Notas iniciais
ai, cara... penúltimo capítulo D: a mão do post chega a tremer q uehueh Podem se preparar pra sofrência aí que o bang tá dramático uhfghfdg

Chegou ao próprio quarto guiado por instinto, o pânico que começava a correr desnorteado por suas veias não permitia que alguma ideia racional estacionasse em sua mente. As palavras que ecoavam em sua cabeça não conseguiam ser absorvidas, o significado parecia distante e abstrato. Tão automaticamente quanto havia caminhado até o dormitório, começou a preparar-se para dormir, mas não teve a chance de fazê-lo, foi o tempo que as palavras de Sasuke levaram para chegar ao seu estômago.

Pouco depois de deitar-se, foi surpreendido por uma desesperadora falta de ar. Por mais que se esforçasse para respirar fundo, sentia que o oxigênio não chegava até seu pulmão suplicante, alimentando o pânico e piorando depressa a situação. Não bastasse a agravante dificuldade em respirar, a sensação em seu estômago foi rapidamente evoluindo para um forte enjoo. O nervosismo e ansiedade provocavam-lhe calafrios, cada músculo de seu corpo tensionava-se trêmulo como se estivesse febril e tudo o que conseguia fazer era agarrar-se angustiadamente aos lençóis, cerrar os olhos com força, procurar manter a respiração devagar e esperar, à beira do desespero, que aquilo passasse logo. Vez ou outra durante a madrugada, o mal-estar ameaçava apaziguar-se e a exaustão aproveitava a deixa para adormecê-lo, mas os pesadelos focados em nada além da situação que o atormentava não tardavam a acordá-lo num novo pico de angústia.

A madrugada parecia não ter fim. As horas simplesmente se recusavam a passar e o sono se recusava a vencer o tormento, mantendo-o num estado de consciência suficientemente lúcido para vivenciar cada tortuoso segundo que se passava, mas sonolento o suficiente para impedi-lo de reagir ou afastar os pensamentos que provocavam-lhe o infindável sofrimento.

Somente algumas horas após o nascer do sol, a luz pálida daquela manhã nublada afastou de vez o sono. A falta de ar cessou, ainda que o mal-estar houvesse permanecido por tempo o suficiente para fragilizar seu estômago, de modo que a simples ideia de comida já lhe causava ânsia. Arrastou-se para fora da cama abatido, mas não deixou o quarto. Sentou-se à escrivaninha. Continuava exausto, mas dormir estava fora de cogitação, então apanhou o celular e tentou jogar alguma coisa. Não adiantou, descobriu-se incapaz de manter interesse em qualquer coisa que exigisse algum nível de atenção. Desanimado demais para sequer erguer-se da cadeira, Naruto colocou os fones de ouvido e permaneceu sentado ali, ouvindo música no último volume e contemplando o imenso vazio que sentia.

Passada uma eternidade demasiado sufocante, houve uma batida na porta. Não escutou, visto que seus ouvidos estavam preenchidos de pop punk barulhento. Após a terceira tentativa, Sai desistiu de aguardar uma resposta e entrou no quarto sem mais cerimônia. Além da música, Naruto também estava distraído rabiscando uma folha de caderno e não percebeu o outro garoto no quarto até que este arrancou-lhe os fones.

–Caralho, Sai, que susto! — exclamou levando a mão ao peito – Pelo menos me avisa que tá aqui antes de fazer uma coisa dessas!

–Eu tô tentando avisar faz um tempão – retrucou o outro impaciente – Tô vendo que você não saiu do quarto hoje o dia inteiro, né?

–Hm – respondeu-lhe sem emoção, voltando a atenção para o caderno – Por quê? Que horas são?

–Quase três horas da tarde, você perdeu o almoço – o loiro deu de ombros, apoiando o rosto sobre uma das mãos. Sai deu um suspiro pesaroso – Vai, me conta logo o que aconteceu.

–Eu encontrei o Sasuke ontem depois da janta. Ele mal olhou na minha cara, disse que não significou nada pra ele, que é pra eu esquecer o que aconteceu.

Sai franziu o cenho e sentou-se na cama às suas costas.

