Caixa Postal
33 Capítulo 33: Anata mo kitto samishikarou
Notas iniciais
AMEI esse capítulo. u-u
E se fez silencio. Ouvi um sussurro, mas não entendi nada. Pronto... Boa Noite. Disse uma voz masculina e adulta depois de eu ouvir o som da porta se abrindo. Logo ela se fechou e o silencio permaneceu frio como sempre. Passei a odiar o silencio. Eu queria o som forte de uma tempestade caindo lá fora... Ouvi passos, até que senti alguem se apoiar no meu colchão e tirar um cacho meu da testa e deixá-lo cair ao lado do meu rosto. Ouvi um suspiro. — Anata mo kitto samishikarou... Sussurrou aquela voz cantarolando... Aquela voz. Pude entender as palavras. Você também deve estar se sentindo sozinha ele havia dito. Sim! Eu Estou! Por favor me ajude! Eu tentava falar, mas não conseguia. Por que não? Por que eu não podia respondê-lo?! Ele segurou a minha mão e eu ouvi os bipes acelerarem. Claro, meu coração sempre começava a bater mais rápido com ele por perto. Ouvi um riso abafado, aquele tipo de riso abafado pelas lágrimas que sobem pela garganta, dando uma vontade de chorar. Senti vontade de chorar também. Estávamos tão próximos, mas tão distantes. Senti uma lágrima tocar a minha testa e escorrer pelo lado. — Desculpe... Ele sussurrou. Meu coração ainda acelerava. Eu não podia deixar aquilo nessa situação. Por que eu não conseguia abrir os olhos? Por que? Por que quando eu finalmente vejo que ele se importa comigo, eu não consigo abrir os olhos e olhr o rosto dele? É só o que eu quero, o lindo e perfeito rosto do Davi, mais uma vez pertinho do meu. Mesmo que não consigamos nos beijar de novo, mas eu quero sentí-lo, quero ouví-lo e vê-lo, tocá-lo. Riu mais um pouco e tocou meu coração, um pouco acima dos seios, mesmo por cima das cobertas. — Calma... Disse como se segurasse um sorriso entredentes. Eu queria ver aquele sorriso! Por que eu não podia? POR QUE DIABOS EU NÃO PODIA? Ele ficou apenas ali, segurando a minha mão. Puxou uma cadeira e apoiou a cabeça na cama, ficando de mãos dadas comigo por um longo tempo, até meu coração desacelerar. Até minha consiencia falhar e me deixar. Eu adormeci. Mas que diferença fazia, acordada ou dormindo eu não abria os olhos. Mas adormeci.Sonhei com o vento tocando meu rosto. Era calmante. Me fez esquecer.POV Davi ONConsegui me acalmar quando vi que ela estava consiente. Queria vê-la abrir os olhos e falar, queria muito, mas só de ver que estava consiente tudo mudava. Tudo melhorava. Consegui finalmente dormir em paz, mesmo que debruçado de mal jeito e com a cabeça apoiada na cama dela, sem nunca soltar a sua mão. Eu e Sophia haviamos decidido que era melhor para ela que eu ficasse no hospital. Contei-lhe sobre o desabafo dela comigo, contei sobre tudo que eu sabia, e sobre tudo o que eu sabia que a Juliana sabia. (hãn?) Sophia concordou que eu faria bem a ela. Então liguei pro meu pai lhe contando, e claro que ele não interferiu na minha decisão. Algumas horas depois, meu pai trouxe uma mala para mim, eu ficaria ali até a Juliana sair comigo. Era algo que eu havia decidido sozinho e ninguem iria mudar essa opinião.O médico disse que ela logo poderia acordar sem problemas, só não poderia sair da cama e sequer mover o tronco, graças a cirurgia que havia feito recentemente para cuidar das costelas. Era uma questão de tempo. Quanto a cabeça... Bem, parece que a pancada foi forte, mas eles conseguiram dar um jeito. Ela estava com a cabeça enfaixada. Quanto as queimaduras... tudo o que podiam fazer era passar a pomada e deixar o tempo agir. O Médico disse que talvez o que mais vá demorar sejam as queimaduras, mas assim que todo o resto estiver aceitável, ela poderá ir para casa contanto que venha periodicamente ao hospital e continue passando o remédio. Aquilo me deixou muito mais aliviado. Vi que meu pai trouxera meu mp3 na mala, então coloquei uma música bem calma para ouvir enquanto dormia. O dia passou rápido. E outro dia... Eu conseguia fazer seu coração acelerar as vezes, o que me deixava imensamente feliz. E então tive uma ideia. — Era para ser surpresa... Eu sussurrei sem saber e ela ouviria. Coloquei um fone em cada um de seus ouvidos e coloquei o volume baixinho.
