Calawah (hiato)

1 Capítulo 1


Capitulo Um


Isabella Swan colocou os óculos escuros no alto da cabeça e olhou a seu redor, examinando a cidadezinha onde estava. Do outro lado da rua havia um posto de gasolina com uma bomba e um armazém e subindo a rua, a algumas centenas de metros dali, um motel. Pelos veículos parados diante da entrada, em sua maioria pick-ups e carros com tração nas quatro rodas, via-se que a clientela era composta principalmente de esportistas. Não havia nenhum conhecido.


Bella, como gostava de ser chamada, suspirou e voltou a olhar para o restaurante a sua esquerda. As janelas estavam cheias de anúncios de cerveja em neon indicando que lá também a clientela era principalmente de pescadores e caçadores. Mas, afinal, o que mais se poderia esperar aqui nos confins de Washington? Aquilo não era exatamente Manhattan, o bairro mais elegante de Nova Iorque, de onde Bella havia saído há três horas disposta a esquecer por algum tempo seus amigos ricos e a cidade de Nova Iorque.


Dois dias antes, quando Jacob Black quebrou o tornozelo e teve de desistir da viagem programada para descer o rio Calawah de canoa, Bella decidiu aproveitar a oportunidade. Aquilo era exatamente o que ela estava precisando — duas semanas longe de Nova Iorque e de um pai dominador. E, assim, lá foi ela para Forks, WA, levando uma mochila cheia de jeans, suéteres e repelente de insetos.


Bella sorriu ao lembrar das elegantes roupas de griffe que costumava usar. Quem olhasse para ela hoje, jamais diria que era a filha única do rico industrial Charlie Swan. Ela estava parecendo uma típica turista de classe média, e era assim que pretendia continuar. Nas próximas duas semanas, Bella queria esquecer sua riqueza e encontrar tempo para pensar e relaxar. Ela achou que em Forks, um lugar escondido do mundo, longe de seus amigos ricos e de seu pai, poderia decidir sobre seu futuro. Sabia que não queria voltar para Nova Iorque e continuar fazendo as mesmas coisas que fizera até então, morando na luxuosa mansão em Manhattan , trabalhando na empresa do pai por um salário exorbitante para não fazer nada.


Mas, antes de tudo, precisava encontrar seu guia. Ela jamais tentaria fazer sozinha uma viagem de duas semanas por um rio que atravessava a mata, mas Jacob assegurou-lhe que já tinha contratado um guia em Forks para descer com ela o Calawah. Olhou mais uma vez para a tira de papel que Jacob lhe dera, onde estava escrito a mão: Edward Cullen, Forks, Washington.


Jacob Black havia combinado encontrar esse Edward Cullen no Mill Creek Bar and Grill em Forks. Bella olhou mais uma vez para o bar e sentiu um friozinho no estômago. Qual seria a reação do guia quando, no lugar de Jacob Black, lhe aparecesse uma mulher? Bem que ela havia tentado avisá-lo de que estava tomando o lugar de Jacob, mas o Cullen estivera numa excursão com um grupo até o dia anterior. Bella então arrumou a mochila e foi para Forks, sem pensar mais no assunto.

Decidida, Bella ergueu o queixo e olhou para a porta do bar. Ele que ficasse chateado, pois ela iria descer o rio de qualquer maneira. Desde que Jacob lhe falara da excursão, ela tinha se sentido atraída pela excitação e o desafio da aventura. E, além do mais, estava cansada de ver seu pai constantemente dizendo-lhe o que fazer com sua

vida. Se o tal de Edward Cullen criasse caso, ela sorriria e ouviria suas reclamações, e, então, calmamente, o convenceria de que ele não tinha motivos para se preocupar. Uma mulher poderia sair-se tão bem numa viagem de canoa quanto um homem.


Respirando fundo, Bella abriu a porta do bar e entrou. Devido ao sol estranhamente forte lá de fora, mal conseguia enxergar dentro do bar, mas aos poucos seus olhos foram se acostumando à penumbra e ela começou a olhar a sua volta.


Logo viu que aquele era o ponto de reunião de homens. Havia mesas quadradas e redondas, com cadeiras confortáveis arrumadas em torno delas. O bar pegava toda a parede do fundo, e homens de calças jeans e camisas quadriculadas sentados junto ao balcão conversavam e riam, bebendo cerveja gelada. Num canto, um toca-discos automático tocava uma música country, enquanto suas luzes de neon piscavam ao ritmo da música.


