Notas iniciais
Olá. Bia de novo... xD Mila tem um compromisso hoje e não vai poder aí estou aqui de novo postando e ela vai responder os reviews... mesmo esquema da outra vez xDD Capítulo grandão pra vocês. Esperamos que curtam. Muito obrigada a Who Says, DCC, Annie Granger, Laura Jessy, Wildest Dreams, Imperfect Girl, Michele, lucica, LuOrtensi, MaruChan, Um Fantasma Aleatório, Lunazn, Lolita, LunaBiju, Ruth Echelon, Imouto LITTs, Kaline Bogard, lucy, Yves e Yuna pelos comentários!!! Beijos e boa leitura :)

Damien conseguiu convencer Gabrielle a dar “liberdade condicional” para que ele fosse jantar no restaurante da tia Camille, mas ela colocou como condição ir também e aí toda a tropa acabou indo junto. Mas o que o ruivo pensou que seria uma agradável noite no restaurante acabou se tornando um porre porque Devon chamou a atenção de todo mundo assim que colocou os pés no estabelecimento; foi uma algazarra e eles quase não conseguiram fazer os pedidos porque a todo momento aparecia alguém querendo uma foto ou um autógrafo.

Até tia Camille quis tirar foto com o ator idiota! Quando ela se aproximou com o celular na mão e um papel para um autógrafo na outra, o ruivo olhou para ela com cara de “até tu, Brutus?”, mas a tia não deu nem bola e tietou o ator por todo o tempo em que eles estiveram por lá. Damien quis dizer: “Pois é, ele só repete as coisas que eu falo!”, mas se conteve. Aliás, uma das perguntas que Devon teve de responder várias vezes foi o motivo pelo qual ele estava em Canmore; entretanto, ele teve o bom senso de dizer que estava de férias, ouviu falar dos pontos turísticos e quis conhecer.

O pior, todavia, não foi nada disso... O que tirou mesmo Damien do sério foi que Taylor ouvia tudo o que Devon dizia com total atenção e ainda ficava suspirando como uma colegial! Damien tentou de todas as formas atrair a atenção de Taylor, mas falhou miseravelmente. Por isso, ele voltou o caminho inteiro bolando o seu plano “maligno” e o colocou em prática assim que entraram em casa.

— Eu sei que vocês querem assistir a um episódio do seriado todos juntos, mas eu preciso falar com o Taylor primeiro. Vão assistindo outra coisa aí que daqui a pouco a gente vem. – E, sem dar chance para que Taylor abrisse a boca, puxou-o em direção dos quartos.

Já entrou no quarto atacando a boca do médico e o empurrando em direção do banheiro.

— Eu passei a tarde escrevendo. – Disse enquanto desabotoava a calça dele com pressa. – Meu prêmio!

Taylor nem teve chance de retrucar, sua boca foi atacada novamente, com um desejo fogoso. Um gemido escapou do médico quando Damien o puxou com uma mão pela cintura e, com a outra, apertou o volume em sua cueca. Ele precisou abraçar-se ao maior para não cair, já que foi pego completamente de surpresa por aquele furacão ruivo.

— Você fez o Henry levar um tiro...? Mas ele vai ficar bem, né? – Taylor perguntou com a voz fraca quando Damien desceu os beijos para seu pescoço, deixando-o todo arrepiado.

Damien grunhiu baixinho enquanto empurrava o médico para debaixo do chuveiro. Eles ainda estavam vestidos e logo ficaram ensopados. O ruivo fez com que Taylor erguesse os braços para tirar a blusa dele, depois a calça e por fim a cueca.

— Sem spoilers. – Ele disse enquanto lambia os lábios e observava atentamente cada pedaço do corpo dele. Sem se fazer de rogado, voltou a atacar o pescoço de Taylor, chupando com força com o objetivo de deixar um roxo bem roxo em um ponto bastante visível.

Taylor quis reclamar (tanto da recusa de Damien em lhe dar spoiler, quanto do chupão), mas a vontade escapuliu entre as gotas de água que molhavam seus corpos. Sua pele parecia queimar e ele também livrou o ruivo das roupas, jogando-as longe. Era impressão sua ou era a primeira vez em que ficavam ambos completamente nus frente a frente daquela forma? Taylor se abraçou ao ruivo e adorou sentir a pele molhada e quente dele contra a sua, as mãos grandes acariciando suas costas, os lábios degustando os seus...

— Como você disse que foi na sua imaginação? – Perguntou num sussurro contra a boca dele. Depois se virou de costas, apoiando os antebraços na parede. Olhou por cima do ombro para o ruivo, seus dreads molhados caindo pelas costas. – Era assim?

O coração de Damien falhou e ele jurou que ia ter um treco bem ali mesmo. Porém, ele conseguiu se manter firme e lúcido (porque, caso perdesse a cabeça, se esqueceria de tudo que lera sobre preparação e iria penetrá-lo daquele jeito mesmo) e se aproximou de Taylor, encostando seu corpo no dele, prensando-o na parede enquanto uma das suas mãos deslizava até as nádegas empinadas. Um de seus dedos foi parar lá, começando a explorá-lo.

— Não estou planejando ir até o final hoje. Só quero testar. – Disse, beijando a nuca dele, e a outra mão foi até a ereção do médico.

Taylor suspirou entrecortado, pensando que, se Damien quisesse ir até o final, ele não iria reclamar. Mas tudo era novidade para o ruivo e era gostoso que fossem aos poucos, se descobrindo daquela forma. Taylor sentiu o prazer crescer e o invadir tanto pela frente, onde Damien o tocava, como atrás. Fazia tempo que ninguém o acariciava daquela forma tão íntima, e as sensações pareciam extrapolar o esperado por suas vivências prévias. Ele escondeu o rosto, apoiando a testa num dos antebraços, enquanto empinava um pouco mais o quadril, e seu outro braço desceu, deixando a mão encontrar o pênis rígido do ruivo atrás de si, que apertou de leve.

— Fazia três anos que ninguém me tocava assim. – Admitiu no calor do momento, suspirando alto.

Damien gemeu na orelha dele antes de começar a mordiscá-la.

— Não faz assim. – O ruivo sussurrou enquanto introduzia o dedo ainda mais fundo. – Não me seduz desse jeito. Eu estou a ponto de perder a cabeça. O que eu mais quero é substituir o meu dedo pelo meu pênis para sentir você se apertando em volta de mim enquanto eu entro e saio devagar e te faço gemer e dizer o meu nome, o meu nome. Se você continuar me provocando assim... Eu vou mandar a cautela para o espaço e satisfazer essa vontade.

