Caindo em Tentação
7 CAPITULO 7 – A ESCOLA
Duda acorda. – senti alguém me dando um selinho.Abri os olhos, era o Matheus.- Saí daqui. – disse empurrando ele. – Eu devo estar com um bafo horrível e toda remelenta. Fica longe de mim.- Boba. – ele disse dando gargalhadas. – Eu já estou pronto, e o Dudu tá no banho, vê se não demora pra se arrumar viu?!- Ok, papai. – brinquei.- Duda, não comenta nada do que aconteceu ontem com os seus irmãos não tá? – sussurrou ele.- E por quê? – ergui uma sobrancelha.- Bom, conte a eles e você vai ver como era melhor não ter contado.Eu não sei o que ele quis dizer com isso, mas eu com certeza contaria, afinal, eu não tenho mais minha melhor amiga. Eu só tenho Dudu e Emilio. E eu preciso contar o que aconteceu ontem pra alguém.
Dudu saiu no banheiro, e eu entrei. Fiz toda a minha limpeza matinal o mais rápido que pude para não me atrasar logo no primeiro dia de aula. Me vesti, prendi o meu lindo cabelo estragado, peguei meu caderno novo e desci.Estavam todos na mesa tomando café da manhã.- Peppela, eu levo o pessoal pro colégio e depois venho te buscar em casa, tá bom amor? – disse Emilio pai, todo carinhoso. – Porque não vai caber todo mundo no carro.- Vamos ter que comprar uma van. – brincou Anne.Terminamos de comer e Emilio pai nos levou à escola. Emilio irmão foi na frente. Eu, Dudu e Matheus atrás. Dessa vez, sem pensamentos maliciosos, afinal, só tinha Matheus na minha cabeça.- Chegamos. – disse Emilio pai parando o carro. – Boa aula galera.- Valeu. – responderam os meninos juntos.- Brigada. – respondi depois.- Bem vinda ao Colégio Rio Branco. – disse Matheus.O colégio era imenso. UAU. Quando eu passei pelo portão do colégio, todos os alunos olharam pra mim. Por que será? Só por que eu estou com três meninos lindos, sendo um deles o mais lindo do colégio? Morram de inveja meninas, eles estão com a Dudinha aqui. Ok, já parei. AMOR! – gritou uma menina e pulou em cima do Dudu. – que saudade. Como foram suas férias? E quem é essa? – ela me lançou um olhar de ódio.- Minhas férias foram ótimas. – ele disse sorridente. – E essa é a minha irmã. Duda essa é a Mary, Mary essa é a Duda.- Muito prazer Mary. – tentei ser simpática.- O prazer é todo seu. – ela deu uma risada irônica e puxou o Dudu para outro lugar.- Err... ela é sempre assim? – perguntei.- Você ainda não viu nada. – respondeu Emilio.- E aí gente. – era o Hector. – Oi Duda. – e sorriu para mim.- Oi Hector. – sorri. – Bom, alguém pode me dizer onde é a minha sala.- Você sabe de que turma você é? – perguntou Matheus.- A Anne disse que eu sou do primeiro B. – respondi.- Ótimo. – disse Matheus. – Vai ser da minha sala e do Hector.- Bom, eu vou pra minha sala. Boa aula irmãzinha. – Emilio me deu um beijo no rosto e subiu.Eu fui até a minha sala, acompanhada por Matheus e Hector. Todas as meninas me fuzilavam, não sei porque, eu nem estava fazendo nada. Entramos na sala e eu fui me sentar lá no fundão com os dois. Infelizmente Dudu era da outra sala. Na verdade, é até bom. Pelo menos eu não vou ficar na mesma sala que a Jéssica e o Pedro.A primeira aula foi de história. Eu sempre odiei história, Matheus pareceu perceber, porque durante a aula, ele me mandou um bilhete.“Pelo jeito você tá odiando a aula né? Beijos, Mat.”“Na verdade, eu odeio a matéria. A professora até que é legal. Beijos, Duda.”