Bella ficou parada junto à porta e sentiu-se invadida pelo calor do ambiente. O barulho das pessoas conversando era às vezes interrompido por gritos ou gargalhadas, e no ar havia uma sensação de camaradagem. No entanto, como ela continou lá parada, o ambiente caiu subitamente num profundo silêncio. Todos os olhos estavam pregados nela, todas as cabeças voltadas em sua direção. Levantou um pouco o queixo ao ver que estava sendo examinada, sentindo os olhos dos homens descerem por seu corpo, até os pés, e depois voltarem, parando nos seios generosos.


Se recuasse agora, pensou Bella, jamais desceria o Calawah. Sabia que Edward Cullen estava ali e não queria que ele a visse fugir com o rabo entre as pernas. Respirou fundo mais uma vez e dirigiu-se ao bar. O garçom olhava para ela, de braços cruzados, com o quadril encostado no balcão.


_ Por gentileza — disse ela. _ Você poderia me ajudar? — O garçom inclinou-se para a frente, sorrindo.


_ Farei o possível, senhorita.


_ Estou procurando por Edward Cullen — disse ela, sorrindo. _ Sabe, por acaso, se ele está aqui?


Ouviu-se um som de risos.


_ Bem, eu estou! Será que sirvo? — disse um dos homens, batendo com a mão no balcão e sorrindo de orelha a orelha. _ Mas como é que o Cullen pode ter tanta sorte?


O sorriso de Bella desapareceu e seu rosto ficou vermelho, mas ela procurou ignorar as piadinhas, mantendo os olhos fixos no garçom.


_ E então? Ele está aqui? — perguntou, tentando manter a calma.


_ Edward? Claro que está. Basta procurar o cara mais alto, mais simples e mais beberrão daqui, e encontrará o Cullen.


Bella engoliu em seco e passou os olhos pelos homens do bar. Todos eram altos e pareciam simples. Eram homens grandes, rudes, com a barba por fazer, e todos com os olhos fixos nela. Começou a sentir uma certa apreensão, pensando se aquela viagem súbita a Forks tinha realmente sido uma boa idéia. Afinal de contas, o que ela sabia sobre esse tal de Edward Cullen? Jacob havia dito que o Cullen conhecia o Calawah como a palma da mão, mas será que isso seria o suficiente para torná-lo um homem de confiança?


O friozinho no estômago voltou com força total. Ela agora podia ouvir as palavras do pai: "Eu disse que você não conseguiria, Bella. As matas de Forks não são lugar para uma moça como você. Você precisa de civilização, dinheiro, roupas de seda, boa comida, boa cama, e não um saco de dormir no chão frio da mata".


Ouviu então outra voz, vinda de trás dela. Era baixa, rouca e profunda, diferente da voz de seu pai.


_ Está procurando por mim?


com o susto, voltou-se bruscamente e deu de cara com um peito másculo, largo.


_ Oh! Não. Eu... quero dizer. — Ela gaguejava, enquanto seus olhos subiam pelos botões da camisa de flanela, passando pelos ombros largos e depois pela barba aloirada, subindo pelo nariz reto, até chegarem aos olhos alegres do homem. Eram olhos verdes, cor de esmeralda. Eles riam, formando rugas nos cantos.


Por um momento, ela ficou sem saber o que dizer, e só então entendeu o que ele disse.

_ Ah, quer dizer que você é... — Bella ficou olhando para ele, com a cabeça inclinada para trás, para poder olhá-lo nos olhos.


_ Sou eu mesmo, Edward Cullen, às suas ordens. — Bella não conseguia desgrudar os olhos dele. Ela não sabia o que esperava encontrar, mas não era nada daquilo. O homem que estava a sua frente era alto e musculoso e aquela barba e bigode levemente aloiradas e com fios ruivos davam-lhe uma aparência quase perigosa, logo desfeita por seus olhos alegres. Sua voz de timbre baixo, educada e civilizada, também contrastava com seu aspecto de homem do mato.


A presença dele era tão marcante que Bella perdeu completamente o fôlego. Atordoada, segurou na beirada do balcão, tentando recuperar-se, e forçou um sorriso para fingir que tudo estava bem.


Mas não estava. Por alguma estranha razão, aquele homem a tinha perturbado muito. Ele a deixava literalmente sem fôlego, e Bella não conseguia descobrir a razão. Ele era alto, é verdade, e aquela barba grande e aloirada dava-lhe uma aparência de homem das cavernas, mas isso não explicava totalmente o efeito. Bella achou que tinha algo a ver com carisma, ele tinha um certo magnetismo, algo que acelerava seu pulso e deixava a sua respiração irregular.


