Caismor - O grande reino

2 Capítulo I - A garota da padaria


“Caismor é um lugar onde a magia e a justiça se encontram e fazem de nós o povo mais abençoado do universo”.

Essa era mais uma das mentiras que o rei costumava dizer.

Demorou alguns anos para que eu perceber que a única magia existente aqui é como os inocentes da vila são levados pela guarda e nunca mais voltam para casa. E a justiça só acontecerá quando a lâmina de uma espada deslizar pelo pescoço do rei e sair dali pingando o sangue amargo de um homem tão nefasto.

E o povo abençoado? A benção que tínhamos desapareceu há muitos anos junto com a nossa fé.

Pensar dessa maneira pode me fazer parecer uma maníaca, cética e subversiva, mas sou somente uma garota reprimida com a esperança de que eu não seja a única pessoa nessa vila que pensa assim.

Não tenho voz, não consigo falar o que quero, por isso fico vivendo o dia a dia em silêncio, acompanhada somente de meus pensamentos e ideias. Eu só podia ser eu mesma em um lugar específico e não era aqui, nem agora.

Eu estava a caminho de casa, carregando uma cesta com alimentos que minha mãe havia pedido e não pude deixar de pensar em tudo isso a respeito do reino quando andar pelas ruas da vila era impossível sem se deparar com os cartazes anunciando o Festival Anual de Duelos.

Todo ano, semanas antes de chegar a primavera, o rei organizava uma série de duelos entre seus homens aqui em Phoville. Era o evento mais aguardado da vila, pois era o único momento em que os moradores podiam presenciar um pouco de ação e ver pessoalmente a família real. O festival fazia o povo sentir-se parte de alguma coisa, importante para o reino, mas na minha visão era apenas o que o rei fazia para se redimir e mostrar receptividade e acolhimento, quando na verdade ele só estava anestesiando e distraindo a população. A única coisa com a qual ele se importava com a nossa vila era o que ela o fornecia: matérias-primas e armamentos.

Líderes acreditam que todos dependem dele, quando na verdade não são nada sem seus seguidores.

Avistei a fila da padaria de longe e só ao chegar perto da casa notei que minha mãe não estava trabalhando no momento, somente o velho Wallace.

Entrei pela lateral e subi as escadas. Minha mãe e meu irmão conversavam na sala.

—Você precisa organizar esses livros agora, Finnegan! — ela parecia irritada, apontava para uma pilha de livros em cima da mesa enquanto meu irmão deitava de barriga em cima do tapete marrom, com um tabuleiro de xadrez.

—Tenho o resto do dia para isso, mamãe. — ele me viu na entrada. — A Phoenix pode me ajudar.

Ouvir meu nome em vão era excessivamente comum em casa, eu era a salvadora da família.

—Preciso que você vá agora, Finn. — minha mãe ficava cada vez mais impaciente. — Tenho que voltar ao trabalho.

Percebi que se ele não levantasse e fizesse sua tarefa a discussão continuaria, minha mãe não voltaria a trabalhar, os fregueses iam reclamar e a culpa ia ser minha por não ter ficado na padaria com Wallace.

—Finn — entrei sala — Faça o que a mamãe pediu e mais tarde te levo até o lago.

Pude ver o brilho em seus olhos castanhos. Nada era mais divertido que um passeio no lago para meu irmão.

Finn já tinha 13 anos, era idade o suficiente para ir até o lago sozinho. Mas ninguém mais confiava nos guardas reais que perambulavam por Phoville, qualquer coisa inocente podia ser vista como um crime em seus olhos. Ninguém estava seguro.

E como esperado ele levantou e sentou-se na mesa onde estavam os livros.

Minha mãe se virou para mim e sorriu, agradecida.

—Me acompanha? — ela estendeu a mão e bisbilhotou dentro da cesta que eu carregava. — Vamos ver o que você trouxe de bom.

