Notas iniciais
Olá pessoal. Bia postando de novo. A Mila vai ter um compromisso hoje aí pra o capítulo não atrasar estou postando, mas a Mila é quem vai responder aos reviews desse capítulo. Muito obrigada todos pelos comentários. Estou atualizando rapidinho antes de ir pra aula e por isso não vou poder colar o nome de todos, mas agradecemos de coração a cada um. Sem mais enrolação, vamos ao capítulo de hoje.

Quando Damien levantou, o dia ainda nem havia clareado.

Ele olhou para Taylor, que ainda dormia, e se perguntou mais uma vez se aquilo era um sonho. Aquele final de semana havia sido perfeito! Quer dizer, quase perfeito. Se não fosse a maldita febre que quase não cedeu e o atormentou durante todo o domingo, necessitando de uso de remédios e frequentes exames físicos do namorado, tudo teria sido como um sonho.

Taylor havia passado o final de semana lá, eles haviam feito as pazes, namoraram muito e o médico aceitou a voltar a morar com ele. Ah, e o café! Como se esquecer do café.

Agora Damien encontrava-se quase totalmente recuperado da gripe e estava indo buscar Fubá na casa de Sam. O loiro havia voltado no dia anterior, mas já era tarde e o ruivo não conseguiu inventar uma desculpa para ir até lá pegar o filhote. Então, o jeito foi acordar antes de Taylor na segunda-feira, já que Damien queria fazer uma surpresa para o médico e, como ele costumava acordar com o galo cantando, o ruivo teve que levantar muito, muito, muito cedo. Mas valeria à pena pela cara de Taylor quando ele acordasse e visse o filhote.

Quando chegou à casa de Sam, o ruivo tocou a campainha uma, duas, três vezes e nada. Resolveu ligar para o loiro e foi atendido após quatro tentativas.

— Vim buscar o Fubá. – Avisou e Sam resmungou algo indecifrável no telefone.

Depois de uns cinco minutos o loiro apareceu, mancando.

— O que aconteceu com você? Parece que um trator passou por cima! – Damien perguntou exasperado. – O John não tentou te matar passando o trator por cima de você não, né? Se tentou eu vou lá quebrar a cara daquele idiota!

— É claro que não! Que diabos, por que você veio aqui tão cedo? Podia buscar o Fubá mais tarde, no horário em que as pessoas normais acordam. – Falou, querendo desviar do assunto “John”. O que Damien falaria quando descobrisse que estavam namorando? Ele odiava John porque ele sempre o maltratava e, de repente, aparecia com ele como seu namorado?! Damien tentaria interná-lo. – Entra, ele ‘tá dormindo na caminha dele lá dentro.

— Eu vou fazer uma surpresa para o Taylor. – Damien explicou enquanto o acompanhava, mas Sam mancando daquele jeito estava deixando-o angustiado, então ele pegou o loiro no colo e o levou para dentro, colocando-o sentado no sofá. – Nós... Hum, nós conversamos e... Meio que nos entendemos. Vou dar o Fubá de presente pra ele. – Disse todo tímido. Não por vergonha de admitir que estava com Taylor, mas porque era a primeira vez que estava realmente sério em relação a alguém. – Vou colocar o Fubá na cama antes que ele acorde e como ele levanta de madrugada...

— Eu sabia! – Sam exclamou e riu de uma maneira parecida com a dos vilões da Disney quando concretizam um plano maléfico. – Sabia que meu plano iria funcionar! E que fofo você dar um novo Fubá para ele de surpresa. Muito, muito lindo. Agora, pegue o cão e chispe daqui. Eu quero voltar para minha cama, ela está lá carente e chamando por mim. “Sam...! Sam...!” Está escutando? – O loiro fingiu que alguém o chamava.

Damien riu enquanto pegava Fubá no colo. Aí percebeu que havia algo de errado com o bichinho.

— Ele está cheio de carrapatos, Samson! – Gritou irado.

— Shhhhh! Você quer acordar minha mãe?! – Reclamou o loiro, pedindo silêncio. – Ele foi pra um rancho no meio do mato, Damien! Você queria o quê? Que ele voltasse cheirando a rosas? Leve-o num petshop. Tem aquele da Liz e da Alicia. Ah, espera, a Alicia te odeia desde que você levou ela pra cama, deixou ela louquinha por você e depois deu no pé. – Sam riu, mas se segurou após ver a expressão irritada do ruivo. Abanou a mão. – Ora, vamos, aposto que o Taylor nem vai dar por conta de uns carrapatozinhos e pega-pegas...

