Caminhando entre os mortos 2

35 Capítulo 35 - Recriando


Notas iniciais
Olá pessoas! Então, chegamos ao fim, não ao último capitulo, mas ao fim da história, Agora vem o bônus, dois capitulos contando um pouco mais da vida deles sem apocalipse, queremos um pouquinho de Ally na "vida real" e como prometi, volto no fim do ano com uma pequena temporada, para vermos nossa Ally aprontando por ai.

Pov – Alice

─Mamãe linda! – Diz monstrinha. – Mamãe linda! – Ela bate os bracinhos sentada diante de mim no chão da sala, onze meses de puro amor, os olhos azuis brilham, todos dizem que se parece comigo, mas sempre acho que me lembra Daryl. – Você parece o papai, mas olha lá, nada de puxar o humor dele. Papai é meio troglodita. Não é?

Ally resmunga qualquer coisa que só Daryl entende, o tempo todo ele parece saber o que ela pensa, quer, sente. Tem uma coisa entre eles que me deixa cada dia mais apaixonada.

─Mamãe! Se disser papai primeiro ele vai me atirar isso na cara para sempre! – Beijo seus cabelos crescidos e lisos. Adoro seu perfume suave. – Papai já está vindo. Então vamos ao que interessa, nossa aula de pôquer.

Espalho as cartas no chão, Ally bate as mãozinhas sobre elas, solta gritinhos. Claro que está feliz, é pôquer, quem não ficaria?

─Já sabe não é meu amor? Esse é um As de copas. – Mostro a carta a ela, sua reação é toma-la da minha mão. – Entende a importância dessa carta? Filha isso é um passo para a vitória.

─Alice! – A voz de Daryl chega aos meus ouvidos antes de vê-lo. Ergo meu olhar e lá está ele me olhando de braços cruzados. – Pôquer?

─Queria que eu ensinasse paciência? – Ele caminha para nós. – Ela nem colabora, olha aí, já está comendo o As. Mostrinha é para esconder na manga, não na boca.

─Idiota! – Daryl diz rindo, então está deitado no chão, beijando Ally que agarra seus cabelos rindo muito feliz. – Oi meu amor. Papai chegou, está salva.

─Troglodita!

Ele me puxa para ele, beija meu pescoço, depois meus lábios. Seu amor por Ally não diminui em nada seu amor por mim, Daryl sabe se dividir e ser inteiro para nós duas, ele nunca cansa de fazer a coisa certa.

─Está consciente que ela vai aprender a falar troglodita e vou ficar bem bravo com você?

─Idiota é mais fácil, ela vai aprender primeiro. – Faço bico, pisco com aquele meu olhar pidão. – Sempre me chama de idiota, maluca, louca, tem outros, mas me da preguiça de pensar.

─E eu tenho muitos adjetivos também.

─Ai amor, deixa ela chamar como quiser. – Desisto. – Como estão as coisas?

─Tudo indo bem. Mas... – Odeio o mas, sei que ele vai sair lá fora, já estou até vendo. Me arrumo em seus braços, Alien fica de pé se apoiando em Daryl, da dois passinhos incertos até nós dois, Daryl a envolve enquanto ela se distrai com meus cabelos.

─Odeio isso. Quando?

─Logo, não será grande coisa. Rosita e Mark já acharam o que precisamos. Uns quilômetros ao norte, três horas de carro.

─O que precisam?

─Umas placas, Eugene garante que com elas teremos cem por cento de energia. Imagine luz noturna, água quente todos os dias?

─Grande merda! Luz noturna só vai servir para convidar zumbis e inimigos, água quente eu posso conseguir em um fogão a lenha.

─Sei que não quer que eu vá Alice, mas preciso, vamos num grupo grande para não ter riscos, pegamos, voltamos, meio dia fora, é tudo que peço.

─Ei Alien! Não mastiga o rei! – Tiro a carta de sua mão, ela me olha e sorri, um dia vou morder sua bochecha e Daryl vai pedir o divórcio. – Disse sim Daryl, o padre perguntou, disse sim, se não queria era só ter dito não.