–Que cretino! — disse com um ar descrente. Naruto deu uma golfada de ar e largou o celular e a caneta sobre a mesa, virando-se para o outro.

–Você vai achar que eu sou um otário se eu te disser que eu acho que ele tá mentindo? — perguntou-lhe tomando força no olhar – Porque eu não sei explicar como, nem faço ideia de que razão ele teria pra mentir, mas eu juro que sei que ele sente o mesmo que eu.

Sai suspirou novamente e torceu os lábios.

–Sinceramente, Naruto, eu não esperaria outra coisa de você... Mas dessa vez, talvez você tenha razão – o loiro, que havia baixado o olhar chateado, voltou a encarar Sai com esperança — Eu me mantenho firme no que disse ontem: tá na cara que você mexe muito com ele e, até onde eu vi, você é o único que consegue. Eu não sei qual é o problema desse cara, não me surpreenderia muito se ele tivesse mentindo... Mas também não me surpreenderia se ele tivesse sendo sincero. De qualquer jeito, as coisas não chegaram até aqui pra você desistir e eu nem tentaria te convencer do contrário porque eu sei que não adiantaria.

–Não mesmo.

–Só não entendo o que você tá fazendo enfiado nesse quarto com cara de enterro em pleno sábado.

Naruto franziu as sobrancelhas e trouxe as pernas para cima da cadeira, deitando a cabeça sobre os joelhos.

–Não tô bem, não quero ter que olhar na cara dele agora.

–E vai ficar isolado de pijama sentindo pena de si mesmo? Aposto você vai se sentir melhor se sair um pouco daqui.

–E fazer o que lá fora? Não tem nada de bom pra fazer nessa escola, a Sakura não me quer por perto, eu não quero o Sasuke por perto...

–Eu te quero por perto – Naruto ergueu a cabeça para o garoto com o olhar fragilizado, Sai levantou-se de sua cama e deu-lhe dois tapinhas na perna – Vai, se mexe. Eu vou no banheiro e, quando eu voltar, nós vamos no refeitório pegar alguma coisa pra você comer, então é bom você ter se trocado, porque eu te arrasto pra fora daqui nem que seja de pijama.

Naruto deu um longo suspiro quando o garoto deixou o quarto e esfregou a palma das mãos contra o rosto antes de arrumar-se para sair. Sentia-se profundamente desanimado, mas talvez Sai tivesse razão e seu humor melhorasse um pouco se arranjasse algo para fazer além de afundar-se na própria melancolia e sentir pena de si mesmo.

Por mais que se esforçasse, não conseguiu comer muito. Sentia em sua garganta uma trava que não permitia que passasse por ali qualquer coisa. Era violentamente frustrante olhar ao redor e ver todos os seus colegas rindo e conversando despreocupadamente enquanto seu mundo inteiro parecia ter desmoronado na noite anterior, o que reforçava a sensação de aquilo não podia estar acontecendo. A angústia que não permitia que se conformasse com a situação o fazia desejar desesperadamente que nada daquilo fosse real, que não passasse de um sonho ruim. Mas a vida continuava normalmente. O sol continuava deslocando-se pelo horizonte, o relógio na parede continuava com seu tique-taque incessante, os adolescentes ao seu redor continuavam suas rotinas normalmente e nada nem ninguém reconhecia o desastre ensurdecedor que ocorria naquele mesmo momento na cabeça de Naruto – mesmo porque, a brisa que faz uma fruta espatifar-se no chão não traz mal algum à árvore.

Sai tentou o distrair de todas as formas que pôde, mas era impossível, seu cérebro parecia ter desligado absolutamente todas os outras funções que não fossem remoer a dispensa que havia levado e vigiar os arredores atentamente por medo de qualquer sinal de Sakura ou Sasuke.

–Dá pra pelo menos tentar conversar comigo? Você não tá nem olhando pra mim.

–Não to legal, quero voltar pro meu quarto – resmungou o loiro com amargura.