Damien grunhiu.

— Eu vou ter que entregar desse jeito mesmo. Mais tarde levo ele no pet shop onde eu comprei ele. O dono de lá é um homem e não me odeia. Pelo menos não que eu saiba... Será que eu peguei a mulher que ele queria? – O ruivo começou a divagar e acabou chutado para fora da casa pelo loiro. – E eu vou querer saber como você ficou todo arrebentado desse jeito... – Sam fechou a porta na cara dele sem a menor cerimônia.

Damien voltou para casa enquanto Fubá continuava dormindo como se nada tivesse acontecido. Ao chegar em casa, ele conseguiu tirar uns dois carrapatos e vários pega-pegas do pelo do filhote, colocou a coleirinha em volta do pescoço dele e depois o enfiou embaixo das cobertas da cama onde Taylor ainda dormia profundamente.

Agora era só esperar o médico acordar.

XxxX

Taylor acordou sentindo lambidas em sua mão. Ele achou estranho. Damien não teria um fetiche tão bizarro quanto esse, certo? Ele bocejou e abriu os olhos, afastando as cobertas. Seus olhos cresceram e um sorriso tomou seu rosto enquanto processava a imagem do cachorrinho peludo e fofo balançando o rabo e lambendo seus dedos.

— Fubá! – Exclamou e o pegou, erguendo-o no ar. O cãozinho soltou um latidinho fino, de filhote, e a coleirinha com o nome “Fubá” tilintou. Taylor percebeu que não era o mesmo Fubá de antes, pois era muito mais filhotinho, porém seu coração se aqueceu de qualquer forma. – Awn, que bebê lindo. – Aproximou ele de seu rosto, e o cachorrinho começou a lhe lamber a bochecha.

— Ok, fui trocado por um cachorro. Me dá. Vou devolver esse troço pro pet shop. – Damien fez drama, mas seu coração estava batendo tão forte por causa do sorriso de Taylor que o ruivo estava com medo que o médico pudesse escutar mesmo de longe.

— Não! – Taylor riu e se sentou, aninhando o cachorrinho contra seu peito. Não conseguia parar de sorrir. Tocou o rosto do ruivo com carinho. – Você comprou ele para mim? Quando?

Damien fechou os olhos enquanto empurrava mais o rosto contra a mão do médico para aumentar o carinho.

— Logo depois que a dona do Fubá apareceu. Eu fui no pet shop e eles disseram que teriam uma ninhada e eu encomendei um. Ele foi trazido na manhã seguinte em que você saiu de casa... Pensei em devolver, mas... Ele meio que se tornou minha companhia. Aí esse final de semana eu pedi ao Sam para cuidar dele porque não estava em condições e você veio, nós estamos bem e eu fui buscá-lo bem cedinho na casa do Sam para fazer uma surpresa.

Taylor ficou um segundo sem reação. Depois ele se aproximou e abraçou forte o ruivo, quase se esquecendo de Fubá e esmagando o cachorrinho entre os dois. Fubá aproveitou para lamber loucamente o pescoço de ambos.

— Eu não deveria ter saído de casa. Devia ter esperado um pouco para conversarmos com calma. Desculpe. – Disse emocionado. Damien havia lhe comprado o cachorrinho antes de estarem juntos, apenas para vê-lo feliz. E isso que o ruivo nem parecia ser o mais fã de cachorros sob o mesmo teto que ele. – Eu não quero sair nunca mais dessa casa.

Damien o abraçou de volta, nem se importando com as lambidas do cachorro no seu pescoço. Podia não admitir, mas aquela bola de pelo já era parte da família.

— Isso é um pedido de casamento? – O ruivo murmurou enquanto deslizava as mãos pelas costas dele.

Taylor riu contra o pescoço do ruivo.

— Um pouco cedo pra isso, quem sabe mais adiante? – Sugeriu bem humorado e se afastou. – Você vai na academia comigo hoje? – Perguntou se levantando com Fubá ainda no colo. – Preciso me apressar ou perco o horário. A Alicia, sabe a Alicia? Marcou uma consulta pra hoje cedo. Não que seja oficial, mas ela comentou que passaria cedinho. – Taylor largou Fubá e foi para o banheiro escovar os dentes.