─Do que diabos estamos falando? Quem aqui está reclamando de alguma coisa?

─Odeio que nunca acompanha meu raciocínio. Estava pensando que as vezes quero morde a mosntrinha, e se fizer isso vai pedir o divórcio.

─E achou que já que tenho o dom de ler pensamentos eu entenderia tudo?

─Quem olha para ela e não sente vontade de morder? – Daryl me beija, me encosto nele, volto a pensar que ele vai lá fora.

Meus olhos ficam marejados, já fui mais corajosa, mas a ideia de perde-lo agora é um tormento dez vezes maior, nunca poderia criar Ally sem ele.

─Alice não vou correr nenhum risco.

─Não controlamos isso amor. Só toma cuidado e volta, odeio não poder ir, odeio não saber.

─Eu sei, amo você Alice, amo mais ainda que não pede para seguir comigo, que coloca nosso bebê em primeiro lugar.

─Claro, eu sou perfeita.

─E uma delícia.

─Olha filha, o papai apelando. Aprende com ele, mamãe gosta de elogios, quando eu brigar com você diz coisas assim.

─Não vai ensinar nada de útil para ela?

─Claro que não, ela tem você para isso. – Daryl me beija mais uma vez, depois pega Ally no colo, ela está agitada, alegre como de costume, mas daqui a pouco vai comer e desmaiar, todos os dias é assim, sempre perfeita, então ficamos um tempo olhando seu sono tranquilo, meu bebê nunca viu um zumbi, nunca sentiu medo, fome ou frio, tem sorte, mas sempre penso que talvez um dia o perigo a encontre.

─Amor, está com fome? – Ele me olha com uma sobrancelha erguida. – O que? Acertei dessa vez, eu acho. Ao menos não queimou.

─Certo, vamos testar isso anjinho?

Ally resmunga na sua linguagem comum, Daryl beija seus cabelos. E fica de pé com ela no colo.

Seguimos para cozinha. Daryl come com Ally em seu colo, ela vai beliscando sua comida o tempo todo, gosto de assistir aquele momento, ás vezes ele se esquece um pouco que estou ali, fala com ela, faz aviãozinho, eles se divertem e nem parece ele.

Nos primeiros dias ele tinha medo de não ser capaz de mostrar a ela como a ama, mas ele pode fazer, ele faz e é fofo, mas se disser que é fofo vai me esfolar viva, então só penso no quanto é fofo e os adoro juntos.

─Falou com o Rick hoje? – Eu pergunto quando ele servia Alien de mais um pedaço de carde de coelho. Agora ela comia de tudo e mamava apenas pela manhã e antes de dormir.

─Sobre?

─Ele e Mich, se não vão casar quero meu buque de volta.

─Nunca vai esquecer isso? Foi há onze meses!

─Porque? Já esqueceu? É isso? Casou comigo! – Balanço a mão para ele ver a aliança. – Lembra? Sim na frente do padre, pior que isso, na frente de Deus, olha ai senhor, ele esqueceu já. Desse jeito vamos ter que casar de novo.

─Você não começa a inventar moda Alice, não falei com o Rick, mas o Glenn comentou que ele e Mich se decidiram por uma benção do padre em particular, só a Judy e o Carl, ou nem isso, sei lá.

─Gente egoísta. Sabia que casais que se amam renovam os votos?

─Depois de séculos Alice, não uma vez por semana.

─Já entendi troglodita! – Ally olha para ele, recebo um olhar fulminante, prendo o riso.

─Está vendo não é? Ela já associa a palavra a mim.

─Amor o que importa é o que ela sente por você e ela te ama. Não é monstrinha?

Daryl revira os olhos, suspira contendo a raiva, deixo meu prato para sentar em seu colo, felizmente ainda cabemos as duas ali.

─Te amo, por isso gosto desse negócio de ficar casando com você toda hora.

