Caindo em Tentação

20 CAPITULO 19 – SEPARAÇÃO


Emílio me deitou com cuidado na minha cama. Eu estava tão alcoolizada, que chegava a parecer que tinham me dado uma anestesia. Eu não sentia dor em lugar nenhum.

- Você tá bem mesmo? – perguntou Emílio.

- Tô sim irmãozão. – resmunguei. – Fica tranquilo.

- Ok. – ele me deu um beijo no rosto. – Boa noite.

- Boa noite. – ele sussurrou e saiu do quarto.

Instantes depois, alguém entrou no quarto e bateu a porta. Eu queria abrir os olhos, mas não conseguia. E também nem ia adiantar, tudo estava rodando. Mas eu sabia quem era.

- Parabéns Dudu. – resmunguei.

- Cala boca. – bufou ele.

Eita. Que grosso. Fiquei com raiva e resolvi me levantar.

- ESCUTA AQUI... – gritei. Mas antes que eu pudesse continuar, eu desmaiei.

- DUDU NARRANDO –

Nunca tinha visto ninguém tão bêbado na minha vida. O que eu ia fazer agora? Peguei ela no colo e a coloquei na cama dela. Fui até a cozinha e busquei uma garrafa de álcool e um pedaço de bolo. Subi e dei o álcool para ela chegar.

- Argh. – ela resmungou.

Bom, pelo menos ela acordou.

- Come tudo. – dei o bolo para ela.

- Não quero. – ela resmungou, ainda de olhos fechados.

- Abre a boca. – falei e ela não abriu. – ABRE A BOCA! – gritei e ela abriu.

Coloquei um pedaço de bolo na boca dela, ela comeu e abriu a boca de novo. Depois que ela comeu o bolo inteiro, Emílio entrou no quarto.

- Como que ela tá? – ele me perguntou.

- Eu tô bem. – ela resmungou.

- Acho bom dar um banho nela. – hã? O Emilio ficou louco?

Ele a pegou no colo e a levou pro banheiro, enrolou uma sacola no braço dela e a colocou embaixo do chuveiro, de roupa e tudo. Ela não conseguia parar em pé. Emílio a deixou sentada e tirou a sapatilha que ela usava. Eu fiquei só olhando.

Emílio passou xampu e condicionar no cabelo dela, até desembaraçou. Duda foi recuperando a consciência e conseguiu abrir os olhos.

Brigada Emílio. – ela sorriu. – Não sei o que seria de mim sem você.

- Eu também não. – ele brincou. Depois se levantou, pegou a escova de dente dela, e ainda escovou os dentes dela.

Caramba. Eu sou obrigado a reconhecer. Emílio é o melhor irmão do mundo.

- Quem ganhou a aposta? – ela sussurrou.

- O Matheus. – Emílio respondeu.

- Se VOCÊ não tivesse ficado com ele, Emílio, Hector e ele, teriam empatado. – joguei na cara dela.

- Hum. – resmungou ela. – E você?

- Eu perdi. – Argh. Fiquei com raiva só de lembrar.

Ela começou a rir. IDIOTA! Como ela ousa rir de mim?

- Isso que dá participar de apostas idiotas. – ela dizia, enquanto Emílio secava o cabelo dela.

- Olha quem fala. – joguei na cara dela de novo.

- Vocês começaram com a brincadeira, e nós só copiamos. – ela afirmou.

- Não precisava ter copiado. – revirei os olhos.

- Ah tá. – foi só o que ela disse.

Pronto! – disse Emílio depois de ter secado a Duda. – Consegue se trocar?

- Se eu não conseguir, eu te chamo. – ela sorriu.

Emílio deixou a toalha, a camisola e uma calcinha lá no banheiro e me puxou. Ficamos sentados na cama e minutos depois, Duda saiu.

- Olha só, você conseguiu. – brincou Emílio.

Ele foi até ela e a segurou para que ela conseguisse andar. A acompanhou até a cama dela. Depois foi até o banheiro, pegou a roupa molhada que ela usou e desceu. Eu fui atrás.

- Que amor. – zombei.

- Mano, ela é minha irmã. Eu tenho que ajudá-la. Eu faria o mesmo se fosse contigo. – ele falou sério.

- Você é afim dela que eu sei. – reclamei.

- Para de paranoia. – ele colocou a roupa dela lá fora, no varal e subiu.

Não é paranoia minha, confessa. – bufei.

