Calabouço
1 Calabouço
Notas iniciais
Hermione recordava-se de como chegou até aquela situação, até aquele momento. Lembrava-se como se fosse hoje, quando Harry e Rony a chamaram para ir com eles em mais uma missão arriscada, pois seria o resgate de Gina, na qual havia sido sequestrada por alguns Comensais da Morte enquanto fazia compras na Londres trouxa. Hermione como boa amiga e soldado da Ordem, se sentiu útil e feliz por mais uma vez ajudar, tanto na estratégia como na missão em si, e como tudo que ela fazia era bem planejado mais uma vez obteve sucesso. A única diferença foi que invés de invadirem o local, três Comensais os aguardavam com Gina encapuzada e amarrada. Hermione estranhou muito que não houve embate, simplesmente aparataram e assim que percebeu que algo estava errado foi petrificada por Harry ou Rony, não soube qual pois estava de costas, no mesmo instante Gina foi entregue a eles, e ela foi levada pelos comensais sem uma única palavra trocada, sem um feitiço lançado, só entregue.
Hermione demorou horas, talvez dias para se conforma e ter a certeza que ela foi usada como objeto de troca. Que sua vida não valia de nada por aqueles que ela amava e morreria sem pensar duas vezes. O amor que sentia não era recíproco. Talvez esta realidade doeu mais que as inúmeras torturas que sofreu naquele mesmo calabouço, passou dias presa ali, muitas vezes a testavam outras a deixavam sozinhas por horas e outras a torturavam, foram dias difíceis e sombrios, dias que desejava a morte.
Em um desses dias seu salvador chegou. E agora está ali usufruindo de cada minuto de sua vingança contra aqueles que á maltrataram. Aqueles que não á valorizaram. Agora estava ali no mesmo calabouço, não como prisioneira, mais sim como advogada, juiz e carrasco.
Encarou os olhos verde do homem que um dia considerou como um irmão. Quantas vezes já não o consolou, quando derramava as lágrimas em seu ombro sem constrangimento? Sempre souberam que podiam contar um com o outro. "Acabou" pensou olhando os mesmo olhos que hoje não brilha mais como antes. Nunca mais brilharia.
De Harry, seus olhos percorreram por todo o calabouço e parou quando avistou a ruiva caída no canto, pálida e gelada, nunca seus cabelos cor de fogo ficaram tão intensos quanto naquele momento, parecia translucida com a luz fraca, sorriu. “Tudo por culpa dela” por fim concluiu irada. Era por Gina que os olhos de Harry permaneciam vidrados e sem vida.
— MONSTRO!!! – uma voz rouca gritou no fundo do cômodo.
—Ah! Me esqueci que ainda está ai Ronald. Sua insignificância é tão grande que até no momento de sua morte você é deixado de lado – disse com sarcasmo se aproximando da parede onde o ruivo estava preso – Monstro? Eu? — disse com um sorriso zombeteiro em seus lábios — Se sou um mostro é por culpa de vocês, vocês criaram este monstro.
—Sempre soubemos que você era esperta e inteligente. — suspirou — Se tinha alguém que escaparia sem a nossa ajuda, esse alguém era você, por isso não fomos ao seu resgate
—NÃO MINTA! – gritou apontando a varinha para o pescoço do ruivo – pelo menos no momento de sua morte, seja digno e diga a verdade. Não seja mentiroso e covarde como todos sabem que você é. Assuma Ronald, assume que para vocês eu não valia mais nada.
—Não é bem assim Hermione! Eu sempre te amei. Você foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida.
—Ah. Disso tenho certeza Ronald. Eu com certeza foi a melhor coisa que te aconteceu. Sou inteligente, bonita, leal, te amava acima de tudo. Me entregava a você todas as noite, você era meu porto seguro -suspirou — e mesmo com tudo isso você ainda não me deu valor, sempre querendo mais, sempre me pedindo mais, sempre olhando as outras mulheres, querendo-as. Uma coisa Ronald que tenho que agradecer pelo tempo em meu cativeiro, é como eu pude perceber o quanto ingênua e idiota eu era. Percebi talvez tarde demais, que você nunca me amou, que você só me usou e só me tinha por perto porque precisava de minha inteligência e de minhas habilidades. Mas na primeira oportunidade me entregou para o inimigo – disse com amargura o lançando um Crucio.
