Cama de Gato

12 Depois, eu penso no amanhã


— O que vai fazer nesse instante, Sabrina? — George quis saber, logo após terminarmos o café da manhã e pagarmos a conta.

— Não sei. Não havia pensando em nada.

— Quer vir comigo comprar um presente? Em duas semanas, será aniversário de Letícia e quero mandar um presente especial para ela.

— Muita consideração da sua parte, mas, não sei como poderei ajudá-lo, já que não conheci Letícia, nem imagino do que ela gosta.

— Você é mulher, além de trabalhar com moda, sendo assim, deve entender muito mais do que eu sobre o gosto feminino.

— Posso tentar, se você me falar mais ou menos como ela é — Eu não tinha certeza se queria saber isso mesmo, afinal, ela era a ex do meu atual crush.

— Eu não sei como descrever Letícia. Ela é bonita, um belo corpo, inteligente, uma boa companhia.

Pare agora mesmo! Não quero ficar ouvindo isso!

— Que tal um livro?

— Não, gostaria de algo mais pessoal.

— Uma joia? Mas, poderia se extraviar no caminho. Perfume? O que ela gosta de usar.

— Ela tem um perfume gostoso.

— Certo. Que tipo de roupa ela gosta de usar? — perguntei, com um ar profissional.

— Roupa? — George reflete por algum tempo.

Sim, como era a roupa que ela tirava quando vocês transavam ou já se esqueceu, penso comigo, enquanto mantenho a cara de falsa indiferença.

— Eu não sei — por fim, ele responde.

— Quem sabe, um conjunto de lingerie bonito e sexy, com um cartãozinho meio ousado, tipo: para quando você voltar ou pense em mim quando usar.

Pela primeira vez, percebo um brilho malicioso passar pelos olhos de George. O que ele estaria pensando?

— Lingerie, mas não é muito íntimo?

— Você é o namorado dela. São íntimos o bastante, não são?

— Sim, mas...

— Eu conheço uma loja aqui perto, que tem peças ótimas e muito bonitas, quer ir lá comigo.

Talvez, até eu comprasse algo, para surpreender Elias.

Assim que chegamos, começamos a olhar em volta, vejo que George está bem interessado, provavelmente, imaginando a namorada usando aquelas peças.

— Então, gostaram de algo — a vendedora nos aborda.

Olho para George esperando por sua decisão.

— Aquele conjunto lilás ali — Ele aponta para um dos manequins.

— Você tem bom gosto — A mulher sorri satisfeita com a provável venda fácil.

Eu observo a escolha dele, é bonito, mas, não sei se escolheria para mim.

— Que tal aquela azul ali — Mostro outro modelo mais ousado. Ele se aproxima e analisa com cuidado, como um perito, coça o queixo, ergue as sobrancelhas.

— Muito ousado — Dá o veredicto.

— Mas, é para isso mesmo! Provocar! — insisto, talvez, eu o compre para mim.

— Acho que Letícia não iria gostar. É melhor o lilás — decidiu.

— Que seja. E qual o tamanho dela?

Ele parou, atordoado, olhou para um lado e para outro, pensando.

— O tamanho dela? — repete, sem ter a mínima ideia da resposta.

— Não é para você? — A vendedora me pergunta.

— Não, é um presente para a namorada dele. Ela é maior do que eu? — Tento ajudá-lo.

Ele encara os meus peitos com extrema atenção, depois olha para suas mãos, deve estar relembrando.

— Acho que sim.

— Sou 40, então ela é 42 — falo com a vendedora e ela some para o interior da loja, para buscar a lingerie escolhida. — Será que Elias gostaria dessa aqui? — Mostro o conjunto azul, um fio dental mínimo, não muito confortável, mas, com certeza, bem sexy e caro, ainda estou em dúvida.

— Eu... eu acho que sim — Ele gagueja, será que está pensando em eu usando isso. Só pela sua cara, fico animada em comprar.

Por fim, saímos da loja, cada um com um pacote na mão.

Voltei para casa, estou satisfeita com a minha compra ousada, posso usar hoje à noite. Como se chamasse pelo seu nome, meu telefone indica uma mensagem de Elias.