- Boa noite. – ele entrou no quarto dele e bateu a porta na minha cara.

Entrei no meu quarto, Duda já estava dormindo. Deitei na minha cama e fiz o mesmo.

- DUDA NARRANDO –

ACOOOOOOORDA GURIA! – Dudu gritou.

- TÁ LOUCO GURI? – gritei também.

- Não ouviu que a nossa mãe veio nos chamar pra almoçar? Já são meio dia. – ele cruzou os braços e me fuzilou com os olhos. – Anda, vai se arrumar. Vamos almoçar no shopping.

Ele já estava pronto, e lindo, como sempre.

Corri para o banheiro e coloquei um vestido básico com uma rasteira de dedo.

- Tô pronta. – sorri ao sair do banheiro.

- Argh. – ele resmungou.

Nossa. Por que o Dudu tá assim comigo?

- Vocês dormem hein?! – disse Emílio pai, quando chegamos à sala.

- Sinal que a festa foi muito boa ontem. – completou Anne.

- Vocês não imaginam o quanto. – Dudu revirou os olhos.

- Tô pronto. – Emílio desceu as escadas, também estava lindo, como sempre.

Entramos no carro. Dudu não quis se sentar do meu lado, fazendo com que Emílio se sentasse no meio.

- E aí, como foi a festa? – perguntou Emílio pai.

Tirando que a Duda ficou bêbada – resmungou Dudu -, foi ótima.

- Cala essa boca, Eduardo. – Emílio o repreendeu.

Eu me calei. Então veio um filme na minha cabeça. E adivinha só? Eu não me lembro de quase nada. Só me lembro da tal brincadeira do vira-vira. Mas não consigo lembrar as consequências dessa brincadeira.

- Tô mentindo, Emílio? – Dudu o fuzilou. Eu fiquei calada. Por que o Eduardo tinha contar pra eles isso? Argh. Que raiva. – Vai, fala que eu tô mentindo.

- Isso é verdade, Duda? – perguntou Emílio pai, me encarando pelo retrovisor.

- É. – sussurrei e abaixei a cabeça.

- Não, não é. – Emílio me olhou com uma cara de “você é louca?”

Para de tentar acobertar Emílio. – Eduardo sorria. Que idiota. Ele tava rindo da minha desgraça? Idiota. – A Duda não é santa.

- Pelo menos eu assumo que bebi. – o fuzilei com os olhos. – E você? Cadê o machão agora? Assume seus atos também. Seu bebê. – joguei na cara mesmo.

Emílio me olhou com uma cara de “agora eu botei fé”, enquanto Eduardo me olhava com uma cara de “eu te odeio menina”.

Ficamos os três em silêncio. Nossos pais se encaravam no banco da frente, mas não disseram nada. Fim de assunto.

- Tá. Eu confesso que também bebi. – Eduardo disse quando estávamos chegando ao shopping.

- Você também Emílio? – perguntou Anne.

- Sim, mãe. – ele respondeu, sem graça.

Anne balançava a cabeça, certamente procurando a frase certa a dizer.

- Próxima festa que vocês forem fazer – ela começou -, será proibido qualquer tipo de bebida alcoólica, ouviram?

- Sim. – falamos os três juntos.

- Ótimo. – Anne disse séria. – Agora vamos almoçar. Assunto encerrado.

Descemos do carro e fomos até o restaurante que tinha no shopping – não me perguntem o nome. Eu estava tão sem graça, que não tinha coragem nem de olhar pra cima, só ficava encarando o chão.

Até que a Anne foi boazinha, não quis mais tocar no assunto, e não ficou dando nenhum tipo de sermão em nós três.

“A Duda não é santa” – as palavras de Eduardo ecoavam na minha mente. Como se fossem pronunciadas toda hora que ele me olhava. Eu não conseguia entender o porque de tanto ódio, mas certamente, Emílio me contaria o que eu fiz de tão grave.

- Duda? – Anne me chamou, quebrando o silêncio. – Esquecemos de te contar.

- O quê? – perguntei assustada.

- Hoje você já pode ir pro seu quarto novo. – disse Emílio pai, todo sorridente.

Eduardo fez uma cara triste, que em menos de um segundo, já mudou para uma cara alegre.

- Graças a Deus. – sussurrou ele.

O que você disse? – perguntei chocada.

- Não liga pra ele, Duda. – Emílio segurou minha mão.