Ronald gritava e se retorcia tamanha era a dor que sentia. Hermione não ligava para os gritos daquele que um dia foi seu grande amor. Não existia mais nenhum sentimento bom em relação a ninguém ali. Pessoas que um dia considerou tanto. Agora existia ódio, um ódio tão grande que a fazia aumentar a força da tortura involuntariamente.
Seu coração passou a ficar frio, pois teve esperanças demais. Clamou por noite após noite que ele viesse ao seu resgate, mas todas as vezes que a porta se abria, a esperança que sempre alimentava ia para longe dela, restando apenas a intensa dor da tortura. Quando seu corpo já não aguentava mais, vinham as pressões psicológicas, para somente depois, uma outra mulher entrar, curar suas feridas e trocar suas roupas, para então, deixa-la novamente sozinha. Todos os dias eram iguais até que a esperança sumisse por completo de dentro dela. Foi tirada de seus devaneios, quando ouviu a voz do ruivo.
—Quer saber a verdade mesmo Granger? – Ronald falou a encarando, Hermione olhou em seus olhos azuis que um dia tanto admirou e agora possui um profundo nojo – a verdade é que você está certa como sempre, eu sempre quis você por perto porque ter você ao meu lado era conveniente, como você falou sua inteligência me ajudava nas questões, suas habilidades me davam influencia na Ordem, não se engane Granger, todos te usaram – disse como se libertasse de um peso que a muito carregava — Você sempre se achou a mais inteligente, a mais esperta, mas não percebeu que em todos esses anos servindo a Ordem, ninguém gostava de você, você só ia as festas e comemorações porque eram minha convidada, minha acompanhante. Quantas vezes fui leva-la para casa falando que estava cansado, pois as outras pessoas não via a hora de você sair para ai sim se divertirem, porque sabiam que enquanto você estivesse lá, sempre reclamaria e diria que não era correto, não era bom...Sempre chata, sempre a certinha, sempre a rata de biblioteca – Ronald parou e olhou Hermione de cima a baixo, com desprezo a castanha percebeu — E o sexo então, sempre a mesma coisa sem graça, você não tinha a energia o desejo a luxuria e audácia necessária para satisfazer um homem na cama
—Como teria desejo e luxuria com alguém como você Ronald? Você não passa de um verme, um ser insignificante – respondeu a altura com o mesmo nojo e ódio que via no olhar do ruivo.
—Se você prefere acreditar nisso – respondeu sarcástico — Com certeza eu me satisfazia com outras, pois com você era horrível, sempre frigida e recatada...Você nunca foi uma mulher de verdade e é com prazer que te falo Hermione que quando recebi a proposta do Malfoy para que trocássemos você por minha irmã, não pensei duas vezes. Gina sim valia tudo, valia qualquer sacrifício, sempre foi alegre, extrovertida, era a vida na Ordem, era o amor de Harry era a filha querida da família Wesley, era espirituosa, atrevida, audaciosa e você Hermione? Você era o nada, era somente a mesma garotinha, sem graça que sempre foi. Você nunca teve chance Granger — disse com ar vitorioso.
Hermione não se deixou abater pelas palavras acidas, tinha aprendido com o melhor que guarda suas expressões era sempre o melhor, não se deixaria abater por aquele verme, ele não valeria a pena. Sua vingança estava quase concluída, seu ódio era o que a sustentava.
—Vocês são os verdadeiros monstros aqui, você, sua família e toda aquela maldita Ordem, vou ter o prazer de mata um por um, assim como fiz com sua querida irmã, assim como deixei o famoso Harry Potter louco, e assim como você vai definha nesta masmorra até sua morte, Ronald. Lembra-se quando você tiver desejando a morte, que você foi o responsável por essa situação, que o mostro que me tornei foi gerado por você. Que enquanto o corpo de sua irmã apodrece ao seu lado e seu melhor amigo vive em uma casca que ele chama de corpo, você vai se lembra de cada palavra que você disse, de cada atitude que você tomou e vai se arrepende amargamente, que ao contrário de mim que teve alguém que me tirou daqui, e que realmente me valoriza, você não terá ninguém, você vai morrer definhando pouco a pouco, com fome, sede, e vai deseja do fundo da sua alma nunca ter me conhecido.
—Você não pode me deixa aqui Hermione – Ronald disse desesperado – por favor, não me deixe morrer aqui, me mate agora...- chorava pedindo a morte.
—A morte é pouco para você – disse quando olhou para traz – adeus Ronald.