- Atenção para a chamada. – anunciou a professora.Ela chamou todos os nomes, menos o meu. Quando a chamada terminou, ela perguntou se tinha algum aluno na sala que não foi chamado. E eu levantei o braço.- Ah, você é a aluna nova, não é? – ela disse toda atenciosa. – Desculpa querida, mas pelo jeito, esqueceram de colocar o seu nome.- Sem problemas professora. – eu disse.- Nome completo, por favor. – ela pediu.- Maria Eduarda Mendonça Surita. – eu tive que dizer quase gritando, afinal, eu estava no fundão. Mas só quando eu disse SURITA, que todos os alunos me olharam chocados.A professora anotou meu nome e marcou minha presença. Logo bateu o sinal, e entrou o próximo professor, aula de matemática. Eu até gosto de matemática, o que fez a aula passar bem rápido. Quando o sinal bateu, duas meninas vieram até a minha mesa.- Duda, vamos descer com a gente? – chamou Matheus.- Podem ir meninos, agorinha eu desço. – respondi. Afinal, eu sabia que as meninas estavam vindo falar comigo, eu não ia simplesmente fugir delas. Oi Maria Eduarda. – disse a primeira menina. Loira, dos olhos cor-de-mel, cabelos na altura do ombro, com um belo sorriso. – Prazer, sou a Yara.- Oi Yara, pode me chamar de Duda, se quiser é claro. – respondi com simpatia.- Oi Duda. – disse a outra menina, que era idêntica à Yara. – Sou Yasmin. E como você já deve ter notado, somos irmãs gêmeas.- Ah, claro. Eu notei mesmo a semelhança. – respondi e fiquei esperando curiosa. Afinal, eu tenho certeza que elas estão com algum interesse.- Por acaso, você é parente do Eduardo Surita? – perguntou Yara.
- Sim. Sou irmã dele. – eu sabia que tinha algum interesse nisso.As duas se olharam e deram um grito, que tipo assim, quase me deixou surda.- NÃO ACREDITO NISSO! – gritou Yasmin.- Conta pra gente como é ser irmã dos meninos mais lindos do colégio? – perguntou Yara se sentando na cadeira ao meu lado.- É ruim. – quando eu disse isso elas me olharam sérias. – Às vezes eu preferia não ser irmã deles. – e dei uma risada.- Deve ser torturante ter irmãos tão lindos. – disse Yasmin.- Você não imagina o quanto. – dei um suspiro.- Mas... err... desculpa perguntar... – eu a interrompi.- Sim, Yasmin. Eu sou adotada. – respondi na lata.Ah. Como você é sortuda. – disse Yara.- É. Eu sei. – fechei meu caderno. – Vocês podem me fazer companhia durante o lanche?- Claro. – responderam as duas.Enquanto caminhávamos as três uma ao lado da outra, eu contei praticamente tudo sobre a minha vida. Sobre o Pedro, a Jéssica, o orfanato. Quando de repente, eu trombei em alguém. Quando levantei a cabeça para olhar quem era.- Amiga, você por aqui. – Jéssica disse e depois me abraçou.Por mais que eu estivesse morrendo de raiva dela, eu retribuí o abraço.- Oi, Jéssica. – falei seca.- Pelo jeito já fez novas amizades. Fico feliz. – ela olhou ao redor e disse – Algum parente seu aqui na escola?- Sim. Os irmãos Surita’s agora são meus irmãos. – disse e dei uma piscadinha.- NÃO ACREDITO! Promete que vai falar com o Emilio por mim? Eu sou louca pra ficar com ele. – ela pediu juntando aos mãos.- Jéssica, se você me da licença, eu vou comprar um salgado pra mim ali na cantina ok? Bom te ver. – e dei as costas para ela, puxando Yara e Yasmin comigo.- Adorei. – disse Yasmin saltitante. – Você devia ter dado uns bons tapas na cara dela.