Ela procurou tirar da mente aqueles pensamentos irracionais. "Que carisma que nada", pensou. Ele apenas a assustou, foi só isso. E, agora, os homens do bar estavam

novamente rindo, brincando com Edward, mexendo com ele, perguntando-lhe se ele não sabia como tratar uma dama.


_ Que é que há, Edward? — gritou um deles. _ Se você não sabe o que fazer com ela, deixe comigo!


Constrangida, Bella olhou para Edward e viu que ele estava aguentando a brincadeira em silêncio. Em seguida, segurou-a pelo braço e levou-a para a porta.


_ Venha — disse em voz baixa. _ Vamos sair daqui, senão não poderemos conversar em paz.


Ela deixou que ele a levasse até a porta, aliviada por deixar o bar e sua ruidosa clientela. Ele segurou a porta para que ela passasse e saiu em seguida. Diante do sol estranhamente forte para aquela região, Bella apertou os olhos e levantou a mão para descer os óculos do alto da cabeça, mas a mão forte e bronzeada de Edward impediu-a.


_ Não faça isso — disse ele, com suavidade. _ Quero ver seus olhos.


Assustada, voltou-se bruscamente, levantando o rosto para olhá-lo, e mais uma vez sentiu aquela perturbação estranha. Mas o que ele tinha de diferente? Seria aquela barba aloirada com fios ruivos, contrastando com seus olhos gentis e risonhos? Ela não sabia. A única coisa que sabia era que continuava pregada na calçada, com a cabeça inclinada para trás, sentindo-se perdida naqueles olhos esmeraldinos. Subitamente, ela não estava mais em Forks, Washington. Parada diante do Mill Creek bar and Grill, e sim, afogando-se naqueles olhos verdes como esmeralda liquida, flutuando sem rumo, ao lado daquele homem estranho, que a deixava hipnotizada.


Ele olhou para ela e sorriu, mexendo a cabeça.


_ Olhos castanhos — disse ele. _ Eu achei que eram castanhos mesmo, mas não dava para ver, pois o bar estava muito escuro.


Bella sentiu que ficava novamente vermelha, e desviou os olhos dos dele.


_ Sim. Eu tenho os olhos de minha mãe.


_ E o cabelo também? — perguntou ele segurando entre os dedos uma mecha cor de mogno.

Ela respirou fundo antes de responder.


_ Sim. Meus olhos e meu cabelo são iguais aos de minha mãe.


_ Ela deve ser uma mulher muito bonita.


_ Ela era — respondeu Bella, dando um suspiro e virando a cabeça para o outro lado, dizendo a si mesma que aquilo tudo era uma loucura. Ficou olhando para a bomba de gasolina do outro lado da rua, sentindo a brisa agitar seu cabelo e percebendo também que os olhos de Edward continuavam fixos nela.


_ Por que estava me procurando? — perguntou ele. _ Ou será que eu morri e você é um anjo que desceu do céu?


_ Não — respondeu Bella, voltando-se para ele com um sorriso . _ Você não morreu.


_ Mas, se tivesse morrido, certamente estaria no céu. — disse ele, abrindo um largo sorriso.


_ Mas nós não estamos no céu. — Ela forçou um tom irônico. _ Estamos em Forks, Washinghton, e eu sou Isabella Swan. Posso assegurar-lhe que não sou nenhum anjo.


_ Isso é discutível, mas muito prazer em conhecê-la, srta. Swan.


_ Por favor, me chame de Bella.


_ Bella. — Ele a acariciou com os olhos. _ É um nome rico, como se você fosse uma patrícia da Roma antiga.


_ Oh, não — respondeu apressadamente, desviando os olhos dos dele. _ Eu não tenho nada de rica, sou apenas uma moça de classe média, que trabalha e vive em Nova Iorque.


Nem ela mesma sabia por que tinha mentido. Que diferença poderia fazer se Edward conhecesse o nível social dela? De súbito entendeu por que havia feito aquilo: não queria que nada referente a sua posição social atrapalhasse seu caminho nas próximas duas semanas. Em Forks, ela queria ser apenas Isabella Swan, pois já estava cansada de ser a linda e rica filha de Charlie Swan. Ela queria ser julgada pelo que realmente era, e não pelo dinheiro de seu pai. Edward começou a andar e ela o acompanhou.


_ Então, por que estava me procurando, Isabella Swan? O que pode um pobre guia de Forks, como eu, fazer por você?


_ Você pode ajudar-me a descer o Calawah.


_ Acho que não — disse ele sacudindo a cabeça. _ Eu já estou contratado para o resto do verão.


_ Ah, pode sim. Jacob Black não poderá vir porque quebrou o tornozelo, e eu vim no lugar dele.