“Eu pego você às 10. Festa”. E só. Dei de ombros, afinal, Elias era assim mesmo, não podia esperar mais do que isso.

Lá estou eu, toda arrumada, às 10 horas, porém, nada de Elias. Às10:30, mandei uma mensagem, sem resposta. Onze horas, 11:30 e um monte de mensagens, só há uma conclusão: Ele esqueceu.

Elias não tem jeito, não vale a pena investir, ele é uma roubada, melhor cair fora, antes de ficar mais envolvida. À meia noite chega uma mensagem: “Estou aqui embaixo. Desce. ” Fiquei em dúvida se deveria ir ou, simplesmente, ignorar. No entanto, já estou arrumada, não queria desperdiçar o resto da minha noite. Então, eu fui. Entrei no carro, de cara amarrada, mas Elias não apareceu perceber, simplesmente, me beija como não me visse há séculos. Eu já disse como ele beija bem? Pois é, ele é um perigo, minha raiva se esvai rapidinho.

— Você está linda — murmura na minha pele, fico toda arrepiada.

Está bem, vamos aproveitar a noite de hoje, depois, eu penso no amanhã.

Como sempre, Elias me leva para uma festa muito legal, em uma supercobertura, com muita gente bonita, bebidas ótimas e música boa. Ele se sente bastante à vontade nesse tipo de ambiente, fala com um monte de gente, distribuí beijos e abraços.

— De quem é essa festa?

— Aniversário de uma amiga.

— Você é muito popular — falo por cima da música alta, ele me dá um sorrisinho vitorioso.

— Sim, eu sou. Quer beber alguma coisa?

Sacudo a cabeça afirmativamente, e ele me puxa para o bar, coloca um copo de margarita na minha mão, em seguida, me leva para dançar.

— Eu volto já — algum tempo depois, fala ao meu ouvido e desaparece. Sinto-me estranha, sozinha, no meio da pista, por longos minutos, até ele voltar bem mais animado, me agarra pela cintura e começamos a dançar juntos, mesmo com a música rápida, sua mão desce para minha bunda, tateando e encontra algo interessante, então, sem constrangimento, vai para baixo do meu vestido e encontra a mínima calcinha nova, que comprei naquela tarde. — O que não temos aqui? Gostei! — sussurra no meu ouvido, de um jeito malicioso.

— Pare com isso, Elias! — peço, tentando tirar a mão dele dali.

— Não se preocupe, ninguém está vendo — Ele não me dá ouvidos e eu continuo a empurrar a mão dele para fora. — Vem! — Ele segura a minha mão e me conduz pelos corredores.

— Para onde?

— Eu quero ver, agora — Paramos na frente de uma porta e ele testa, ela abre. É um quarto mergulhado na penumbra, Elias entra sem cerimônias e me puxando para dentro, depois tranca a porta e procura o interruptor, um quarto bem moderno e bonito se ilumina, quando ele se volta para mim. — Tire o vestido.

— O quê? Aqui? — Dou uma risada nervosa.

— A porta está trancada, ninguém pode entrar. Então, tire o vestido e mostre o que tem aí embaixo para mim — Seu tom é imperioso e sexy.

Nunca fiz nada parecido antes, olho nos olhos dele, ele está decidido, começo achar aquela história divertida e excitante. Por que não? Então, coloco as minhas mãos para trás e tento descer o zíper.

— Não consigo — sussurro de um modo provocante.

— Vem, eu faço isso

Eu me viro de costa e ele abre o vestido bem devagar. Eu o deixo descer suavemente até cair sobre os meus pés e me viro para ele.

— Gostou? — Abro os braços para ele ver melhor.

Ele coça o queixo, com ar de interrogação, andando a minha volta como se analisasse.

— Ainda não sei.

— Como não sabe? — finjo, indignação.

Ele estende a mão e toca o sutiã com a ponta dos dedos.

— Acho que estou começando a gostar — Sua voz é rouca. — Talvez, se tirássemos isso, ficaria bem melhor. — Então, ele abre o meu sutiã.