Caixa Postal
17 Capítulo 17: Encontro...
Notas iniciais
No próximo capítulo eu posto o do Bruno tá?
POV Juliana ON
Fui dormir depois de um longo tempo com o Lucas no telefone. Contei tudo a ele. Do Davi, do Bruno... Ele me falou que no domingo teria uma festa de quinze anos de uma colega dele, e me chamou para ir. Falei com meu pai, e como sempre é com aquelas coisas que envolvem o Lucas, é claro que ele deixou. Eu acabei dormindo no parapeito da janela. Olhando para o céu e para a cidade.
Naquela noite eu tive aquele pesadelo da festa num ginásio e com tinta. Quando acordei eram quase onze da manhã. Eu fui para o computador e entrei no facebook. O Bruno havia juntado as duas fotos que tiramos e postou. “Anjinho” Ele colocou na legenda. O pessoal comentou um monte de coisa, mas eu apenas curti.
Passei o resto do dia com o Lucas no telefone, falando sobre a roupa que eu usaria, e ele disse que vai com a gravata combinando. “Bem gay mesmo” Eu disse e ele riu. De tarde o Bruno me ligou, quando eu estava regando as plantas da varanda.
– Alô. – Atendi.
– Oi, é o Bruno. – Ele disse.
– Ah, oi. – Eu disse sorrindo me sentando na cadeira da varanda.
– Tudo bem¿
– Sim, e contigo¿ — Perguntei.
– Bem melhor agora. – Ele disse rindo de sim mesmo. – Que clichê. – Ele disse e eu ri também.
– Um pouco, mas é fofo. – Eu falei.
– Enfim, está afim de um sorvete¿ Opa, clichê de novo... – Ele disse.
– Não, não, um sorvete tá ótimo. – Eu falei e ouvi ele rir.
– Então, podemos nos encontrar lá ou prefere que eu vá te buscar¿ — Ele perguntou.
– Eu não conheço a cidade ainda, é melhor você vir. – Falei e ele pareceu satisfeito.
– Ótimo, eu chego às quatro. – Ele falou. – Pode ser¿
– Claro que sim. – Eu falei satisfeita. – Ahm...
– O que¿
– É um encontro¿ — Perguntei.
– Não sei. É um encontro¿ — Ele perguntou de volta e eu sorri.
– Talvez.
– Talvez¿
– É, talvez. – Confirmei. Ele riu um pouco. Nos despedimos e eu corri para dentro do banheiro, eram três e cinco. Me troquei e fui para frente do espelho para prender o cabelo num rabo-de-cavalo, e acabei desistindo. Era o meu primeiro encontro, ou quase encontro. Deixei solto e sorri para meu reflexo ansioso.
De quatro horas o interfone tocou, o porteiro anunciou a chegada do Bruno e eu desci.
Ele abriu um sorriso tão meigo quando me viu e eu sorri de volta. Ele estava com uma bermuda preta, uma bota que parecia um coturno, uma camisa cinza com um colete preto por cima, usava braceletes espinhentos, o piercing ainda ali, um brinco de cruz... Nos abraçamos e começamos a caminhar na direção que ele me guiava.
– Finalmente vou saber onde é a sorveteria. – Eu brinquei.
– Confesso que estou tentado a te levar para a mais distante... Mas em pensar que você pode tentar ir sozinha, prefiro não arriscar. – Ele falou e eu ri um pouco.
Depois de algum tempo andando e conversando besteira, ele segurou minha mão. Era tão quente. Ele entrelaçou os dedos nos meus cuidadosamente e apertou calorosamente. Fomos o resto do caminho em silencio, apenas apreciando o toque um do outro.
Chegamos na sorveteria. Não era longe. Era a construção de uma casa onde na varanda ficavam os balcões com os frigobars com sorvete. Eu pedi um de copo, pequeno, de baunilha. Ele pediu um médio de menta. Sentamos um ao lado do outro, não muito distante. Ficamos conversando sobre coisas loucas, como Atlantis e a Lua. Eu falei da minha obceção por coisas místicas. Brincamos de adivinhar o aniversário um do outro.
– Junho¿ — Ele perguntou.
– Antes.
– Janeiro¿
– Depois.
– Fevereiro¿
– Bingo! – Eu brinquei e ele sorriu. Já tínhamos terminado nossos sorvetes. A cadeira dele parecia mais próxima da minha e estávamos de mãos dadas.
– Pisciana. – Ele sussurrou chegando perto do meu rosto. Eu olhei em seus olhos, ele estava com a boca a três centímetros da minha, e ainda olhava nos meus olhos.
– São verdes... – Ele falou com uma expressão surpresa e maravilhada. Eu sorri de canto e olhei para a boca dele ali pertinho da minha. Ele tinha o formato da boca muito bem desenhado, e era bem rosinha, como se usasse batom, mas estava com a parte de dentro dos lábios meio esverdeados, graças ao sorvete.
As laterais de nossos narizes se encostavam, nossas bocas entreabertas pareciam analisar uma a outra, era como se estivéssemos hesitantes, retardando o momento onde se uniriam. Ele olhava para minha boca, e eu para a dele. Levei a mão para seu rosto e o acariciei. Ele brincava com meus cabelos, até que fixou a mão na minha nuca e delicadamente puxou-me. Nossos lábios se tocaram, sem beijo, estavam encostados um ao outro, então começamos a explorar um ao outro, num ritmo lento e intenso. Era bom, e doce, eu podia sentir um pouco do sabor de menta.
Eu sentia o piercing gelado tocar meus lábios, era uma sensação boa.
Ele mordeu meu lábio inferior de leve e o puxou, separando nosso beijo. Permaneci de olhos fechados e ele acariciou minhas pálpebras, minha bochecha e minha boca. Eu abri devagar os olhos encontrando um sorriso calmo e um olhar parcial.
Ele se afastou, se levantou e foi pagar os sorvetes. Eu não interferi por ele ter pago o meu. Saímos da sorveteria de mãos dadas, e quando passamos na frente do parque decidimos entrar. Ficamos apenas andando e conversando sobre coisas loucas, política, cangurus e futuro. Ficamos mais um pouco por ali, até dar umas seis horas, que foi quando ele me levou em casa. Eu queria chama-lo para entrar, mas tinha medo de me arrepender depois.
– Bom, até mais... – Eu disse.
– É... Obrigado por hoje. – Ele disse sorrindo e me abraçando.
– De nada, oras... – Eu falei sorrindo. Ele beijou minha testa e sorriu. Ele era alto demais para mim... Seria complicado beijá-lo.
– Muito obrigado... – Sussurrou ainda com a boca próxima da minha testa. Eu o abraçei demoradamente.
– Eu que agradeço. – Sussurrei tão baixo que ele nem deve ter ouvido. Nos despedimos e eu voltei para casa. Tomei um banho e fiz o jantar.
– Saiu hoje, filha¿ — Perguntou meu pai. É serio que ele queria dialogar¿
– Sim. – Respondi.
– Hm, foi onde¿ — Perguntou de novo me fazendo suspirar de modo inaudível.
– Na sorveteria. – Respondi e fui logo para o meu quarto antes que ele perguntasse “Com quem”.
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Aqui está a Anouk que eu acabei de desenhar. Espero que gostem. Não deu para os olhos ficarem muito contrastantes, mas enfim, estou com a mão dolorida. XDD
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