê se cuida para Alice não fazer merda Daryl, sabe como ela é toda torta.

─Dirigiu quilômetros só para me irritar? Podia ter ligado.

─E perder essa sua cara de idiota? Nem pensar. Que bom que está tudo bem, tenho que ligar para Helen, sai meio maluco de casa depois que essa doida ligou para bater papo no meio do parto.

─Vai ficar uns dias Merle?

─Não Daryl, eu volto depois com a Helen, só vim porque achei que você podia ter morrido no meio do parto.

─Eu fiquei bem. – Daryl diz sorrindo, ele não consegue parar de sorrir.

─E o nome? – Merle toca de novo a cabecinha dela meio bobo como nós.

─Ally Dixon! – Daryl responde cheio de orgulho.

─Ally de Alien? Como a Alice queria?

─Vocês dois não vão chamar minha filha assim! – Daryl reclama, não sei quanto ao Merle, mas eu iria, ela vai gostar, se divertir como eu, é linda saudável e será muito feliz.

Merle parte no meio da manhã, a noticia dos quarenta dias sem sexo ainda atrapalhando a glória do momento. Eu tento convencer Daryl, mas ele não me ouve.

Dividimos todos os cuidados com ela, banho, trocar, assisti-la dormir, respirar, sonhar, ficar imóvel, tudo nos parece encantador e a cada mais, nunca cansamos, não irritamos, Daryl volta ao trabalho com medo de nos matarmos, me liga religiosamente de uma em uma hora, adoro aquilo.

Alien é muito boazinha, quase nunca chora, dorme bastante e cresce saldável. Os quarenta dias são uma longa tortura, Daryl foge de mim, me diverte um pouco provoca-lo e não consigo evitar.

─É hoje mocinha, agora o papai e a mamãe já podem voltar a vida normal e o sexo selvagem. Estou contando com sua compreensão, se comporta de noite.

Termino o jantar, eu Alice a mulher mais livre do mundo em casa olhando para um bebê, preparando o jantar e esperando o marido chegar ansiosamente, quem diria e pior, quem diria que seria ainda assim a pessoa mais feliz do mundo?

Escuto o ronco da moto, agora Daryl leva a moto todo dia e deixa a caminhonete caso tenhamos uma emergência. Ele acha que eu a colocaria numa moto.

─Claro que não, não é monstrinha? Quem sabe quando tiver uns três aninhos.

Ele me olha assim que entra, não precisamos dizer, basta nos olharmos, sorrimos, nem acredito que a tortura acabou, ganho o primeiro beijo, ele sempre deixa claro que me ama, que seu amor pode se dividir entre nós e ainda assim parecer se multiplicar.

─Finalmente! – Digo aliviada, ele quer saber como foi nosso dia, tranquilo como sempre, nada de choro, doença ou qualquer contra tempo, mas nos falamos a uma hora ele sabe disso.

Então vem a sessão banho, jantar trocar fraldas amamentar e colocar nossa pequena para dormir.

─Sabe o que pensei amor? – Pergunto quando deixamos o quarto de Ally e seguimos para o nosso.

─Posso imaginar.

─Isso também, mas pensei que agora que podemos você sabe que vai ficar em minhas mãos não é? Posso voltar a me fazer de difícil. – Empurro Daryl para cama ele se arruma enquanto me olha de pé diante dele.

─Também posso Alice, sabe disso.

─Não sei não, sou muito sensual acho que não resistiria a mim.

─Sou um cara mal Alice, claro que resistiria. – Eu tiro a blusa, atiro para ele que ri, depois abro o botão do short.

─Tem certeza?

─Vai ter que descobrir. – Ele provoca e tiro o short e sigo até ele, sento em seu colo.

─Posso beijar você, assim, bem pertinho, não sei se vai resistir. – Eu beijo Daryl, no segundo seguinte estou na cama e ele sobre mim.

─Venceu, definitivamente não ganho essa, nem quero. – ele toma meus lábios, adoro sentir Daryl sobre mim, amo seus lábios percorrendo minha pele, me sinto viva de novo, tudo em mim reacende.

