California King Bed
21 Pool Party
Notas iniciais
Lizz acordara cedo naquela manhã de sábado. Na tarde passada, tinha saído com o primo para um parque, haviam convidado Summer e Luna para o local. Tinha sido muito divertido, e cansativo. Por isso, infelizmente para ela, dormiu cedo e estava acordando aquela hora. Odiava dormir tão cedo, mas até gostava de acordar cedo. Só que 8:00h era sacanagem.
Ela se espreguiçou depois de ter percebido que não conseguiria voltar a dormir. Levantou da cama e pulou para perto do guarda-roupa. Tirou uma blusinha básica azul escura e um short branquinho. Calçou sandálias e desceu. Nem a avó deles ainda havia acordado, só ela.
Se dirigiu para a cozinha e pegou um prato. Pegou um pão, manteiga e queijo e comeu seu café da manhã básico. Estava com muita preguiça para fazer um café de verdade. Isso se soubesse fazer um, já que, geralmente, sempre tinha preguiça de fazer. Quando terminou, deixou a louça suja na pia e subiu para o seu quarto. Fora ali rapidinho apenas. Pegou seu violão e desceu, correndo para o quintal da casa da avó. Era bem amplo, tinham umas árvores e lugares para sentar, mesas e etc. Uns balanços e umas cadeiras de sol. Ela se deitou em uma dessas, e ficou mexendo no violão e cantando. Tentou compor algumas horas e até saíram coisas interessantes dali.
Ela puxou o papel e lápis que sempre deixa guardado dentro do violão em caso de emergências e escreveu os versos que pensara, junto com as notas. Meia hora depois, seu primo aparecera ali.
– Bom dia. — ele abriu um grande sorriso.
– Bom dia, tigrão. Como você dormiu? — perguntou.
– Ora, muito bem. E você?
– Deu pro gasto.
Ele sentou na ponta da cadeira e ficou observando ela tocar as notas do violão.
– Chegou uma carta da Summer. — ele disse e levantou a carta entre os dedos. — Você não checou Arquimedes quando acordou?
– Estou de mal com ele, ele trouxe um rato para o meu quarto. — ela reclamou enquanto pegava a carta e abria.
– E ele realmente entende que você não quer que ele faça isso, por acaso? — ele perguntou ironicamente, mas fora totalmente ignorado.
Ela leu a carta silenciosamente. Apenas fazia caretas estranhas certas horas.
– Hm. — murmurou.
– O quê?
– Convidou a gente pra passar um dia na casa de praia dela. Quer dizer, todo mundo. Eu, você, George, Fred, Hermione, Harry... Muita gente.
– Tipo uma festa?
– Creio que sim. Na piscina. — comentou. — Mandou levarmos produtos pra banho, toalhas e roupas de banho.
– Legal! — ele sorriu animado.
– Ela convidou até aquela menina que conhecemos no trem, lembra? A Ellen Brown. Quer apresentar ela pro nosso grupo de amigos, pra ela se entrosar.
– Summer sempre sendo uma boa pessoa. — disse tímido.
– É, parece interessante. Vou responder pra ela agora. Quer dizer alguma coisa? — ela perguntou e ele pareceu pensar por um momento. — Ah, nem, ela não tá na casa da Luna. Então não.
E foi para dentro da casa pegar papel, um envelope e a coruja que traz ratos para o quarto MESMO QUANDO ESTA DIZ QUE NÃO PODE.
***
– Como vamos dar um tempo na loja pra ir nessa festa da Summer? — perguntou Fred, enquanto atendia uma senhora de cabelos grisalhos e blusa vermelha com estampa de bolinhas e listras verdes. — Obrigado, volte sempre à Gemialidades Weasley.
– Estamos trabalhando aqui como loucos, merecemos uma folga. Sei que Vera dará conta. E eu ainda não vi minha namorada desde o término das aulas em Hogwarts. — George respondeu enquanto emparelhava uma pilha de caixas de Kit Mata Aula.
– Nossa, é verdade. — Fred suspirou. — Não as vemos desde esse dia.
– Ahhhh, tá com saudade da Lizz, é? — riu. — Não há lugar como a nossa casa, hein? Já dizia Dorothy.
– Cala a boca. — fingiu não ser verdade, mesmo quando havia se lembrado dela ao ouvir a tal citação de O Mágico de Oz. — Na verdade, ela tá me devendo uma conversa. — ele disse mais para si do que para o irmão.
– Ah, é. A explicação sobre a Angelina ter pirado do nada. Não tem nenhuma idéia? — perguntou descendo as escadas.