As palavras de Damien mexiam com o coração e corpo do médico. Era incrível como o ruivo parecia saber exatamente o que dizer para que seu corpo colapsasse e entrasse em um estado de hipertermia, com temperaturas perigosamente ascendentes que nem o deixavam pensar direito, o que dirá responder alguma coisa. Taylor conseguiu apenas soltar uma risadinha pela simples felicidade de estar assim com Damien, enquanto ele sussurrava enrouquecido pelo desejo aquelas coisas ao pé de seu ouvido.

Porém ele enrijeceu quando o ruivo acertou um ponto em especial com o dedo.

— Damien...! – Taylor gemeu e abaixou a cabeça, puxando o ar de maneira trêmula. – Bem aí.

O ruivo se concentrou em continuar estimulando aquele ponto que Taylor indicou enquanto seus lábios beijavam as costas do médico e a outra mão continuava acariciando o pênis ereto dele com agilidade, tendo o trabalho facilitado pela água que caía sobre os dois.

Damien gemeu quando Taylor aumentou o ritmo da masturbação em volta do seu falo.

— Eu... Não vou aguentar muito. – Sussurrou.

Taylor virou o rosto e seus lábios se encontraram aos de Damien. Ele acabou apoiando o corpo ao do ruivo quando alcançou o orgasmo, naquele instante em que as pernas perdem as forças e os músculos contraem e relaxam, gerando breves espasmos prazerosos. Assim que se recuperou, se virou e puxou Damien contra seu corpo, abraçando e começando a masturbar seus falos unidos, querendo que ele também chegasse lá.

Rente à boca avermelhada do ruivo, murmurou:

— Na próxima vez, não vou querer que você aja com cautela.

Damien não processou bem o que Taylor estava falando. Sua mente estava completamente tomada pela sensação de ter o pênis do médico sendo acariciado junto ao seu. O ruivo passou os braços em volta da cintura do namorado enquanto movimentava o corpo sutilmente para frente e para trás querendo aumentar o atrito. E, como previsto, não aguentou mais nem um minuto e gozou, gemendo, com os olhos fechados e com o rosto escondido na curva do pescoço dele.

— Isso é loucura... – Damien murmurou com a voz fraca. – Só não digo que deveria ter experimentado antes porque estou muito feliz que você seja o primeiro. E único. – Falou antes de beijar o ombro dele. – Estou um piegas. – Riu. – E, na próxima vez, vamos fazer na cama com os três tubos de lubrificante. De preferência no final de semana pra gente fazer várias e várias vezes...

Taylor riu da ideia do outro e passou ambos os braços pelos ombros dele.

— É, mas não nesse final de semana, já que você tem muito que escrever. – Roçou o nariz ao do ruivo. – Gosto de você piegas. Já que eu não sou muito bom falando coisas românticas... – Mordeu o lábio.

— Eu nem sabia que eu conseguia ser tão piegas. – Damien riu enquanto levava uma das mãos ao rosto dele. – Antes de te conhecer eu vivia meio mal. Era mais fechado, só pensava em comer, escrever e dormir. Agora até cedo eu tenho acordado por causa de você! Eu te amo demais e se a gente não sair logo desse banho eu vou esquecer o povo lá na sala esperando a gente e te arrastar pra cama.

Taylor sentiu as bochechas quentes e, sorrindo, escondeu o rosto na curva do pescoço do maior. Era tão bom ouvir aquilo. Seu coração batia agitado, e ele poderia sair flutuando pelo banheiro.

— Por mais que eu preferisse ser arrastado pela cama, acho melhor terminarmos esse banho antes que algum deles venha bater aqui. Já gastamos água demais. – Falou e pegou o sabonete, começando a lavar o ruivo. – Eu nunca imaginei que me apaixonaria quando decidi morar em Canmore. Eu queria apenas me esconder... Às vezes a vida nos oferece oportunidades inesperadas mesmo... Tia Camille bem falou para eu não desperdiçar nenhuma delas. – Taylor parou e pensou um pouco, depois ergueu a cabeça e olhou Damien no rosto. – Será que ela estava falando de nós dois? – Franziu a testa.

— Você ainda duvida das indiretas diretas da tia Camille? – Damien bufou e virou de costas para que Taylor o ensaboasse. – É claro que ela estava falando de nós. Ela vai ficar louca de felicidade quando souber que eu “aquietei o facho”. E ainda bem que você se apaixonou. – Disse com um sorriso bobo. – E se você vier com conversa de ir embora de Canmore vai ser amarrado no pé da cama. Do meu lado você não sai.

— Tia Camille é mais esperta que nós dois juntos. – Taylor resmungou divertido, esfregando as costas do ruivo. Depois o beijou perto do ombro. – Não vai nem me deixar voltar para cursar a residência em endocrinologia que eu pensava em fazer antes do acidente...? – Sondou. Era algo que acabou cogitando durante o tempo em que ele e Damien estiveram separados. Porém, agora, era difícil se imaginar longe do ruivo.

Mas, e no futuro? Taylor realmente tinha o sonho de tornar-se endocrinologista desde que, mesmo antes da faculdade, seu pai adquiriu diabetes.

Damien virou ficando de frente para ele para poder encará-lo.

— Eu não vou impedir isso, claro. Ficaria triste por você estar longe, mas... – O ruivo mordeu o lábio pensando que Taylor certamente o acharia um doido perseguidor. – Eu provavelmente iria com você. Sabe que apesar de todo dinheiro, eu saí poucas vezes de Canmore?

— Eu ia adorar que você fosse comigo! – Taylor ficou todo animado. – Mas isso não é plano para agora, são apenas... Ideias. Eu estou gostando muito de trabalhar aqui em Canmore como médico de família. Quando eu achei que nós não ficaríamos juntos, pensei em voltar para Ottawa para minha segunda residência, mas decidido a voltar pra cá assim que terminasse. Agora não sei. Me sinto realizado como estou agora. – Arranhou o tórax do ruivo de leve. – Com você.

O rosto de Damien se iluminou e ele pretendia responder àquela declaração com uma outra prensada na parede, mas Gabrielle achou de gritar lá do quarto e interromper o momento:

— Oh, casal! Vocês vão enrugar desse jeito! E, Damien, você ainda tem que escrever hoje!