Damien fez uma careta quando Taylor falou o nome da mulher. Bem, o médico iria atender muitas e muitas mulheres que o odiavam e que queriam vê-lo com o pinto murcho pelo resto da vida, então o ruivo teria que se acostumar com isso. Com certeza era melhor guardar a informação de que sim, ele sabia quem era Alicia, porque Taylor não iria gostar nadinha de saber quão bem a conhecia.

— Eu ainda estou me sentindo um pouco mole. Talvez amanhã. Além disso, tenho que levar o Fubá no pet shop. O Sam o devolveu cheio de carrapatos. Aliás, o Sam ‘tá todo quebrado. Acho que o John tentou passar com o trator por cima dele e ele ‘tá com medo de me contar. – Comentou.

— Tem razão, é melhor você descansar mais um ou dois dias. – Taylor falou, escovando os dentes. Depois que terminou, voltou para o quarto e deu um beijo no ruivo. – Vou deixar o café pronto lá para você. Volte a dormir. – Sorriu e o beijou de novo, de leve. – Volto para o almoço. Vou tentar descobrir o que aconteceu com o Sam.

— Café! – Damien exclamou com os olhos brilhando e puxou Taylor pela cintura antes que ele saísse do quarto e o beijou com vontade, enquanto o apertava junto ao próprio corpo até sentir o médico se abandonar em seus braços. – Agradecendo o café. – Murmurou com os lábios quase colados aos dele.

Taylor riu e voltou a beijá-lo, abraçando-o. Precisava ficar na ponta dos pés para que seus lábios ficassem na mesma altura, ou perto disso. Mas ele gostava de sentir-se abraçado por um homem maior e mais forte. Céus, e pensar que em sua última relação, ele era o mais alto.

— Assim nunca vou deixar de fazer café pra você. É seu plano, não é? – Perguntou ao final do beijo, seus olhos ainda levemente fechados e um sorriso que não mostrava os dentes.

— Você me pegou. – Damien disse fingindo culpa, mas aí ele se lembrou de algo pelo qual ele realmente era culpado e resolveu jogar logo a bomba enquanto Taylor estava todo feliz por causa do Fubá. – Hum, tem só uma coisa que eu não contei pra você... E é melhor eu contar porque vai que você descobre, fica zangado comigo e sai de casa de novo... – Fez uma pequena pausa. – Eu paguei os caras da obra na clínica para que eles atrasassem a entrega o máximo que desse. – Disse num fôlego só.

Taylor demorou um pouco para processar aquilo. Talvez fosse o sono. Seus olhos se arregalaram lentamente.

— Você o quê?! – Ele se soltou do abraço e olhou ainda perplexo para o ruivo. – Quando você fez isso? Por quê?

Damien coçou a nuca sentindo que todo o momento tinha sido arruinado.

— Foi quando a Charlie ficou doente... Eu surtei pra cima de você por causa do meu problema com médicos e você disse que ia sair de casa. – Encolheu os ombros. – Eu estava confuso com que estava sentindo por você e não queria que você fosse... Aí paguei para atrasar a obra. Eu sei que foi errado, mas mesmo naquele tempo eu não queria ficar longe de você. E se eu estou contando agora é porque não quero que aconteça algum outro mal entendido entre nós. Não estou escondendo mais nada. Contei tudo.

Taylor suspirou. Aquele atraso na obra havia lhe dado umas boas dores de cabeça, principalmente porque o problema com a encanação repercutiu no andar de baixo e era um horror para usar o banheiro, ou lavar as mãos antes de examinar os pacientes. Houve momentos em que ele e Sam tiveram de ir na confeitaria na mesma quadra e comprar alguma coisa apenas para usar o banheiro.

Por outro lado, era tão fofo ouvir Damien falar que, mesmo antes, já o queria por perto.

Taylor se aproximou e tocou o rosto do ruivo com ambas as mãos.

— Tudo bem. Não estou brabo. Apenas... Não faça mais esse tipo de coisa. Vamos sempre conversar para não brigarmos. E se brigarmos, vamos conversar depois da briga, quando nós dois estivermos calmos. – O beijou suavemente nos lábios. – Eu não queria ir embora de verdade daquela vez, de qualquer forma. – Admitiu baixinho rente à boca dele.

— Você tem certeza de que não está me pedindo em casamento? – Damien perguntou com o braço firme em volta da cintura dele. – Até “filho” a gente já tem. – Indicou Fubá que estava esparramado na cama.

— Hm... – Taylor fez, abraçando-o de volta e aspirando o aroma do pescoço do ruivo. – Quem sabe...? Vou pensar no seu caso. – Brincou e, dando um beijo na curva do ombro dele, se despediu de novo. – Preciso ir. Se comporte. E você também, pequeninho. – Riu quando Fubá latiu da cama.