─Você gosta é da bagunça isso sim. – Ele me beija, a raiva já foi embora, nunca dura mais que uns segundos.

─Pode ser, mas também gosto de sexo selvagem então come logo amor, ainda tem que dar banho na nossa alienígena, ela tem que mamar e depois dormir e só então estamos livres para viver plenamente nosso amor devastador.

Daryl ri, beija os cabelos da filha, depois meus lábios, solta o garfo.

─Não tinha mesmo mais ninguém nesse mundo para mim, você foi feita sob medida. Vamos, e para de chamar minha filha de Alien. ─ De novo ela olha para ele como se tivesse sido chamada. – Alice você é...

─Uma delícia, vamos logo amor.

Três dias de muito amor, todo tempo que posso passo com ele, a ideia de que vai lá fora me tortura a alma, odeio pensar nisso, odeio não saber, não estar lá fora com ele, me metendo em encrencas e sendo salva por ele, ouvindo seus gritos furiosos quando faço uma merda qualquer.

Sei que ele tem que ir, que impedi-lo só o faria sofrer, ter Ally foi uma escolha nossa e nos dividirmos para fazer o que é melhor para ela é parte da missão, eu não poderia deixa-la de qualquer modo, simplesmente não posso fazer isso, nem mesmo por umas horas.

─Vou lá para dentro arrumar umas coisas na sua mochila, fica ai com ela.

Não escondo minha preocupação e tristeza, essa sou eu, não escondo coisa nenhuma, nunca.

─Fico aqui com a Ally. – Ele me segura pela mão quando penso em me afastar. – Amo você maluquinha, obrigada por entender isso. – Ele me beija e assinto, umas lágrimas escorrem e eu os deixo sozinhos.

Paro no corredor, não tem nada para arrumar, já deixei tudo pronto, só quero dar um tempo a ele com Ally, porque tem coisas que ele não pode dizer nem mesmo na minha frente. Me sento no chão, gosto de ouvir suas conversas, talvez seja errado, mas é Daryl, meu homem, preciso saber tudo dele.

─Eu tenho que ir lá fora querida, não sabe bem o que significa, é perigoso, mas vou fazer por você, sempre é por você, e pela mamãe, sabe como ela é especial não é? – Mordo o lábio tentando conter as lágrimas. – Vocês duas ficam aqui, não precisa ter medo, a mamãe é muito forte, não parece muito porque ela brinca com você como se tivessem a mesma idade, mas mamãe é muito forte quando se trata de você, Sabe aquela lanterna que ela deixa em sua cama todas as noites? Que ela não acende porque está sempre economizando as baterias? Então, aquela é a grande prova de amor, mamãe nunca se separa da lanterna, jamais, aquele pequeno monte de metal já enfrentou todo tipo de inferno e sobrevive, é um símbolo como ela diz, e todas as noites ela te deixa ficar perto dela, porque mamãe acha que aquela coisa é protegida por alguma magia especial, então se ela oferece a você é porque você é o centro de tudo, por isso nada vai dar errado com vocês.

Ele não pode saber, não imagina como é, nunca ficamos longe, nunca nos separamos e não sei se consigo sem ele.

─Quando soube de você eu fiquei muito feliz, é bom ter um pouco mais da mamãe. Me deu medo também, mas está aqui, estamos todos, eu sei que não demonstro muito, é meu jeito, já falamos sobre isso, mas cuido não é? E tento bastante. Se der errado, lá fora, você entende, os perigos... Ally precisa saber que me esforcei muito, que sempre quis voltar, que amo você mais do que tudo. Eu sei que não vai se lembrar dessa conversa anjinho, não importa, mas precisa se lembrar que eu amo você. Pode fazer isso? Pode por favor se lembrar do meu amor?

Eu sei que ela está docilmente deitada em seu peito, enquanto ele acaricia suas costas, não preciso ver para saber, não é o que ele diz, é o tom de sua voz, ela ama ouvi-lo, ama sentir a presença do pai e o mundo não pode tirar isso dela.