O ruivo fez uma careta.

— Eu disse. Uma carrasca!

— Melhor deixarmos o papo pra depois. – Taylor falou rindo.

Os dois finalizaram o banho rapidamente e, arrumados e cheirosos, voltaram à sala, encontrando lá todo mundo sentado nos sofás. Aparentemente, cara de pau como era, Devon havia achado um chocolate num dos armários da cozinha e agora comia uns quadradinhos de sobremesa.

— Ô, que demora! Podiam ter deixado o sexo pra outra hora! – Reclamou o ator.

Tim escondeu o rosto nas mãos com a fala de Devon. Ele realmente não queria aquele tipo de informação, apesar de ter forte suspeita que o irmão deveria estar mesmo fazendo aquilo com o namorado, durante o prometido banho.

— Taylor... Esse chocolate não estava vencido? – Damien fingiu um ar de dúvida. Ele sabia que o negócio ainda estava na validade, mas a cara de pânico de Devon foi impagável. – Toma! – Ele jogou um pendrive para Gabriella. – Cinco episódios.

— Cinco? – Ela arregalou os olhos enquanto levantava e corria para pegar o notebook na pasta.

— Eu estava inspirado. – O ruivo sorriu de uma forma maliciosa.

— Taylor, eu não sei o que você fez, mas continue assim! – Gabi se aproximou de Taylor e o sacudiu pelos ombros. Depois continuou procurando o notebook que ela não sabia onde havia largado.

Taylor ergueu as sobrancelhas com surpresa.

— Imagina quando eu te prometer sexo. – Sussurrou para o ruivo. Depois pegou Fubá do chão e se sentou no sofá, colocando-o em seu colo. O bichinho ficou de barriga pra cima, as patinhas para o ar, recebendo carinho com um jeitinho sonolento e muito satisfeito.

— Eu também quero ler! – Devon foi futricar por cima do ombro de Gabrielle. – Meu personagem está num período crítico. Eu queria discutir justamente a melhor forma de atuação para ele, nesse momento, com o Damien... Queria entender melhor a mente dele.

Damien, talvez pelo bom humor pós “banho”, perguntou o que o ator queria saber e foi respondendo às perguntas dele enquanto colocava o DVD da primeira temporada no aparelho. Devon praticamente bebia o que o ruivo falava, ele queria muito continuar o bom trabalho e atuação.

Logo o primeiro episódio começou e eles continuaram assistindo enquanto Tim e Taylor estavam com os olhos grudados na televisão.

— Eu estou planejando uma reviravolta na história. O Henry vai ser baleado e dado como morto, mas na verdade vai perder a memória e começar a trabalhar para a máfia pensando que faz parte do grupo deles. Vai ser tenso e você vai precisar perder um pouco de peso e mudar o corte de cabelo. – Damien revelou.

— O QUÊ?! – Taylor praticamente gritou ao escutar aquilo. – Você não fez isso! – Apontou na direção do ruivo. – Você fez. – Disse assombrado ao ver a expressão do ruivo. – Não acredito que você fez isso. – Murmurou. – Mano, olha isso, e depois ele diz que me ama! – Puxou o braço de Tim, que estava sentado ao seu lado.

Tim soltou uma risadinha e continuou assistindo ao episódio sem dar muita atenção para o drama do irmão, que continuou resmungando. Ele tinha que admitir que era interessante, e Devon conseguia prender a atenção do telespectador com sua atuação firme e séria. Nem parecia a mesma pessoa. Mas era óbvio que não diria isso ao loiro. Ele já era convencido por natureza. Imagine com elogios.

— Ora. – Damien fez um gesto de impaciência com a mão. – Qual a graça se não tiver um tirozinho acertando o protagonista de vez em quando? Em um dos fóruns na Internet vivem falando como o Henry escapa ileso em todas as vezes. E eu nem falei o que vou fazer de pior... – Ele deu um sorriso malvado.

Taylor estava fazendo drama mais para o lado da brincadeira, Tim sabia disso e por isso o ignorara, mas agora o médico ficou realmente preocupado.

— E você vai me contar? – Mordeu o lábio, engolindo em seco. Se Damien se negasse, seria prudente levá-lo logo para a cama e arrancar a informação de maneira mais eficaz. Se ele planejasse matar algum de seus personagens favoritos, não hesitaria em intervir, mesmo que acabasse assassinado por outros fanáticos, se alguém ficasse sabendo sobre isso.

Sua função era salvar vidas, não era?

— Nyah. Já te dei spoilers demais. – Damien disse relaxado enquanto colocava as mãos atrás da cabeça.

Gabi estava com o nariz praticamente colado na tela revisando que nem uma louca.

— Pois é, você não conta, mas eu conto! – Ela disse exasperada. – Ele simplesmente fez o pai adotivo do Henry morrer na frente do Henry desmemoriado! E como está desmemoriado, o Henry nem se importa e ainda ajuda a atirá-lo da ponte para se livrar do corpo! Foi golpe baixo demais, Damien, o Philip é um personagem muito amado pelo público. Sorte sua que as pessoas não sabem que você é o Dorian Wess!

Tim arregalou os olhos e levantou de um salto. Ele não sabia que quem escrevia o seriado era o mesmo autor da sua história em quadrinhos favorita!

— Você é o Dorian Wess? – Perguntou com os olhos brilhando enquanto corria até Damien e segurava as mãos dele com força. – Eu sou louco por “I hear your voice”! Tenho a coleção completa. Você autografa pra mim?

Devon olhou surpreso para o garoto. Ele conseguia fazer uma expressão emocionada, então. “Ele fica tão bonitinho assim”, acabou notando, “mas bem que podia ter se emocionado assim com a minha atuação”, percebeu. Acabou emburrado e foi sentar num dos sofás vazios. Pretendia rever todos os episódios do seriado. Precisava focar a mente para que a nova fase de seu personagem não parecesse forçada.

— Ih, essa história em quadrinhos não é antiga? Uns oito anos? Você tinha dezesseis anos quando começou a escrever, Damien? – Taylor perguntou ao ruivo, impressionado com a criatividade dele. Damien era muito talentoso. Apesar de não ler, Tim muitas vezes entrara em seu quarto, quando eram mais novos, para tagarelar sobre aqueles quadrinhos.