- Yasmin! Até parece. – falou Yara. – Você fez muito bem Duda, não tem que se rebaixar ao nível dela.- É verdade. – concordou Yasmin. – Você arruma o Emilio pra mim né Duda? Eu sou apaixonada por ele.- Claro Yasmin. — sorri.Fomos até a cantina e compramos nosso lanche. Terminamos de comer e o sinal bateu. Eu achei estranho não ter visto nenhum dos meninos que eu conheço. Subimos a escadas e entramos na sala.- Meninas, vocês sabem onde o Dudu costuma passar o intervalo? – perguntei.- Na quadra. – Yasmin revirou os olhos. – Ele e todos os outros meninos gatos, ficam jogando bola durante o intervalo. A namorada do Dudu e as amiguinhas dela ficam lá também, assistindo o jogo.- Bom saber que eu não sou a única que não gosto da namorada do Dudu. – brinquei.- E quem gosta dela? – falou Yara revoltada. – Só o Dudu mesmo pra aturar aquela nojenta. – e ela fez um sinal fingindo que estava vomitando. Começamos a rir e logo o professor entrou na sala. Fui até a minha carteira. Próxima aula seria de geografia, com um professor muito gato por sinal. - EDUARDO NARRANDO –Mal cheguei no colégio e a Mary já veio pra cima de mim e me tirou de perto da Duda.- Que história é essa de irmã? – ela disse me puxando pra quadra. – Você não me falou nada sobre isso.- Pensei que tinha te falado que meus pais decidiram adotar uma menina. – falei tentando ser calmo com ela.- Então ela é adotada? – ela riu.- Do que você tá rindo? – perguntei.- Bom saber que eu já tenho com quem fazer minhas brincadeirinhas. – ela deu uma risada meio diabólica.- Escuta aqui – eu segurei o braço dela com força -, não quero você e as suas amiguinhas insuportáveis incomodando a Duda, ouviu?- Nossa, Dudu. Me solta, tá me machucando. – reclamou ela.- Vamos pra sala. – soltei o braço dela e subi.Me sentei lá no fundo. Minha sala é mesmo um saco. Já tentei de tudo para me passarem pra sala do Hector e do Matheus, mas me deixaram aqui, na sala dos insuportáveis. O intervalo foi até legal, encontrei os meninos, e jogamos futebol na quadra. Mary e as seguidoras dela estavam lá na arquibancada assistindo o jogo. Fiquei triste por não ter visto a Duda, fiquei curioso para saber como está sendo o primeiro dia de aula dela, mas quando eu pensei em procurá-la o sinal tocou e eu voltei pra sala.Passei a aula toda pensando na Duda. Será que eu estou apaixonado pela minha própria irmã? Não, não. Isso não pode estar acontecendo. Mas e a Mary? Eu acho que meu namoro com ela já deu o que tinha que dá. Esperto foram o Matheus e o Hector que deram o fora nas amiguinhas insuportáveis da Mary, só eu fui o besta que continuei comprometido. Meu namoro com a Mary não passa de hoje. Eu vou colocar um ponto final nessa história. Decidi mandar um bilhete.“Vai lá em casa hoje a tarde para conversarmos, tá bom? Beijos, Dudu.”“Vou sim, amor. Que milagre você me chamando para ir pra lá. Beijinhos da Mary.”Pronto. Agora era só esperar ela ir lá pra casa, e eu termino com ela. O sinal para o final da aula finalmente tocou. Saí correndo da sala e fiquei lá no portão esperando a Duda e o Emilio. Quando eles apareceram, eu corri e abracei a Duda.- Como foi sua aula, Dudinha? – perguntei.- Foi boa Dudu. – ela me soltou e disse. – Quero que conheça minhas novas amigas, Yara e Yasmin.