–Naruto, na boa, chega – o tom de voz de Sai indicava claramente uma bronca e fez com que ele se virasse para o garoto alarmado – Você não é a primeira e não vai ser a última pessoa da terra a levar um fora. Todo mundo passa por isso, todo mundo sofre, mas a vida não para por isso, sabe? Nem a sua nem de ninguém. Você tá agindo como se sua vida tivesse acabado, pelo amor de deus, ainda mais que você me disse agora pouco que não ainda não desistiu e tal! Ou você vai lá falar com ele e resolver isso de uma vez ou segue em frente! E se você precisa de um tempo pra digerir tudo o que aconteceu, no mínimo use esse tempo pra você, e não pra ficar sofrendo sozinho como se tivesse doente! Tem milhões de coisas acontecendo na sua vida além disso e nenhuma delas vai parar só porque você tá chateado. Já é quase cinco horas da tarde e você nem comeu hoje, faça-me o favor!

Naruto franziu as sobrancelhas ultrajado. Por um lado, sabia que Sai tinha razão. Não era saudável, muito menos produtivo, ficar isolado em seu próprio quarto adoecido em razão de um mal que alguém lhe fez. Já esteve nessa antes e por tempo o suficiente para ter certeza de que não queria voltar nunca mais. Por outro, parecia completamente revoltante que Sai não percebesse a proporção que aquilo tinha para ele. Não era qualquer um que houvera lhe feito mal, mas a pessoa que lhe era mais importante dentre todas no mundo e, se outros tinham força para chateá-lo com palavras, Sasuke definitivamente tinha o poder de arrancar-lhe pedaços sem esforço algum.

Tinha certeza absoluta que poderia lidar perfeitamente com um “ser só amigos”, já vinha inclusive conformando-se com a possibilidade nas semanas que se antecederam, mas até então, a amizade era tudo o que conhecia. Depois do dia que tiveram juntos, no entanto, provou do gosto de romance e isso criou dentro de si uma expectativa e desejo tão intensos quanto ternos. Uma luz tão forte acendeu-se em seu coração que qualquer outra tornou-se imediatamente insignificante, e quando Sasuke a apagou, Naruto se viu mergulhado subitamente numa escuridão sufocante. A rejeição e a possibilidade de que tudo o que viveram juntos naquele dia não passava de uma distração qualquer para o outro o aterrorizava. Mesmo que não fosse, significava que havia uma razão para Sasuke ter dito aquilo. Conhecendo o garoto como conhecia, sabia que ele dificilmente voltaria atrás com uma decisão depois de tomada. A situação parecia, de seu ponto de vista, uma tragédia incomensurável, ainda que, para alguém que visse de fora, não passasse de uma história qualquer de amor adolescente frustrado.

–Você não faz ideia de como eu to me sentindo.

–Tem certeza? — retrucou Sai cortante, ainda no tom de censura – Não acho que você conheça o suficiente da minha vida pra poder dizer se eu já passei ou não por alguma coisa parecida.

Naruto o encarou hesitante por um momento, Sai parecia bastante sério. Lembrou-se do jovem retratado no começo do caderno de desenhos, Sai não disse muito sobre ele além de que os dois haviam namorado por algum tempo. Teve novamente aquela sensação incômoda de estar sempre em desvantagem com o garoto, Sai sempre sabendo cada detalhe sobre sua vida enquanto tudo sobre ele era informação sigilosa. Seu olhar severo fez Naruto sentir-se um tanto egocêntrico por estar enxergando o próprio drama como um caso tão excepcional.

–Desculpa – murmurou frustrado. Uma ponta de curiosidade sobre o passado do outro surgiu em sua mente, mas seu coração estava demasiadamente desinteressado e exausto, então achou melhor guardar o assunto para um momento mais oportuno – Você tem razão, não vai me adiantar de nada ficar choramingando por causa disso agora.

Sai respirou fundo desviando o olhar.

–Você tem todo o direito de ficar triste – disse – Eu só não quero ver isso te consumindo.

–Eu sei... Vamos dar uma volta, acho mais fácil me distrair em movimento do que parado aqui.

Ergueu-se da mesa decidido a esparecer-se daquela melancolia. Os dois foram andar pela escola, desta vez Naruto esforçou-se para prestar atenção na conversa e entreter-se com o assunto. Já havia quase abstraído-se completamente do mal estar que o afligia quando, após cerca de uma hora passeando despreocupadamente, ouviu o chamarem.