─Porque sou uma delícia e muito perfeita?

─É bonitinha, tem que admitir.

─Agora chega de papo, conversamos quarenta dias. Está sempre mais vestido que eu, já notou isso? – Ele ri quando começamos a despi-lo.

─Porque será? – Nada mais existe, apenas nós dois e nosso momento mágico, amo pertencer a Daryl Dixon, simplesmente ele é tudo que importa. Ele e minha mosntrinha linda dormindo no quarto ao lado.

Pov – Daryl

As coisas tinham mudado muito nos últimos cinco anos, eu não era mais funcionário, agora tinha meu próprio negócio e Merle Dixon era meu sócio, quem diria que os irmãos Dixons tomariam mesmo jeito?

Estaciono na frente de casa. A casa perfeita que sempre sonhei, próxima a floresta, com mata a minha volta, bichos e vida, muita vida, desço cheio de saudade da minha pequena e perfeita família.

─Papai! – Escuto a voz suave de minha menininha, olho em volta a sua procura. – Aqui em cima papai.

Com o coração quase parando olho para cima do pinheiro ao meu lado, lá está ela, sentada em um dos galhos, os cabelos dourados e longos bagunçados, os pés descalços como de costume, o rosto corado e um gato na mão.

─É mesmo a monstrinha que a mamãe diz que é. O que faz ai em cima?

─Não briga comigo papai, estou sofrendo, toda ferrada aqui em cima, o gatinho fez merda, vim salva-lo e agora nenhum dos dois pode descer.

É a cara da mãe, o jeito da mãe e a boca suja da mãe, eu sabia que Deus não ia deixar por menos.

─Não se mexe princesa, vou pegar uma escada e te resgatar.

─Te amo papai! – Esperta como a mãe.

Todos os dias tem uma novidade, todos os dias está metida numa encrenca diferente. Pego a escada e voltava quando Alice surge, a roupa molhada, descalça, cabelos dourados bagunçados, o rosto corado e meu sorriso de boas vindas, ela me beija de leve.

─Onde vai com isso amor?

─Salvar sua filha pendurada numa arvore com um gato.

─Quando ela faz merda é sempre minha filha. – Alice resmunga me acompanhando. – Que merda é essa Alien?

─Vim salvar o gatinho mamãe. – Encosto a escada na arvore e começo a subir. – Você estava ocupada dando banho no mutante.

─Querem parar de chamar meu filho assim! – As duas trocam um sorriso. Chego até ela. Ganho um beijo apertado no rosto que é para me convencer que tenho a filha mais perfeita do mundo e não brigar com ela. – Vai ser assim, eu levo você e você leva o gato, se segura no papai.

─Combinado, esses animais são muito bagunceiros!

Pego Ally, ela me envolve o pescoço com um braço e segura o gato com outro, desço com cuidado.

─Eu sei, não precisava de todos eles, dois gatos, um cachorro, dos coelhos.

─A tartaruga papai, sempre esquece a tartaruga.

─Porque ela é esperta e vive escondida de você.

Ela faz bico, me beija mais uma vez e estamos em terra firme, o gato escapa de suas mãos e corre para longe, eu a abraço apertado, suspiro feliz por estar bem, devia dar uma bronca, mas quem pode brigar com aquele par de olhos azuis e a cara de coitada típica que herdou da mãe?

─Fui uma heroína não fui papai? Salvei o gatinho, está orgulhoso? – Beijo seu rosto antes de coloca-la no chão.

─Muito! – Ela sorri, faz a vida perfeita, passo meu braço pela cintura de Alice a puxando para mim.

─Vou lá contar para o mutante. – Ela corre para dentro. Os cabelos voando, os pés sujos.

─O nome dele é Jay, Jay.

─Eu gosto de mutante! – Alice diz sorrindo, eu a fuzilo com o olhar. – Mas Jay também é legal! – Ela conserta, ou tenta.

Entramos e lá está ele. Meu pequeno completa nove meses, está na cadeirinha, um prato de papinha diante dele, ou o que restou dela, tem papinha em todos os lugares, menos no prato.

