Caindo em Tentação
19 CAPITULO 18 – A FESTA, AS APOSTAS E O PORRE
Eu e Dudu acordamos já era hora do almoço. Eu me troquei e desci para comer, ele fez o mesmo. Nossos pais já estavam sentados na mesa nos esperando.- Cadê o Emílio? – perguntei.- Foi almoçar na casa do Hector. – respondeu Anne.- E de lá os meninos já vem pra cá, ajudar na arrumação pra festa de vocês. – continuou Emilio pai.- Hum. – sorri. — Pelo jeito a festa vai ser boa.- Vai ser ótima. — Dudu parecia estar super animado.Durante o almoço, Dudu não parava de fazer planos pra tal festa. Anne e Emílio não pareciam tão empolgados com a ideia. Anne tinha medo de que Dudu não cumprisse o acordo e deixasse todos entrarem dentro de casa e fazer uma zona. Eu dei minha palavra que não deixaria ninguém entrar. Ela confiou em mim. Eu sou foda, eu sei. Parei.
Depois do almoço, tomamos sorvete de sobremesa e me sentei no sofá. Passaram-se uns cinco minutos e o Dudu foi até mim, se deitou no sofá e colocou a cabeça no meu colo. Fiquei mexendo no cabelo dele durante o filme inteiro. Eu nem prestei muita atenção no filme, fiquei só pensando na noite que eu tive. Ou melhor, no que aconteceu antes de eu dormir.De vez em quando eu olhava para o Dudu e ele parecia estar distante. Será que ele estava pensando a mesma coisa que eu? Queria ser um Edward Cullen e poder ler os pensamentos dele agora.- No que você tá pensando? – sou curiosa mesmo.- Precisa perguntar? – ele me olhou com uma cara de safado.- Se eu soubesse — fiz uma pausa — eu não teria perguntado.- Na nossa noite. – sussurrou ele. – Por quê?Sinto que fiquei vermelha.- Estamos pensando a mesma coisa então. – mordi o lábio.Ele me olhou e fez um biquinho. Eu abaixei a cabeça rapidinho e dei um selinho nele.- Pra que essa pressa? – ele me olhou triste. – Nossos pais estão no quarto.- Mas Joana está na cozinha, ela pode aparecer aqui. – sussurrei.- Ah. – ele revirou os olhos e voltou a assistir TV.Vimos o filme inteiro, e só quando ele estava quase acabando que eu fui perceber que o filme era “Náufrago”. Tipo assim, um filme de 1995, super velho. Mas até que era legal.Quando o filme acabou, Joana apareceu lá na sala com duas bacias de pipoca, uma era de pipoca salgada, a outra era pipoca com chocolate.- Valeu Joana. – Dudu ficou todo sorridente.- Brigada Joana. – sorri também.Dudu atacou a pipoca doce, ele devorou a bacia sozinho, sem nem me oferecer. Educado, não?Começou a passar outro filme, dessa vez era um filme de terror, eu não quis assistir, peguei a bacia de pipoca salgada e fui lá pra beira da piscina. Quando eu estava quase terminando de comer a pipoca, veio uma mão por trás de mim e atacou minha bacia.- EI! – gritei. Quem ousa roubar minha pipoca?Quando ergui a cabeça para olhar quem era, eu morri, beijos. Era o Matheus, e ele estava maravilhosamente lindo, se é que isso é possível.Pisquei algumas vezes para ter certeza de que era ele e não uma ilusão de ótica.- Não vai me dar oi? – perguntou ele jogando a pipoca pra cima, e deixando cair dentro da boca dele.- Oi. – sorri sem graça. – Cadê o resto do pessoal?- Ah, o Dudu e o Hector já estão misturando a vodka e o suco, dentro daqueles garrafões de 20 litros, saca? – eu apenas assenti, e ele continuou – E o Emílio tá andando por aí atrás de um churrasqueiro.- Nossa, nenhum de vocês sabem assar carne? – perguntei chocada. – Até eu sei.- AAAAH – ele começou a rir. – Sério?- Não né. Eu tava zoando. – revirei os olhos.Como ele tem coragem de conversar comigo numa boa depois de ter me dado um pé na bunda? Argh. Quando eu me lembrei desse detalhe, peguei a bacia de pipoca e saí de perto dele.- Aonde você vai? – ele me segurou.