Voltamos à padaria, que estava alvoroçada. O velho Wallace circulava por todos os lados tentando lidar com tudo simultaneamente.

—Desculpe a demora! — minha mãe tomou o posto de volta. — Phoenix vai descarregar as compras nos fundos, pode acompanhá-la.

Descarreguei a cesta, entregando a Wallace sacos de farinha, caixas de morangos e alguns ovos.

—Uau, esses morangos! — o velho exclamou, cheirando as frutas. — Muito obrigado, Phoenix.

—Sem problemas.

Voltei à frente da padaria, onde minha mãe atendia os fregueses.

—Mãe, vamos abrir a padaria amanhã? — perguntei

—Não, querida. Todos estarão no Festival.

—Então teremos o dia livre? — sentei em cima de uma bancada ao lado dela e inclinei o corpo em sua direção, sorrindo maliciosamente.

—Sim, para ir ao Festival. — ela respondeu. — Seu pai e seu irmão estão ansiosos.

—E quem não está? — um homem que comprava doces comentou. — Ouvi dizer que esse ano vão fazer o evento mais interativo.

—É mesmo? Vão permitir que moradores locais também sejam empalados? — comentei ironicamente em baixo volume, sem a intenção de que me ouvissem. Mas não funcionou muito bem.

—Phoenix! — minha mãe se irritou. — Isso não é engraçado ou respeitoso.

—Eu sei, me desculpe. — desci da bancada e me dirigi à minha mãe e ao freguês. — Tenho certeza que será um ótimo evento.

Ela suspirou fundo, retomando a paciência que eu havia tirado dela.

—De qualquer maneira, o Festival é só uma das coisas incríveis da sua semana, não é mesmo? — percebi a maneira que ela mudava de assunto. — Você finalmente vai fazer 18 anos e está chegando seu outro grande dia!

Nunca me importei muito com o meu aniversário, principalmente durante a adolescência, mas 18 anos era algo especial. Em Caismor, com 18 anos eu já podia me casar, sair da casa dos meus pais e ter um emprego fixo. Era o sonho da minha mãe e o pesadelo de meu pai. Ela queria que eu me casasse com um homem pecunioso, morasse em uma casa grande e fizesse algo que me tornasse uma mulher insigne.

Já o meu pai, titubeava toda vez que tocava no assunto. A última coisa que ele queria era que um novo homem roubasse sua garotinha e levasse-a consigo para fora de casa. Se fosse por ele eu ficava aqui mesmo, ajudando minha mãe na padaria eternamente.

Com tantas opiniões opostas acabei realizando o sonho de minha mãe. Eu estava prestes a me casar em 2 dias.

Subi as escadas novamente e me deparei com meu irmão no chão da sala, com seu tabuleiro de xadrez, exatamente como o encontrei anteriormente.

—Sério, Finn? Assim fica difícil proteger você. — cruzei os braços como uma mãe pronta para dar um sermão.

Ele olhou para mim por um segundo e me ignorou, voltando sua atenção ao jogo.

—Tudo bem, eu tentei. — caminhei até o meu quarto.

Com os ombros doloridos e cansaço por todo o corpo, me joguei na cama, o que não acabou sendo uma boa ideia, pois o colchão tinha a maciez de uma pedra.

—Paz enfim. — falei pra mim mesma.

Acabei dormindo rapidamente, mas não fiquei ali.

Eu era uma criança, usava trancinhas presas com fiozinhos de costura da minha mãe e uma túnica marfim do meu pai, que em mim tornava-se um longo vestido.

Sentávamos no banco de madeira, ele estava tão jovem e tinha um sorriso contagiante no rosto. Eu acompanhava o movimento de seus olhos castanhos enquanto lia meu livro favorito de fantasia. Fadas, sereias, dragões, sempre as melhores histórias, o tesouro de minha infância. Do jeito entusiasmado que meu pai lia para mim fazia parecer que eles realmente existiam.

