Caloroso
1 único
O noticiário dissera que chegara ao número de 40 mortes por conta do clima quente que fazia naquele verão. Sanji se frustrava quando se lembrava de que Zoro ficara de recuperação e frequentava a escola. Se frustrava porque era ele que ficaria responsável de ensiná-lo toda a matéria para não repetir o semestre e acabaria não aproveitando suas férias.
Zoro estava de pé, observava seu amigo na escrivaninha e com a mão sob a franja segurando a cabeça. Sanji lia as respostas no seu caderno muito concentrado, uma concentração que ele deveria ter com seus estudos, até mesmo pausou Electric Relaxation que tocava no spotify para seus olhos azuis lerem cada sentença sem incômodo, mas ainda incomodado com as suas respostas absurdas.
Sanji soltou a cabeça, mordendo os lábios e se levantou para puxar as cortinas, no seu quarto batia o sol da tarde.
— Daqui a pouco o velhote vai nos chamar para o almoço. — Disse, acendendo um cigarro que tirara do maço sobre a mesa de cabeceira.
Estava sem camisa por causa do calor e parecia mais magro que no verão passado. No entanto, isso não incomodava Zoro, pelo menos não no sentido negativo da coisa, bem, na maior parte do tempo talvez... De alguma forma, ver as costelas se sobressaindo durante o trago, agradava o esverdeado. E não sabia dizer se esse “agradar” era uma coisa boa ou não.
— E, então? — Perguntou, lembrando que seu amigo não havia dito como foi nos exercícios.
— Marimo, você só precisa de uma coisa. — Disse com o cigarro nos lábios.
“Uma coisa”? Talvez sua situação não fosse tão grave por precisar só de uma coisa.
— O que? — Perguntou apreensivo e curioso.
Sanji se jogou na cama, onde o ventilador de teto pairava perfeitamente, e esboçou um sorriso bobo enquanto levava as mãos atrás da cabeça, cruzando as pernas. — Nascer de novo.
As costelas se sobressaíram na pele branca ao se deitar e Zoro ficou quieto com os olhos firmes nelas. Sanji estranhou o silêncio, era normal que o marimo retrucasse muito irado, mas quando passou a encará-lo de volta, percebeu que seu amigo lhe observava muito concentrado.
— Tá tudo bem? — Perguntou e Zoro “despertou”.
— Ah, sim, claro...
Tropeçava nas palavras, fazendo Sanji a pensar que ultimamente Zoro estava muito estranho. O loiro sentou-se na beirada da cama e deu tapinhas, assinalando que o outro se sentasse ao seu lado, e depois apagou o cigarro no cinzeiro sobre a mesa de cabeceira. A fumaça incomodava qualquer ser que sentisse calor, mas o esverdeado estava muito aflito pra isso e sentou-se constrangido; Sanji esboçava um sorriso diferente, um que não tirava sarro e indicava que diria algo sério. Engoliu em seco.
— Marimo, eu te conheço, algo está te incomodando.
Acertou na lata, o desespero só tomava mais ainda o seu corpo.
— Não é nada, só tá muito quente...
Sanji enrugou o cenho, nada convencido, mas não iria obrigá-lo a falar. Seus olhos deslizaram no corpo alheio e se agarrou na camisa dele. Zoro entrou em desespero com o toque inesperado. — Tira a camisa se está com calor.
Era uma camisa preta para piorar a situação, pensava Sanji. Porém, Zoro o impediu pegando em seu pulso firmemente. Sanji ficou confuso com o movimento, era como se o marimo não quisesse o seu toque por ser um desconhecido e não um amigo.
— Mas que porr-
Murmurou, mas foi interrompido quando se encontrou com os olhos castanhos e o rosto vermelho do esverdeado.
— Eu curto você...
Zoro confessou, ainda segurando o pulso do amigo da sobrancelha enrolada, já os olhos passaram a fitar o chão. Agora conseguia sentir todo o calor daquele quarto: o sol da tarde deixando as paredes mais quentes, a fumaça do cigarro ainda se projetava no ambiente e, ainda, 40 pessoas morreram de calor. Ele se perguntou se seria a 41ª pessoa a morrer no seu país, porque se estava quente antes, agora estava muito mais quente por ter se confessado.
Sanji voltou a olhar a mão em seu pulso, seu cenho estava enrugado porque viu como o marimo idiota estava constrangido, ele levou a outra mão até aquela que o segurava e, assim que sentiu o toque, Zoro parou de fitar o chão e passou a encará-lo de novo.
— Eu também.
Confessou e Zoro notou seu rosto corar.
— Quê? — O marimo estava pasmo, deixando o sobrancelhas mais constrangido por se sentir um idiota.
— Tá! E daí! Solta o meu braço!
Zoro piscou os olhos, só agora havia notado que segurava o braço de seu amigo. — Me desculpa. — Disse ao afrouxar o toque.
Quando a mão o largou, Sanji se levantou da cama sem perceber porque pensava na merda que estava acontecendo. Zoro ainda ficou sentado, observando o loiro totalmente vermelho.
Que merda, uma amizade estaria indo para o ralo caso os dois namorassem. Namorar Zoro era quase um suicídio, o idiota não conseguia nem achar o caminho para a escola — que mesmo em recesso, Sanji o levava até o colégio —, não entendia por que aquele ogro passou a ser atraente aos seus olhos quando amava as mulheres.
— Você perdeu. — Disse Sanji de repente.
— O que?
— Você admitiu primeiro, você perdeu!!
— Você tá preocupado com isso?!
— Você não?
— Um pouco...
Sanji ainda estava de costas para si, ele batia o pé no chão muito inquieto. Zoro suspirou e resolveu abraçá-lo por trás e, como estava sentado, seu rosto ficou no meio das costas despidas do loiro — que se arrepiou ao sentir o nariz e os lábios do marimo roçar na sua pele.
— Relaxa, sobrancelhas...
A voz rouca de Zoro batendo em suas costas fez com que se arrepiasse de novo. Sanji relaxou os ombros e revirou os olhos, rendido, permitiu-se arriscar a amizade de anos.
O marimo virou o loiro para si, levando suas mãos até a cintura abaixo das costelas que tanto amava. Sanji colocou um joelho entre suas pernas e segurou o seu rosto para colar os seus lábios. Zoro deixou um risinho abafado escapar e o puxou para cama, ficando por baixo do idiota.
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