- Para um lugar onde você não está. – falei na lata.Ele ficou tão chocado com a minha resposta, que na mesma hora ele me soltou. Me sentei no sofá e fiquei assistindo TV, enquanto os meninos organizavam a festa. Anne e Emílio desceram as escadas de mãos dadas.- Bom, estamos indo trabalhar. – disse Emilio pegando a chave do carro.- Voltamos às cinco da manhã do plantão – continuou Anne. – E não queremos bagunça, ok?- Podem ficar tranquilos. – eu disse sorrindo.E eles se foram. Quando olhei o relógio, já eram cinco da tarde, e eu precisava me arrumar logo, porque às seis os convidados começam a chegar. Subi correndo para o quarto para me arrumar. Tomei um banho rápido, me enrolei na toalha e saí do banheiro. Abri minha mala – porque eu ainda não tinha um guarda-roupa só pra mim – para escolher uma roupa.- DROGA! – gritei. – Não tenho nada descente pra usar.E me joguei na cama, ainda enrolada na toalha.- Algum problema irmãzinha? – perguntou Emilio, entrando no quarto.- Todos. – bufei. – Não tenho o que vestir.- Ave Maria. – resmungou ele. – Claro que tem.Ele foi até minha mala e começou a jogar todas as minhas roupas pra cima.- É. – ele disse balançando a cabeça. – Já volto. – e saiu do quarto.COMO ASSIM? – pensei comigo. O QUE ELE IA FAZER?Liguei meu Ipod e continuei deitada na cama.
- Ué, não vai se vestir? – dessa vez era Dudu entrando no quarto.- Depois. – resmunguei.Dudu entrou no banheiro, tomou banho, saiu do banheiro, e NADA do senhor Emílio Eric aparecer.- Você sabe onde o Emilio foi? – perguntei pro Dudu depois que ele saiu do banho. Ele saiu de táxi com o Matheus – ele ergueu uma sobrancelha. – Por quê?- Por nada. – e me deitei de novo.Dudu se trocou, veio até mim e me deu um selinho.- Tô descendo. – ele deu uma piscadinha. – Não demora. Só tá eu e o Hector lá embaixo.- Tá. – eu sorri.Droga, droga, droga. Onde será que o Emilio foi? Tocou mais umas três músicas, até que Emílio finalmente apareceu.- Aqui. – ele disse esticando o braço e me dando uma sacola.- Ok. – eu peguei e sacola. – O que é isso?- Uma roupa pra você usar. – ele sorriu.- HÃ? – assustei. – Onde você arrumou isso?- Comprei né Duda?! – e revirou os olhos.- NÃO CREIO?! – gritei empolgada e o abracei.- Se o Dudu vê uma cena dessas, ele não vai gostar nada. – e se livrou do meu abraço.- É. – peguei a sacola e corri para o banheiro.Quando abri, fiquei chocada.- CARAAAACA. – gritei empolgada.Era um vestido tomara-que-caia rosa, com algumas listras brancas. Com o comprimento até metade das coxas, ui. E acredite, tinha até sapato. Uma sapatilha branca, com o lacinho rosa na frente. COISA MAIS LINDA! Por isso que eu amo o Emílio cara.Me vesti, escovei os dentes e desci. Maquiagem? Bom, não uso e também nem gosto de usar. Sou bonita naturalmente. Parei. Quando fui descer as escadas, Hector, Matheus, Emílio e Eduardo me olharam chocados. Eu fiquei assustada.- Que foi gente? – perguntei. Será que eu tava tão feia assim?- Você tá linda, Duda. – disseram todos juntos, menos Dudu. Eu fiquei triste. Será que ele é o único que não me acha linda.- É-é-é... – ele tentou dizer alguma coisa, mas não saiu nada.- Relaxa Dudu. – falei triste. – Não precisa me elogiar não.Ele me puxou pelo braço e me levou até a cozinha.- Você não podia por um vestido mais comprido não? – ele franziu a testa. – Não gosto que você ande por aí com as coxas à mostra.- Ah Dudu, dá um tempo. – revirei os olhos.- Dá um tempo nada. – ele me segurou. – Você tá linda demais e eu não quero todos os meninos da festa te olhando do mesmo jeito que Matheus, Hector e Emílio te olharam.QUE FOFO O DUDU COM CIÚMES. RÁ, RÁ.