Call Me With The Past
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
Ri quando Joe passou como um foguete por mim, pedalando á toda velocidade em sua bicicleta.
– Você não vai ganhar! — gritei inclinando-me para frente na minha própria bicicleta.
Já era um costume todo final de semana apostarmos corrida de bicicleta. Joe ficava sentado nos degraus da sua casa esperando eu chegar na minha bicileta rosa. Íamos até o parque uma quadra de distância e voltávamos. Quem chegasse primeiro ficava com o pedaço com mais calda de chocolate do bolo que a mãe dele sempre fazia.
Nossos pais não se importavam de crianças de dez e doze anos andarem sozinhas. A cidade era tão calma que até em dia de semana as ruas ficavam vazias.
Na verdade mamãe adorava que eu fosse amiga de Joe, ela e a tia Sandy haviam sido muito amigas durante o colegial, porém tiveram de se separar durante a faculdade. Minha mãe foi cursar publicidade no sul da califórnia enquanto a mãe de Joe conseguiu entrar em uma boa universidade perto do Texas.
Sandy e ela fizeram uma promessa de voltar para cá quando terminassem a faculdade, e foi o que elas fizeram e ainda compraram casas uma ao lado da outra.
Joe gritou eufórico quando desceu correndo da bicicleta e bateu na pilastra que sustentava o teto da frente da casa.
– Isso não é justo! — reclamei cruzando os braços. — Você sempre ganha!
– Você queria que eu te deixasse você ganhar? Aí não seria uma vitória — Sorriu convencido.
Lembro-me do cheiro que a casa dele tinha. Sempre gostava do aroma de torta que sentia mesmo do lado de fora. Nesse dia eu não senti nenhum cheiro.
Estávamos rindo de alguma coisa que Joe disse quando o Sr. Labrousse, pai de Joe, saiu apressado pela porta, descendo os degraus e disparando pelo gramado parecendo não notar nossa presença.
O rosto de Joe ficou pálido como se soubesse o motivo de seu pai estar agindo daquele jeito.
– Pai! — Havia um tom desesperado em sua voz. — Pai! — Chamou mais alto correndo na direção do seu pai.
O Sr.Labrousse tinha parado no meio da rua com o rosto entre as mãos. Joe foi para seu lado falando coisas que eu não conseguia ouvir. Me sentia uma intrusa naquele cenário.
Olhei na direção da porta meio aberta, dava para ver um pedacinho do tapete da sala. Mamãe tinha me dito que tia Sandy estava doente e que logo se recuperaria.
Joe e seu pai andaram até mim alguns minutos depois.
– Desculpa, Call. Eu não vou poder brincar mais.
– Hoje não vai ter bolo de chocolate?
Ele parecia estar ao ponto de chorar.
– Não, não vai.
Fiquei os observando até entrarem pela porta e ela se fechar com uma batida.
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