Eu abaixei a cabeça e continuei a comer.

- Vocês podem me explicar o que está acontecendo? – perguntou Anne.

Eu olhei Dudu, que me olhou também, depois nós dois olhamos para Emílio, que apenas retribuiu nossos olhares e abaixou a cabeça.

- Dudu e Duda são dois idiotas, mãe. – resmungou Emílio.

- Você que é. – Dudu o fuzilou.

- Ai, Dudu. Deixa de ser infantil. – o repreendi.

- Não tô falando com você. – NOSSA! Agora eu vou dormir, beijos.

- Dudu, por que você tá falando assim com a Duda? – Anne o olhou, chocada.

- Ah, dá um tempo. – ele se levantou da mesa e foi pro banheiro.

Liga não mãe. Isso tudo é ciúme. – Emílio desabafou. – Só porque ontem a Duda ficou com o Matheus na festa.

- Sério? – os olhos de Anne brilharam e me encararam logo em seguida.

HÃ? Eu nem ao menos lembrava de ter beijado o Matheus. E pior de tudo, o Dudu deve ter visto. Droga, droga, droga. O que eu fui fazer?

- Err... eu já volto. – me levantei e fui atrás do Dudu.

Quando eu estava chegando ao banheiro, trombei com ele saindo de lá.

- Olha por onde anda. – bufou ele.

- Dudu, a gente precisa conversar. – eu mordi o lábio.

- Nós não temos NADA para conversar. – ele se aproximou de mim e sussurrou no meu ouvido. – Pra mim, você tá morta e enterrada.

Virou as costas pra mim e voltou pra mesa. Eu fiquei chocada. Corri e para dentro do banheiro feminino. Sentei-me no chão, e não consegui controlar as lágrimas. Uma moça entrou no banheiro, me encarou com a expressão assustada e disse:

- Você é a Duda? – ela abaixou para olhar nos meus olhos.

- Sou. – abaixei a cabeça.

- Para de chorar minha querida. – ela acariciou minha cabeça. – Tem um moço ali na porta esperando por você.

- O DUDU? – fiquei animada na hora.

- Não sei. – ela disse. – Lave o rosto e vá lá ver.

- Brigada. – eu sorri e fiz o que ela pediu.

Lavei meu rosto, que estava muito inchado por sinal, mas eu nem ligo. Saí do banheiro, e meu ânimo passou, era o Emílio.

- Você tá bem? – ele perguntou.

- Tô. – respondi dando um abraço apertado nele.

- O que te deu pra ficar trancada no banheiro mais de meia hora? – ele perguntou, se afastando um pouco de mim para me olhar nos olhos.

- Sério que eu fiquei tanto tempo assim? – confesso que fiquei surpresa.

- Sério. Todo mundo já almoçou e já até comeu a sobremesa. Peguei um pedaço de bolo pra você. – ele sorriu e segurou minha mão. – Vamos pra casa?

- Claro. – apertei a mão dele e fomos para o carro.

Durante o caminho, eu não abri a boca. Apenas comi o bolo delicioso que Emílio tinha me dado.

Quando chegamos em casa, Dudu desceu correndo e foi direto pro quarto dele.

- Duda, pega as suas coisas que estão no quarto do Dudu e vamos conhecer seu quarto novo? – falou Anne.

- Claro. – dei um meio sorriso e subi.

Coloquei todas as minhas coisas – que não eram muitas – dentro da mala. Dudu mal olhou pra mim, não tirava os olhos do notebook dele. Fui até o quarto do Emílio e pedi para ele me ajudar a carregar minhas coisas.

Ele levou minha mala e o notebook. Eu peguei as outras coisas – máquina, Ipod, escova de dente, escova de cabelo, travesseiro e toalha.

- Pronta? – perguntou Anne segurando a chave na mão.

- Prontíssima. – sorri.

- Tcha-rãn. – e ela abriu a porta.

- UAU! – exclamei.

Meu quarto é simplesmente perfeito. Na parede lilás no fundo, ficava a minha cama box de casal, com forro lilás e rosa, as outras paredes eram brancas, haviam três portas: uma era meu banheiro – que também tinha uma banheira -, a outra era a sacada e a outra tinha o meu próprio closet. Eu nem acreditei na hora que eu vi. Ele estava repleto de roupas, roupas lindas. Voltei para admirar o resto do meu quarto. Ao lado da cama, tinha uma mesinha, com um porta-retrato, nele tinha uma foto minha. À esquerda, uma mesa de computador – que Emílio já tinha colocado meu notebook – e claro, na outra parede, um porta retrato enorme, com uma das fotos que eu tinha tirado com o Emílio e o Eduardo no dia em que eu ganhei a minha máquina. Deixei cair uma lágrima ao olhar o porta-retrato. Emílio me abraçou de um lado e Anne me abraçou do outro.