- Duduzinho – apertei a bochecha dele – Tanto faz quem me olha ou deixa de olhar. – pausei — O que o importa é que eu só tenho olhos pra você.- Eu te amo. – ele sussurrou próximo ao meu ouvido e me deu um beijo no rosto.- Eu também. – sorri e fui até o portão receber algum convidado que tocava o interfone. Corri até o portão, e era uma menina que eu nunca vi na vida. Aliás, ver, eu já vi. Mas nunca tinha conversado com ela, só sabia que ela é da outra turma. Da sala que o Dudu era antes de passar para a mesma turma que eu.- Oi. – saudei educada.- Oi. – ela sorriu. – Você deve ser a Duda?- Sim. Eu mesma. – abri o portão. – Pode entrar.- Prazer. – ela estendeu a mão para mim. – Sou a Júlia.- Muito prazer. – sorri e a puxei para dentro da festa.Logo o interfone tocou de novo e eu mandei o Dudu ir abrir. Como Júlia era a única menina festa, fiquei conversando com ela.- Então Júlia, você é do primeiro A né?! – tentei puxar assunto.- Infelizmente. – ela fez uma cara triste.- Por quê? – perguntei.- Queria tanto mudar de turma. – ela disse, lançando o olhar para a direção em que o Matheus estava.Matheus olhou na nossa direção e sorriu. Júlia suspirou e abaixou a cabeça.- Algum problema com o Matheus? – curiosa eu? Imagina.Sim. – ela balançou a cabeça. – Quer dizer, não.- Não entendi. – ergui a sobrancelha.- Não devo falar sobre isso com você. – ela não conseguia olhar para mim, sempre desviava o olhar.- Se você diz isso porque acha que eu sou namorada dele – fiz uma pausa e ela me encarou pela primeira vez -, pode ficar tranquila, porque nós não namoramos mais.- Não? – ela arregalou os olhos e sorriu.- Não. – eu a encarei. – Pode me explicar agora o que está acontecendo?- Eu amo o Matheus, Duda. – ela abaixou a cabeça novamente. – E já faz muito tempo.- UAU. – fiquei com pena dela. – Ele sabe disso?- Eu já fiz a idiotice de mandar umas cartinhas, mas nunca coloquei meu nome. – ela mordeu o lábio.- Júlia – ela me olhou novamente -, se você não falar nada, ele nunca vai saber a verdade. E assim você nunca terá chance com ele.- Você tem razão. – ela sorriu. – Você acha que eu devo falar com ele?- Acho sim. Mas agora não. Deixa pra falar outro dia. – aconselhei.- Tudo bem. – ela me abraçou, como quem estava agradecida.- DUDAA! – me gritaram.Eram Yara e Yasmin chegando na festa, elas estavam lindas. Eu as apresentei para Júlia e as três ficaram conversando sobre Emílio, Hector e Matheus – seus respectivos amores. E eu nem me meti na conversa, eu não ia poder falar do Dudu né?!Fui ao banheiro, e quando saí, a festa já estava mais lotada. Comecei a procurar pelas meninas, e de repente trombei em alguém e caí.- Desculpa, Duda. – era a Jéssica. Ela estendeu a mão, eu a segurei e me levantei.- Não foi nada. – tentei sorrir.- Podemos conversar? – sugeriu ela. Eu balancei a cabeça que sim e a puxei para a cozinha.- Duda, eu sei que eu fui uma péssima melhor amiga, mas o Pedro sempre foi o amor da minha vida. Ele sempre te amou e eu sempre sofri muito com isso. Até que um dia aconteceu, foi espontâneo. Não pense que nós dois ficamos felizes com isso. Nós ficamos arrasados. Com o passar do tempo, ele começou a gostar de mim também. Mas você morava no orfanato, você só tinha eu de amiga e ele de namorado, não conhecia mais ninguém. Não queríamos trair a sua confiança dessa maneira. A gente sempre quis te contar a verdade, mas era difícil. Quando nós saímos juntos, eu sofria por te ver com ele, mas eu não tinha coragem de falar “Larga ele, porque ele tá comigo”. Eu sei que é difícil de entender Duda. Mas eu preciso de você. Eu nunca me dei bem com ninguém do colégio, só tinha o Pedro de conhecido. E você sempre foi minha única amiga. Agora até o Pedro tá com raiva de mim, não entendo por que. – ela começou a chorar. – Se vo-você quiser v-voltar a ser minha a-amiga, eu juro que n-nunca mais chego p-perto do Pedro.Eu fiquei com pena dela e a abracei. Quando eu fiz isso, ela começou a chorar mais ainda. E agora? – comecei a pensar comigo – Será que eu a perdôo? Ela pareceu ser sincera. Eu nem gosto mais do Pedro, eu amo o Dudu. Não posso guardar raiva dela por causa disso, ou posso?