Demoro uns minutos ali, controlando as lágrimas, depois vou buscar a mochila. Olho para a lanterna no berço de Ally, eu a recolho e coloco na mochila, ele vai saber.

Junto minhas forças e volto para sala. Está ai a coisa que mais odeio fazer na vida, me despedir de Daryl.

─Coloquei uma muda de roupa, eu sei que vai acabar todo lambuzado de qualquer coisa e precisa se trocar quando estiver chegando, não quero que ela saiba como é lá fora. Vamos iludir nossa pequena enquanto for possível.

─Está certo. Está tarde, já devem estar a minha espera. Melhor eu ir.

─Amo você Daryl, não se atreva a...

─Shiu! Vai ficar tudo bem. Te amo, cuida da Ally e se cuida, Alice sobre... Você sabe, ficar de refém, nadar com zumbis, se engalfinhar com eles... Inferno são tantas as possibilidades.

─Vamos ficar bem amor. Prometo.

Ele me beija, depois beija Ally e me entrega nossa filha e isso parte meu coração, porque sinto sua dor.

Vamos juntos até o portão, trocamos mais um beijo antes de Daryl entrar no carro, com ele só os melhores. Rick, Michonne, Sasha, Glenn e Maggie.

O carro parte, os portões se fecham e não tenho ideia do que fazer, só penso em me sentar ali e esperar até que o caminhão volte com todos eles e as malditas placas de Eugene.

─Pare de ter ideias Eugene! – Brigo com ele que me olha de olhos arregalados, então marcho para casa, posso me sentar na varanda e esperar, não sou boa em esperar, mas posso aprender.

Beth se senta ao meu lado nos degraus, sorri daquele jeito doce.

─Vamos esperar juntas, é assim que irmãs fazem não? – Afirmo sem conseguir falar. – Eu devia esperar um outro momento para contar isso, mas como quero que seja a primeira a saber... Vou ter um filho Alice.

─Cacete! – Sorrio, mesmo no meio das lágrimas de saudade, sorrio de pura alegria, abraço Beth. – Que maravilhoso, o Bruce já sabe?

─Não, você tinha que ser a primeira a saber, foi você Alice, você e mais ninguém, você me caçou, confiou que estava viva, caiu de uma ponte, me encontrou, me salvou, me trouxe aqui e me deu a chance de conhecer Bruce. Tinha que ser a primeira a saber.

─Obrigada! – Abraço Beth, um abraço forte, cheio de bons pensamentos, vai dar tudo certo, eu sei que sim. – Bruce vai ficar muito feliz e assustado, ele parece um pouco o Daryl nesse ponto, e July vai ganhar um irmãozinho. Isso é incrível!

─Sim! – Riamos e chorávamos abraçadas, com Ally entre nós, sem entender bem o que se passava. – Tem sido uma grande jornada não é? Quando olho o que construímos, onde chegamos, eles não podem nos vencer mais Alice, acabou para eles, somos imbatíveis e por isso Daryl vai voltar.

─Vai. Ele é durão. Badass. – Ela Ri, seca as lágrimas.

─Vamos ter que separar umas roupinhas que não servem mais na nossa Alien. E o Bruce vai ter que aprender com o Daryl como se faz um berço.

─Daryl vai adorar ensinar. – Depois de ter um ataque de preocupação com Beth.

─E precisa jurar não contar nada até ele e a Maggie saberem, porque se não vou ficar numa encrenca.

─Sim senhora. E vamos ter que ensinar nossos bebês a jogar pôquer, não está fácil Beth, a Alien come as cartas, não é filha? Onze meses já, ela já é uma moça.

Ally sorri, pega meus cabelos para brincar, ela adora enrosca-los nos dedos, fica ali distraída enquanto eu e Beth continuamos sentadas, olhando para o portão, vez por outra ela me sorri, é bom não estar sozinha nessa hora.

