Cake Boss
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“Que diabos você pensa que está fazendo? ”
Abraxas sentiu cada musculo do seu corpo congelar em pânico, a panela com calda de chocolate ainda em sua mão.
“Abraxas, que porcaria é essa?? Tem farinha no teto e essa... coisa nojenta na pia que parece que está se mexendo? Eu fiquei fora por dois dias e você arruinou a minha cozinha. ”
E tudo tinha começado tão bem.
Era 31 de dezembro e Abraxas havia decidido que aquele ano Tom não iria escapar de comemorar o seu aniversário. A viagem de negócios tinha caído como uma luva para que ele pudesse colocar seu plano em prática. Ele iria assar um bolo, comprar umas velinhas, umas camisinhas com sabor, umas rosas e BAM: Feliz Aniversário Sr. Riddle.
A ideia era boa; a execução não.
Primeiramente, ele havia comprado pela internet cem rosas vermelhas, que, segundo o site, chegariam em um dia.
O que não aconteceu.
Depois, ele tentou a sex shop do bairro, corando até a raiz dos cabelos quando chegou ao caixa com quinze pacotes de camisinhas, cada um com um sabor diferente. Isso foi menos tesão e mais curiosidade, porque ele nunca tinha visto camisinhas sabor piña colada e ele queria saber se era algo em que se investir no futuro.
As velas deram certo, graças à Circe.
Entretanto, o bolo...
Ele seria o primeiro a admitir que nunca foi bom com feitiços domésticos e pedir para um dos elfos da família fazer para ele não dava um ar romântico ao bolo, logo, ele tentou do único jeito que ele “sabia”: preparar à moda trouxa.
Brax não tinha levado em conta que: fazia cinco gerações que alguém em sua família havia cozinhado, ou melhor, entrado na cozinha para qualquer coisa que não fosse dar ordens; todas as pessoas que ele conhecia que sabiam cozinhar não gostavam do Tom, e que tudo que ele sabia de culinária tinha vindo de maratonas de Master Chefs.
O resultado: coisas com vida na pia da cozinha e um bolo meio murcho no fogão.
Engolindo o que seria um suspiro desapontado, ele se virou para Tom e disse:
“Se eu confessar tudo, você promete que não me mata? ”
“Depende do que seja a verdade. ” O outro respondeu, se apoiando no batente da porta, admirando a bagunça.
“Ahh, bem, tudo isso começou quando você me disse que odiava os seus aniversários, naquela aula de Aritmancia. Que você não tinha pra comemorar, ficando mais velho e próximo da morte a cada ano. E desde então eu venho pensando que se você tivesse algo pra comemorar estar vivo, você não se sentiria assim. E.... depois que nós... começamos a.... ficar juntos? Sim, ficar juntos, e você me ensinou como usar a internet e eu te ensinei a dar um nó Windsor direito na gravata e.…”
“E...?” Tom estava olhando pra ele com olhos indecifráveis, que fizeram Brax suspirar e continuar a falar.
“E nós meio que estamos juntos faz tanto tempo que... eu achei que se fizesse algo legal pra você no seu aniversário, começasse algo, você gostaria de comemorar ele. Porque, pra mim, é um dia importante. Afinal, você nasceu nele, sabe? ” O loiro terminou, olhando para o chão.
Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes, até que a coisa na pia começou a se mexer de verdade e Abraxas soltou um grito.
“E-eu não sei o que aconteceu ali, te juro! Eu quis te fazer um bolo de chocolate caseiro e... deu nisso. Desculpa Tom. ”
Com um aceno de sua varinha, Tom sumiu com a gosma e se voltou para o loiro.
“Obrigado. ”
“Como? ”
“Eu disse, obrigado. ”
Abraxas corou.
“Tem uma segunda parte da surpresa. ”
Tom ergueu as sobrancelhas, sorrindo torto.
“Ahh, e o que seria? ”
“Maratona de sexo pela casa. ”
As camisinhas de piña colada deram certo, graças à Circe, Abraxas salvou o Ano-Novo, Tom aceitou o espírito aniversariante e as rosas chegaram meio murchas.
Mais uma festa salva graças ao diálogo entre parceiros.
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