– Não faço a mínima idéia. Ela não responde minhas cartas. Será que foi algo que eu fiz? — Fred usou um tom de voz incrédulo, como quem dizia que não poderia ser.
– Oh, claro que não, pfffft. Você deu algum motivo por acaso? Nommmm. — George disse com ironia, enquanto Fred lhe lançava um olhar furtivo. George riu. — É meio óbvio que foi sua culpa né, afinal, toda a história é culpa sua.
– Obrigado, irmão, por me fazer sentir bem melhor. — disse com os dentes trincados.
– Eu tento. — riu e foi buscar mais caixas no depósito, enquanto Fred ajudava outro cliente.
***
– Pronta? — Neville perguntou após bater na porta.
– É a décima segunda vez que você pergunta isso. — ela gritou. — Entra aí.
– É porque você nunca se apronta e o táxi já deve estar chegando. — ele entrou no quarto e se deparou com Lizz só de sutiã. — Meu Deus! — fechou os olhos rapidamente. — Se você estava de sutiã, por que mandou eu entrar?
– Não é sutiã, é biquíni, seu besta. — ela riu. — Tá bom?
– Se bom significa depravado, está. — ele comentou com um olhar repressivo para ela.
– Obrigada. — ela abriu um grande sorriso.
Lizz colocou uma blusa que estava jogada na cama rápido e puxou uma bolsa.
– Tô pronta.
– Vamos esperar o táxi lá na frente. — eles foram descendo as escadas do segundo andar para o primeiro. — E então? Ansiosa pra ver... você-sabe-quem? — perguntou.
– Passei minha vida fugindo desse cara, não tô muito ansiosa pra ver ele não. E eu particularmente não curto homens sem nariz. — ela comentou meio enojada.
– O quê? Não! Eu tô falando do Fred. — ele revirou os olhos.
– Ah, eu achei que você tava falando do Lorde das Selvas. (se você não riu, em inglês seria Dork Lord) — ela respondeu como se finalmente tivesse entendido.
– Trevas. — ele a corrigiu.
– Whatevs. Tô mais ou menos, sei lá. Animada que vou ver ele, agora que somos... amigos, ou, algo do tipo.
– Vocês nunca foram amigos. Nem nunca serão.
– Bom, parece que teremos de aprender a ser. — ela disse quieta enquanto abria a porta da casa. — O táxi já tá aqui. Tchau vó!
– Tchau, vovó! — gritou Neville para que ela escutasse e então fecharam a porta.
Lizz foi na frente e abriu a porta do táxi. Deixou aberta para que Neville entrasse também. Quando o fez e fechou a porta, Lizz disse o endereço para o taxista e ele avançou.
***
– Chegamos rapidinho. — comentou Summer animada, olhando para a casa de praia da família.
– Claro, meu pai se ofereceu pra nos trazer aqui aparatando. — Luna comentou sonhadora, olhando para a casa com um sorriso singelo nos lábios.
– Bom, isso é. Ai, vai ser tão legal. Pena que nossos pais não deixaram todo mundo dormir aqui. — Summer disse e fez um biquinho triste.
– Você queria ter uma noite louca com o George, é? — brincou a prima.
– Não foi isso que eu quis dizer... — as mãos da morena foram até o rosto que estava queimando de vergonha.
– A primeira vez não foi o suficiente pra você? — riu.
– Quem te disse que foi só a primeira vez? — Summer parou e levantou uma sobrancelha. A prima arregalou os olhos e abriu a boca chocada enquanto queria rir. Rindo, Summer disse: — Vem, vamos deixar tudo pronto pra quando o pessoal chegar, já poderem aproveitar.
– OK. O cara do churrasco já tá vindo e os refrigerantes já deixaram aqui. — disse como quem repetia uma lista de fazeres.
– OK, e a bebida, você trouxe? — perguntou Summer.
– Sim, uma garrafa apenas de Whiskey de Fogo pra quem quiser provar, mais especificamente, Fred, George e Lizz. — fez o mesmo tom de voz.
– Isso. Agora vamos colocar algumas músicas pra tocar e esperar o povo.
Ding. Dong.
– Ué, já? — Luna se assustou.
– Devem ser Lizz e Neville. Ou Hermione. Só eles para chegarem tão cedo.
As meninas saíram dos fundos da casa e atravessaram a cozinha e sala de visitas até chegar à porta da frente. Olhou pelo olho mágico.
– Sério?????
Abriu a porta.
De fato, era Hermione. E Harry. E Ron. E Ginny. E Fred. E George.
– Nossa, quão pontuais vocês são quando o assunto não é escola. — riu enquanto todos entravam, abraçando e cumprimentando. — Se não fosse por Hermione... — Os que haviam abraçado Summer, agora cumprimentavam Luna.