Carl passa de mãos dadas com Pam, Judy caminhando na frente, carregando uma boneca, os cabelos escureceram um pouco, mas os olhos ainda são azuis como os do irmão. As pessoas trabalham, andam de um lado para outro, brincam, vivem, conseguimos construir um lugar seguro, sustentável e bem próximo de perfeito, tão perfeito que raramente é preciso ir lá fora, por isso o medo, lá fora as coisas só pioram, os mortos cada dia mais famintos, mais juntos, os vivos mais sanguinários.

O grupo acha que se conseguirem trazer tudo possivelmente não será preciso sair de novo. Quero acreditar nisso. Preciso.

Pov – Daryl

As pessoas conversam a minha volta, não presto atenção em nada, observo a estrada distraído, minha mente em casa com Alice e Ally, meus motivos para sobreviver, para estar aqui.

É a primeira vez que saio desde que Ally nasceu, fui apenas uma dúzia de vezes dar uma volta em torno da comunidade, caçar sem me afastar muito dos portões, nada que levasse mais do que uma hora.

Agora é diferente, agora serão quilômetros de estrada, com zumbis, e quem sabe mais o que. Só preciso me concentrar, ficar vivo e voltar para Alice, para Ally.

Alguns zumbis esbarram no caminhão durante o percurso, duas horas de estrada e Rick tem que mudar o caminho quando uma horda surge saído da floresta.

O depósito que pretendíamos ir não ficava dentro de uma cidade, mas muito próximo na entrada de uma pequena cidadezinha que alguns membros do grupo já haviam revistado uns meses atrás.

Sasha não gostava muito de ficar parada, Michonne e Rick ainda saiam ás vezes, mas eu tinha me tornado um pacato membro da comunidade e não reclamava nem um pouco disso.

Mais uma hora adicionada ao tempo longe de minha mulher e filha, tudo por conta da maldita horda, uma hora a mais de preocupação para Alice.

Finalmente chegamos, salto da boleia do caminhão junto com os outros, levo minha besta em punho e um rifle nas costas. O lugar parece seguro, não tem zumbis e as grades parecem fechadas.

─Tinha uma meia dúzia caminhando por dentro quando passamos. ─Sasha comunica. ─ Mas não devem estar longe.

─As placas estão ali! – Glenn aponta um espaço coberto onde uma pilha das placas que buscávamos estavam guardadas, deviam estar em boas condições.

─Vamos fazer algum barulho, depois entramos, pegamos e saímos. – Rick decide. – Ele chacoalha as grades, esperamos uns minutos e meia dúzia de zumbis surgem, está cada dia mais decrépitos. Não consigo evitar pensar que Ally um dia de um jeito ou de outro terá que olhar para eles. Odeio que ainda existam.

Rick usa seu facão inseparável para pega-los, esperamos, depois Glenn usa um alicate para cortar as correntes. Michonne entra com o caminhão e dirige até nosso objetivo. Maggie fica sobre o caminhão fazendo nossa segurança enquanto carregamos as placas que Eugene queria, com elas produziríamos três vezes mais energia solar do que o que já conseguíamos com a meia dúzia que tínhamos.

Pouco mais de meia hora e o caminhão já estava cheio com as placas necessárias.

─O lugar parece bem conservado, não acham boa ideia dar uma olhada lá dentro? Quem sabe achamos mais coisas úteis? – A ideia é de Sasha, ninguém gosta mais de se aventurar do que ela, nos olhamos todos, só quero mesmo ir para casa, mas o fato é que já estamos aqui, enfrentamos a estrada, melhor aproveitar logo a chance.

Pensamos todos igual, as cabeças balançam concordando.

─Maggie e Glenn ficam no caminhão. – Rick determina, eu vou com o a Mich e o Daryl com a Sasha, damos uma olhada antes de entrar, se tudo estiver bem entramos, varremos o lugar e saímos, qualquer coisa vocês dois... Buzinam?