— Eu comecei a desenhar quando... – Ele ficou um pouco sem jeito e passou a mão pelos cabelos, demonstrando nervosismo. Levantou e sentou do lado do namorado para poder cochichar a resposta. Não queria que todo mundo na sala ficasse sabendo da vida dele. – Quando meus avôs me deixavam trancado. Era meio que uma rota de fuga. Aos dezesseis criei coragem para começar a publicar.

— Você autografa? – Tim insistiu.

— Foi mal, Tim, mas eu não gosto dessas coisas não. – Damien se esquivou e o brilho nos olhos do rapaz se apagou.

Taylor primeiro quis abraçar o namorado ao saber a forma como ele havia começado sua vida de quadrinista e escritor, depois o fuzilou com o olhar por ter deixado Tim triste. Seu irmão era doido por aquela história em quadrinhos! O que custava autografar?!

“Pode colocar fora aqueles tubos de lubrificante, porque no depender de mim eles vão passar da validade.” Digitou rapidamente na tela de seu celular e mostrou apenas para o ruivo. Era mais seguro do que sussurrar, Tim estava perto e com certeza iria escutá-lo falasse baixo ou não.

Damien arregalou os olhos ao ler o que Taylor havia digitado e levantou de um salto.

— Sabe, Tim, mudei de ideia! Eu até tenho uma versão encadernada completa que a editora enviou em comemoração aos cinco anos de publicação. Vou autografar e dar pra você, ‘tá bom?

— Sério? – Tim perguntou voltando a olhá-lo com os olhos cheios de admiração.

— Eu vou lá buscar agora mesmo! – Avisou e saiu quase correndo da sala.

Tim sentou do lado do irmão e o abraçou.

— Obrigado! – Falou. Não sabia o que Taylor havia feito, mas claramente fez Damien mudar de ideia em menos de dez segundos. – Mano, você tá feliz? – Ele queria perguntar isso desde que o irmão contou que estava com Damien, mas não surgiu oportunidade.

— Sim! – Taylor nem hesitou. Abraçou o irmão em retorno e o beijou na bochecha. – Minha felicidade está completa com você por perto, tendo me perdoado. E eu e o Damien namorando... – Apoiou a cabeça no ombro do mais novo.

Tim abriu um sorriso, um dos seus raros sorrisos, e se aconchegou mais junto ao irmão, fazendo Fubá se remexer para encontrar uma nova posição confortável. E pensar que ele chegou a acreditar que aqueles momentos com Taylor poderiam ter acabado! Ele não podia ficar mais feliz por ter-se enganado.

Devon observou os dois irmãos ao desviar seu olhar da tela por um momento.

— Hei, Tim, seu sorriso é bonito, até mais que a sua bunda. Deveria sorrir mais. – Comentou divertido, apreciando o sorriso do rapaz. Ele era fofinho, fazer o quê? Não podia evitar admirar. Garotos fofos eram o seu ponto fraco.

O sorriso de Tim se desfez e ele olhou de cara feia para o ator.

— Obrigado, mas meus sorrisos são só para o meu irmão e o meu pai. – Informou emburrado. – E agora para o Damien! – Ele saltou do sofá ao ver o ruivo voltando com a versão encadernada que prometeu, e Devon voltou a ficar emburrado.

Já Taylor estreitou os olhos para o ator.

— Eu sou seu fã, mas conheço sua fama de galinha bissexual. Nem pense em chegar perto do meu irmão com sua lábia de cafajeste. – Deixou bem claro. Taylor era extremamente protetor com Tim desde que eram crianças.

Devon ergueu as mãos para cima.

— Calma! Eu nem fiz nada, estava apenas elogiando!

Gabi ainda estava com a cara enfiada no computador, mas ouvia tudo ao redor e acabou soltando uma risadinha.

— Isso vai ser divertido de assistir... – Ela murmurou para Devon. – Mas acho que no final você vai terminar sem o seu maravilhoso pênis. — E riu de novo.

XxxX

Sam usava duas muletas para se locomover. O médico da outra cidade havia dito que não podia caminhar por no mínimo um mês e meio, mas de jeito nenhum ele ficaria parado tanto tempo! O loiro era hiperativo demais para aguentar um castigo desses. Ainda mais quando ele e John haviam começado a se entender. Imagina se ficasse uns dias sem ver o moreno, e ele voltasse a pirar com as questões da homossexualidade, homofobia, preconceito e voltasse a ser o velho John de sempre?

Não, não. Sam achava que precisava ficar por perto para impedir o moreno de colapsar e ter uma recaída. Além disso, estava morrendo de saudades daquele moreno chucro idiota e queria fazer uma “surpresa” para ele. O motivo final era óbvio: de jeito nenhum aquela cidade faria uma reunião para definir o evento mais animado do ano e o deixaria de fora!

Algumas crianças o abordaram pelo caminho perguntando o que havia acontecido.

— Fui uma peste e fui castigado por forças maiores. Por isso, sempre ouçam os conselhos dos adultos se sejam comportados. – Sam falou didático, principalmente mais os mais sapecas, que pareceram engolir em seco com certa preocupação.

Depois de amedrontar alguns pestinhas, Sam seguiu para o escritório de John, imaginando que o encontraria ali. Dito e feito, quando chegou lá, John estava sentado assinando alguns papéis.

Jonh ergueu a cabeça ao ouvir o barulho da porta sendo aberta e seu coração falhou uma batida ao ver Sam entrando. Primeiro ele ficou surpreso, depois quis até lá abraçá-lo e beijá-lo, mas a parte superprotetora falou mais alto e ele já foi logo dando uma bronca:

— O que diabos você está fazendo andando?! – Perguntou exasperado enquanto levantava e ia até o loiro. Fez com que ele se apoiasse em seus ombros para poder largar as muletas, depois o pegou nos braços e o colocou sentado em cima da sua mesa. Alguns papéis caíram no processo, mas não era nada de importante. Só depois que o colocou sobre a mesa que se lembrou do porta-retrato que havia colocado lá com uma foto de Sam, Davi e Teo tirada durante o final de semana no rancho. John não havia dito que iria colocar aquela foto lá.

Sam nem deu bola para a bronca do moreno. Havia adorado ser carregado daquela forma até a mesa, pelos braços fortes do maior.