- Fica tranquila, Jéssica. – eu continuava abraçada com ela – Podemos voltar a ser amigas.Ela me soltou e me olhou nos olhos.- Jura? – ela sorriu em meio às lágrimas.- Juro. – sorri e enxuguei as lágrimas dela. – Agora vamos voltar e curtir a festa.- Não. – ela ficou séria. – Só vim mesmo pra conversar com você, já vou embora.- Ah, fica. – pedi.- Não, não. Vou pra casa mesmo. – ela me deu um beijo no rosto e se foi.Saí da cozinha e passei pelos meninos, fiquei parada ali perto tentando entender o que eles falavam.- É verdade. – disseram Emilio e Hector juntos. – Você vai participar sim. – continuou Hector.- Tá, tá. – resmungou Dudu. – Eu participo. Eu não entendi nada, fiquei curiosa e fui até as meninas.- Gatinhas, vocês sabem o que os meninos estão aprontando? – perguntei.- Como assim? – perguntou Yara.- Não sei. Ouvi uma conversa estranha entre eles, falando sobre participar de alguma coisa. – disse olhando na direção deles.- Seja lá o que for, vamos descobrir. – disse Yasmin. - DUDU NARRANDO –Minha vontade era passar a festa inteira grudado na Duda, ela estava linda demais para ficar se exibindo assim. Mas eu não podia fazer nada né?! Fiquei na roda dos meus amigos, enquanto ela estava na cozinha, conversando com a Jéssica.- Galera, vamos fazer uma aposta? – sugeriu Hector.- Vamos. – dissemos em coro.- Que tipo de aposta? – perguntei.- Quem pega mais menina hoje. – ele sorriu maliciosamente.- Fechado. – responderam Emílio e Matheus em coro.- Err... Eu não vou participar. – falei e mordi o lábio.- Nossa mano, você tá solteiro. Nada te impede de participar. – Matheus me repreendeu.- É verdade. – disseram Emilio e Hector juntos. – Você vai participar sim. – continuou Hector.- Tá, tá. – resmunguei. – Eu participo.Fizemos a aposta. Eu não ia pegar ninguém, e ia perder a aposta, simples.
- Ah, esqueci de dizer o mais importante. – falou Hector. – Aquele que perder a aposta, os outros escolhem a menina mais baranga da festa para o perdedor pegar.- Ah não. – resmunguei.- Para de reclamar Dudu. – Emilio deu um soco no meu ombro. – Você sabe que vai vencer.Eu apenas revirei os olhos. Que ótimo – ironizei. Eu não to afim de pegar a menina mais baranga da festa. Será que eu levo essa aposta a sério? Fui até o freezer e peguei um copo com gelo, depois fui até um dos garrafões de 20 litros que eu e Hector preparamos, e enchi um copo. Quando me virei, Júlia apareceu.- Oi Dudu. – ela sorriu.- Oi Júlia. – tentei sorrir.- Fiquei sabendo que vocês estão fazendo uma aposta. Posso saber o que é? – ela perguntou toda animada.DROGA, COMO ELA FICOU SABENDO? Ou será que ela não sabia e tava só jogando verde. apostando quem pega mais hoje na festa. – resolvi falar a verdade. Ela não é amiga da Duda mesmo.- Sério? – ela perguntou espantada.- Vê se não conta pra ninguém. – fechei a cara.Ela pegou um copo e o encheu com vodka e suco, e se retirou, sorrindo maliciosamente.Argh, acho que eu fiz merda.- DUDA NARRANDO –Eu vou descobrir o que é. – Júlia disse e se levantou da mesa em que estávamos sentadas.Continuamos na mesa conversando. Cerca de três minutos se passaram e ela voltou com um copo de vodka e suco na mão.