Caindo
1 Capítulo único- Despedidas
Notas iniciais
Minha primeira One que posto, espero que goste
Era para ser um dia comum, acordar, se arrumar, tomar o café, talvez assistir um pouco de televisão, com aqueles jornais e previsões do tempo, e sair, ir para o trabalho, porém, não foi assim...
Acordei um pouco mais cedo do que de costume, levantei sentindo o peso do mundo em minhas costas, sabia que não devia ter ido dormir tão tarde e bebido tanto de vodka misturado com tequila, meu estômago embrulhava e sentia vontade de vomitar, mas a garganta estava tão seca que isso era praticamente impossível, a luz fazia minha cabeça latejar, mais do que já doía. Fiz a programação diária, tomei um banho, me arrumei e fiz o café, mas a televisão estava desligada, não precisava saber as notícias e muito menos a previsão do tempo, já sabia o que ia acontecer e o tempo estava comum, sol, nuvens, calor, era tudo o que precisava. Deixei meu celular no balcão, ainda estava de chinelo, mas, arrumada para sair, e fui o que fiz, abri a porta do apartamento e sai, e pensei em nunca mais voltar para aquele cubículo que eu alugo, dinheiro mal usado, podia fazer tantas coisas com meu pequeno salário, mas, alugar um apartamento foi uma boa idéia, na época. Na época que morava com minhas amigas, e achava que morar sozinha era bem melhor, meu banheiro e minha comida, mas agora percebo que o banheiro ficou sem graça e a comida sempre estraga, mas crescer e amadurecer tem seus contras, acho que foi isso. Subi no elevador, com aquela música irritante de sempre, nunca gostei daquilo, mas hoje parecia um pouco mais agradável, deve ser porque é o último dia que ando nele, subi até o último andar, que parecia nunca acabar um prédio em São Paulo sempre tem bastantes andares, e esse não era diferente, e aquilo que parecia não chegar, chegou. Andei em passos lentos e calculados, já pensando há dias, e com um pouco de coragem que me faltava subi no parapeito, e olhei aquilo que chamavam de cidade, aquilo que chamavam de humanidade, aquilo que era sociedade, tudo corrido e já intencionados, pessoas correndo, talvez para o trabalho, escola ou algo do tipo, nenhuma daqueles ali, tinha um sorriso no rosto, por quê ? Por que sempre foi tão difícil ser feliz? A pressão, a vida, a formula mágica da felicidade que eu nunca encontrei, acho que nunca fui escolhida, pronta, ou talvez a certa para ter essa formula, porque é tão complicado mover uns músculo do rosto, dizer que isso é só uma fase, uma coisa difícil da vida, que logo passa, daqui a pouco iria ganhar uma promoção, encontrar alguém, ter filhos, bom, acho que esperei por tudo isso, mas não ganhei nada, não encontrei ninguém, e nem tive filhos, mas, "há outras formas de felicidades" bom, se tem nunca encontrei. Acho que esse é o ponto forte, não ser feliz, não encontrar algo que faça a vida valer a pena, faça algo para querer acordar todos os dias de manhã e falar que hoje o dia será bom, não me lembro o último dia que fui feliz, que valeu a pena esse dia aconteceu, 5 anos de idade, foi um único dia que soube o porque viver, e hoje em dia, poderia ter 5 anos o resto da vida, viver aquele dia novamente, sempre tento, mas não. Não posso ter um dia feliz, o mundo não deixa, a vida impede. A árvore que estava do outro lado da rua, me fazia sombra, mas parecia que só eu me importava para aquilo, todo mundo pouco ligava se a árvore estava ali ou não ou só fazia sombra, ninguém se importava se eu iria cair ou não, se eu estou naquela sacada ou não, se eu estava feliz ou não, se eu estava vivendo ou apenas existindo. —Moça, saí da sacada — Disse uma voz poucos metros dali, me fazendo acordar dos meus pensamentos- Você é muito nova pra brincar de morrer. —O que você sabe de mim? — Perguntei sem olhar para ele —Me diz o que há?-insistiu — O que que a vida aprontou, dessa vez ? .- Finalmente olhei para ele, tinha uma cara cansada, um pouco de olheira e usava uma roupa amarrotada —A vida? — Dei uma risada irônica — Que vida? — Questionei —Venha, desce dai — Por quê? Por que descer? Por que tentar viver? —Deixa eu te levar pra um café? — O que aquele cara está querendo? Café? ri novamente da cara dele -Pra conversar, te ouvir, e tentar te convencer ? — Ele realmente esperava que eu respondesse —Somos programados pra cair — disse por fim —Moça, não olha para baixo, ai é muito alto para você se jogar- Comentou- Vou te ouvir e tentar te convencer. —Convencer a que? Não me jogar? — As lágrimas caiam agora, as lágrimas que sempre tentei segurar, finalmente caiam — Não importa mais, não tem o porquê me importar. E em poucos segundos ele me segurou, um cara, uma pessoa, um alguém me segurou, enquanto todos os fios que havia em mim se arrebentavam um por vez e aos poucos podia ouvir o barulho deles se soltando de mim, e as lágrimas, uma por uma saiam, enquanto todos os fios se arrebentavam, as lágrimas caiam, um a um, sem parar e sem querer parar. Quando me vi, lembrei de quem sou eu e o que estava fazendo, percebi o que aconteceu, já tinha saído do parapeito, estava na sacada, sentada no chão, um chão granulado de concreto, duro, e senti algo ao meu lado, um homem, da minha idade, talvez um pouco mais velho, um ano ou dois, estava com uma blusa azul, e calça jeans, tinha um rosto bonito, uma barba para fazer , um pouco cansado, me olhava com um tom sério e meio assustador, me lembrava ao poucos quem era, já tinha o visto em algumas vezes, era meu vizinho, que sempre chegava em casa tarde e fazia todos brigarem com ele, ás vezes bebia de mais ou deixava o som ligado até altas horas da noite, nunca reclamei dele, às vezes via sentido no que ele fazia, ele deu um meio sorriso e me ajudou levantar e por fim disse.
—Café?
Notas finais
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Obrigada
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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