— Fiquei com saudades. – Murmurou com um biquinho triste e passou os braços ao redor dos ombros de John. – Você não apareceu para me visitar, então eu tive que vir te ver por conta própria... Garantir que você não havia voltado atrás em relação a nós dois.

John o abraçou com força e beijou o ombro dele enquanto suas mãos subiam e desciam pelas coxas do loiro.

— O médico disse que você precisa de repouso e a última coisa que eu iria te dar é descanso. – O moreno disse enquanto uma das suas mãos subia, se infiltrando por dentro da blusa até o abdômen de Sam. – Além disso... A sua mãe me expulsaria de lá a vassouradas.

Sam suspirou, abraçando-se mais ao moreno e sentindo-se arrepiar como um gatinho.

— Eu não quero descanso. – Reclamou ainda num tom manhoso. Depois um sorriso pervertido moldou seus lábios. – Eu quero isso daqui... – Sua mão boa desceu e apertou o volume na calça de John.

O moreno engasgou ao sentir o apertão de Sam em seu pênis que já havia se animado no momento em que o loiro entrou na sala. Ele se aproximou mais fazendo com que Sam passasse as pernas, um pouco desajeitado por causa do pé imobilizado, em volta da sua cintura e pairou os lábios perto dos dele, mas sem realmente beijá-lo.

— Sam... – Ele gemeu o nome do loiro com muita tesão, mas também com muito receio. – Eu estava morrendo de saudades de você. Mas aqui não é lugar para matar essa saudade.

O loiro suspirou de desgosto. Não era isso que seu corpo pensava, mas ele acabou apoiando uma mão na mesa e se inclinando para trás, no fundo ciente de que John tinha razão. Estavam em um orfanato e podiam ser flagrados por alguma daquelas criaturinhas inocentes. Olhou para o lado, distraído, e viu o porta-retratos. Seus olhos se arregalaram, e ele estendeu a mão para pegá-lo.

— E-Eu acho que nunca me senti especial dessa forma. – Mordeu o lábio, sentindo uma onda de emoção invadi-lo ao encarar sua foto com os filhos de John.

John ficou um sem jeito, olhando para todos os cantos da sala e, de vez em quando, para o rosto emocionado de Sam.

— Nunca fui muito bom em expressar meus sentimentos e ainda fico meio sem ação com tudo isso que está acontecendo ultimamente, mas eu estou tentando melhorar. Eu sei que você tem todos os motivos do mundo para pensar que amanhã eu posso voltar a ser como antes, mas estou realmente tentando. Uma vez você disse que não iria exigir que eu saísse do armário para todo mundo imediatamente e que iria querer só a mim... Eu ainda não estou preparado para assumir para a cidade, mas aos poucos, um pé depois do outro, eu vou conseguir. Os funcionários viram a foto e elogiaram. Eles não sabem do nosso relacionamento, mas eu já me senti um pouco mais confiante.

Ele segurou o queixo de Sam, que continuava olhando a foto agora com os olhos lacrimejantes, e fez com que ele o encarasse.

— Eu te amo, Sam. Estou sério nisso. – Murmurou antes de roçar a boca na dele e, mesmo sabendo dos riscos, fez sua língua pedir passagem para beijá-lo com toda a saudade acumulada.

Sam arquejou e entreabriu os lábios, sentindo a língua do moreno começar a explorar sua boca e se entrelaçar com a sua. Ele não estava nem um pouquinho acostumado com aquilo, com aquele John carinhoso e romântico. E provavelmente demoraria a se acostumar, a todo momento ficaria alerta, pensando “vou acordar a qualquer instante”. Bem, mas isso não o impediria de aproveitar aqueles beijos e carinhos.

— Não faço questão que você saia do armário para todo mundo de uma hora para outra. – Murmurou interrompendo os beijos, seus olhos ainda fechados. Abraçou John e descansou a cabeça no peito dele. – Mas se alguma biscate der em cima de você, ela terá sérios problemas com o penteado dela, e quem sabe ganhará algumas falhas capilares.

John não pôde deixar de rir e o apertou com mais força entre os seus braços.

— Sam sendo tão Sam. – Ele disse ainda rindo. – Acho que eu ter conseguido me aceitar já foi um grande passo. Ok, sem a Pintadinha talvez eu tivesse demorado mais um pouco para que a ficha caísse. Mas eu quero que todos saibam, eu quero me casar com você, quero que você vá morar lá em casa... Talvez o próximo passo seja ir conversar com a sua mãe? – Comentou um pouco incerto.

Sam ficou vermelho com a parte sobre casamento, mas ao escutar a ideia de o moreno ir conversar com sua mãe, de vermelho, seu rosto tornou-se branco.

— Nem pensar! – Falou nervoso, empurrando John pelos ombros. – Ela vai me matar se souber que estamos juntos. Oh, Deus... E ela vai te matar junto! Já não basta quando eu tiver que contar para o Damien!

A expressão de John se fechou quando Sam mencionou o nome do ruivo. Sim, ele ainda morria de ciúmes e isso podia fazer com que ele tivesse uma recaída para o John idiota que falava sem pensar e que magoava Sam.

— Por quê? – Perguntou irritado. – Ele vai ficar com ciúmes?

Sam revirou os olhos, pedindo aos céus por paciência.

— Já falei que entre eu e o Damien é apenas amizade! – Falou exasperado.

— Claro. – John desdenhou e se afastou dele ficando um pouco mais distante e cruzando os braços sobre o peito. – E aquela cena na cozinha não foi nada. Eu ainda tenho vontade de matar aquele desgraçado por colocar as mãos em cima do que é meu! – Sim, estava sendo a porra louca de um possessivo, mas o ciúme subiu totalmente à cabeça naquele momento.

— Não acredito que você já está usando esse tom de desdenho comigo de novo! – A voz de Sam começou a se tornar de briga. – Então vai ser assim, você não vai acreditar no que eu digo, e ainda vai me tratar como se eu fosse uma propriedade sua?!

John trincou os dentes. Ele não queria brigar, mas lembrar daquela cena na cozinha e tudo o que Sam falou depois sobre o ruivo desocupado o deixava fora de si.

— Como você quer que eu acredite depois de tudo que falou sobre como ele é na cama, como é gentil e carinhoso e sei lá que merda mais? – Perguntou nervoso. – Nós só transamos uma vez! E se quando fizermos de novo você descobrir que prefere ele?!