- Você sai daqui falando que ia descobrir o que eles estavam aprontando, e volta bebendo? – eu falei indignada.- Relaxa meu bem. – ela bebeu um gole. – Eu descobri.- O QUÊ? – dissemos eu, Yara e Yasmin em coro.- Eles estão apostando quem pega mais menina hoje. – ela sorriu. – Que tal fazermos o mesmo?- Boa ideia. – Yasmin se levantou. – Vou lá buscar uma bebida pra mim também. Vamos?- Vamos. – disse Yara se levantando. – Você não vem? – perguntou pra mim.- Err... eu não bebo. – respondi sem graça. – Quer dizer... Nunca bebi.Elas riram. Do que elas estão rindo a final de contas? Fiquei chocada.- Pra tudo tem uma primeira vez amiga. – disse Yara me estendendo a mão. – Vamos curtir essa festa.Apoiada. – disseram Júlia e Yasmin juntas.Eu não tinha o que fazer, então as segui até o freezer. Todas pegaram um copo, enquanto Júlia já enchia o segundo. Essa vai ficar bêbada rapidinho – pensei.- Vamos brincar de vira-vira? – sugeriu Yasmin.- Como brinca disso? – perguntei.- É assim. Cada uma de nós vai ter o nome de uma fruta. – explicou Yara. – Daí eu começo a brincadeira dizendo: Fui à feira e comprei um morango.- Aí, supondo que eu seja o morango – explicou Yasmin -, eu digo: Fui à feira e comprei um morango e um abacaxi.- Aí, supondo que você seja o abacaxi – continuou Yara -, você tem que dizer: Fui à feira e comprei um morango, um abacaxi e uma pêra.- Aí, supondo que a Júlia seja a pêra – continuou Yasmin, mas eu a interrompi.- Ok, já entendi. – sorri. – E quem errar? O que acontece?- Tem que virar o copo T-O-D-O. – disse Yasmin, sorrindo.- Fechado. – dissemos Júlia e eu juntas.Começamos a brincadeira. Eu fui a primeira a errar, virei um copo. Depois Júlia, que já estava meio alterada, virou um copo. A brincadeira foi passando, e quando percebemos, já estávamos virando o copo sem nem ter errado. Resultado: nós quatro ficamos bem alteradas. Eu, principalmente. Afinal, eu nunca tinha bebido. - EMILIO NARRANDO –Eu, sinceramente, não gosto muito dessas brincadeiras de apostar quem pega mais. O Dudu sempre ganha. Puxei Matheus comigo e Dudu puxou o Hector com ele. Cada um foi para um canto para começar a aposta. Eu e Matheus começamos a beber. Assim, teríamos mais coragem para chegar nas meninas. Cerca de meia hora se passou e eu e Matheus ainda estávamos no zero a zero. Encontramos Dudu e Hector, que também estavam no zero a zero.- Pô mano, se continuar assim, todo mundo vai ter que pegar a mais baranga da festa. – disse Dudu. Ele já estava bêbado. Mas quem sou eu para julgá-lo? Eu também tô. Mas eu tô bem consciente, disso eu tenho certeza.- Vamos ao ataque Matheus. – e o puxei. Quando estava saindo, trombei na Duda, que quase caiu.- E AÍ IRMÃOZÃO GOSTOSO. – ela gritava. Bêbada, bêbada, bêbada. Pelo menos estava acompanhada pela Yasmin.- FALA DUDA GOSTOSA. – é, eu também estou.E AÍ MATHEUS GOSTOSO. – ela mordeu o lábio. – YASMIN, CUNHAAADA, BEIJA MEU IRMÃO GATÃO?- CLARO. – ô meu Deus, até a Yasmin tá bêbada. Bêbada e linda. Quando eu a vi, não resisti e a beijei.Quando terminei o beijo, Matheus e Duda estavam se pegando, tomara que o Dudu não tenha visto isso.Puxei o Matheus para que fôssemos para outro lado. Dessa vez encontramos Yara e Júlia.- OI MATHEUS. – Júlia sorriu para ele, bêbada também. Oi, eu existo sabia? – pensei comigo.- Oi Júlia. – Matheus sorriu e a beijou. Eu não iria beijar Yara, ela é irmã da Yasmin, seria sacanagem.- NÃO PRECISA ME BEIJAR NÃO TÁ? – gritou Yara.- Tá. – eu sorri. Tá todo mundo bêbado hoje, Deus nos perdoe.Puxei o Matheus novamente.- Parabéns mano, duas já. – batia no ombro dele.