─Mamãe acho que ele fez merda! – Ally avisa quando nos aproximamos. Qualquer mãe ficaria brava, o pequeno acabou de tomar banho e no momento tem comida por toda parte dele, mas Alice não é qualquer mão e tem um acesso de riso, ele a olha de testa franzida e pouco contente de ser motivo de piada.

─Mas que grande lambança! – Alice ria. – Precisamos tirar uma foto disso para mostrar para a namorada dele no futuro, ele vai morrer de vergonha.

─tem alguma coisa nessa vida que não te diverte Alice?

─Acho que não! – Ela pega o celular sobre a mesa, tira uma foto, duas talvez e então vou salvar meu bebê, pego um pano úmido, limpo seu rosto, as mãos, depois eu o retiro da cadeira. – Vai lá amor, dá outro banho nele que vou limpar essa meleca.

─Vem com o papai, vamos limpar isso e num minuto vai estar livre do riso debochado da mamãe.

─Posso tomar banho também papai?

─Vem, vamos lá pequena, os dois pelo preço de um, estou em vantagem.

Ligo a água e enquanto a banheira enche dispo meu bebê, a irmã faz o mesmo, os dois dividem a banheira, Jay se diverte batendo os braços na agua, Ally está ocupada demais conversando para se lavar, mas é bom, de molho ali por um tempo a sujeira deve desgrudar um pouco.

─Mamãe acha que ele vai dizer primeiro mamãe. O que acha papai?

─Acho que vai ser como você e dizer primeiro papai.

─Foi mesmo, e a mamãe ficou com ciúme porque é louca por mim e me ama muito!

─Como podem ser tão iguais?

Ela sorri, cospe a agua e passa a mão no rosto, o sabão entra no olho, ela tateia por mim de olhos fechados.

─Meus olhos papai! Toalha! – Limpo os olhos e ela os abre rindo. – Foi legal. – Aperto seu nariz.

─Acho que o mutante vai dizer Ally primeiro.

─Vou rir muito se ele disser Alien, seria uma boa lição em vocês duas. – Ela faz careta, se move e espirra agua no irmão, ele se assusta, atrapalhada como a mãe. Jay resmunga, quer chorar e faz bico.

─Mamãe diz que o mutante é um pouco troglodita que nem você papai.

Olho para ela chocado, ela sorri.

─Só um pouquinho! – Faz sinal com os dedos, como pode ser assim dona da minha vida.

─Certo princesa, agora vê se esfrega esses pés, vou secar seu irmão, te espero no quarto, limpa!

Jay adora a agua, não gosta muito de ser tirado de lá, mas logo se tranquiliza, visto meu menininho, exagero no talco, adoro deixá-los brancos de tanto talco, é bom sentir aquele cheirinho de bebê. Alice chega e se deita ao lado do filho quando calçava seus sapatinhos.

Ela beija o filho, aspira seu perfume e depois sorri para mim, os olhos lindos e brilhantes.

─Já disse que te amo?

─Desde que cheguei do trabalho não.

─Te amo, é o melhor pai do mundo, os monstrinhos acham. Também acham que sou perfeita e ele vai dizer mamãe primeiro, treinei muito hoje.

─Papai! – Digo a ele que balbucia qualquer coisa sem muito sentido.

─Mamãe! – Ela diz rindo.

─Ally! – Minha garotinha entra no quarto enrolada numa toalha e sobe na cama esperando sua vez. Alice morde de leve sua bochecha, ela ri.

─Deixa a mamãe te ajudar mosntrinha. – Alice a veste, escova seus cabelos e fico ali, com Jay em meu colo assistindo aquele momento de meninas. – Estão todos muito cansados não é?

─Eu não estou não mamãe, você quer ficar namorando meu pai isso sim.

─Isso sim mesmo! Todo mundo jantar e dormir.

─Mamãe você apostou que eu podia ficar vendo um pouco de tv depois do jantar e perdeu.

Bem feito, agora quem tem um ataque de riso sou eu, Alice me mostra a língua, encara a filha, depois me olha mais uma vez.