Damien não queria deixá-lo ir, mas não tinha muita opção naquele momento. Se Taylor chegasse atrasado na clinica, iria matá-lo por isso ou pior... Negar café... Ou pior ainda! Negar beijos! Damien não conseguia decidir qual dos castigos era pior.

Ele acabou voltando para cama e adormeceu de novo. Fubá ficou por lá dando pulinhos até cansar e dormir também. Quando o ruivo levantou, algumas horas depois, foi direto para a cozinha, pegou a garrafa térmica e se sentou diante da televisão. Ele estava todo feliz levando a xícara aos lábios quando a campainha tocou.

— Se for o Carl... Com os pirralhinhos... – Damien resmungou enquanto ia atender. – Merda... Era melhor que fosse a pirralhada toda do orfanato! – Exclamou ao ver quem era.

— DAMIEN! – Gabrielle, a editora responsável pelo seu seriado, gritou e já foi entrando na casa do ruivo sem nem ao menos perguntar se podia.

— Oi pra você também, Gabi. – O ruivo respondeu sem emoção. – E ainda trouxe o chato de galocha junto. – Fechou a cara ao ver Devon esperando comportado para ser convidado para entrar. – Entra logo antes que eu feche a porta na sua cara. – Disse para o ator.

Devon pigarreou, se aprumou e só então entrou na casa, apesar do receio de levar outro soco. Só de lembrar, sua mandíbula latejava. Ele tinha quase certeza de que ela começara a fazer um barulhinho estranho quando ele mastigava que definitivamente não estava ali antes.

— Obrigado. – Agradeceu pomposo e, chegando à sala, estrategicamente se posicionou mais atrás de Gabrielle.

— Então, a que devo a honra da visita? – Damien perguntou enquanto voltava para o sofá. Ele agarrou a garrafa térmica nem um pouco disposto a oferecer o café do seu Taylor para os dois.

— Como assim, seu tratante? Você sabe muito bem porque eu estou aqui! – Gabi bateu o pé e Damien sabia que ela estava doida para bater aquele pé na sua canela. – E só pra sua informação: eu vim de mala e cuia! Não arredo pé daqui enquanto você não me entregar pelo menos o restante da temporada!

— Gabi, eu estive doente e... – Ele tentou justificar, mas ela não quis nem saber.

— Não vou embora, Damien! E nem venha com desculpas! Eu sei que você estava era correndo atrás de um rabo de saia, seu tarado!

Damien fez um “tsk” e tomou um gole generoso do café.

— Minha “ótima” reputação já chegou até Toronto. Bom saber. – Desdenhou.

— Damien, não teste a minha paciência! – Gabi gritou exasperada.

— Sério, como você aguenta vê-la todos os dias? – Perguntou para Devon.

— Bem... Na cama ela é outra pessoa e... AI! – Devon deu um pulo e saiu mancando para longe de Gabrielle depois da pisada com o salto alto que recebeu no pé. – Credo! Mas eu só apanho desde que cheguei aqui!

— Verdade, na cama ela é mais... – Damien começou a falar e recebeu o chute na canela que Gabi estava louca para dar nele desde que entrou na casa.

— Quieto, os dois! Sério, Damien. Nós estamos com todos os prazos estourados! Estamos quase no limite e, se não recebermos logo os roteiros, vamos ter que começar a reprisar os episódios e você sabe o desastre que seria isso. Nós teríamos que explicar o motivo e começariam as especulações sobre o autor do seriado. E eu tenho certeza que você não quer isso!

— Ainda acho mais fácil matar o Henry e fim! – O ruivo disse indiferente e ganhou outro chute na canela. – Você realmente me ama taaaanto, Gabrielle! É por isso que não vai embora. Admita!

— Damien, vai para o computador agora ou eu não me responsabilizo por mim! Eu e o Devon vamos ficar aqui. As malas estão lá no carro.

— O quê? Por quê? – Damien praticamente gritou.

— Porque eu sei que se não ficar de olho você vai voltar a correr atrás dos maiores peitões que puder encontrar! – Gabi exclamou exasperada.

Damien girou os olhos. Se ela soubesse...

— Anda! Chispa para o quarto!

— Gabi, sinto muito, mas esse seu jeitinho não seduz ninguém. – Damien provocou e ganhou outro chute. – Credo, criatura! Você tá querendo me deixar todo roxo?