Edward parou de andar e ficou olhando para ela.


_ O quê?


_ Eu disse que Jacob Black, com quem você ia descer o rio amanhã, quebrou o tornozelo, e portanto não vem mais. Assim sendo, eu vim em seu lugar. — Enfiou a mão no bolso e tirou um cheque. _ Aqui está seu pagamento, que pode ser sacado no banco local.


_ Oh, não, espere um pouco. Você está falando sério?


_ Estou sim, sr. Cullen.


Rindo, Bella olhou para ele, esperando que ele também risse, mas os olhos dele ficaram muito sérios. O verde esmeraldino tornou-se escuro e inexpressivo. Ao responder, ele mexeu a cabeça e olhou para ela com frieza.


_ Então, receio que tenha feito a viagem à toa, srta. Swan. Você não poderá vir comigo.


_ Mas... mas isso é um absurdo! — Fez um gesto, indicando o cheque que tinha nas mãos. _ Veja! Eu paguei exatamente o que Jacob lhe devia, e meu dinheiro é tão bom quanto o dele.


Sem dizer uma palavra, ele rasgou o cheque em dois e o devolveu a ela.


_ Fique com o seu dinheiro, srta. Swan. Você não virá comigo.


Duas manchas vermelhas apareceram nas faces de Bella e ela lutou para conservar a calma.


_ Eu não estou entendendo, sr. Cullen.


_ Então, deixe-me explicar-lhe — disse com frieza, segurando-a pelo braço e fazendo-a caminhar a seu lado, em direção ao motel. _ A viagem pelo Calawah é muito árdua. Quando eu combino levar alguém, devo ter a certeza de que esta pessoa aguentará a viagem. Quando falei com Jacob Black há uns dois meses, ele me disse que tinha considerável experiência em canoagem e em excursões pela mata. E foi por isso que eu concordei em levá-lo comigo. Agora, você, que é uma novata...


_ Como é que você sabe?


_ Eu sei que é. — Os olhos dele percorreram o corpo dela com ar de desaprovação, observando os jeans e a camisa xadrez novinhos em folha.


_ Mas como?


_ Intuição masculina — respondeu sarcasticamente. _ Diga-me srta. Swan, já andou alguma vez de canoa?


_ Já!


_ Onde? No acampamento? Quando era uma bandeirante de doze anos de idade?


_ E daí? As canoas de lá não são tão boas quanto as suas?


_ Elas são boas para serem usadas por crianças num lago tranquilo, num acampamento, o que não se compara com a experiência de descer um rio que atravessa a mata, numa viagem de duas semanas.


_ Oh! — Bella cerrou os punhos, numa atitude de impotência. _Você não tem jeito!

_ Você acha? Por acaso, faz alguma idéia do que é essa viagem, srta. Swan?


_ Ora, eu... — Desviou o olhar, sentindo vontade de dar-lhe um chute, de tão zangada que estava. _ Olhe, eu sei que esta viagem não é brincadeira, mas isso não me assusta. Eu estou aqui pelo desafio. Canoagem não é uma atividade só para homens, você sabe disso.


_ E o que me diz do transporte da embarcação por terra, srta. Swan? E quando chegarmos às águas realmente agitadas, com as ondas entrando na canoa, e nós tivermos que baldear água o mais rápido possível e remar ao mesmo tempo? E os insetos, srta. Swan? Já foi atacada por mosquitos e moscas enquanto carregava uma mochila de vinte e cinco quilos nas costas? O que acontecerá se você quiser tomar banho e não houver uma banheira à vista? E quando você quiser uma boa refeição quentinha e tiver que se virar com comida congelada?


Bella estava soltando agulhas pelos olhos.


_ E daí, sr. Cullen? Acha que uma mulher não pode agüentar isso tão bem quanto um homem?


_ Em seu caso, acho que não. O que vejo é uma novata de Nova Iorque, cheia de grandes idéias. Mas acontece, srta. Swan, que eu sou responsável pela segurança de meus clientes, e prefiro trabalhar com pessoas que possam cuidar de si mesmas até um certo ponto.


_ Eu posso cuidar de mim mesma! — exclamou Bella, segurando os braços junto ao corpo, com as faces em fogo.


Suas palavras ecoaram na rua deserta. Os lábios de Edward curvaram-se num meio sorriso, mas logo seu rosto voltou a ficar impassível.


_ Muito bem, srta. Hamilton, então vejamos se pode mesmo. Quais as remadas que você conhece?


_ Remadas? Quais? — perguntou, umedecendo os lábios.


_ Está bem, então vejamos outra questão. O que você deve fazer se a canoa emborcar?


