Café Littlebird
1 Café Littlebird
Kato Haru poderia dizer que era uma pessoa discreta, focada no trabalho e com um senso de justiça aguçado. Decidiu tornar-se detetive porque acreditava que naquele departamento ajudaria as pessoas e daria segurança a sociedade do único jeito que ele tinha acesso.
Seu coração muitas vezes o guiou a caminhos que ele achava o correto, mas sempre agindo de forma coerente e seguindo as leis.
Tudo havia mudado quando aquele homem chegou em sua vida, mudou a rotina do departamento de investigação e seus dias pareceram ainda mais caóticos.
— A fila andou. — Reclamou o homem atrás dele e Haru piscou olhando o grande espaço na sua frente.
— De-desculpe. — Ele moveu a cabeça, num singelo pedido de desculpas. Estava imerso em seus pensamentos que não percebeu a fila da cafeteria. Havia saído do departamento para comprar o seu café, pois precisava espairecer. Tomar um ar e evitar de ficar mais irritado do que já estava na companhia do colega de trabalho.
Faltava duas pessoas para serem atendidas, quando alguém parou ao lado de Haru. Ele sentiu a presença daquele homem, pois o cheiro de seu perfume era incrivelmente único e característico de sua personalidade.
Kato virou-se e viu Kambe Daisuke parado ao seu lado, olhando para o menu preso no alto da parede.
— O que está fazendo aqui? — Haru perguntou, com um tom de voz impaciente. Ele voltou a olhar para a frente, mas o silêncio de Daisuke o irritava profundamente. — Se quer comprar café, vá para o final da fila, como todas as pessoas.
Haru sentiu-se um pouco vitorioso por ter dito aquelas palavras, quem aquele detetive pensava que era? Só porque possuía dinheiro não queria dizer que ele poderia agir com essa falta de educação. As pessoas deveriam ser tratadas de formas iguais. E com um sorriso, ele cruzou os braços e olhou Daisuke, mas esse não parecia preocupado. Ele havia colocado os óculos escuro, e falava com alguém pelo bluetooth.
— Sim! 3-12-3-2F Seiwa Ikea, Café Littlebird.
O perfume dele ainda se destacava mesmo dentro da cafeteria e do aroma de café que pairava no ar.
Assim que Kambe colocou os óculos escuros no bolso do paletó, houve uma movimentação do outro lado do balcão, e um homem corpulento e baixinho pulava animado, atirando o avental para cima. Ele pulou o balcão e fez uma dancinha exótica no meio dos cliente, falando que iria viajar para alguma ilha paradisíaca. Ninguém estava entendendo nada do que acontecia.
Haru estranhou aquela atitude, e depois viu que Daisuke havia se aproximado do balcão.
Kato ficou indignado com a forma como ele ignorava as outras pessoas.
— Hey! Eu disse para você ir para o final da fila, não tem vergonha de furar a fila? As pessoas chegaram aqui antes. — Haru voltou a se incomodar com a atitude de Daisuke, mas não recebeu nem um olhar do colega. — Estou falando com você.
Daisuke ergueu a mão e sua atenção não saiu o rosto da atendente que segurava o telefone, gaguejando. Haru não estava entendendo mesmo o que acontecia ali.
— Senhor, o senhor é Kambe Daisuke? — Ela perguntou, visivelmente emocionada com o fim da ligação.
— Sim, você é Hori Mariko?
— Sim, senhor.
— Muito bem, você será a nova gerente do estabelecimento. — Daisuke disse, de forma séria e tranquila. — Por favor, trate bem meu colega, ele é detetive e não tem tempo a perder em filas de cafeteria.
— Sim, senhor, como quiser. — Ela apressou o trabalho e pediu para Haru se aproximar e informar qual a sua bebida.
Haru ficou surpreso, mas logo pediu o café de sempre. A bebida nunca foi preparada com tanta velocidade. E o gosto também estava excepcional. A atendente ofereceu também bolinhos e doces. Além disso, o valor de seu café já havia sido pago.
— O senhor é nosso cliente especial, não precisa pagar nenhum valor daqui em diante.
— Como é? — Haru ficou aturdido, não sabendo como lidar com aquela situação.
Kambe havia comprado a cafeteria? Ele balançou a cabeça, não poderia ser.
Ao sair da cafeteria, Haru encontrou Daisuke parado na calçada.
— Vamos? — Daisuke falou, entrando no carro esporte.
— Eu posso muito bem ir a pé para o departamento. — Haru virou o rosto, sentindo o rosto corar com a atenção que recebia de Daisuke.
— Temos um chamado urgente, enquanto você estava nessa fila enorme, perdemos alguns minutos que poderiam ter sido evitado se não tivesse deixado o departamento.
— Você não pode me obrigar a ficar lá dentro para sempre. — Haru disse, entrando no carro pela outra porta. O copo de café ainda em suas mãos estava bem quente. — E eu gosto do café daqui.
— Sim, eu sei disso. — Foi a única coisa que ele disse, antes de dar partida no carro.
Haru girou os olhos.
Não é possível que ele comprou uma cafeteria apenas porque eu fiquei muito tempo na fila.
Daisuke sorriu, levemente e Haru apertou os lábios, por um momento achou até que o detetive podia ouvir seus pensamentos.
Sua rotina havia mudado, é verdade. E as coisas não seriam mais como eram antes de Daisuke entrar em sua vida.
Notas finais
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