Camille, Um Outro Passado De Xena

3 Capítulo 2 - Uma Antipatia Natural


Vendo a Xena decidida a ficar, Gabrielle a chamou para conversar. Enquanto a barda discursava, porém, a guerreira não desviava sua atenção do seu plano de resgate que estava elaborando mentalmente.

– Xena, você não está mais viajando sozinha. Há 6 anos, eu te acompanho, e você ainda decide as coisas sozinha.

– Como assim, Gabrielle? Que tipos de coisas? — Disse, aparentando estar ocupada com o mapa mental que estava fazendo.

- Tipo ter decidido ficar aqui só por você, Xena.

- Mas você mesma viu. Todos da aldeia precisam de nossa ajuda.

– É claro, especialmente a ruiva insuportável. — Escapou.

Xena que estava ocupada nem reparou no rompante da barda, e perguntou.

- Você não queria ficar?

Gabrielle não gostava de perder o controle, e pensar na ruiva havia a deixara assim. Então, quase sempre que isso acontecia, ela respirava, e forçava um silêncio, em busca do autocontrole. E depois continuava normalmente.

- Enfim, o fato é que eu faço parte de sua vida agora.

– O que tem a ver isso com a minha decisão? — disse Xena, totalmente fora de página, meio alheia à D.R de Gabrielle.

– Nós precisamos começar a decidir por nós duas. E não por você. Por que a nossa vida não é mais só sua, entendeu? Eu faço parte dela agora.

Gabrielle tentou ensinar a Xena como se comportar na hora de uma tomada de decisão mútua, e depois de muita insistência da barda, e após finalmente ter montado uma estratégia de resgate, a guerreira concluiu.

- Ahhh, então agora devo decidir por nós duas?

- Não exatamente. — disse Gabrielle, meio incrédula, dando um pequeno toque no ombro de Xena de incentivo. — Mas é isso aí, está quase entendendo. Recaptule o que eu disse, Xena, e tudo fará sentido.

- Então tudo o que você está me dizendo é que eu não devo mais decidir por mim como eu sempre fiz, porque agora você está aqui, e faz parte de minha vida, portanto, eu e você precisamos decidir por nós duas. Não devemos mais decidir por mim ou por você, e sim por nós. É isso, não é?

- Isso... — afirmou a barda meio confusa com tudo que Xena disse naquela rapidez, mas logo sua confusão deu lugar a uma alegria saltitante, já que a barda saiu crente do sucesso sua missão tinha sido completada com sucesso.


Xena começou a elaborar planos de ação de como resgatar a jovem sequestrada, e de proteger a vila de novos ataques (caso eles acontecessem). Camille e Gabrielle permaneceram ao seu lado por todo o tempo, e Gabrielle sentira ainda mais ciúmes ao vê-la tomando a liderança, responsabilizando-se pela proteção da aldeia. A ruiva tomou todas as medidas propostas por Xena, e retornou para ajudá-la.


– Agora preciso me concentrar em descobrir aonde a jovem pode estar escondida.

– Eu acho que sei aonde. — palpitara, com certa propriedade.

– Aonde, Camille?

– Os navios de escravos só saem amanhã pela manhã, então é provável que ela esteja presa no esconderijo de Plaucius na floresta.

– E como você o conhece?

– Bom, eu conheci o Plaucius no passado. E você também, Xena.

Xena puxou pela memória, confusa, tentando associar o nome às pessoas que conheceu.

– Você está querendo me dizer que é o...?

– Sim.

– Ele não era um camponês pacífico?

– Não é mais a um bom tempo.

Contrariada, Gabrielle declarou pausadamente, na infame tentativa de não demonstrar sua irritação.

– Vocês poderiam, por favor, me atualizarem?

– Oh, sim, é claro. — Respondeu Xena, lembrando finalmente de sua presença. — Plaucius foi nosso amigo no passado. Não entendo como teria se transformado nisso, Camille. — voltando para a ruiva, dando fim à atualização de Gabrielle.

– Ele sofreu muito, Xena. Seu pai foi assassinado em sua frente. E ele culpa o povo dessa aldeia por não tê-lo ajudado.

– Bom, então está na hora de fazer uma visitinha a um velho amigo.

Gabrielle sorriu admirada, adorava quando Xena falava assim.

– E eu vou com você. — declarou Camille, com segurança.

Xena ficou em silêncio, não havia muito o que pudesse fazer contra Camille. Ela sempre fora teimosa, e quando colocava uma coisa na cabeça não havia quem tirasse. Sem grandes possibilidades de ação contrária em frente, Xena sorriu, e simplesmente levantou sua sombrancelha em sinal de OK.

– Gabrielle, você fica aqui, e ajuda o pessoal da vila com as armadilhas. Acredito que não haverá outro ataque enquanto eu estiver fora, mas é melhor não arriscar. As jovens estão correndo perigo.

– Mas Xena, eu...

– Eu e Camille conhecemos Plaucius, sabemos como ele é, e como ele age... Você não. Seria arriscado levá-la comigo. Você sabe que não quero que nada aconteça a você. Aqui você estará mais segura.

Ouvira um pigarrear vindo de Camille, que só podia estar tentando acelerar o passo de Xena, que repousara os braços no rosto de Gabrielle.

– Tome cuidado, Xena.

– Voltarei logo.

Terminadas as despedidas, Gabrielle fingiu estar tudo bem, e passou por Camille controlando-se para não socá-la. Já não bastava querer tomar o lugar dela ao lado de Xena, ainda impedia que elas conversassem?

Xena seguiu viagem com Camille, em direção à floresta.