Notas iniciais
No capítulo anterior: "Sem eles também não conseguiria. No presente momento, todo com 20 anos, somos melhores amigos: eu, Arthur, Gwain e Lance. É claro que nenhum deles sabem que tenho magia ou que eu continuo fiel a minha religião."

Era um novo dia no outono em Camelot. Eu acordei e tomei café. Estranhei que nenhum dos meninos apareceram até agora. Devem estar em reunião, pensei. Na hora do almoço encontrei com Gwain.

—Ei tiveram reunião logo cedo? -perguntei

—Sim, o conselho de Arthur quer que nos encontremos uma taça enfeitiçada.

Enfeitiçada?? Isso não deve ser coisa boa

—Como? Quando vocês vão? Vocês precisam de ajuda.

Gwain riu. Sua risada é realmente adorável.

—Que isso Becca, nos lidamos com isso. Partiremos amanhã cedo.

—Eu vou com vocês -falei isso sem perceber que não tinha uma desculpa para dar.

Gwain está me olhando com uma cara de confuso.

—Por que você iria com a gente? Você tem pacientes aqui e é uma missão perigosa....

—Eu vou com vocês porque.....-pensa rápido -vai que alguém se machuca ou essa taça....ela pode machucar alguém.

—Lidamos com ferido Becca. Não quero que você se machuque

—Mas é diferente quando lida com magia. Olha, faz parte do meu trabalho como médica estudar um pouco além do entendimento normal. Eu posso ajudar Gwain.

Ele está confuso.

—Aaah não sei. Vamos falar com Arthur.

Depois do almoço fomos procurar o rei. Fizemos uma pequena reunião, pois os meninos estavam lá.

—Arthur, precisamos conversar -falei quando entrei na sala. Ele estava de costas.

Quando Arthur se virou, pareci uma menina apaixonada de 15 anos. Por um segundo eu esqueço totalmente o que dizer. Ele sorri quando me vê. Adoro seu sorriso, adoro ele.

—Eu posso ajudar lá -falei com ele já balançando a cabeça negativamente

—Becca, eu não posso.....

—Ela falou que faz parte da medicina estudar além do entendimento normal -Gwain falou como se não entendesse o significado

—Que? — indagou Lance

—Eu sei que parece sem sentido...

—Você acha? -fui interrompida por Lance

Eu teria que explicar que somente eu poderia protegê-los de qualquer mal que aquela taça enfeitiçada poderia causar, sem mencionar que eu tenho magia. Todos estavam esperando uma explicação. Respirei fundo e comecei.

—Eu sei que posso ajudar porque eu li sobre esses objetos enfeitiçados.

—Como assim? -Arthur perguntou

—Minha intenção foi me preparar para cuidar bem dos pacientes machucados por causa da magia. Sabendo como funciona sei como cuidar.

—Ainda não acho uma boa ideia.... -Arthur falou com incerteza

—Por favor Arthur, eu não sei o que faria se alguma coisa acontecesse com você.....vocês.

Ele me olhava com admiração, como se só eu e ele estivesse na sala. Ele sorri de novo, olha para os amigos e concorda.

—Acho que podemos juntar forças né -Lance me dá um tapinha nas costas.

—Eeeeiii obrigada Arthur

—Vamos, vamos arrumar as coisas -disse Arthur, ainda sorrindo para mim.

Fiquei a tarde inteira arrumando as malas para a viagem. Seria dois dias fora, mas não fazia ideia do que levar. Nunca tinha saído em uma missão com eles. Eu peguei uma blusa, minha mala médica e minhas ervas.

No fim da tarde Arthur foi me visitar.

—Eu queria dar algo para você antes de partimos

Ele tinha um embrulho nas mãos, mas claramente era uma espada.

—Foi minha primeira espada e já me salvou várias vezes.

—Arthur, não precisava

—Achei que você não tivesse e que iria precisar.

A espada era muito bonita, de um tamanho menor, mas bem afiada e cuidada. Era prata com formas na lâmina e na base.

—Obrigada

Ficamos nos olhando como se algo faltasse. Eu sempre pude entender Arthur só de olhar em seus olhos. Agora, ele estava com uma expressão dividida entre amor e preocupação. O que eu pude fazer foi somente abraçá-lo, o mais forte possível e ele retribuir.

Ficamos conversando até irmos jantar e reunir com o resto.

Depois disso, só precisava de uma boa noite de sono. Guardei minha espada na mala e fui deitar.