—NÃO!!Hermione!!!! Por favor, não vá — Falava tentando se liberta das correntes que o prendia.
—Para você Ronald, é Sra. Malfoy. Até nunca mais. – Disse ao fechar a porta sem olhar para trás.
Lançou um feitiço silenciador, assim aquele infeliz não incomodaria os outros presos e quem sabe dali a uma semana ela mandaria alguém verifica o local, com certeza o Lord gostaria de pegar o corpo de Harry para prova sua morte, para aqueles que ainda se opõem ao seu governo. Harry enlouquecera depois das torturas e morte de Gina em sua frente, foi com prazer que Hermione viu no mesmo instante os olhos de ambos perderem a vida.
Ronald não duraria muitos dias, morreria de fome e sede em breve, e sua vingança em fim estaria completa. Subiu as escadarias onde dava para a grande sala da mansão Malfoy, não foi surpresa nenhuma encontrar seu salvador, como gostava de chama-lo, sentado próximo a lareira apreciando sua bebida.
Novamente lembrou-se do período de sua prisão, e como ele a salvou, quando suas esperanças de sair daquele calabouço se findou ele chegou e a resgatou, seu salvador, sorriu. Como sempre bem alinhado e com ar arrogante, ao contrário de todos os outros que iam até ali, ele a tratou bem, conversou, explicou porque estava ali, e que eles não tinham interesse em matá-la e sim que queriam sua ajuda, pois ela era importante, inteligente e era o que faltava para uma vez por todas derrotar a maldita Ordem. Conversaram por horas e depois, que ele lhe explicou todos os prós e contras, ela viu que estava errada, e o que o Mestre dizia não era uma total loucura, e que em muitos pontos ele tinha razão.
Analisou o que anos de lealdade a Ordem fez a ela, em que a ajudaram? E chegou à conclusão que em nada. Só usufruíram de sua inteligência, e nunca deram o real valor a ela. No momento mais oportuno a trocaram. E por isso se aliou ao seu salvador. Foi ele que a treinou, ensinou artes e magia que jamais pensou a apreender, devolveu a ela a esperança de uma vida, e a autoestima e felicidade que seus antes amigos a tiraram. Não foi surpresa nenhuma quando logo de início anunciaram seu noivado, e após três meses já estavam casados. Seu salvador e partir dali seu marido e companheiro. Sua lealdade e amor agora era dele. Juntos eram fortes. Unidos eram imbatíveis.
—Como foi com o verme? – Draco perguntou assim que notou Hermione encostada o observando, ela o sorriu e se aproximou sentando em seu colo.
—Muito esclarecedor – disse tomando um gole da bebida do loiro.
—Não importa o que ele te disse, você sempre será especial – disse beijando os lábios de sua esposa docemente.
—Eu sei – respondeu, porém o loiro conhecia Hermione e sabia que ali naqueles olhos amendoados que ele tanto amava tinha uma grande magoa.
—Agora sua vingança foi concluída. Você está finalmente liberta de seu passado, poderemos viver nosso futuro, criarmos nossa família, seremos felizes, você e eu, juntos – disse acariciando seu rosto e segurando suas mãos.
—Eu sei Draco, eu finalmente acabei com meu passado, eu não me sinto mais a Hermione Granger, aquela garota ingênua, rata de biblioteca. Agora sou sua esposa, sua auxiliadora no exército do Lord, e você é meu salvador. No momento que você abriu a porta daquele calabouço e me tirou daquele lugar, eu soube que minha vida mudaria. Você em meio a tantas dores e tortura me salvou. Salvou –me de mim mesma, salvou-me da insignificância, da ingenuidade, do engano e me trouxe a verdade. Abriu minha mente e ganhou espaço em meu coração. Por isso te amo Draco – disse o beijando com fervor.
—Eu também minha esposa, no momento que eu estava em trevas você me mostrou a luz, e hoje sou um homem feliz e realizado ao seu lado.
—Com certeza você é o homem mais amado do mundo bruxo – sorriu enquanto se levantava – agora vamos, temos que planeja como iremos anunciar a captura e morte do querido trio de ouro – completou estendo a mão para Draco que a abraçou enquanto falava.
—Me lembro quando você fazia parte do trio de ouro.
—Isso foi em outra vida, uma em que já não existe mais. – respondeu enquanto encarava aqueles olhos cinzas que tanto admirava. Os olhos do seu salvador, aquele que mostrou a ela que mesmo em meios ao rancor e magoa, pode se construir algo puro.
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