- E VOCÊ SÓ UMA. – ele gritou e começou a rir escandalosamente. É, acho que eu sou o mais normal dessa festa.Comecei a procurar pelo Hector e pelo Dudu. Acabei trombando com duas meninas da minha sala, a Letícia e a Marcela.- OI MENINAS. – disse Matheus. Que guri pra frente, mano. Essas são minhas.- Oi. – elas disseram em coro.Eu puxei Letícia e a beijei. Argh. Que beijo ruim. Parei rapidinho e quando olhei para o lado, Matheus estava beijando a Marcela. Eu o puxei.- VIU SÓ MANO?! – ele disse empolgado – TÔ ATÉ PEGANDO MENINA MAIS VELHA.- Parabéns. – falei ironicamente. Encontramos Dudu e Hector.- Eu peguei duas e o Matheus pegou três. – os informei.- Eu peguei uma e o Dudu não pegou ninguém. – avisou Hector.- COMO ASSIM NINGUÉM? – Matheus disse e começou a rir.- Não me interessei por ninguém. – ele revirou os olhos. – Quem vocês pegaram?- Eu peguei a Yasmin e a Letícia, da minha sala. – falei com nojo, me lembrando do beijo ruim da Letícia.- EU PEGUEI A DUDA, A JÚLIA E A MARCELA MANO – Matheus gritava – MAIS VELHA QUE EU. – completou ele.Dudu fechou a cara e saiu da roda.- Eu peguei a Yara. – falou Hector e saiu correndo atrás do Dudu. - DUDU NARRANDO –Fui andar com o Hector. As primeiras que nós encontramos, foram a Júlia e a Yara. Elas estavam totalmente bêbadas, tropeçando uma na outra.- OI GATOS. – saudaram as duas.- OI. – saudamos juntos.Hector e eu não éramos tão atirados, então ficamos conversando um pouco com elas, e elas contaram da brincadeira do vira-vira. Rimos muito das duas.Por fim ele grudou na Yara, mas eu não quis pegar a Júlia. Já tinha visto o Matheus pegando ela. Depois que Hector terminou de beijá-la, eu o puxei.- Mano, eu não quero mais participar disso. – reclamei.- QUER SIM. – ele me deu um copo. – Bebe aí que você melhora.Eu peguei o copo dele e virei. Senti um gosto horrível mais bebi tudo.- O que tinha nisso? – perguntei.- VODKA, SUCO E CERVEJA. – ele me puxou. – VAMOS LÁ BUSCAR MAIS?- BORA. – eu já estava começando a ficar alegre.Bebemos mais um pouco e encontramos os outros meninos.- Eu peguei duas e o Matheus pegou três. – Emílio nos informou.- Eu peguei uma e o Dudu não pegou ninguém. – avisou Hector.- COMO ASSIM NINGUÉM? – Matheus disse e começou a rir.- Não me interessei por ninguém. – revirei os olhos. – Quem vocês pegaram?- Eu peguei a Yasmin e a Letícia, da minha sala. – Emílio disse com nojo.- EU PEGUEI A DUDA, A JÚLIA E A MARCELA MANO – Matheus gritava – MAIS VELHA QUE EU. – completou ele.Fechei a cara e saí da roda. Então a Duda pegou o Matheus? – pensei comigo. Agora ela vai ver, vou passar o rodo nessa festa. E tô nem aí se eu vou pegar baba de alguém.- ONDE VOCÊ TÁ INDO? – gritou Hector me segurando pelo braço.- Pegar uma bebida e pegar uma menina depois.- BOTO FÉ. – gritou ele. Fomos até o freezer e eu preparei a mesma dose que Hector tinha me dado antes, vodka, suco e cerveja. Virei de uma vez, comecei a ficar tonto. Ótimo. O puxei pela camisa e disse:- Agora se você não se importa. Quero andar sozinho ok? Não quero ninguém me seguindo. Se quiser ficar me olhando pra vê se eu peguei alguém mesmo, pode olhar, só não fica perto.- Tá bom mano. – ele me deu um tapa no braço e saiu.Encontrei Yara.- Oi. – a segurei pela cintura.- OI DUDU GATO. – ela sorriu e eu a beijei.Senti alguém puxando a minha camiseta e parei de beijá-la. Quando me virei, até assustei, era a Mary.- Oi Dudu. – ela disse triste.- Oi Mary. – eu falei sem graça.Me virei para olhar a Yara, e ela já tinha sumido. Por que estava beijando aquela menina? – ela perguntou.- Porque eu pensei que ela era você. – menti e a beijei.Enquanto eu a beijava, senti que alguém a puxou e parei o beijo.- Que foi? – ela resmungou. Eram Paola e Beatriz.