Sam colocou uma mão na testa, já sentindo princípios de dor de cabeça.

— John, eu já disse que eu e ele nunca transamos! – Falou irritado. – Custa entender?! Aquilo que você ouviu foi apenas uma encenação! Eu estava fingindo ser outra pessoa para ajudar o Damien a aceitar os sentimentos dele por essa pessoa! — Tentou explicar sem expor demais a vida do ruivo e de Taylor. Eles estavam juntos agora e provavelmente toda a cidade saberia disso em breve, mas Sam não se achava no direito de espalhar a fofoca antes, por mais que ele adorasse uma boa fofoca. E essa definitivamente era a melhor fofoca dos últimos tempos!

John estava bufando de raiva e começou a andar de um lado para o outro para tentar não estourar de vez.

Nesse meio tempo Davi entrou correndo na sala. O menino parou, olhou para Sam sentado na mesa do pai com os olhos arregalados, e depois para John praticamente soltando fogo pelas ventas e deduziu pela expressão deles que algo não estava bem.

— Vocês estão brigando? – Perguntou com o rosto se torcendo em uma expressão de choro.

— Ahm... Não, Davi, só estávamos conversando um pouco. – John disse tentando passar credibilidade no tom, mas o menino sempre sabia quando ele estava mentindo e lágrimas começaram a despencar dos olhos dele.

Rapidamente, John fechou a porta da sala e foi até Sam.

— Desculpe. Vou tentar ser menos ciumento, mas você tem que entender que isso é meio indissociável de mim. – Falou enquanto o abraçava.

— E você tem que entender que Damien é um grande amigo meu e não vou afastá-lo por sua causa, nem por causa de ninguém. – Sam resmungou ainda chateado, não retribuindo o abraço de maneira muito convincente. Havia visto um lampejo do John de antes, e isso o deixou assustado e inseguro. – Agora me solta e vai dar um colo pro seu filho.

John percebeu que Sam não o havia perdoado totalmente e por isso, antes de se afastar, falou em um tom baixo para que somente o loiro ouvisse:

— Eu estou inseguro e acho que isso só vai passar quando você estiver totalmente nu nos meus braços enquanto fazemos amor, e eu planejo fazer isso muito em breve com ou sem pé imobilizado!

Depois se afastou, deixando um loiro completamente enrubescido e arrepiado para trás, e pegou o filho no colo.

— Viu? Não estávamos brigando. – Afirmou, mas Davi ainda olhava de um para o outro com uma carinha de dúvida.

— Se vocês não estão brigados então o Sam pode ir dormir lá em casa no próximo final de semana? – Perguntou esperançoso.

— No próximo final de semana você vai ficar com a sua mãe, lembra? – John disse e aí o choro de Davi começou para valer.

— Não! Eu não quero ir. Quero que o Sam vá lá pra casa! – Exclamou desesperado enquanto lutava para descer do colo do pai e correu até Sam para abraçar as pernas dele.

John olhou para Sam pedindo ajuda.

O loiro puxou Davi para seu colo, apesar de certa dificuldade pelo pulso machucado.

— Minha traquininhas recheada, eu vou estar aqui em Canmore todos os dias, de todos os anos, em todos os finais de semana que você quiser ficar comigo, mas nem sempre você terá oportunidade de ver a sua mãe. – Sam falou para o pequeno, limpando as lágrimas dele. – Você tinha me contado que sentia saudades dela, não é? Então, ela também deve estar com saudades de você e vai ficar triste se você não for... – Sam falou, apesar de internamente ter suas dúvidas.

Porém se ainda havia amor naquela mulher pelos filhos, que Davi e Teo o recebessem, pois toda criança merecia o amor tanto do pai, quanto da mãe.

— Quando você voltar, prometo que durmo o próximo final de semana na sua casa. É promessa. – Esticou o dedo mindinho para o mais novo.

John olhou para os dois e, como sempre acontecia quando observava a inteiração entre eles, ficou surpreso e emocionado. Sam, com aquelas palavras, conseguiu acalmar Davi de imediato. O menino passou as mãos pelo rosto para limpar as lágrimas e aceitou o dedo que era oferecido para ele, tentando sorrir. Foi um sorriso sem muita convicção, mas um sorriso.

— É só o próximo final de semana. No final de semana do festival eu vou estar aqui! – Davi disse como que para garantir que Sam deveria esperá-lo para aproveitarem o festival juntos.

— Por falar em festival, nós temos que ir para a sala de reuniões. O pessoal deve estar chegando. Eu te levo, Sam, você não vai ficar andando por aí enquanto eu estiver por perto. – John falou enquanto se aproximava para pegar o loiro no colo e arrancou uma risadinha de Davi.

— Assim parece que vocês são recém-casados. – O menino disse.

— Eu posso ir de muletas. – Sam ainda teimou, genioso como era, fazendo o movimento de que sairia de cima da mesa.

John o ignorou completamente e o segurou no colo antes que ele descesse da mesa.

— Não comece com a teimosia, potrinho. – Murmurou baixinho perto da orelha dele para que Davi não escutasse. – Será que eu vou ter que usar dos meus métodos secretos de novo para te deixar manso?

— Convencido... – Sam resmungou, mas acabou passando os braços pelo pescoço do moreno, aproveitando o colo que recebia no estilo, como Davi bem apontara, “recém-casados”.

John o levou até a sala de reuniões, colocando-o sentado na cadeira ao lado da sua.

— Que horas a reunião começa? – Sam perguntou, apoiando um cotovelo na mesa e a bochecha na mão, enquanto Davi sentava ao seu lado.

— O pessoal deve estar chegando. Eu vou só buscar alguns modelos de panfletos que a gráfica enviou e o pendrive com a programação. Alguém acabou me distraindo e me fazendo esquecer isso na minha sala. – John segurou o queixo de Sam fazendo com que ele o fitasse e deu um leve beijo nos lábios dele.

Davi abriu um sorriso todo feliz.

— Não deixe o Sam fazer estripulias, Davi. Ele tem que ficar sentado! – Disse ao menino, que balançou a cabeça enfaticamente para indicar que entendeu a ordem.

— Sam, você e o meu pai vão casar, né? Aí você vai morar com a gente! Eu gostaria de ter dois pais. – Davi murmurou, timidamente, depois que John deixou a sala.

