Caius
6 VI. Em observação…
Notas iniciais
...
A partir do momento em que Caius havia revelado o seu segredo a Vitória não se separam mais. Agora mais que nunca não só ele como ela eram permanentemente olhados:
“O que é que eles fazem os dois juntos?
Ah… Parece que ela resolveu avariar, e ir para o lado do estranho!”
Mas tal como Caius se havia habituado a não deixar que o afetassem, Vitória com o tempo havia aprendido a fazer o mesmo, embora lhe tivesse custado imenso, as colegas afastavam-se cada vez mais, os professores deixavam gradativamente de lhe dar o mesmo apoio, com receio que ela virasse rebelde, por andar com Caius… estava cada vez mais rotulada com a desobediência e a indisciplina, mesmo nunca tendo feito nada que o merecesse.
– Está tudo bem contigo? – Perguntava Caius.
– Sim, porque não estaria? – Respondia Vitória com um leve mas sentido sorriso, ao mesmo tempo que pigarreava em direção à saída de escola.
– É que… deixas-te de andar com as tuas colegas…e os professores…- Antes que continuasse Vitória interrompe-o prontamente, parando no mesmo momento em que coloca as mãos na cintura como que assumindo uma postura de zangada: — Primeiro, meu senhor, eu não deixei de andar com as minhas colegas, elas é que deixaram de me falar, só mostrando que nunca foram realmente minhas amigas, e que nunca me perceberam, por isso não era agora quando decido ser tua amiga, que elas iam perceber,… — Ao mesmo tempo que termina de falar, retoma o caminhar, desta vez mais lento e calmo: -… quanto aos professores, vou sobreviver sem os conselhos deles, e o lado positivo é que agora não tenho a pressão de ter que tirar 20 a tudo, e não tenho que aguentar aqueles olhares de reprovação sempre que não o consigo…
Cais estava atónito, não porque esperasse que ela lhe dissesse que não podiam ser amigos, mas porque contava com uma resposta mais triste e deprimida.
– Se tu dizes, não digo mais nada…
– Então vamos, tá? Estou cheia de fome! –Caius estava cada vez mais preso a Vitória e aquela maneira tão especial de ser dela: — Vamos aquela pastelaria do outro dia?
– Como quiseres…
Vitória era o apoio que Caius precisava, e Caius era aquele que Vitória sempre esperara.
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– Está na hora de trocarmos. Ordens do chefe.
– Tem cuidado, não o percas de vista, desde que começou a andar com a rapariga, vai a muitos mais sítios, era muito mais fácil quando ia de casa para a escola e da escola para casa.- Uma mulher de corpo esguio e elegante, encontrava-se de pé junto a um homem de corpo também ele delineado, sendo que o dela encontrava-se bastante mais exposto, com um top que denunciava grande parte dos seios, e umas saia que tinha uma abertura desde a anca até aos pés, lateralmente. Ele usava apenas uns jeans pretos com uma casaco da mesma cor, com o capuz a cobrir-lhe a cabeça, e tapando parte da cara, deixando no entanto perceber-se o preto dos seus cabelos que combatiam a cor verde dos olhos.
– Não há motivo para preocupação, eu não pretendo largá-lo por nada…-O homem já se encontrava num ponto da cobertura, que já não lhe permitiu ouvir a última frase.: — Afinal ele é meu, e vai continuar sempre meu, só meu…- Um leve rasgo de possessão invadia o sorriso que se espelhava na cara da mulher…
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– Vamos?- Vitória estranhara a paragem repentina de Caius, e o seu olhar sério em direção à cobertura de um prédio, não percebera o porquê até porque não via nada.
– Sim, vamos, foi só uma impressão… — A impressão de estar a ser observado.
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