- Argh. Você trouxe suas seguidoras com você. – resmunguei.- Eu não saio sem elas. – respondeu sorridente.Nessa mesma hora Hector e Matheus chegaram na roda.- ENCONTRO DE EX? – gritou Matheus. Ele e Hector riram.Realmente era um encontro de ex. Matheus atacou Paola, Hector atacou Beatriz, e eu, novamente, ataquei a Mary.- Agora chega. – bufei e saí de perto delas. Matheus e Hector vieram atrás de mim.- CADÊ O EMÍLIO? – perguntou Matheus.- Quem tava andando com ele era você, mano. – falei.- VERDADE. – ele gritou e riu de novo.- GALEEERA, SACA SÓ ESSA FOTO. – Emílio chegou na roda, segurando a máquina dele nas mãos.Quando olhei a foto, fiquei com raiva. Na foto estava eu beijando a Mary, o Matheus beijando a Paola e o Hector beijando a Beatriz.- Ah, pra que isso mano? – reclamei.- POOOOOXA, UMA RECORDAÇÃO DO FLASHBACK DE VOCÊS. – Emílio riu.- APAGA ISSO. – reclamou Matheus.- Apaga mesmo. – disse e saí de perto deles.Quando estava saindo, encontrei o Victor.- VICTOR – gritei. – ACHEI QUE VOCÊ NÃO VINHA.- Pois é. Eu não vinha mesmo. – ele me cumprimentou com um toque de mãos. – Resolvi de ultima hora.- Chegou que horas? – perguntei. – Quem abriu o portão pra você? - DUDA NARRANDO –Confesso que já estava muito louca. Pra quem nunca tinha bebido na vida, eu estava exagerando na dose. Já tinha visto o Dudu beijando a Yara e a nojenta da Mary, já tinha ficado com o Matheus e não estava tão mal assim na aposta. Então resolvi ir até a cozinha procurar algo doce para comer, já que lá fora só tinha carne e mais carne.Estava tomando uma taça de sorvete, quando o interfone tocou. Ao invés de atender, resolvi ir até o portão.- QUEM É VOCÊ? – gritei, não reconhecendo o ser que estava lá fora.- O Victor, Duda. Lembra de mim? – perguntou ele.- CLARO. – gritei e abri o portão.Ele estava lindo. Ou estava bêbada demais e o enxerguei mais bonito que o normal. Tanto faz. O beijei. Foi um beijo bom. E o segundo da noite. Perder a aposta pelo menos, eu não ia.- SEJA BEM VINDO! – gritei e voltei para a cozinha.Terminei de tomar meu sorvete. Cerca de cinco minutos se passaram e Dudu apareceu lá na cozinha, revolts.- JÁ CHEGA! – ele gritou.- A festa mal começou. – disse com a boca cheia de sorvete.- NÃO TÔ FALANDO DISSO, SUA IDIOTA, TÔ FALANDO DE VOCÊ, PEGANDO MEUS AMIGOS. – ele veio pra cima de mim como se fosse me bater.- EI, VOCÊ ENLOUQUECEU? – quem ficou revolts agora, fui eu. Quem ele pensa que é pra me chamar de idiota? Idiota é ele.- NÃO. QUEM ENLOUQUECEU FOI VOCÊ. – ele falava cada vez mais alto.- EU NÃO SOU SURDA SABIA? – gritei mais alto ainda.Ele se aproximou mais e puxou meu cabelo com força, deixando seu rosto a poucos centímetros de distancia do meu.- Não quero ver você pegando mais nenhum amigo meu. – ele me soltou e saiu.QUE RAIVA! Quem ele pensa que é? Ele faz apostas com os amigos dele, eu também posso fazer aposta com as minhas amigas. Terminei de tomar meu sorvete e fui até o freezer. Enchi mais um copo. Agora não quero mais saber, eu quero é ficar mais louca que todo mundo nessa festa.- E AÍ GATAS?! – saudei quando encontrei as meninas – COMO ANDA A APOSTA?- Eu peguei dois. – falou Yara.- Eu peguei só um. – respondeu Beatriz, toda triste.- Eu também só peguei um. – disseram Yasmin e Júlia ao mesmo tempo.- E VOCÊ? – as quatro perguntaram empolgadas.- DOIS. – gritei. – Peguei o Victor agorinha. – e ri.- DANAAAAADA! – gritou Yara. – Quero brincar de vira-vira de novo, vamos?- VAMOOOS. – respondemos todas juntas.Fizemos mais algumas rodadas, até que todas nós já estávamos muito loucas.- GENTE, HOJE VOCÊS NÃO SE IMPORTAM DE PEGAR O MESMO MENINO QUE A OUTRA PEGOU NÉ? – perguntou Júlia.
