Camille, Um Outro Passado De Xena

8 Capítulo 7 - A hora da partida se aproxima


– Então você só foi desse tipo comigo, né?

– Que tipo? — perguntou confusa, virando-se de volta para Camille.

– Do tipo que some e não manda nenhuma notícias por 11 anos.

Xena silenciara. Sempre se arrependera por deixá-la sozinha, mas tudo que havia acontecido, a morte de seu irmão e sua raiva pelo mundo, tudo aquilo tinha destruído sua vida e destruiria a de todos que a rodeavam, se ela não tivesse fugido. Se pudesse voltar atrás, ela ainda não teria levado Camille com ela. Preferia vê-la em sua aldeia protegida de todas as coisas ruins que experienciara. Toda a maldade que absorvera, e fizera.

– Aconteceu tanta coisa, Camille, e eu... — começou a explicar em vão, já que fora logo interrompida

– Eu sei sobre o seu irmão, Xena, e sobre tudo o que aconteceu depois. E eu simplesmente queria ter estado com você. Queria ter descoberto por você e não por pergaminhos da sua querida Gabrielle. Queria ter te ajudado a enfrentar tudo aquilo. Impedir que você fizesse tudo o que fez. Tenho certeza que teríamos sido felizes.

– Eu teria te machucado, como feri a todos que já me amaram.

– Você não teria me machucado.

– E como você pode ter tanta certeza que não? Eu me tornei outra pessoa, alguém amarga e má.

– E você como tem tanta certeza do sim? A questão é, Xena. Você foi embora, e simplesmente me apagou de sua vida.

Demonstrando todo o rancor que guardava, Camille seguiu, apressada, a caminho da aldeia, evitando a aproximação de Xena, que a acompanhava com o olhar estranhamente melancólica.

Xena não sabia ao certo se seria capaz de desejar que tudo tivesse acontecido de modo diferente, que o irmão nunca tivesse sido assassinado, e que ela não tivesse seguido o caminho do mal, porque isso acabaria significando perder Gabrielle, que era a pessoa que ela mais amava na vida. Mas lembrara do passado, em que Camille fora exatamente o mesmo para ela. Tudo lhe parecia confuso demais.

Ao chegarem na aldeia, elas comemoraram as boas notícias.

No outro dia, no final da manhã, fora o julgamento, e Xena assistira. Depôs a seu favor, revelando a todos que ele teria tido oportunidade de machucar Camille, mas que não fez. E que assim que foi abatido, não reagiu, apenas chorou. Falou sobre o perdão, e como ela precisou disso um dia, e do quando se arrependia pelos seus atos. Camille chorara por todo o depoimento, e Xena a olhara por muitas vezes, também com os olhos cheios de lágrimas.

Pediu a todos da aldeia para tentar ajudar Plaucius a se reabilitar à comunidade, a colocarem o amigo em supervisão, porém livre. Afinal, não havia chegado a fazer mal a ninguém, a não ser a jovem presa, que praticamente nada disse em seu testemunho. Garantiu não ter sido machucada, e ouvir Plaucius ordenando os guardas de não ferí-la. Se a intenção de Plaucius era ou não roubar as mulheres e dá-las aos navios de escravos, essa era a questão. Talvez tudo que ele quisesse fosse o dinheiro, forçá-los para obter o que teria sido imposto.


24h depois, como prometera a Camille, Xena e Gabrielle já estavam de partida. Camille passara todo o tempo afastada de Xena, o que dera um grande alívio a Gabrielle, que não a suportava. Ao mesmo tempo, magoava Xena, que não sabia como se aproximar, nem o que dizer a ela. Conhecia a sua dor, porque era a mesma que ela estava sentindo.


Os aldeiões se aproximaram para mais uma vez agradecê-la, enquanto Camille mantinha-se à distância.

Xena a observava, enquanto era obrigada a ouvir todos os agradecimentos, cada vez mais constrangida. Não apreciava essas demonstrações em público, costumava ficar sem graça. Assim que teve um segundo de liberdade, aproximara-se de Camille, que deixara cair uma disfarçada lágrima dos olhos.

– Estamos indo... — disse, Xena, sem graça.

– Estou vendo. — observou, lhe dando um meio sorriso com expressão cada vez mais triste.

Sem saber o que fazer, Xena foi se afastando.