─Se tivermos que buzinar é porque a merda está grande! – Glenn avisa e dou de ombros. Por mim tudo bem.

Seguimos para as grandes portas do deposito, Rick bate e ficamos a espera, longos minutos e nem sinal de nada, ele abre apenas uma fresta, está um tanto escuro, Sasha leva uma lanterna, ela acende, ilumina o ambiente.

─Silencioso, se vamos entrar vamos de uma vez. – Michonne determina.

─Vamos. – Rick faz sinal avisando que vai pela direita, sigo pelo outro lado com Sasha.

─O plano é voltar Sasha. – Aviso porque sei o quanto ela gosta de se meter em encrenca.

Tudo parece escuro e silencioso, só o que vejo são caixas e mais caixas empilhadas, vez por outra temos que pular alguma caída, uma empilhadeira está abandonada no meio do corredor, trocamos um olhar.

Vamos virando corredores, odeio aquele lugar, não gosto de não saber o que procuro, não vamos ficar abrindo caixas para saber se tem algo útil, não vejo porque estarmos ali.

─Espera! – Digo quando os sons de gemidos chegam aos meus ouvidos. – Estão aqui Sasha, em algum lugar, vamos voltar.

─Certo! – Ela afirma desviando o caminho original, começamos a retornar, os gemidos deviam ficar mais longe, mas ficam mais perto, troco um olhar com ela, guardo a besta, ergo o rifle, flechas na escuridão não são boa ideia.

Ouvimos disparos não muito longe, Rick com problemas, apresso o passo para dar de cara com zumbis, voltamos, melhor tentar fugir deles e dar a volta do que atirar, mais deles.

─Merda! – Atirar é o jeito e vamos derrubando zumbis, tentando abrir caminho, nos separando, pego um corredor e Sasha outro. – Sasha! – Grito por ela, já estamos cercados mesmo.

─Estou aqui. Acho que chego na porta! – Ela me grita, depois escuto mais uma sucessão de tiros, preciso atirar também, e me afastar da saída quando meia dúzia deles vem de lados opostos.

Então ouço a buzina, aquilo sim é problema, Glenn e Maggie estão com problemas.

─Daryl, eles vão entrar! – Rick me grita.

─Vão! Saio pelo outro lado! – Muitos tiros são disparados. Abro uma porta de ferro, passo para o outro lado, está escuro, mas parece limpo, fico um momento em silencio, a buzina ainda ecoa muito longe, os tiros são abafados pela porta e depois fica tudo silencioso. Espero que tenham conseguido.

Não sei o tamanho do ambiente, se tem ou não uma porcaria de uma saída, abro a mochila em busca de munição, melhor ficar pronto, tateio a mochila sem enxergar nada e então eu sinto o metal em forma cilíndrica e fria, a lanterna, Alice, ela me deixou a lanterna, acendo, ilumino o ambiente, meu coração aquecido, eu tenho a lanterna, preciso devolver a ela, preciso ir para casa, Alice me espera, me deixou seu talismã.

Me encho de certezas, sei simplesmente que vou voltar, porque Alice acredita, porque Ally me espera.

Atravesso a sala grande e vazia, do outro lado outra porta de metal, abro apenas uma fresta, parece escritório ou qualquer coisa do gênero, mesas, com telefones e computadores, caminho sem parar passando por tudo apressado, em seguida outra porta e do outro lado, a loja a porta de vidro arrebentada, um zumbi perdido, decido pela besta já que é apenas um.

Saio para o grande estacionamento e escuto o ronco do motor do caminhão, estão a caminho, corro para a saída e então ele surge, sinto alivio ao ver Maggie e Glenn dentro da cabine, na carroceria, Sasha, Rick e Michonne, salto quando Glenn apenas diminui.

─Ideia estúpida! – Sasha diz séria, nos encaramos todos, rimos da tolice, me sento no assoalho, balanço a lanterna na mão. Minha maluquinha deu um jeito de vir comigo e iluminar meu caminho.