- EU NÃO ME IMPORTO. QUEM QUISER PEGAR O VICTOR E O MATHEUS, FICA A VONTADE. – respondi.Depois puxei Júlia comigo. Saímos cambaleando. Uma mais louca que a outra. OOI. – saudei quando encontrei Hector e Emílio.- OI GATAS. – os dois disseram juntos.Hector se aproximou de mim e me beijou. Ótimo. Nem precisei pedir. E o Emílio beijou a Júlia. Fechamos mais um bloco. – eu ria por dentro.Depois puxei a Júlia novamente.- AMIGAAA, SEU IRMÃO BEIJA MUITO BEM. – ela sorria.- Eu imagino. – pensei alto.Andamos mais um pouco e eu trombei com alguém que me fez cair no chão. Desse jeito eu ia quebrar meu outro braço.- DESCULPA, MEU AMOR. – era o Matheus.Agora ferrou tudo, eu já o beijei hoje, a Júlia também. Quem será que ele vai escolher?E antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele me deu um beijo daqueles. Ele me pegou no colo. Eu coloquei minhas pernas em volta da cintura dele para que eu não caísse e passei meus braços por cima do ombro dele. O beijo durou cerca de três músicas. Estava tudo muito perfeito, eu nem pensava em abrir os olhos, por mim, continuava assim.Até que o Matheus, que já estava um pouco bêbado, desequilibrou e nós dois caímos no chão. Pra minha sorte, eu caí em cima dele, então nem me machuquei. Começamos a rir.- BONITOOO! – gritava Dudu e batia palmas.Eu fiquei séria na hora. Agora o circo ia pegar fogo.- Dudu, calma. – Júlia tentava acalmá-lo. Mas foi em vão.- TODO MUNDO VAI EMBORA AGORA! – ele apontava para o portão. – A FESTA ACABOU.Ele foi até o som e desligou.- MANO, PARA COM ISSO. – Emilio foi até ele.- FIM DE FESTA, MANO. ACABOU. JÁ SÃO QUATRO DA MANHÃ E AS CINCO MEUS PAIS CHEGAM. FIM DE FESTA. – ele subiu em cima da mesa e gritou de novo. – FIM DE FESTA. Os convidados começaram a ir embora, todos com a cabeça abaixada e sem entender o escândalo que o Dudu estava fazendo. Matheus me beijou na testa e sussurrou um pedido de desculpas. Eu me sentei no chão e fiquei ali esperando que todos fossem embora. As meninas passaram por mim e me deram um beijo no rosto cada uma. Os meninos se despediram do Dudu e do Emílio numa boa e disseram que iam conversar depois.Até que em poucos minutos, restaram apenas eu, sentada no chão; Emílio com os braços cruzados, parado próximo a churrasqueira; e Dudu, em cima da mesa.Emílio veio até mim e me levantou. Eu não consegui parar em pé e caí de novo.- DUDA! – gritou Emílio. – PELO AMOR DE DEUS, FICA BEM.- ISSO QUE DÁ BEBER DEMAIS. – gritava Dudu.Argh. Que raiva.- Eu tô bem Emílio. – sussurrei. – Só estou sem condições de andar no momento.- Tudo bem, eu te levo pro quarto. – ele me pegou no colo e me carregou até o quarto.Eu não conseguia abrir os olhos, tudo rodava, eu estava muito tonta. Pelo menos eu estava consciente de tudo que estava acontecendo. Eu acho.
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