–Naruto! — congelou imediatamente ao ouvir aquela voz, Sai lançou-lhe discretamente um olhar apreensivo antes que se virasse para trás. Sasuke apressou o passo para alcançá-lo, levava em mãos alguns papéis – Naruto, eu fui falar com o Iruka mais cedo e ele já me devolveu o trabalho corrigido, aí ele pediu pra eu entregar o seu.

Ele estendeu um dos maços grampeados para o loiro, que demorou-se um momento para tomá-lo de suas mãos. Ofendia-se gravemente com a naturalidade de Sasuke ao falar, o que lhe era absurdo, visto que ele próprio sentia um impulso grotesco de atirar-se no outro aos prantos, socá-lo e abraçá-lo com a mesma força e exigir que retribuísse seus sentimentos fosse como fosse. Sasuke não parecia muito preocupado em sequer mirar em seus olhos, não havia nada para se ler em sua expressão desinteressada. Percebendo que o outro não diria nada, deu-lhe as costas assim que livrou-se da folha de exercícios.

Uma pontada atingiu Naruto dentro do peito ao vê-lo se afastar. Sua capacidade de raciocinar já havia desligado-se no instante que ouvira a voz do rapaz, não sabia como agir ou o que dizer, mas não costumava pensar antes de agir com muita frequência, de qualquer jeito.

–Sasuke – chamou-o antes que pudesse se distanciar muito. O garoto parou de andar ao ouvir seu nome, mas levou um instante antes de virar-se novamente para o outro. Trazia no rosto um misto de hesitação e impaciência que em nada ajudava Naruto a ter confiança para confrontá-lo. Ainda assim, o loiro deu dois passos incertos em sua direção – A gente precisa conversar.

–Eu não acho que tenha nada pra conversar – ele cortou já ameaçando tornar a sair.

–Pois eu acho que tem! — Naruto avançou mais um tanto, apertando os papéis em suas mãos conforme a tensão crescia dentro de si.

–Então fala logo, eu tenho mais o que fazer.

Naruto hesitou ao ouvir o tom irritado na voz do outro. Não tinha sequer ideia do que queria lhe dizer, percebeu a falta de planejamento apenas quando se viu procurando por palavras em sua mente sob o olhar hostil de Sasuke.

–Você sabia como eu me sinto... — murmurou num fio de voz – Por que você fez tudo aquilo se você não sentia o mesmo?

–Eu tava só tentando me distrair, já disse – Sasuke rolou os olhos – Foi só um beijo, Naruto...

–Não foi só o beijo, você sabe disso.

–Quer saber, você já conseguiu fazer eu me arrepender do dia inteiro. Se você continuar agindo assim, eu vou ser obrigado a me afastar. É isso o que você quer? Que eu pare de falar com você de novo? — Naruto engoliu seco, a pontada no peito voltou com ainda mais força. Não sabia como reagir àquilo, particularmente estando no meio do pátio e procurando ao máximo se conter para não chamar atenção indesejada dos colegas, mas Sasuke estava sendo simplesmente cruel – Eu já tinha te dito, vou voltar com a Sakura. Inclusive estava indo encontrar ela agora, só vim te entregar o trabalho.

Desta vez Sasuke não aguardou por respostas, deu-lhe as costas e marchou para longe decidido. Naruto permaneceu imóvel, incapaz de sequer respirar, Sai foi até ele com um olhar piedoso e tomou os papeis, pousando uma mão em seu ombro carinhosamente.

–Vamos sair daqui.

–Eu não to legal e eu quero ir pro meu quarto – o loiro repetiu com os olhos ainda fixos na direção para qual Sasuke ainda se via, não muito longe, seguindo para o edifício central. Sai abriu a boca para argumentar, mas mudou de ideia. Mordeu os lábios e concordou com a cabeça.

–Ok – ele foi guiando o outro pelo braço devagar — Vem, vamos andando.

Naruto seguiu o amigo num silêncio mortal até o quarto e sentou-se na cama com os olhos fixos no chão. Sai largou os papéis sobre a escrivaninha e sentou-se ao seu lado preocupado.