—Papai, podemos ir até a floresta procurar fadas ou ovos de dragões? -perguntei, chacoalhando no ar as pernas que não alcançavam o chão.

—Não, Phoenix. Não é permitido ir até a floresta.

—Por que não? — questionei, decepcionada.

Ele suspirou.

—O rei não deixa, ele diz que é perigoso.

—Mas as fadas são amigas. Você mesmo disse!

—São apenas histórias, querida. — meu pai se levantou e fechou o livro. — E temos que obedecer o rei.

—Mas não faz sentido…

Acordei com o barulho da porta principal se abrindo e alguém com passos pesados entrar na casa. Definitivamente não era minha mãe.

—Pai! – ouvi Finn gritar da sala com entusiasmo. Meu pai geralmente causava esse efeito nas pessoas.

Me levantei e fui à sala o cumprimentar.

—Oi pai. – falei indo abraçá-lo.

Ele passou a mão na minha cabeça afetuosamente.

Meu pai é a pessoa mais forte e cordial que eu conhecia. Eu o admirava muito.

Ele era um mensageiro, por isso passava dias fora de casa à trabalho. Todas as vezes quando voltava era uma festa em casa, trazia novas histórias de viagens, de pessoas e experiências novas. Quando possível trazia presentes, coisas simples que encontrava pelo caminho.

—Pai, venha ver meus novos livros! — meu irmão o puxou para a mesa.

Pude ver o cansaço no corpo de meu pai como se ele carregasse Caismor inteiro nos ombros. Mas ainda se preocupava em dar atenção aos filhos.

—Ei Finn. – falei. – Você não queria ir ao lago?

Seus olhos brilharam. Ele abandonou o livro e foi correndo pegar os sapatos.

Meu pai riu para mim.

—Nada ganha do maldito lago. – ele falou. – Tenho que ir também?

—Claro que não, papai. – peguei meu casaco pendurado atrás da porta. – Descanse.

Finn voltou com sapatos, um casaco preto e abriu a porta.

—Pronto? – perguntei.

Ele balançou a cabeça.

—Não demorem muito! – meu pai falou quando saímos.

O sol ia se pôr em algumas horas, alguns comércios já estavam fechados. A feira de carnes e peixes já não estava mais na praça central, as carroças já não circulavam pelas ruas, mas as crianças ainda brincavam e os moradores caminhavam. Passamos em frente à enfermaria e a curandeira chefe que aparentemente estava indo para casa nos viu e acenou.

Leigh era a melhor curandeira da vila e com certeza uma das moradoras mais ricas daqui. Todos a conheciam, admiravam e respeitavam.

—Phoenix, por acaso você viu Klaus hoje? — ela perguntou.

—Não vi, passei a maior parte do dia na padaria. — falei sabendo mais do que eu deveria saber. — Ele não está trabalhando?

—Passeie pela forjaria e não o vi.

—Nesse caso, não faço ideia…

—Bom, se você vê-lo hoje, diga que estou preocupada. — ela continuou seu caminho.

—Como você não sabe onde ele está? — Finnegan estranhou.

—Vivemos vidas diferentes. — justifiquei.

Assim que Leigh foi embora, retomamos e logo já estávamos no bosque.

O vento da noite começava a zunir, batendo em todas as folhas, arremessando algumas longe e produzindo sons eminentes. A barra de minha saia voava para todos os lados, invadindo o espaço de Finnegan, ao meu lado.

—Está ficando frio, não podemos ficar muito tempo. — instrui.

Ele fez uma careta. Se fosse por ele, ficávamos a noite toda.

As matas de Phoville eram uniforme, todas as árvores eram semelhantes, predominantemente coníferas. Sempre haviam faias, carvalhos, nogueiras e às vezes grandes sequóias, e outras espécies variadas, mas a grama sempre era escura, fria e rija. Frequentemente apareciam esquilos, doninhas e lebres na vila e ocasionalmente alguma raposa vermelha ou um cervo, que sempre acabavam sendo caçados e vendidos.