– Ninguém queria chegar cedo, mas sabe como é a Mione né. — comentou George. — Tsc. Tsc.
– O quê? Você que choramingou enquanto eu e Ginny nos aprontávamos o quanto sentia falta da sua princesa e precisava chegar logo. — ela disse indignada.
– O pior é que é verdade. — Fred fingiu que segurava o riso.
– Isso é uma calúnia! — protestou George, enquanto a namorada ria.
– Ah sim, e eu finjo que acredito. — ela fechou a porta.
– Saudades. — ele comentou já bastante perto dela.
– Eu também. — mordeu o lábio inferior e fechou aquela distância encrenqueira que havia entre os dois.
– É gente, vamo que isso aqui não é pra nós. Vamos solteiros. Ginny e Luna, vocês ficam. — Fred disse todo brincalhão e quando a irmã começou a gritar e espernear, ele saiu correndo.
– A Lizz não chegou ainda? — perguntou George, enquanto Luna seguia Ginny, deixando-o sozinho com Summer.
– Não, ainda não.
– Ah... ela precisa chegar logo. — disse sem expressão.
– Por quê? — perguntou a namorada em dúvida.
– Precisamos juntar um casal. — ele riu.
– Ah, sim, se você está falando dela e de...
– Oi, gente. — entrou Fred na sala e se aproximou deles. — O que vocês estão esperando?
Quando Summer abriu a boca pra falar algo, a campainha tocou. Ela abriu a porta. Eram Lizz e Neville.
– Lizz! — a amiga exclamou e a abraçou forte.
– Sizzzzzter! — a loira gritou e quando soltou Sums, que foi logo abraçando Neville, pulou em cima de George. — Georgiiiie, como você tá?
– Melhor, agora que a minha melhor amiga chegou. — disse fazendo beicinho e Lizz derreteu.
– Liiiiindo! — e então ela olhou para Fred, que observava tudo calado, de um modo, esperando o momento que ela o notaria. — Oi. — disse apenas enquanto se aproximava cautelosamente.
– E aí? — perguntou o ruivo, que desceu as mãos para os bolsos.
Ela riu bobamente, correu e o abraçou.
– É... — Lizz fez uma careta. — Já estive pior. Bem pior. — soltou uma risada fraca. — Você?
– Usarei suas palavras como se fossem minhas. — abriu um sorriso lindo o suficiente para Lizz fingir que ouviu algo atrás, podendo assim morder o lábio. — Então, vamos lá pra trás. Ouvi dizer que tem churrasco. E piscina. — disse.
– Vamos.
***
Muita gente já havia chegado. A maioria convidados por Fred e George.
– Então, Ellen... — começou Summer, quando todos estavam sentados perto da piscina (menos Fred, George, Lizz, Hermione, Harry, Ron e Ginny, e mais umas pessoas, que estavam dentro dela) — seus pais trabalham com o quê?
– Meu pai é auror. Minha mãe é dona da loja Roupas para Todas as Ocasiões, no Beco Diagonal. — respondeu.
– Adoro essa loja. Vivo comprando roupa lá. — Hermione comentou animada com ela.
– Você devia ir agora, tem uma nova coleção legal. — ela sorriu.
– Seu pai é Tom Brown, o auror? — perguntou Neville acanhado.
– Sim.
– Ele é muito bom, ouvi dizer.
– Não precisa fingir que não o conhece... — ela riu envergonhada.
– Conhece? — perguntou Luna.
– Eles eram amigos. Nossos pais. — ela disse e sorriu para os dois.
– Ele vive indo no hospital ver os dois. — ele sorriu de volta.
– Ah, que legal. — Luna comentou.
– Podemos falar agora? — Fred sussurrou no ouvido de Lizz, estando atrás dela.
– Você perguntou isso a 10 minutos atrás. — ela riu, sem se virar para ele.
– Por favor, preciso saber. — ele suplicou juntando as mãos.
– Tá bem! — ela exclamou e jogou as mãos para o céu, se rendendo. — Vamos pra ali.
Ela nadou até o canto pelo qual havia apontado. Fred a seguiu, andando e observando ela nadar. Lizz nadava muito bem, e já há muito tempo. Lizz nasceu nadando, praticamente.
– Aqui. — ela disse, e tirou a água dos olhos. — E então? O que quer saber?
– O por que da minha namorada estar super estranha comigo. — perguntou o ruivo.
– Ah ta. Eu ameacei ela. — disse simplesmente.
– Você o que? — Fred arregalou os olhos?