–Eu não consigo entender – reclamou o loiro com a voz repleta de dor – Tava tudo tão bem, você não viu o jeito que ele me olhava quinta-feira, era outra pessoa...

–Naruto, sério, ele é um completo babaca...

–...o jeito que ele sorriu pra mim naquele dia...

–E ele mentiu agora de novo, a Sakura tava sentada aqui perto com as amigas dela, ele tinha ido pro outro prédio, não me pareceu que ela tinha combinado de encontrar ninguém do outro lado da escola agora.

–É lógico que ele tá mentindo! Ele nunca gostou da Sakura, por que diabos ele ia voltar com ela?

–Naruto, você tem que esquecer ele! Isso só tá te fazendo mal!

–Não... Dá... Pra esquecer o Sasuke, Sai!– virou-se para o outro erguendo a voz – Eu conheço ele, eu sei que tem alguma coisa errada. Ele foi a única pessoa que estendeu a mão pra mim quando todo mundo mais só tava preocupado em zoar com a minha cara, ele é a única pessoa que esteve lá pra me defender todas as vezes que eu precisei, eu nunca vou desistir dele. Eu amo ele e eu preciso dele do meu lado e bem.

Sai franziu as sobrancelhas e deu um suspiro longo e pesaroso, o outro retomou o fôlego e abaixou os olhos para o chão.

–E o que você pretende fazer? Ele deixou bem claro que enquanto mais você correr atrás, mais ele vai se afastar.

Naruto engoliu seco, o aperto em seu peito intensificava-se de tal maneira que já voltava a afetar novamente sua respiração.

–Eu não sei – sua voz saiu rouca, quase sufocada. Sai estalou a língua no céu da boca, com outro suspiro, desta vez compadecido, ele passou os braços em torno do outro garoto, puxando-o para si. Naruto tentou se desvencilhar, mas Sai foi mais forte.

Desde muito criança, Naruto aprendeu que as coisas tendiam a apenas piorar sempre que demonstrava-se fraqueza diante de um conflito. Aprendeu a erguer a cabeça, sorrir e mentir, se necessário, mas jamais se permitir derramar lágrimas, principalmente em frente a alguém. Sequer atrevia-se a chorar para o próprio padrinho quando, durante as férias na infância, ele perguntava como estava a escola. Não viu ou percebeu ao certo em que momento abandonou qualquer vestígio de controle em que ainda agarrava-se quando encontrou-se em um pranto histérico, com a face enterrada na camisa de Sai enquanto este afegava seu cabelo com uma mão e abraçava-o protetivamente com a outra.

A verdade era que, por mais solitário que fosse seu passado, jamais estivera tão perdido. Sentia como se houvesse chegado sangrando e de mãos atadas à um beco sem saída. E, sim, queria colo. Só daquela vez, queria apenas um ombro amigo, um pouco de carinho, um abraço sincero e apertado onde pudesse deitar a cabeça e chorar, lamentar-se e soluçar exaustivamente até esvaziar-se por completo de todos aqueles sentimentos pesados que vinha acumulando e sufocando em silêncio.

–-

Naruto levantou-se naquele domingo com os olhos inchados. Não havia acordado cedo, já era quase meio-dia quando pôs o celular de lado e saiu da cama. Continuava abatido, não tinha apetite nem muita vontade de fazer o que quer que fosse, mas forçou-se a descer mesmo assim.

Uma dor irritante nas têmporas o incomodava desde que acordara, tinha a sensação de que era, de alguma forma, ressaca do pranto da noite anterior. Não sabia ao certo por quanto tempo havia soluçado histericamente até esgotar-se, continuara nos braços de Sai em um silêncio fúnebre por mais uma eternidade antes de afastar-se do cafuné e murmurar um “eu já tô melhor” que o outro garoto, para seu alívio, entendeu rapidamente como um pedido por privacidade. Ele fez algum curto discurso paternal sobre cuidar-se e alimentar-se direito antes de sair, mas Naruto mal ouviu suas palavras. Após botar para fora toda aquela avalanche, sentia-se incomodamente vazio. Não havia mais nada a ser feito, Sasuke afastar-se-ia sem dúvidas, estando decidido como estava, e Naruto voltaria a correr atrás dele em vão como houvera sido naqueles últimos anos. Seria de se esperar que a segunda separação seria menos dolorosa, mas o primeiro corte nunca houvera verdadeiramente se cicatrizado e parecia ter se aberto novamente com a recente pancada.