- Oi meninas. – fiz uma pausa. – Já conheço elas Duda. – e dei uma piscadinha.- Ah tá. – então o Emilio apareceu. – EMILIO! Vem cá. Quero que conheça minhas novas amigas. Yara e Yasmin.A Yasmin só faltou soltar fogos de artifício, nunca vi ninguém tão feliz só por dar um OI pro meu irmão. A Yara foi mais discreta, não demonstrou nenhuma empolgação.Eu continuei abraçado com a Duda, enquanto nossos pais não chegavam, até que o Pedro nos viu, e veio até a gente.- O que você tá fazendo abraçada com esse guri, Duda? – e pá, ele meteu um tapa no rosto dela.- Tá loco guri?! – eu empurrei ele. – Some da minha frente antes que eu faça algo que não devo.- Calma mano. – falou Emilio.- IDIOTA! – gritou a Duda. – Eles são meus irmãos. Não posso mais abraçar meus irmãos.- Ai amor, desculpa. – e antes que ele se aproximasse dela, eu meti um soco bem dado na cara dele.- Desgraçado. – ele bufou e veio pra cima de mim. Mas Emilio entrou na minha frente.Então ele desistiu de me bater e foi embora. Nunca mais faça isso mano. – Emilio brigou comigo. – Já pensou se a diretora vê isso? Você quer levar advertência logo no primeiro dia de aula?- Foi mal mano. Mas você viu o que aquele idiota fez. – eu tava com vontade de sair correndo atrás dele e bater mais.- Dudu, não precisava fazer isso. – disse Duda e veio me abraçar.Só então eu reparei o rosto dela, tava vermelho, com a marca dos dedos daquele infeliz. Mas ele me paga, eu ainda vou dar uma boa surra nele.Fiquei acariciando o rosto da Duda, até que nossos pais chegaram.- E agora gente? – Duda disse de cabeça baixa. – O que eu vou falar pros nossos pais?- Nossos pais são bem discretos Duda, eles vão fingir que não perceberam nada. – disse Emilio. – Mas se eles perguntarem, diga a verdade.- A verdade? – Duda ficou surpresa. – Jamais vou falar a verdade.Entramos no carro em silêncio. Nossos pais perguntaram se Duda tinha gostado do colégio novo, ela disse que sim e que já fez duas amizades. O tempo todo ela ficou de cabeça baixa, então eu acho que nossos pais nem repararam a marca no rosto dela.Quando chegamos em casa, ela desceu do carro e subiu correndo. Eu e Emilio nos olhamos, mas não comentamos nada.- Pode começar a falar. – minha mãe nos encarava, furiosa.- Mãe... não sei se eu posso falar sobre isso. – respondi.- Eu também não. – resmungou Emilio.- Coitada da Duda, eu queria tanto poder ajudá-la. – ela deu um suspiro.- Calma mãe, nós vamos resolver tudo tá? – falei abraçando ela. – Confie em nós.- Tudo bem. – ela me deu um beijo no rosto e foi até a cozinha falar com Joana.Eu subi correndo para o quarto. E lá estava a Duda, abraçada com aquele ursinho velho e chorando. Impressionante como ela consegue segurar o choro por tanto tempo. Ela parecia tão tranquila no carro.- Duda, não fica assim tá? – eu fui até ela. – Eu e o Emilio não vamos mais deixar que aquele monstro chegue perto de você.- Não vamos mesmo. – confirmou Emilio entrando no quarto.Brigada gente. – ela disse enxugando as lágrimas – Eu só queria entender, o que eu fiz pra merecer tudo isso?- Fica calma, mano. A partir de hoje, sua vida vai ser só alegrias, confie em mim. – eu dei um beijo no rosto dela e fui até o banheiro me trocar. Quando saí do banheiro, notei que Duda estava mais calma, mexendo no notebook dela, e ouvindo música. Não preciso nem perguntar que música é.