_ Ficar junto com a canoa e não largar dela.


_ Foi um bom chute ou ensinaram-lhe isso quando era bandeirante?


_ Você não tem jeito mesmo! — disse ela, apertando os olhos. _ Não pode me dar ao menos um voto de confiança?


_ Veja, srta. Swan, eu só estou tentando descobrir se você tem algum conhecimento básico de canoagem. Agora é que é a hora de descobrir isso, e não quando estivermos em águas agitadas e você levantar as mãos em pânico.


_ Eu não sou tão idiota, sr. Cullen. Além do mais, quem disse que eu entraria em pânico? Ao que parece, você é um daqueles machistas arrogantes que acham que as mulheres são totalmente indefesas!


_ Ao que parece, você é uma daquelas feministas arrogantes que acham que podem fazer qualquer coisa.


_ E eu posso mesmo, ora bolas! — exclamou Bella. _ Basta você me dar uma oportunidade!


_ Está certo, srta. Swan. Vamos prosseguir com o teste. Que suprimentos você levaria?


Ela ficou olhando para ele, tentando adivinhar se a pergunta era maliciosa.


_ Suprimentos? Bem, eu trouxe roupas...


_ Que tipo de roupas?


_ Jeans, camisetas, camisas de manga comprida e suéteres. — Levantando a sobrancelha, observou _ Nenhum vestido de festa, sr. Cullen.


_ E o que mais, srta. Swan?


_ Repelente de insetos, um saco de dormir, sabonete e um esfregão.


_ E o que mais?


_ Minha escova de dentes, droga! Um chapéu, um maio, filtro solar. O que mais você quer saber? Jacob disse que você levaria a comida, a barraca e os apetrechos de cozinha, e por isso eu não me preocupei com essa parte.


_ Está certo, é isso mesmo. Agora... eu só tenho uma barraca, srta. Swan. Acha que deveria cedê-la a você e dormir ao relento?


_ É claro que não.


_ Então, pretende dormir comigo, é isso? — Sentindo-se embaraçada, Bella continuou parada,olhando para ele. Uma parte dela observava como o vento agitava o cabelo dele e como seus olhos brilhavam para ela, enquanto a outra parte tinha vontade de agarrá-lo pelos ombros e sacudi-lo.


_ Bem, eu... eu não sei...


_ Então acho bom começar a pensar, Isabella Swan. Somos um homem e uma mulher que vão passar duas semanas no mato. Sozinhos. Sem ninguém a quilômetros de distância. Dormindo juntos, comendo juntos, viajando juntos. Pense nisso tudo, Isabella Swan, e no que isso significa.


Ela sentiu o rosto ficar quente com as insinuações dele, mas recusou-se a desviar seu olhar. com obstinação, agüentou firme e lançou-lhe um olhar frio.


_ O que está dizendo, sr. Cullen? — perguntou calmamente. _Que quer fazer mais do que dormir comigo?


Ele pestanejou por um momento, e então examinou-a da cabeça aos pés.


_ O que estou dizendo, srta. Swan, é que eu sou um homem e você uma mulher, e nós estaremos sozinhos. Muita coisa poderia acontecer por lá. Muita coisa acontecerá, e eu não sei se você está preparada para isso.


_ Por que você não me dá uma chance e assim ficará, sabendo?


Ele respirou fundo, soltou o ar lentamente e levantou os olhos para o céu, que estava azul e sem nuvens. Atrás do motel, os pinheiros erguiam-se como sentinelas verdes, tentando alcançar o azul do céu com seus galhos silenciosos.


Edward suspirou profundamente mais uma vez e voltou a olhar para Bella.


_ Partiremos amanhã — disse ele. _ De madrugada. — Ela concordou, sentindo-se animada. Isso significava que ele a levaria?


_ Uma pessoa nos levará ao ponto de partida e nos apanhará na chegada. Começaremos pelo rio Calawah, atravessaremos alguns lagos até chegarmos ao rio Quillayute, pelo qual desceremos até chegarmos a La Push, onde terminará nossa viagem. Levaremos aproximadamente duas semanas fazendo uma viagem de lazer, parando para pescar e para observar a vida animal, mas que ainda assim será bastante árdua. — Deu uma olhada de lado para ela. _ Acha que conseguirá?


Bella sentiu o estômago revirar de nervosismo, mas não podia deixar transparecer nada, ou ele não a levaria.


_ Eu conseguirei. Dê-me alguns dias e eu serei uma profissional.


Os olhos dele se apertaram, mas ele concordou lentamente.


_ É melhor que consiga, Isabella Swan. É melhor que consiga...