Notas iniciais
Segundo capítulo. Boa leitura, espero que gostem. :)

Acabei adormecendo em cima das caixas, inundada de fúteis pensamentos.

Quando meus olhos abriram, semicerrados, já a luz desaparecera. O quarto estava escuro como um cenário de filme de terror, e minhas costas doíam intensamente. Sentia que havia passado pelo apocalipse e me abrigado num armazém, mas apenas adormeci sobre caixas velhas. Wow, que vida incrível e misteriosa.

Levantei-me com dificuldades, visto que as costas não estavam ajudando. Havia caído exatamente num dos cantos pontiagudos do armazém. E doía, ah se doía.

O pior é que eu não enxergava nada. No máximo, algumas pequenas silhuetas de objetos esquecidos naquele local por outras famílias.

Tropecei em três ou quatro coisas à medida do caminho, mas acabei chegando à porta com saúde e sem ter sido raptada. Rodei a maçaneta e saí. Amanhã eu buscaria as caixas, tenho a certeza que não haveria problema, visto que o dono do armazém era um dos meus tios maternos.

Senti o ar fresco mal penetrei a porta de carvalho. Era tão gostoso, indescritível. Há meses que não sentia como era ser livre. Apesar de estar desfrutando da paisagem e do abundante ar fresco, reparei na pequena quantidade de pessoas que permaneciam na rua, que eram quase nenhuma. Nenhum animal, sequer sinal de vida. Apenas sombras se mexendo aqui e ali, marcando território. Dei uma rápida confirmada nas horas, retirando bruscamente o celular do bolso esquerdo das minhas calças. Não podia acreditar. Eram plenas cinco da manhã, quase batendo o horário em que eu tinha de ir trabalhar.

Corri o mais rápido que pude até casa. Felizmente, a minha moradia se situava a poucos metros do armazém, e meu trabalho também.

Ofegante e desesperada, avistei a minha casa, e acelerei um pouco — o que, devido ao cansaço, não era muito — até, finalmente, chegar ao local esperado.

O relógio atingiu as cinco e quarenta e três da manhã, — o horário a que acordava para ter tempo de me vestir, tomar banho e fazer algo extra, antes de ir trabalhar — mesmo no tempo em que rodei a chave na porta do prédio. Fechei-a mal entrei, e caí no duro chão de mármore da entrada. Encostei a cabeça na porta, suspirando. Um bom banho seria tomado, depois de toda aquela interminável correria contra o tempo.

Depois de um tempo, finalmente acabei subindo as escadas, ainda ofegante. Coloquei a segunda chave na entrada da minha porta e entrei no que chamava o meu lar.

Modernizado, paredes brancas, chão preto, decorações meio tumblr. Eu gostava de coisas desse tipo desde pequena, e esse amor elevou-se demais, até chegar à idade adulta. Decorações eram e são o meu forte, além do meu desejo de trabalho, mas, infelizmente, acabei como policial. Não era o meu sonho de infância, mas era o que dava dinheiro no momento. O suficiente para pagar a renda e as inúmeras contas que chegavam, contando com a comida e ainda mais algo extra.

Dirigi-me à porta do banheiro e abri-a cuidadosamente. Retirei as minhas roupas, e não preciso de ditar o resto. Simplesmente me deitei na banheira, abundante de espuma, e descansei alguns minutos, me preparando para mais um dia da minha vida.

Fechei aquela caixa por hoje.

Notas finais
Obrigada por ler, espero que tenha gostado. :) Lembre-se que, ao deixar um comentário ou um favorito, me incentiva ainda mais a escrever esta história, não a deixando morrer. Mas fica a seu critério, amor. :) Beijão! ~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.