O lago Tully era pequeno e raso, recheado de pedras e peixes. A água era fria, mas meu irmão não se importava, ele tirou rapidamente os sapatos, ergueu a barra das calças, desenrolou o cinturão, o removendo junto com sua túnica azul.

—Não vá muito longe e tome cuidado! — gritei.

Sentei embaixo de uma árvore baixa e vesti meu casaco.

Olhando para o lago, comecei a me lembrar de quando eu vinha com o meu pai. Quando ele tinha um dia de folga, nós passávamos uma tarde inteira de verão nadando ou procurando pedrinhas e gemas pela margem. Ele nos ensinou que na parte rasa do lago, abaixo das grandes pedras cobertas por musgos e líquens, há pedrinhas brilhantes escondidas de diversas cores. Gemas, pedrinhas, cristais, minerais e materiais usados para fabricar jóias. Sempre foi difícil achá-las, mas meu pai era muito inteligente e tinha seus truques.

Sempre fazíamos competições de quem colhia mais pedrinhas, mas a nossa grande meta era encontrar a beryl vermelha, uma pedra especial, rara e preciosa. Sabíamos que ela já havia sido encontrada na área, mas muitos já haviam procurado por ela sem sucesso, assim como nós, que infelizmente nunca conseguimos encontrá-la.

Quando voltávamos para casa com um balde cheio de pedrinhas, passávamos o resto do dia limpando-as em casa e selecionando as mais bonitas para deixar em exibição em nossa sala. Tínhamos algumas estantes cheias de pedras coloridas. Os mais preciosos nós já não encontrávamos mais, vendíamos o que valia alguma coisa e os outros guardávamos para nós.

O vento começou a aumentar, ficar mais forte e veloz. Gritei por Finn, que perambulava com as canelas submersas procurando por pedrinhas, dizendo que já estava tarde e precisávamos ir para casa.

Ele foi compreensivo, saiu do lago na hora. Pegou suas roupas e cobriu-se, tremendo de frio. Trazia consigo um pequeno balde com umas 3 pedrinhas apenas.

—Parecem bonitas. — falei.

—Não consegui encontrar mais. — ele bufou.

—Não é uma tarefa fácil. — comentei.

Já estava de noite, eu estremecia e meus dentes rangiam de frio. Não via a hora de chegar em casa e me esquentar na lareira, comendo o ensopado de minha mãe.

Ao chegar senti o cheiro aconchegante de jantar enquanto subia as escadas. A lareira estava acesa e minha mãe cozinhava. Meu pai sentava na mesa de jantar enquanto lia um livro.

Ter o meu pai em casa era excelente, completava o ambiente e me deixava mais segura e confortável.

—Como foi o passeio? — minha mãe perguntou ao nos ver entrando.

—Divertido! — Finn correu até meu pai. — Olhe o que eu encontrei sozinho!

—Uau, Finn! São ótimas. — ele se levantou. — Depois te ajudo a limpá-las.

Minha mãe saiu da cozinha com uma caçarola de barro cheia de ensopado, o vapor saia dali junto com o cheiro delicioso.

—Quando foi a última vez que tivemos uma boa refeição em família? — minha mãe comentou enquanto todos sentavam-se na mesa.

—Marley, isso está maravilhoso! — meu pai elogiou a comida.

—Não diga nada até você provar. — ela falou.

Passamos o resto da noite conversando, contando novidades, comendo ensopado com pães e terminamos bebendo chá.

—Como você está? — meu pai me abordou antes de ir para a cama. — Ainda confiante? Animada?

—Claro que sim, papai. Não podia ficar mais feliz.

—Tem certeza que quer fazer isso logo após seu aniversário? Você mal terá 18 anos.

—Pai, eu o amo. Não posso esperar. — falei. — Você entende?