Gabi colocou as mãos na cintura na pose “ameaçadora” e Damien foi para o escritório arrastando os pés. Encontrou Fubá pelo caminho e mandou o cachorrinho ir até a sala e fazer xixi no pé da “mulher muito má” que estava lá. Obviamente Fubá só olhou para ele e continuou seu caminho sem dar muita importância ao que ele disse.

— OH MEU DEUS! QUE COISA MAIS FOFA! – Ele ouviu o grito de Gabi vindo da sala e resmungou que Fubá era muito mal criado. O plano era fazer xixi no sapato caro dela e não deixá-la toda feliz com acessos de fofura.

— Só espero que Taylor não tenha uma reação parecida quando chegar em casa e der de cara com o “Henry”. – Damien resmungou enciumado.

XxxX

Devon se jogou no sofá e passou a mão pelos cabelos lisos e loiros, cortados curtos. Ele por um lado estava feliz de estar ali conhecendo o autor do seriado no qual adorava trabalhar; por outro, era um pouco frustrante não achar nenhuma brecha para conversar com Damien.

Mas ele aguardaria uma oportunidade.

— Por que você não larga esse bicho e vem aqui me ajudar a passar o tempo, enquanto Damien está lá escrevendo? – Perguntou para Gabrielle, piscando um olho de maneira sedutora.

— Nos seus sonhos, querido. – Gabi disse em um tom seco. – Estou vacinada contra homens como você e o Damien. Até imagino os dois conversando sobre quantos peitões já apertaram! Larga de ser folgado e vai buscar as malas no carro. Ou você vai fazer uma dama carregar peso?

Devon bufou contrariado e se levantou para buscar as malas.

— Vacinada, sei... Até uns dias atrás estava lá na minha cama, pedindo por mais. – Saiu resmungando e pegou as malas no carro. Trouxe-as para dentro e as largou na sala, voltando a se jogar no sofá. – Temos que descobrir em que quarto iremos ficar. Se você quiser, eu durmo abraçadinho com você de noite. Prometo me comportar. – Sorriu cafajeste.

— Eu já estou me arrependendo profundamente de ter deixado você vir comigo. – Gabi disse desgostosa. – Fiquei com pena quando você apareceu com o queixo roxo pelo soco que levou do Damien, mas agora acho que ele bateu fraco. Um dia, Devon, essa sua galinhagem vai te trazer problemas e te fazer sofrer, e eu vou adorar dizer em letras garrafais um BEM FEITO!

— Caramba, quanto ódio no coração! – Devon falou e revirou os olhos. – Que fique claro que quando eu encontrar minha alma gêmea, a tratarei como uma Deusa. Sei ser um cara fiel, quando eu quero. – Disse convencido disso. – O problema é que nunca encontro a garota ideal pra mim. Qual o problema de eu me divertir enquanto isso? A não ser que você tenha se apaixonado por mim e esse seja o motivo de tanto veneno... – Se levantou e se aproximou de Gabrielle, encurralando-a contra o sofá. – Quem sabe você seja a garota dos meus sonhos e eu apenas não tenha percebido isso ainda?

Era claro que o coração de Gabrielle batia um pouquinho mais rápido com a proximidade de Devon. O cachorro era bonito demais. Mas era um cachorro. A mulher olhou para o cachorrinho que observava a cena e pediu desculpas mentalmente por ofendê-lo ao compará-lo com Devon.

— Se eu fosse me apaixonar por alguém, teria sido pelo Damien. Ele é gentil, carinhoso e sabe como fazer a companheira se sentir desejada e amada. – Gabi retrucou enquanto colocava as mãos nos ombros fortes do loiro e o empurrava para trás. – E talvez você esteja procurando no terreno errado. Quem sabe a sua alma gêmea não é um garoto?

Devon ficou ofendido.

— Eu sou carinhoso! Talvez não tão gentil. – Coçou a nuca e soltou uma risadinha culpada. É, ele costumava ser meio... Intenso na cama. E um pouco impaciente. Mas fazia as mulheres se sentirem desejadas e... Ok, não amadas. Mas nenhuma reclamava e todas pediam por mais, oras. – Pelo menos não estou iludindo ninguém. Mas vai dizer que você não teve um ótimo orgasmo comigo? – Perguntou, sorrindo de lado. Depois se jogou no outro sofá, pegando Fubá no colo para dar umas afagadas na cabeça dele. – E com homens é apenas físico. Romance entre dois caras... Nem consigo imaginar. – Deu de ombros.