A viagem de volta leva o dobro de tempo, muitos desvios, uma parada para limpar uma estrada, o tempo todo passo atento, prestando atenção em cada detalhe, não vou mais arriscar nada, quero meu bebê, minha mulher e a tranquilidade de nossa pequena comunidade.

─E por fim ela domesticou você! – Mich diz encostada ao lado de Rick, sua Katana nas duas mãos, na horizontal sobre os joelhos. Rick da um leve sorriso de concordância.

─Devo admitir que sim, não pertenço mais a esse mundo, acho que sou o cara que fica do lado de dentro agora.

─Tudo bem, acho que somos todos assim. – Rick admite, Michonne olha de um para outro. – O que foi? Admita mamãe Mich, está louca para abraçar Carl e Judy.

─É eu sei, mas não podemos ficar fracos, um dia a guerra ainda pode bater em nossa porta. – Ela responde cautelosa.

─O tigre só está dormindo Mich, coloque minha família em risco e vai vê-lo despertar. – Eu a tranquilizo. – Mas agora só quero mesmo garantir a comida na mesa cuidando do que temos do lado de dentro.

─Está certo Daryl, lá onde os mortos não têm acesso, é ali que devemos fincar nossas raízes e escrever nossa história.

Rick me diz passando um braço por sobre o ombro de Michonne, ela não chega a adorar aquilo, ainda é mais reservada sobre demonstrações de afeto, claro que isso não se aplica a Carl ou Judith, os dois conseguem tudo dela, é só um deles dizer mamãe e Michonne se esquece de ser durona.

Os muros surgem e sinto meu coração disparar, estamos chegando, quero abraçar minhas garotas, no fundo sinto medo de algo ter dado errado, mas de longe tudo parece bem, olho para minhas roupas, a camisa está mesmo suja de sangue e troco como Alice me pediu, aguento as piadas do grupo.

O portão se abre, fico tenso e ansioso, me ergo com a besta nas costas e a lanterna na mão, anoitecia e sei que demoramos uma eternidade para quem espera.

Salto antes mesmo de estacionar. Alice está de pé em nossa varanda, Ally no seu colo, as duas são tão perfeitas juntas, um mundo de coisas volta a minha mente enquanto caminho para elas.

Nosso encontro naquela cabana, sua coragem ao enfrentar sozinha a morte de toda a família. As primeiras brigas, a lanterna, essa que aperto entre meus dedos, os primeiros beijos, nós dois dividindo uma cela, a primeira vez que gritamos eu te amo como uma ofensa no meio de uma briga.

O primeiro casamento, a gravidez, meu anjinho saindo de dentro dela e completando nossa vida, o segundo casamento, podia começar tudo de novo e de novo e nunca iria me cansar de viver essa história.

Ela para na ponta da escada com os olhos cheios de lagrimas de alivio, minha pequena família perfeita.

─Papai! – Ally diz se contorcendo nos braços de Alice e se jogando para os meus. –Papai. – Ela repete para nossa completa surpresa.

─Ela disse! – Alice gagueja quando envolvo as duas em meus braços.

─Estou aqui bonequinha! O papai chegou. – Beijo seu rosto corado, abraço mais forte as duas.

─Sentiu sua falta, choramingou e te procurou com os olhos, nunca ficamos tanto tempo sem você. – Beijo Alice, não um tocar de lábios, um beijo, um desses que estão sempre contando a ela como me sinto, o quanto a amo.

─Aqui está Alice, sua lanterna, nosso símbolo, ela iluminou meu caminho e de algum jeito me trouxe de volta.

─Eu sei amor, ela nunca falha. – Nos beijamos mais uma vez. – Não ficou gastando bateria a toa. Ficou?

─Não Alice. – Ela afirma, acende para ter certeza, apaga, acende de novo, apaga. – Admita, esse barulho continua irritante.

─E você continua com seus ouvidos sensíveis.

─Vem com o papai bonequinha! – Pego Ally.