Sam arregalou os olhos um instante. Ele... Pai? Ok, ele podia ser tipo um tio legal que Davi gostava, e Teo odiava, mas... Pai? O loiro acabou engasgando e tossiu umas três vezes antes de se aprumar.

— Vem aqui. – Sam pediu e, quando o menino se aproximou, colocou-o em seu colo. – Eu não sei se eu e seu pai vamos nos casar, mas independentemente disso, eu sempre vou ser seu amigo e estar ao seu lado toda a vez que você precisar, ok? – Deu um beijo no topo da cabeça dele e passou a mão pelos cabelos castanhos do pequeno, começando desde a testa, o que fez Davi rir enquanto tinha a cabeça empurrada para trás. – Podemos brincar juntos e fazer muitas estripulias! Vamos deixar o seu pai louco da vida!

— Sim! – Davi falou empolgado e o abraçou. – Mas não agora. Agora papai disse que você tem que ficar sentado. – Murmurou, olhando para cima.

— Um dia ainda te transformo em um menino menos obediente. – Sam suspirou.

Quando John voltou, algumas pessoas já estavam na sala ocupando os lugares vagos. Ele desejou boa tarde e sentou na cadeira ao lado de Sam. Davi e o loiro conversavam aos cochichos e, se John bem entendeu, eles estavam planejando o que fariam na próxima ida ao rancho.

— Nada de montar para você, Sam. – O moreno disse contrariado.

— Nem tente me tratar como cristal. – Sam reclamou. – Foi um acidente, não irá se repetir.

A mãe de Sam, Mirian, chegou naquele momento. Ela levou um susto ao ver um dos filhos de John no colo de seu Samson, e os três conversando daquela forma próxima. É, Sam não havia contado a ela com quem havia passado o último final de semana, nem sobre sua aproximação recente com John. Tudo que ela sabia era que aquele homem destratava seu filho, da mesma forma que seu falecido marido costumava fazer. E ela não seria uma mulher fraca como antes para permitir aquilo. Nunca mais. Ela se culpava muito por ter sido tão submissa no passado e permitido que seu querido filho sofresse por tantos anos.

— Sam! – Ela chamou se aproximando e se sentou na cadeira ao lado do loiro. – Esse homem está te importunando? – Ela perguntou num tom suficiente apenas para que Sam e John escutassem. Por um momento, ela esqueceu completamente da criança no colo de seu filho.

John ficou tenso ao ver a mãe de Sam se aproximar e ainda mais quando ela falou com o filho. Tudo bem que ele havia dito que talvez o próximo passo fosse conversar com ela sobre os dois, mas ela não parecia nem um pouco inclinada a aceitá-los naquele momento (e se fosse sincero, John sabia que em momento nenhum ela aceitaria).

— Nós estamos apenas conversando amigavelmente, Sra. Hill – John disse educadamente. – O meu filho, Davi. – indicou o menino sentado no colo do loiro. – Gosta muito do Sam.

— Sim, eu gosto muito do Sam! – Davi abraçou Sam com força com medo que a mulher mandasse que ele o largasse. – Ele vai pra o rancho com a gente de novo.

Sam ficou pálido.

— De novo? – Mirian olhou para o filho, que sorriu amarelo. Ela estreitou os olhos, deixando claro que teriam uma conversa mais tarde, e depois sorriu para o menino. – Olá, Davi. Sou a mãe do Sam. Você deve lembrar... Sua mãe costumava ir cortar cabelo no meu salão e te levou junto algumas vezes.

— Mãe! Não é o melhor tópico. – Sam resmungou para a mulher. Antes de fazer seu curso de enfermagem, Sam costumava ajudar a mãe com o salão de beleza, tinha algumas técnicas para cortar cabelos. Ele até se lembrava de ter cortado o cabelo da ex-esposa de John algumas vezes e ter trocado uma ou outra palavra com um Davi ainda mais novo. – Mas essa reunião vai ou não vai começar?! Eu estou aqui morrendo de dor e não posso cansar minha beleza por tanto tempo! – O loiro ergueu a mão do pulso machucado, com o fixador, e falou com um ar brincalhão.

Várias pessoas estavam ali, entre elas Camille, Dakota, Marcus e, pouco depois, Taylor entrou junto com Tim.

— Desculpas pela demora. Tivemos uma intercorrência. – Ele falou se sentando com as costas bem retas ao lado do irmão. Em seguida, um homem de sessenta anos, cabelos castanhos apenas grisalhos e pele negra entrou na sala. Tinha estatura mediana e uma leve barriguinha, fora isso, estava em forma.

— Boa tarde, meu povo! – Disse ele, parando atrás de Taylor e Tim e colocando as mãos nos ombros de cada um. – Acho que me mudei para cá hoje! Meu filho aqui arranjou uma cidadezinha adorável para morar! Como novo morador, eu não podia deixar de me meter nessa reunião quando eu soube! Toronto que me desculpe, mas aquela cidade é um inferno! – Ele disse energético e depois se sentou ao lado de Tim. – Então, por onde começamos?

— Taylor, Tim... – Camille disse enquanto olhava para o homem que sentou ao lado do professor. Ela ficou impressionada com o porte dele. Estava viúva há muitos anos e sempre viveu para criar o filho e agora mimar os netos, então podia se dar ao luxo de olhar um pouquinho para o homem. – É o pai de vocês? O apresente apropriadamente, meninos!

— Tia Camille, esse é o Max. – Taylor indicou o pai. – Não se assustem com ele... Ele é sempre bem frenético. – “E muitas vezes inconveniente.” Taylor suspirou em pensamentos.

— Ah, mas se eu soubesse que encontraria moças tão bonitas por aqui, eu teria aparecido mais cedo! – Max se levantou e esticou a mão para Camille. Quando ela, com as bochechas vermelhas e as sobrancelhas erguidas, estendeu a mão, Max a pegou e a beijou. – Encantado, minha querida.

Taylor colocou uma mão sobre a testa. Seu pai nunca tinha limites. As outras pessoas na mesma riram, principalmente Sam.

— Tia Camille arranjou namorado! – O loiro implicou.

— O que foi que eu perdi? – Carl chegou naquele momento com Phil, Oliver e Charlie em sua cola. Camille imediatamente puxou a mão e sentou toda ereta na cadeira como se tivesse sido flagrada fazendo algo muito errado, mas Carl estava atarantado demais para perceber qualquer coisa. – Tive que trazer. A mãe e a avó estão aqui então não tinha ninguém para cuidar deles.