Devon era assumido bissexual, o que gerava inúmeros escândalos, fofocas e polêmicas nos tabloides, mas ele não se importava. Levar caras para a cama não o fazia melhor, nem pior ator. Ele gostava de garotos com vinte e poucos anos com um jeitinho delicado e, envolvido no mundo da moda e do cinema (porque Devon também trabalhava como modelo), ele tinha várias oportunidades de encontrar rapazes assim.

— Está pra nascer pessoa mais convencida que você! – Gabi desdenhou. – Ok, nós tivemos um momento muito bom na cama, mas você é um cafajeste e só foi para cama comigo porque queria o endereço do Damien. Alguma vez na sua vida você já foi pra cama com alguém sem ter um outro tipo de interesse envolvido?

— Assim você me magoa. – Falou o loiro, afagando o queixo de Fubá, que se contorcia todo pelo carinho. – Eu realmente fiquei interessado em você. Você é linda, tem personalidade e é esforçada e dedicada. Claro que eu tive um bônus dormindo com você, mas o maior bônus foi, simplesmente, o momento que tivemos. – Sorriu charmoso. Ele não estava mentindo. Gabrielle era linda e ele a admirava, então, por que não? – Só para que você fique sabendo, já tentei relacionamentos sérios várias vezes nesses meus vinte e tantos anos de vida. Como eu disse, eu só nunca achei a pessoa certa. – Devon trocou a palavra garota por pessoa, para Gabrielle não incomodá-lo com aquela história de tentar com garotos.

Gabi ergueu as sobrancelhas com a quantidade de elogios que recebeu. Que garota não ficaria balançada com Devon Moreau falando tudo aquilo para ela? Ele realmente era um cachorro sedutor. Largado naquele sofá com aquela expressão de quem não quer nada, mas quer tudo ao mesmo tempo.

— Digamos que eu aceite dormir no mesmo quarto que você... Seria sem compromissos nem amarras? – Ela perguntou se aproximando do sofá e cedendo um pouquinho.

Devon praticamente farejou a nova postura da morena e tirou Fubá de seu colo, colocando-o no chão. Olhou para Gabrielle e pegou a mão dela, aproximando-a de seu rosto.

— Se você me quer sem compromissos... Já sobre as amarras eu posso abrir uma exceção. – Piscou e, sorrindo, deslizou os lábios pelo dorso da mão da morena.

— Você é definitivamente um caso perdido. – Gabi subiu no sofá e sentou nos quadris de Devon. – E Damien nos mataria se nos flagrasse assim. – Ela sussurrou, mas não podia negar que aquela sensação de ser proibido a excitava. – Nós viemos trabalhar e não transar...

— Eu já apanhei dele, o que de pior poderia acontecer? – Devon perguntou, colocando as mãos nas coxas de Gabrielle e já sentindo a tesão incitá-lo a puxá-la mais contra seu corpo. – E correção, você veio para trabalhar, eu recém voltei de uma gravação e estou com alguns dias de férias. – Sorriu e começou a beijá-la no pescoço.

— Ele poderia cumprir a ameaça de matar o Henry... – Ela sussurrou em resposta enquanto deslizava as mãos pelo peitoral do ator. Ela com certeza podia dizer que Devon era um cachorro, sem vergonha, sedutor e muito, muito, muito gostoso. Aqueles braços rivalizavam com os de Damien no quesito músculos.

— Sem Henry, sem seriado. Ele não correria esse risco só por causa de uns amassos no sofá dele. – Devon desconsiderou e, num movimento rápido, virou Gabrielle contra o sofá, deitando-se sobre ela e capturando os lábios cheios da morena.

XxxX

Taylor abraçou Sam assim que o encontrou na clínica. Porém parou e ficou preocupado ao ver o loiro com muletas, o pulso e o tornozelo contidos.

— O que aconteceu?! John te bateu!? – Perguntou apavorado.

— É claro que não! – Sam exclamou exasperado e revirou os olhos. – John nunca me machucou. Ele nunca machucou ninguém. Ao menos não fisicamente... Bem, talvez ele já tenha se metido em algumas brigas, mas todas com caras do tamanho dele.

— Certo. – Taylor suspirou aliviado. Ainda era cedo e a clínica continua fechada. Tinham alguns momentos para conversar. – Então o que houve?