Fosse como fosse, a vida continuava. No dia seguinte começava mais uma semana de provas. Por mais desanimado que estivesse, Naruto decidiu estudar. Não conseguia pensar em nada que lhe restasse fazer, de qualquer jeito, e talvez focar nos estudos fosse de alguma ajuda em substituir as angústias por outro tipo de preocupação. Sentou-se com Sai no almoço, como era de costume, mas avistou Sakura poucas mesas distante e sentiu uma reação imediata de sua ansiedade.

–O que foi? — perguntou Sai notando seu desconforto.

–Sakura – murmurou mirando a garota de canto. Ela também o havia notado e parecia hesitante, lançava-lhe olhares de esguelha entre uma garfada e outra, mas continuava conversando com os amigos à mesa. Naruto largou os talheres sobre o prato e abaixou os olhos, tomando uma golfada de ar – Que droga, eu nunca mais vou conseguir respirar normalmente por um dia inteiro.

–Relaxa, vocês vão voltar a se falar logo mais.

–Não vamos, não. Ela nunca vai me perdoar.

Sai abriu a boca para retrucar, mas decidiu que não valia a pena.

Os dois subiram para a biblioteca após o almoço. Sai teria se impressionado, em outro momento, com a súbita concentração e dedicação que Naruto resolvera colocar nos estudos naquela tarde. Devido às circunstâncias, no entanto, aquele súbito interesse na matéria o deixou um tanto incomodado. Não que ele houvesse dito, mas a falta de reações positivas e um ocasional morder de lábios denunciava seu estranhamento.

Ainda que anormalmente sérios, os estudos foram se estendendo pacificamente por quase três horas, até que dois garotos do segundo ano entraram correndo na biblioteca entre risinhos, chamando atenção. A dupla lançou a Naruto um olhar demorado demais antes de juntar-se à alguns colegas em uma mesa próxima e começar a narrar-lhes algo com uma animação eufórica. O loiro irritou-se instantaneamente com ambas as atitudes. Fosse o que fosse, era com ele, e isso era exatamente o que ele não precisava naquele momento.

–Não deve ser nada, ignora eles – sussurrou Sai numa tentativa de manter sua atenção nas apostilas, mas foi em vão, Naruto já havia esquecido por completo da matéria.

Em pouco tempo, o garoto começou a notar uma grande parte dos estudantes que estavam ali empoleirando-se em pequenos grupos. As atenções voltadas para algum celular, muitos com fones de ouvido e parecendo ao mesmo tempo chocados e completamente extasiados com o conteúdo do que Naruto supôs ser um vídeo. E ficou claro, pela crescente quantidade de olhares em sua direção, que era algo com ele.

–Naruto...– murmurou Sai num tom hesitante.

–To começando a perder a paciência com essa escola – disse tomando seu material sobre a mesa e deixando a biblioteca irritado.

Notas finais
Darlings, primeiro gostaria de agradecer novamente por todo mundo que deu opinião sobre o spin-off e falar que já estou escrevendo XD e, sim, comemorem, terá lemon no spin-off. Segundamente (?) queria dizer que me diverti horrores com o ódio supremo de vocês a respeito do Sasuke no capítulo anterior UEHEUHEUHE mas não me matem, eu sei que esse capítulo foi super angsty e cheio de feels e sofrimento... mas... mas... é, eu não tenho uma justificativa UHEUHEU deixo as justificativas com o Sasuke, ele que vai se explicar, 3bjos. Não vou ficar mendigando, mas vou sim. Comentem, por favor s2 E leiam o spin-off, estou fazendo ele à pedidos de vocês, porque vocês são a alegria da minha vida e eu obedeço, então espero que vocês gostem *w* E, depois que essa aqui terminar, leiam minha próxima fic, ela também será sasunaru -w- Amo vocês, de verdade, é sério.