- Lady Gaga? – perguntei tirando um fone de ouvido.- ERRADO. – disse ela sorridente. – “Aposto um beijo que você me quer, uh uh uh” – cantou ela.Eu comecei a rir. Fiquei feliz por ver como ela já estava mais animada.De repente meu celular tocou, era o Matheus.- E ai mano?! – atendi.- Tudo sussa mano. – ele fez uma pausa. – Como a Duda tá? Eu vi tudo que aconteceu mano. Eu tava entrando no carro da minha mãe na hora, fiquei doido pra ir lá te ajudar a dar umas boas porradas nele, mas minha mãe não deixou.- Ah mano, ela tá bem. Agora, ela tá bem. E foi até bom você não ter descido mano, porque eu tava com uma raiva tão grande, que se você descesse do carro pra me ajudar, eu acho que eu teria espancado aquele guri.- Pô mano, espancar não precisa também né!? Só quero ver o olho roxo amanhã.Conversamos mais algumas bobagens, até que minha mãe entrou no quarto e nos chamou pra almoçar, dei tchau pro Matheus e desliguei.Agora Duda já parecia mais feliz. Estava super empolgada contando sobre o primeiro dia de aula, e falando da Yara e da Yasmin. Falou até sobre os professores, um assunto que eu nunca gostei de comentar com os meus pais.Depois do que Dudu e Emilio me disseram e depois de saber que Matheus ligou pro Dudu para saber como eu estava, eu me senti bem. A melhor coisa a se fazer agora, era definitivamente, esquecer que Pedro e Jéssica existem. Tudo bem que eu vou ter que ver os dois todo dia na escola, mas eu consigo fingir que estou cega quando passar por eles.Logo que terminei de almoçar, subi para o quarto, tomei um banho, vesti uma roupa confortável e me sentei na cama. Liguei o notebook, abri MSN e Orkut.No Orkut tinham cinco pessoas me adicionando. As primeiras que eu aceitei, foram Yara e Yasmin. Depois de ficar pensando uns cinco minutos, resolvi aceitar os outros três convites, que eram a Jéssica, o Pedro e a Marina Bragança, a namorada do Dudu.Fui até o Orkut do Pedro, e estava o relacionamento “namorando” – só se for com a Jéssica, porque comigo ele não tá.Quando voltei para a página inicial, já havia um depoimento novo.“Estou indo até a sua casa agora. Espero não ter que encontrar você. Fica escondida tá bom fofinha? Beijos da Mary. (não aceita) ”ARGH. Que guria nojenta. Até parece que eu ia querer encontrar com ela. Peguei meu notebook e fui até o quarto do Emilio, bati na porta.- ENTRA. – gritou ele. Emilio, posso ficar escondida no seu quarto? – perguntei.- Ué, como assim? – perguntou ele confuso.- Lê esse depoimento que eu acabei de receber. – entreguei meu notebook pra ele.- Que guria idiota. – ele revirou os olhos. – Estranho. O Dudu nem me avisou que ela ia vir aqui hoje.- Pois é. Não me avisou também. – fiz uma pausa. – Mas e aí, posso ficar escondida aqui?- Duda, você tá na sua casa, e pode ficar no lugar que você quiser – ele fez uma pausa -, mas se quiser se esconder, é claro que pode ficar aqui.E eu fiquei. Passamos a tarde toda vendo vídeos idiotas no youtube, baixando músicas novas para o meu notebook. Ele me fez virar fã número um do Justin Bieber. Ele é tão lindo.Como de costume, também fiquei vendo letras e traduções no site vagalume. E também me encantei por algumas letras de música da banda Nx Zero. Incrível como a música “insubstituível” combina perfeitamente comigo. Deveria mandar ela pro Pedro depois.Escutamos alguns barulhos vindos do quarto do Dudu, provavelmente ele e a Mary estavam brigando, mas eu e Emilio continuamos lá no quarto, não nos intrometemos na conversa.- Emilio, posso te contar uma coisa? – quebrei o silêncio depois de ver tantos videos. – Eu preciso contar pra alguém, tá entalado aqui. – coloquei a mão no meu pescoço.Conta Duda. – ele me olhou. – Prometo que não contarei pra ninguém.- Matheus me beijou ontem. – falei rápido.- C-como? – ele arregalou os olhos.- Isso mesmo que você ouviu. – eu abaixei a cabeça. – Naquela hora que você nos encontrou na cozinha.- E por que você mentiu pra mim, Duda? – ele ficou triste.