— Primeiro você me conta... Pela sua aura de “eu dei a bunda e aproveitei muito”, já entendi que você e Damien se entenderam! Eu sabia que meu plano ia funcionar! Vocês dois teimosos só precisavam ficar juntos sob o mesmo teto e entre as mesmas quatro paredes de novo. – Sam sorriu malicioso e piscou, colocando a língua entre os lábios no canto da boca.

— Por isso o abraço. Seu plano deu certo mesmo. – Taylor riu, radiante. Estava feliz. – Sabe, a última coisa que eu esperava ao conhecer o Damien é que acabaríamos tendo alguma coisa.

— É, Damien ficou louquinho pela sua beleza, simpatia e sorriso. – Sam mandou beijinhos. – Sabia que eu também te acho uma gracinha?

— Cala a boca. – Taylor revirou os olhos e o empurrou pelo ombro. – Agora sério, o que aconteceu com seu pulso e tornozelo?

— Cai do cavalo. – Sam deu de ombros, indiferente. – Ele disparou por causa de uma cobra... Azarado como eu sou, acabei caindo da pior maneira possível.

— E quem cuidou disso?

— No caminho para cá, passamos na cidade mais próxima do rancho. Fiz raio-x de mão e tornozelo. Não quebrei nada, o pulso deve ficar bom rápido, mas o tornozelo foi um entorse de moderado grau, segundo o médico de lá. Ele falou que vou ter que ficar sem forçar por um mês, ou um mês e meio! É demais, não é? – Sam falou infeliz. A ideia de ficar sem poder caminhar, ou caminhando o mínimo possível, parecia-lhe terrivelmente tediosa.

— Se foi a recomendação médica, você deve seguir. Admito que sei pouco de ortopedia. Posso estudar melhor e depois ir revisando o estado do seu tornozelo. – Taylor comentou. – E o que é esse sorriso no seu rosto?

— Não contei a melhor parte... – Sam murmurou, ficando vermelho.

— O que foi?

— O John... Ele se declarou para mim... Disse na frente dos filhos que nós dois somos namorados agora. – O loiro escondeu o rosto atrás das mãos. – Ainda parece um sonho!

— Uau...! Espera...! Sério...?! Caramba! – Taylor encarou-o abismado. – Como isso aconteceu?

— Aparentemente minha queda causou um efeito nele... Acho que ficou com medo de me perder. Não sei. Só sei que a Pintadinha será a madrinha do nosso casamento. – Sam riu da piada ruim.

— Pintadinha? – Taylor perguntou sorrindo também. Ele conseguia perceber a felicidade do loiro, e isso aqueceu-lhe o coração. – Você parece muito feliz apesar dos machucados.

— Eu cairia do cavalo mais umas dez vezes, se fosse preciso, para ter o John dessa forma. – Ele admitiu e ficou ainda mais vermelho, como um verdadeiro moranguinho. – Eu sou um idiota, né?

— Bem, se ele se desculpou por tudo que já te falou de ruim antes e for manter esse sorriso no seu rosto a partir de agora, eu apoio vocês. – Taylor mantinha-se sorrindo. – Mas não garanto que o Damien vá.

Sam arregalou os olhos.

— Nem me lembre disso! Ele vai tentar matar o John, ou me matar, eu não sei!

Os dois riram.

Nesse momento, alguém bateu à porta.

— Hora de começar a trabalhar. Mas você não deveria vir trabalhar com o pé assim. – Taylor falou se levantando.

— Me poupe. Você pode tentar me dar férias, mas eu não vou aceitar. Passo o dinheiro inteiro sentado praticamente! Ok que te ajudo em algumas coisas e tiro sangue e... Ah, eu vou enlouquecer se não trabalhar! – Sam exclamou.

Taylor ergueu as mãos para o alto.

— Ok, ok! – Ele decidiu que tentaria convencer o loiro a descansar em outro momento e seguiu para a porta.

Encontrou Alicia esperando do lado de fora.

— Bom dia! – Taylor cumprimentou e a moça de longos cabelos castanhos sorriu e o cumprimentou em retorno. – Entre, Alicia.

— Obrigada, Taylor. – Ela falou.

Pouco depois, eles estavam no consultório. Taylor examinava a moça, que vinha sentindo dores abdominais, enjoos e havia tido um sangramento vaginal fora do período menstrual. Taylor fez o exame ginecológico, abdominal e cardíaco focados. Foi fácil chegar a uma conclusão, ainda que ele fosse solicitar um exame para confirmar.

— Alicia. – Ele disse após a moça se arrumar e se sentar na maca. – Você tem tentado engravidar nos últimos tempos?