- Gostou do quarto, irmãzinha? – perguntou Emílio.

- Eu amei gente. – eu os apertei ao meu lado. – Muito obrigada mesmo. Mas tô sentindo falta de uma coisa...

- Ah, já sei. – disse Emílio. – Depois eu faço uma obra de arte aqui pra você tá?

- Tudo bem. – sorri.

Bom, vou para o meu quarto. Beijos. – Anne me deu um beijo na bochecha e saiu.

Me joguei na cama e reparei que tinha um embrulho de presente. Aquele mesmo embrulho que eu tinha visto domingo passado no shopping, nas mãos de Eduardo, e tinha me esquecido de perguntar o que era.

- É pra você. – Emílio falou ao perceber o quanto eu encarava o embrulho. – Abre logo.

Eu abri. Um ursinho — ursinho não — URSÃO. Enorme, super macio e segurava um coração nas mãos. LINDO.

- Oun, que lindo irmãozão. AMEI! – corri e o abracei.

- Seu ursinho já estava velho demais. – ele revirou os olhos – Daí eu e Dudu resolvemos comprar um novo.

Hum. Então é presente do Dudu também? Talvez eu devesse tacar fogo. Só não faço isso, porque é presente do Emílio também.

- Brigada – sorri – de novo. Por tudo.

- Não tem o que agradecer. – ele sorriu também.

- Emílio – eu o encarei – Agora você pode me fazer o favor de contar tudo o que aconteceu ontem? Eu não me lembro de nada.

- NÃO? – ele perguntou espantando. Eu apenas balancei a cabeça e ele continuou. – Bom, você beijou o Matheus duas vezes, beijou o Victor e o Hector.

- O QUE? – berrei. – COMO ASSIM?

- É Duda, e você ainda me chamou de gostoso. – ele riu sem graça.

- Acho que eu me lembro disso. – corei.

- Eu também te chamei de gostosa. – ele confessou.

- Acho que me lembro disso também. – e ri. Mas logo fiquei séria de novo. – E o Dudu?

Bom, o único beijo que ele viu, foi o ultimo que você deu no Matheus. – ele fez uma pausa. – Foi um beijo bem cena de filme.

- Ai minha nossa. – resmunguei. – Me lembrei.

Nessa mesma hora, veio a cena na minha cabeça. Eu com as pernas em volta da cintura do Matheus, ele me segurando. Um instante de desequilíbrio e nós dois caímos no chão.

- E a parte que o Dudu acabou com a festa, você também lembra? – ele perguntou.

- Sim. – abaixei a cabeça. – E depois não lembro de mais nada.

- É. – ele balançou a cabeça. – Eu te ajudei a subir pro seu quarto, depois você desmaiou, ou sei lá, daí o Dudu te deu um pedaço de bolo, depois eu te dei um banho...

- O QUÊ? – o interrompi.

- Relaxa, eu não tirei a sua roupa. – ele sorriu e eu corei. – Depois que eu te dei o banho, eu fui dormir. Acho que você dormiu também. E foi isso.

- Caraca. – foi só o que eu consegui dizer.

Vou te deixar sozinha agora. – Emílio me deu um beijo na testa e saiu.

Peguei meu notebook e liguei. Abri MSN e Orkut. Morri quando vi as atualizações.

\"Eduardo Surita alterou relacionamento e adicionou fotos novas.\"

Cliquei para ver, e adivinha só? NAMORANDO. Fotos com quem? Com a idiota insuportável. Marina Bragança. Podem me enterrar.

Abri o MSN e ele estava on line. E sabe como estava o nick dele?

- dudu surita (L) mary bragança.

Fechei tudo na mesma hora e desliguei o notebook. Liguei meu Ipod, ouvi umas duas ou três músicas e acabei caindo no sono. Acordei às 19:00hr, com o Emílio me chamando para ir jantar. Eu disse que estava sem fome e voltei a dormir. Essa segunda feira, certamente seria a pior da minha vida.