─Amor ela blefa, você acharia que essa carinha linda de coitada dizendo que está com cartas ruins tem uma dupla de Ases? Eu já disse que cara de coitada só deve ser usada com o papai em caso de futuras broncas, como hoje lá na árvore.

─Nunca vai ensinar nada que preste para ela?

─Eu não, para isso ela tem você.

Ally demora exatos dois minutos para pegar no sono assistindo desenho depois do jantar, eu a coloco na cama, beijo o rostinho angelical, um anjo assim dormindo, acordada é como a mãe, uma força da natureza, Alice amamenta Jay, fico de pé, olhando para eles, nunca vou me cansar de ver a cena.

Ela me encara, é raro quando desvia os olhos do filho num momento como esse, mas as vezes mereço esse privilégio. Seus olhos sorriem, brilham cheios de vida, eu a amo como amei desde sempre, não diminuiu, não acomodou, ainda me vira do avesso, me tida do sério e faz meu coração bater.

─Amo você. – É simples, é como é. Apenas amo.

─Amo você. – Ela responde. – Agora é com você papai. – Ela me entrega meu filho. Eu o pego de seus braços, ela beija sua testa, depois beija Ally na cama ao lado do berço. Deixa o quarto na ponta dos pés. Coloco meu pequeno na cama, ele continua a dormir tranquilo, beijo seus cabelos.

─E depois de tudo o papai aprendeu, precisa saber que foi ela que ensinou, ando achando que ela vai ter que ensinar umas coisinhas para você também. Já vimos que paciência não está na sua lista de qualidades, nem bom humor, mamãe vai te ensinar. Quando eu comecei com isso não sabia onde estava indo, mas agora que estamos aqui é mesmo perfeito. – Sorrio quando ele ressona. – Eu tinha um pouco de medo, mas sua irmã veio para mostrar que eu até que tinha jeito para ser pai e por isso que estamos aqui, nós dois. Eu sei, mamãe ficou maluca quando soube, te chamou de monstrinho, outro Alien, e agora mutante, mas não preciso dizer a alegria que foi para ela ter você dentro dela, aquela maluca leva jeito para isso. Amo você pequenino.

Deixo o quarto, antes de sair um último olhar, então vou em busca dela. Nada de Alice na sala, cozinha, nosso quarto está com a porta aberta, sorrio quando vejo a luz do nosso banheiro acessa, quando entro ela está na banheira, sorri.

─Já deu banho nos monstrinhos, agora é minha vez.

─Finalmente uma ideia brilhante, eu sabia que toda sua autoestima tinha que ter algum fundamento.

─Você gasta muita saliva amor. – Ela diz quando eu tirava a blusa. – Sabe que ainda te acho bonitão, dei sorte de pegar o Dixon gostoso.

Entro na água com ela, ela vem para meus braços, espalha espuma, ri assoprando, eu a beijo, um longo beijo.

─Amo a família que me deu amor.

─Foi você, não eu.

─Deve ser mesmo, sou perfeita, minha mente é brilhante e meus filhos são todos como a mamãe.

─Malucos? Sem limites?

─Já disse, não quero ter limites, quero ser feliz e agora não quero mais nada porque já tenho tudo.

─E dividiu esse tudo comigo.

─Eu sou generosa. – só posso rir e depois beija-la e me perder em seu corpo, perdendo os limites que ela mesma nunca teve. Depois eu a carrego para cama.

Alice suspira em meus braços, nossos olhos se encontram. Temos tudo, e quando estamos aqui, é tudo completo e perfeito.

─Adoro que é cheio de energia! – Ela diz me beijando. – Adoro segundo tempo.

─Para de dizer bobagens Alice. – Ela ri. – Está me desconcentrando.

─Sempre soube como me calar, use seu poder de persuasão.

Ela está certa, tomo seus lábios, beijo Alice, tomo seus lábios longamente foi uma incrível jornada e ainda temos um longo caminho pela frente. Estamos dispostos, sempre estivemos, e agora que temos acompanhantes o caminho é ainda mais perfeito.

Notas finais
Acho que só posso mesmo dizer MUITO OBRIGADA! BEIJOS
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!