— Eu pretendia tocar esta música para você... Eu falei corando. E quem sabe até cantar... Vamos ver se você gosta, quando você acordar você me diz o que acha. Eu falei rindo de mim mesmo. [música: http://www.youtube.com/watch?v=8M15yHEnEJ0] Dei play e fiquei esperando a música acabar enquanto olhava o visor do mp3. Passaram-se os quatro minutos e doze segundos, e eu tirei os fones. — Espero que você tenha ouvido. Falei baixinho e segurei sua mão.Foi quando eu senti a sua pequena mão apertar a minha de volta. Ela realmente apertou de volta. — J-Juli? Perguntei segurando algumas lágrimas. Beijei sua mão e fiquei com a testa encostada na mesma, depois de ter me ajoelhado rapidamente. Ela segurava minha mão com força, me fez rir, rir de felicidade. Acho que vou ter que te preparar algo maior que uma musica... Sussurrei com a voz embargada. Ela aidna apertava a minha mão. Passamos ali um longo tempo. Passava como segundos, o que na verdade eram minutos... Passava como minutos, o que na verdade eram horas. Até que a mão dela foi enfraquecendo e ela soltou. Havia dormido. Me levantei e a fitei sorrindo. — Bons sonhos meu amor... Sussurrei fazendo parecer muito clichê.Aquele momento me fez passar o resto da tarde sorrindo. Até que minha mãe apareceu na porcaria do hospital. Aquilo me fez perguntar porque deixam doidas perambularem sozinhas por aí. Desci até o hall e a encontrei fazendo escandalo. Quando me viu cruzou os braços e ficou batendo o pé freneticamente. Eu suspirei. — Sicneramente... Sussurrei indo até a secretária. — Desculpe por isso. Falei realmente arrependido e a moça me abriu um sorriso gentil. Caminhei até fora do hospital, sentindo o vento que agora me parecia só um conhecido de algum tempo atraz. — Mãe... o que você faz aqui? Perguntei espaçadamente, sem olhá-la nos olhos. — Acha que vou deixar meu filho num hospital por semanas só por causa de uma garota, filho, você mereçe mais. Ela disse já estressada. — Mãe, por favor... Começei mas ela me interrompeu. — Olha, eu sou sua mãe, estou mandando você voltar para casa. Disse e eu a interrompi. — Mãe, por favor... Tentei de novo. — Por que você acha que ela esta lá? Deve ser uma louca que se jogou na frente de um onibus ou sei lá! Você tem que lutar pelo seu bem, e não sacrificá-lo por outra pessoa. Se essa garota um dia se importou com você, ela devia ter estado do seu lado, e não em qualquer outro lugar fazendo qualquer outra coisa. Ela disse me fazendo perder a paciencia. — MÃE, POR FAVOR. Gritei com raiva e encarando ela. Ela me olhou com medo. — ENTÃO ONDE VOCÊ ESTAVA TODOS ESSES ANOS? PORQUE DO MEU LADO É QUE NÃO ERA! NÃO SAIA FALANDO DO QUE É MELHOR PARA MIM. ELA eu disse apontando para o hospital. FOI A UNICA MULHER QUE JÁ SE IMPORTOU COMIGO. SE EU MEREÇO MAIS? SE EU MEREÇO MAIS? VOCÊ ACHA QUE É MELHOR PARA MIM TER UMA MÃE LOUCA QUE SE ATRACA COM QUALQUER MACHO POR AÍ POR CAUSA DE UNS TROCADOS? Eu estava realmente furioso. ACHA QUE FOI MELHOR PARA MIM SER EXCLUIDO DE TODA A ESCOLA POR CAUSA DE VOCÊ? ACHA QUE ELA Apontei novamente para o hospital. É O MESMO TIPO QUE VOCÊ, QUE SÓ OLHA PARA O PRÓPRIO NARIZ? — Filho... ela quis começar a falar, estava realmente impressionada. — NÃO VENHA ME FALAR SOBRE PELO QUÊ EU DEVO LUTAR. ESTOU SIM SACRIFICANDO MEU TEMPO PELA UNICA PESSOA QUE ME OLHOU DE VERADE, QUE ME CONHECE, PELA UNICA PESSOA QUE FICOU DO MEU LADO. Até eu me impressionei com a minha coragem. NÃO VENHA ME DAR LIÇÕES DE VIDA, VOCÊ É ULTIMA PESSOA QUE PODE FAZER ISSO. — E nunca mais diga um ai sobre a Juliana. Falei mais baixo em um tom de ameaça. Você não a conhece, você não me conheçe e você não conheçe o meu pai. O que está fazendo aqui então? Ela demorou para responder. Haviam lágrimas em seus olhos. — Eu duvido que seja qualquer tipo de preocupação comigo. Falei rispidamente. Na certa foi o meu pai, um homem BOM, que lhe falou e lhe pediu pra vir aqui. Não foi? Perguntei exagerando e até mesmo eu me impressionei quando ela fez que sim com a cabeça. — ELE acha que é importante para mim ter uma mãe. E É importante. É importante ter uma mãe, e uma mãe é algo que você nunca foi para mim! Foi a gota dágua. Virei as costas e entrei no hospital. Deixei a minha mãe chorando atraz de mim e me senti cruel e sem coração. Mas depois de lembrar todas as vezes que eu escutei ela dizer que não, eu não tenho filhos, e que não me importo de deixá-lo com o pai, é só um saco de batatas que tenho que acarregar, nada daquilo me parecia o bastante. Nenhuma das palavras que eu disse era mentira, e o que ela menos tinha o direito de fazer era falar qualquer palavra sobre a Juliana. E foi apenas o rosto terno da Juliana que me acalmou. Depositei-lhe um beijo na testa e fui beber água.
Notas finais
Acho que esse capitulo vai sair com a formatação torta, mas não é culpa minha. D: Espero que entendam.
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