Notas iniciais
Primeiro capítulo da história. Espero que gostem. :)

(Esta história também está postada no Spirit e no Wattpad. Caso a vejam num perfil com o nome de Haboth, ou Habot, é o meu perfil e fui eu que publiquei.)

Caixas são caixas, mas, nesta história, passam a ser recordações de um passado vibrante e inesquecível.

Os objetos quadrados que ele havia deixado no meu quarto, eram nada mais, nada menos, que dores quadradas, feitas para o meu sofrimento. Parecia que ele havia planeado aquilo tudo, desde o meu sofrimento às recordações que haviam sido colocadas ali. Não sei se as abriria, as deixaria ali ou as levaria comigo para a "nova e boa" vida. Abri-las não era uma ótima opção, visto que as caixas estavam empoeiradas, e recordar algo daquilo não era nem um pouco legal.

Então, decidi abri-las. Porque, o que seria a vida se não arriscássemos um pouco? Um mundo sem novos descobrimentos e razões para desvendar?

Com cuidado, deslizei a tesoura pela abertura de fita-cola amarela situada no exato meio de uma das caixas. Poeira e mais poeira vinha de lá dentro, não seria novidade.

Formas esculpiam-se à medida que a poeira desaparecia, voando para um novo mundo. Molduras, brinquedos, fotos, tudo e mais alguma coisa que me fizessem descobrir algo sobre ele. Depois de toda a poeira desaparecer, comecei a remexer naquele pedaço de socata precioso. Parecia que cada vez que colocava a mão dentro dela, mais algo aparecia. Por mais incrível que pareça, a caixa não mostrava fim. Apenas uma pilha de coisas inúteis que eram preciosas para ele.

Debaixo de livros e revistas já donas das suas mãos, algo brilhava. Parecia que era um sinal, ou algo que eu deveria colocar a mão, e do nada uma fada apareceria.

Mas não, não era nada disso. Era uma foto do nosso casamento. O nosso belo e indestrutível casamento. Que, agora, foi destruído por outra mulher.

Eu me perguntava a toda a hora o que ela tinha que eu não portava. Tirando os cabelos louros, os olhos cor de mar, o seu emprego belíssimo como modelo.

Okay, definitivamente ela era muito melhor que eu. Muitos humanos estão acima de uma gordinha com vinte e cinco anos de idade, que passa o dia fazendo exercício, sem conseguir emagrecer um quilo. Ou, pelo menos, era o que eu achava. Até o conhecer.

E, agora, ele me destruíu. Depois de me ter construído, me fez sentir só e abraçar-me ao meu travesseiro não seria mais uma solução.

Fechei a caixa novamente e depositei a foto no lugar a que pertencia. Aquela já não era o nosso casamento. Era o casamento de uma gordinha com um homem traíra que buscava dinheiro em vez de amor, e amor em vez de dinheiro. Só que, em mim encontrou o dinheiro, e nela encontrou o amor.

Não irei deixar de respeitá-lo por causa de tão fútil ideia, todos merecemos uma segunda chance, apesar de não me terem dado uma. Não é porque perdemos o nosso primeiro amor que não acharemos outro igual ou maior, não é porque perdemos a nossa vontade de viver que não tenhamos de correr para achar uma nova.

Então, eu corri atrás da minha. Sei que ainda não a achei certamente, mas duvido de uma pequena solução.

Notas finais
Obrigada por ler! :)
Deixando um comentário ou um favorito sempre é bom e me incentiva a escrever ainda mais, mas fica a seu critério. Beijão ~