— O quê?! Não...! Por quê?! – Ela disse apavorada. – Não me diga que...

— É muito provável que você esteja grávida. – Explicou num tom ameno e esperou ela digerir a notícia. A moça ficou branca, depois colocou uma mão sobre a boca.

— Oh, Deus... – Ela sussurrou. – A minha filinha... Ela... O pai dela faleceu ano passado. Eu fiquei tão carente e deprimida. Mas me mantive firme por ela. Só que eu... Eu me envolvi com alguns rapazes de maneira efêmera nos últimos meses, pela carência. – Ela começou a chorar. – Eles usaram camisinha todas as vezes.

— Ainda precisamos fazer o exame para ter certeza...

— Não... Eu que fui cega. Estou sentindo as mesmas coisas que senti quando engravidei da Emily. – Ela balançou a cabeça. – Agora serei uma viúva com duas filhas. E eu nem sei qual é o pai dessa! – Ela tapou o rosto caindo em prantos.

Taylor pegou uma gaze e entregou à moça, para que ela limpasse os olhos e o nariz. Ela assoou e tentou respirar com calma, porém com muita dificuldade. Quando Taylor percebeu, Alicia o abraçava e soluçava contra seu pescoço.

— Não vou aguentar sozinha. – Ela murmurou.

— Vai ficar tudo bem, Alicia. Você é forte, vai conseguir criar outra menina linda, saudável e inteligente. – Taylor garantiu, acariciando as costas da moça.

Ela aos pouquinhos se acalmou e, roçando lentamente o nariz contra o pescoço do médico, ela ergueu o rosto. Com olhos úmidos, Alicia tentou beijá-lo. Taylor arregalou os olhos e inclinou a cabeça para trás, impedindo que seus lábios se tocassem.

— Alicia, não podemos. – Ele disse.

A moça arregalou os olhos e o soltou, cobrindo o rosto novamente.

— Me desculpe! Oh Deus, eu não estava pensando... Esse é meu problema nos últimos tempos. Minha carência... Me sinto só e insegura, acabo agindo sem pensar, basta alguém me dar um pouco de carinho. – Ela riu de si mesma. – Sou uma vergonha.

— Não se sinta assim. – Taylor disse, compadecido.

— Sabe... – Ela ergueu o rosto. – Me tornei assim depois de ter o coração quebrado pelo Damien, quando éramos adolescentes. Depois que isso aconteceu, eu buscava nos braços de outros o que queria ter tido com ele. Até que conheci Peter, me falecido marido. Ele me deu toda a segurança que eu queria, e eu fui feliz, mas mesmo assim... Até hoje guardo rancor do Damien. É ridículo, não é? Acho que muitas mulheres em Canmore guardam rancor dele. Não sei por que, mas desde que Peter morreu, meu rancor aumentou. Acho que um coração partido nunca se recupera completamente. E meu coração foi duplamente partido.

Taylor ficou sem saber o que dizer. Naquele momento, ele percebeu, Alicia precisava desabafar, então ele apenas continuou ouvindo.

— Acho que foi porque nunca conheci um cara como o Damien... Tão intenso e romântico durante o sexo. Peter costumava ser mais frio, demonstrava amor nas pequenas coisas... – Ela torceu as mãos e riu de novo. – Damien era atencioso e gentil. Deus, aquele canalha sabe ser gentil! E o jeito que ele trata os afilhados dele... Você vê? Parece que sempre estou buscando o que tive com ele. Ele me iludiu com gestos românticos, assim como iludiu metade da população feminina de Canmore, aquele cafajeste. Até um tempo atrás, você não encontraria uma mulher entre vinte e quarenta anos que não amasse e odiasse Damien Van Persen ao mesmo tempo.

Alicia falou mais. Começou a desabafar sobre outros momentos de sua vida, até alguns da infância. Outros namorados. Os pais. Sua relação com a filha... Ao final, ela fez o teste de gravidez, que deu positivo. Não chorou de novo. Pelo contrário, agradeceu Taylor e foi embora, parecendo mais leve.

— Essa consulta demorou, hein? – Sam comentou.

— Ela estava precisando desabafar... – O médico explicou, mas agora...

Era o seu coração que voltava a ficar cheio de inseguranças.

Notas finais
Own Taylor... sem caraminholas nessa cabeça linda, por favor T.T Fubá roubando a cena. Já estava com saudade dele. E o Sam é a pessoa mais feliz do mundo nesse momento ahauhauahuahua Até semana que vem :) Bia.