─Vai sua traidora. É isso que ganho por carrega-la dentro de mim nove meses, deixar que sugue meus seios dia e noite. Papai! Papai, nem mesmo um papai troglodita, não, papai e só, com direito a contorcionismo e tudo. Que grande traição.

─Quem manda ficar chamando a menina de alienígena, monstrinha, alien. Ela se vingou.

─Cala boca Daryl, sofri muito hoje, fiquei com muito medo, chorei um monte de vezes, passei o dia sentada lá fora. Estou com a bunda doendo. Você não tem coração? Não pensa na minha dor? E para completar ela diz papai primeiro? – Lá está a cara de coitada que tanto amo, o velho drama que conheço tão bem e mesmo assim me comovo por que é Alice e só de existir já me comove.

─Ela vai dizer mamãe, sabe disso, vamos treinar até ela dizer.

─Está com um pouco de pena de mim?

─Estou!

─Morreu de saudade? – Entramos no nosso quarto. Coloco Ally sentada na cama, Alice se senta em meu colo.

─Morri, pensei em você o tempo todo. Principalmente depois de achar a lanterna. Pensei, preciso devolver isso, melhor voltar logo para casa.

─Fez bem. Me acha uma delícia?

─Bonitinha.

─Merceia que eu me fizesse bem de difícil, isso sim. Seu coração é de pedra Daryl Dixon.

Beijo Alice, um longo beijo, ela me envolve o pescoço, sinto meu corpo imediatamente queimar por ela, mas agora é diferente, não podemos apenas nos entregar, Ally está ali e no momento tenta nos separar empurrando minha cabeça e a da mãe.

─Mamãe. – Ela resmunga.

─Porra ela falou, ouviu amor? Fala monstrinha, mamãe.

─Mamãe, colo.

─Ela é louca por mim, olha isso, me quer. – Alice abraça a filha. – Empata o namoro da mamãe, mas tudo bem.

Ally fica entre nós, hora chamando minha atenção, hora de Alice, ficamos os três deitados na cama, perdidos no tempo, esquecidos do fim do mundo. Nem mesmo acredito mais nisso. Como pode ter acabado? Ally está aqui, crescendo, reconstruindo, Alice é vida em estado bruto, como o mundo pode estar acabando?

Não, não é isso que está acontecendo, o mundo está renascendo, o mundo está recriando, são novos valores, é apenas um novo jeito de viver nele.

─Amo você! – A voz de Alice me faz encara-la. Ally entre nós. – Amo quando fica assim, com esse olhar apaixonado, amo como nos ama e apenas isso, como me aceita como eu sou, sem exigir nada, sem cobrar nada.

─Já me dá tudo que tem Alice, como poderia cobrar qualquer coisa?

─Sapatos, cabelos penteados, bons modos, essa porra toda que faz tanta diferença para alguns.

─E tirar de você justo o que mais amo, sua espontaneidade? É perfeita para mim Alice, perfeita por que assim como disse, você também não quer que eu seja diferente. Amo os sapatos escondidos por duendes, os cabelos bagunçados, a boca suja, a cara de coitada, o riso fácil, as apostas no pôquer. É minha maluquinha, idiota e perfeita para mim.

Eu a beijo, mais uma vez, depois nos afastamos.

─Tá, agora chega disso que está muito meloso, vamos fazer a Alien dormir e partimos para o sexo selvagem.

─Quer parar de chamar minha filha assim sua idiota!

─Não sou idiota. Você que é um troglodita grosseirão. Diz para ele filha. Papai troglodita.

─Não diz não anjinho, diz mamãe idiota! ─ Ally nos ignora, está acostumada, não liga a mínima, continua ali, distraída brincando, feliz e saudável. Nosso amor em forma e movimento.

Notas finais
E então? Dói um pouco né? Ao menos para mim, amo Alice. Comentem e se tiverem um tempinho deem uma olhada no bônus para relembrar, vou continuar de onde paramos lá. BEIJOS!!!!!!!!