– Eu falei que se ela chegasse perto de você de novo, eu iria matar ela. — ela sorriu e abaixou a cabeça como se segurasse um riso.
– Eu não sei se devo acreditar, já que você tá segurando um riso.
– Olha, é verdade. — ela ficou séria. — Mas eu falei isso porque... a razão pela qual terminamos, e eu acho, pelo menos, que você me traiu, foi porque ela usou um tipo de poção do amor em você, mas algo mais fraco, já que o efeito passou por si só e você não estava apaixonado.
– Isso explica muita coisa. — comentou quieto.
– É... eu fiquei... bem chateada quando soube. Até entrei em uma briga com a Holly e ela.
– Com a Holly? — perguntou Fred.
– Sim, ela que vendeu pra Angelina isso. — disse.
– Ah, é. Ela me vendia drogas as vezes. — ele disse e pigarreou. — Mas ela só vendeu pra Angie, por que você brigou com ela?
– Porque ela pretendia usar com o Justino também. — disse e Fred fez uma cara de "hmmm, entendi" e abaixou a cabeça. — Ah, mas eu quase... quase não. Só fiquei com uns arranhões e muita dor de cabeça. — riu.
– E depois o Justino cuidou de você? — quando Fred fez esta pergunta, Lizz percebeu que ele estava chateado/com ciúme.
– Sim. Mas não do jeito que você tá pensando. Nós... nós não estamos mais juntos. — ela disse isso de um jeito que causaria uma grande reação em Fred, que apenas olhou pra ela e sorriu.
– Não estão? — perguntou.
Lizz balançou a cabeça confirmando que não. E depois olhou para ele, que sorria pra ela. Ele virou o rosto e comprimiu os lábios.
– E isso é uma boa coisa ou uma coisa ruim? — perguntou enquanto se aproximava dela.
– Depende do ponto de vista. — ela respondeu, com os olhos vidrados nos lábios do garoto, que ele fazia questão de morder.
– Do ponto de vista de agora, aqui... nesse momento?
Seu corpo estava a centímetros do dela. Ele tinha a cabeça inclinada pra baixo, para poder observa-la. Agora ela olhava para o peitoral dele. E como um instinto que ela não sabia exatamente de onde, talvez de seu coração, ela pousou uma mão ali. Seu dedo indicador fez círculos ao redor do peito dele e ele apenas a ficou observando. Ela deitou a mão ali mais uma vez e depois desceu lentamente pelo corpo do garoto até a cintura, e então levantou seu olhar para o dele. Quando os olhos de ambos se encontraram, eles ficaram daquele jeito por alguns segundos. Ela olhou para os lábios dele mais uma vez, e ele fez o mesmo.
– Você ainda não respondeu minha pergunta. Isso é bom ou ruim no momento? — a voz já saia por um fio, fraca e ofegante.
E como mais um instinto, ela subiu na ponta dos pés, colocou a mão atrás da orelha do garoto e juntou o corpo dos dois. E como se não soubesse o que era certo ou errado, parou por ali. Mas Fred não a esperou decidir. Seu rosto foi na direção do de Lizz, e ele juntou seus lábios. De princípio, fora um selinho demorado. E como se fosse clichê, para qualquer menina, talvez seria melhor dizer que Lizz apenas abriu passagem. Mas a verdade é que, quando Fred depositou ambas as mãos em sua cintura, e depois entrelaçou as mesmas atrás da costa da menina, ela se lembrou como era pertencer a ele, e o quanto ela se agradava com isso. Então ela segurou seu rosto e enfiou sua língua dentro da boca de Fred. Pouco se importava se tinha gente ali ou não. O que importava para ela, era que ela estava com seu primeiro amor. Primeiro amor, primeiro namorado, primeiro amante... alguém que ela levaria pra vida toda. Ela o amava com cada célula de seu corpo. Amava quando sua pele roçava com a dele, em um beijo, em um abraço, ou até algo mais íntimo. Tudo era mais intenso com ele. E ele sentia a mesma coisa. Já tivera tantas meninas com ele, rolos de uma, duas semanas, ou algo mais duradouro, e nada era como Lizz. Nada era como estar com aquela garota. Ele queria entender o por que, mas apenas sentia.
E então soltaram um a boca do outro, mas ainda ficaram na mesma posição. Juntaram as testas. Era soltou uma risada leve. Ele abriu os olhos.
– O que foi? — perguntou e então sorriu.
– No momento... isso é maravilhoso. — e então ela olhou para ele, e viu o lindo sorriso que estava em seu rosto. Suspirou. — Com certeza, é.
E depois voltaram para o grupo de amigos.
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