- Emilio, eu não menti porque eu quis, você viu que quem começou a falar sobre a água foi o Matheus. – tentei explicar.- Me conta como foi isso? – ele levantou meu rosto para que eu olhasse nos olhos dele.Então eu contei tudo. Falei que achei que ele e Dudu já estavam dormindo e que desci pra tomar água e dei de cara com o Matheus lá, e que ele foi aproximando aos poucos e meu beijou.- Mas esse Matheus é malandro. – falou Emilio por fim.- Você não vai ficar bravo comigo, vai? – perguntei. – Você acha que eu fiz mal em ter beijado ele?- Não Duda. Se você beijou, é porque você tava com vontade, eu não tenho direito nenhum de ficar bravo com você. – respondeu ele e deu uma piscadinha.Ê esses meninos com essas piscadinhas, que sedução.- Estranho. – falei. – O Matheus disse que se eu contasse, vocês ficariam bravos.- Eu acho que ele quis dizer que quem vai ficar bravo é o Dudu. – ele disse por fim.- DUDU NARRANDO –Mary chegou em casa e fui até a porta para recebê-la. Emilio e Duda tinham sumido, provavelmente estavam no quarto dele e meus pais já tinham ido trabalhar, então chamei a Mary para ir até o meu quarto.- O que você queria conversar comigo, amor? – perguntou ela toda carinhosa.Droga! Se ela continuar assim, eu não vou conseguir terminar com ela.- Mary, eu estivesse pensando – suspirei -, e eu acho melhor terminarmos nosso namoro.- O QUÊ? – gritou ela – VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO. VOCÊ NÃO SERIA LOUCO DE TERMINAR COMIGO.- Louco? – ergui uma sobrancelha. – Isso é alguma ameaça?- Nã-não. – ela ficou furiosa – Claro que não Eduardo. Você acha que eu seria capaz de fazer algo contra você?- Não sei. Mas pra você dizer que eu não seria LOUCO de terminar com você, é porque certamente você vai aprontar alguma. – deduzi.- Eduardo, o que aconteceu com você? – ela me olhou chocada. – Você nunca foi assim. E só foi arrumar essa irmãzinha nova, que fica me tratando desse jeito.- Olha, isso não tem nada a vê. – suspirei. – Nosso namoro já deu o que tinha que dá. Só isso.- TÁ BOM EDUARDO. ENTÃO ME FAZ UM FAVOR? SOME DA MINHA VIDA! EU NÃO QUERO TE VER NUNCA MAIS. – ela foi até a porta do quarto gritando.- Mary querida, não se esqueça que nós estudamos no mesmo colégio, e na mesma sala. – dei uma piscadinha pra ela.- Idiota! – ela bateu a porta do quarto e saiu.Me joguei na cama e fiquei olhando o teto. Será que eu fiz a coisa certa? Acho que vou atrás dela. Não, não. Eu fiz a coisa certa sim. Eu só to com medo de que ela faça alguma coisa contra a Duda. Não tenho medo que ela faça algo comigo, porque eu sei que ela não vai ter coragem, mas contra a Duda? Eu tenho certeza que ela vai aprontar alguma coisa. Ela e aquelas seguidoras insuportáveis dela.- Dudu, tudo bem? – era Duda entrando no quarto.- Acho que sim. – fiz sinal para que ela se sentasse ao meu lado. – Terminei com a Mary. Mas acho que eu não fiz a coisa certa.- Nossa. – ela ficou surpresa. – e por que você acha que não fez a coisa certa?- Tenho medo de que ela faça algo – pausei – contra você.- CONTRA MIM? – gritou ela.Duda, me promete que qualquer coisa que ela falar ou fazer com você, você vai me contar? – segurei a mão dela.- Prometo Dudu. – ela apertou minha mão. – Mas não entendi, porque ela faria algo contra mim.- Duda, a Mary é louca. – fiz uma pausa. – Sabe aquelas atrizes que só aprontam com os outros nas novelas?- Sei. – ela sorriu. – Ela é desse tipo?- É. – dei um sorriso torto. – Não me esconda nada, tá bom Duda? Por favor.- Tudo bem. Se ela chegar perto de mim, eu te conto. – e ela me abraçou. – Fica tranquilo irmãozinho.- Eu te amo tá? – e dei um selinho nela. DROGA! Eu fiquei louco? Por que eu fiz isso?- Err... Dudu? Você surtou? – eu acho que ela gostou do selinho hein, porque ela nem ficou brava. Eduardo, para de pensar essas coisas.- Duda, desculpa. – eu me afastei dela. – Era pra te dar um beijo no rosto.
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