Ele assentiu e passou a mão na minha cabeça de forma afetiva e me deu boa noite.

Assim que Finnegan dormiu, me levantei da cama e peguei minha bolsa escondida embaixo da madeira de minha cama. Levei-a até o banheiro e retirei todas as minhas coisas. Espiei pela fresta da porta, certificando de que meus pais não estavam acordados, se algum deles vissem isso eu estava perdida.

Estendi a túnica branca em minha mão para ter certeza de que estava limpa, pois eu era responsável por lavá-las no lago, escondida. Peguei o espartilho preto de couro, algo considerado inapropriado e o prendi em meu torso. Vesti a calça de montaria marrom, o item mais risível do meu traje e dei um longo suspiro, pois nunca me sentia tão bem como eu me sentia dentro de uma calça. Deixei as botas para depois, não queria fazer barulho pela casa. Por fim, coloquei o cinto em minha cintura, mas seus compartimentos estavam vazios.

Com as botas em mãos e nas pontas dos pés, saí do quarto cautelosamente para não acordar ninguém. Não era necessário descer as escadas e sair pela padaria, isso só despertaria todos ali, uma vez que a escadaria em espiral era feita de madeira e rangia a cada passo que se dava. Felizmente, na janela da sala havia um tipo de planta trepadeira que se enrolava no cano de água preso à parede da casa, ali eu conseguia pular a janela e ir descendo aos poucos, segurando no cano e nos galhos e apoiando os pés na parede. Eram 6 metros de muita força nos braços e dor nas mãos, mas eu já estava acostumada.

Soltei o cano quando a distância do chão estava pequena e pulei, com os dois pés descalços caindo no chão terroso. Coloquei as botas que havia jogado lá de cima antes de descer.

Era por volta de meia noite, as ruas estavam desertas, todas as janelas estavam fechadas e as luzes apagadas. A cada metro que andava, olhava para trás para ter certeza de que estava sozinha, fui sem fazer ruídos até a estrada de terra que levava ao bosque.

O caminho era o mesmo todas as noite, por isso, chegando ao bosque procurei por minha árvore macieira, onde escondia um lampião em seu tronco. Lá estava ele, pronto para ser aceso.

Com iluminação e grande ansiedade segui em frente. Ouvia o coro dos sapos, dos grilos e conseguia ver alguns vaga-lumes.

Fui descendo o bosque até chegar no rochedo ao lado do lago. Algumas plantas cobriam o grande pedaço de rocha, mas eu sabia exatamente onde ir. Já era aparente para mim o arco atrás de tantas plantas, mas se qualquer outra pessoa passasse por ali, não desconfiaria de nada. Tirei as faixas de plantas que cobriam o arco rochoso do caminho e entrei no túnel. Era basicamente uma caverna sem fim, com água pingando do teto e repleto de insetos e morcegos, não era um lugar muito atrativo, mas era por onde eu precisava passar para chegar aonde queria.

Finalmente, ao chegar do outro lado do bosque onde lia-se em uma placa de madeira: “Área proibida”, corri mata adentro até um grande e velho carvalho, o famoso ponto de encontro. Sentei em minha raiz de sempre e esperei. Um barulho de galhos sendo quebrados e folhas sendo agitadas surgiu atrás de mim. Me virei rapidamente e lá estava ele.

—Demorei? – ele perguntou entregando-me minha espada e jogando os cabelos loiros para o lado.

—Como nunca. – respondi e peguei a arma. – Vamos logo, já sou oficialmente maior de idade e estou prestes a me casar.

—Quer dizer que essa é nossa despedida de solteiro?

—Provavelmente. É a nossa última noite aqui.

Ele deu de ombros.

—Feliz aniversário, Nix. – pegou sua espada e ficou em posição de duelo.

—Obrigada, Klaus. – fiz o mesmo e bati a minha lâmina contra a dele, iniciando a luta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.