— Davi, leve os filhos do Carl para a brinquedoteca. Vocês podem se distrair por lá. – John pediu ao menino.

Davi, mesmo sem querer deixar Sam, acabou pulando do colo dele e foi até os três. Ele sorriu para Charlie e segurou a mãozinha dela.

— Ah, eu te conheço... Nós somos da mesma série, mas estamos em turmas diferentes. – Phil comentou enquanto colocava as mãos atrás da cabeça. – Você também foi no restaurante da vovó outro dia, mas quase não saiu do colo do Sam pra brincar com a gente.

— Vamos. Os adultos tem muita coisa para resolver. – Davi disse enquanto os guiava para fora da sala. Phil torceu o nariz de leve não gostando muito daquele tom “metido a adulto” do menino de falar, mas acabou o seguindo. Oliver estava distraído jogando um vídeo game portátil e nem ligou para nada.

— Então, vamos começar a reunião. – John disse enquanto ligava o projetor com as imagens que havia preparado para fazer a apresentação do que estava pensando para o festival. Ele segurou a mão de Sam por baixo da mesa e começou a acariciá-la de leve enquanto falava sobre o leilão das cestas de piquenique.

Sam corou de leve com a carícia e torceu para que Mirian não percebesse. No entanto, ela mantinha os olhos atentos sobre os dois. Em determinado momento, as ideias, sugestões e até mesmo algumas piadas (principalmente de Carl e Max) começaram a pipocar. Max piscou para Camille umas três vezes durante toda a reunião, deixando a mulher toda avermelhada, se abanando.

Haveria o leilão das cestas, o Baile dos Casais, o concurso de música, barraquinhas de beijos (na bochecha, claro), entre outras brincadeiras e ideias para arrecadar fundos e movimentar a cidade.

— Eu já tenho meu par para o baile em mente! – Max falou, olhando para Camille de uma maneira descarada e um sorriso muito branco em seus lábios.

Camille sentiu que sua face estava esquentando de novo. Aquele homem! Ele estava tentando transformá-la em um pimentão? Ela deu uma olhadinha para Carl, mas o filho estava muito interessado em discutir a playlist do baile com John para notar os flertes descarados que ela estava recebendo. Não que ela preocupasse muito com o que o filho ia dizer... Ora, ela era uma mulher livre. Mas precisava preparar o terreno primeiro.

— Eu também já sei quem é o meu par. – John murmurou próximo da orelha de Sam, mas rapidamente se afastou quando Mirian o fuzilou com os olhos. Se olhares matassem... – Aham... – Ele fez um som com a garganta para atrair a atenção de todos outra vez. – Então temos que decidir quem vai fazer as cestas. Eu vou preparar uma. Não que eu seja muito bom nesse tipo de coisa, mas vou tentar.

— Aposto que as garotas da cidade vão se estapear para dar os lances mais altos. – Camille disse bem humorada sem notar o desconforto de John com aquela afirmação. Sam apenas murmurou um “elas que tentem chegar perto”, mas tão baixo que ninguém ali escutou.

— Eu acho que a Srta. Camille deveria fazer também. Já me imagino dando o lance mais alto. – Max se sentou despojado na cadeira, sorrindo para Camille. – Já fiquei sabendo que é dona de um restaurante. Serei facilmente conquistado pelo estômago. – Ele colocou uma mão sobre a barriga.

— Pai! Controle-se! – Taylor disse exasperado. – Desculpa, tia Camille. Fazia tempo que eu não via meu pai assim. Acho que a senhora conseguiu despertar esse lado namorador dele de novo.

— Como é que é? Que conversa é essa? – Carl perguntou todo enciumando.

— Carl, continue discutindo com o John sobre a playlist e não ligue para o lado de cá da conversa. – Camille disse enfadada. – Eu vou ficar muito feliz se você der o lance mais alto, Sr. Max. Eu vou fazer os melhores quitutes para colocar na cesta.

— Mãe! – Carl exclamou incrédulo e foi ignorado pela mãe que continuou conversando com Max.

— Me chame apenas de Max, por favor. Nunca fui dado a formalismos, minha querida. – Max também ignorou Carl, e o rapaz murchou na cadeira.

— Deixa sua mãe namorar um pouco, Carl. Ela merece. – Dakota apertou a bochecha do marido.

Davi espiava a conversa dos adultos. Ele ficou um pouco na brinquedoteca, mas Oliver continuava com a cara enfiada no jogo e Phil começou a brincar com as outras crianças do orfanato. Ele era hiperativo demais para o gosto de Davi e o menino sentia um pouco de timidez perto de garotos extrovertidos e bagunceiros demais. Então ele voltou para a sala de reuniões e ficou espiando.

— Sabia que é feio ficar ouvindo atrás da porta? – Phil perguntou chegando atrás de Davi. Ele havia visto quando o menino deixou a brinquedoteca e ficou curioso para saber onde ele estava indo. – Uma vez eu tentei espiar o quarto dos meus pais. Eles trancaram a porta e deixaram a gente de fora. Meu pai me pegou e me botou de castigo.

Davi quase deu um pulo e se virou rápido.

— Eu não estava ouvindo atrás da porta! – Resmungou baixinho, ficando vermelho. – Era pra você estar na brinquedoteca...

Phil fez uma careta.

— Você parece o meu pai falando. “Era pra você estar quieto!” – Disse, imitando o tom de voz do pai. – Você ‘tá aí doido pra voltar pra o colo do Sam, né? Você tem a minha idade. Não deveria ser tão criancinha! Quem precisa de colo é criança da idade da boba da Charlie!

Os olhos de Davi se encheram de lágrimas.

— Você é o bobo! – O empurrou e saiu correndo em direção ao pátio. Quando chegou lá fora, se agachou contra a parede e abraçou os joelhos, soluçando baixinho.

Phil se desequilibrou e quase caiu. Não que Davi tivesse forças para derrubá-lo. Ele era todo magrinho e fraquinho. Foi mais pelo susto. O menino estava acostumado a falar e a pessoa (muitas vezes seu irmão gêmeo) responder, e depois ele falar de novo, e a pessoa de novo e ficavam naquela até começar uma briga. É, Phil era meio encrenqueiro e geralmente batia de frente com todos os meninos da escola. Pelo jeito Davi não era como ele ou os outros meninos.

Phil acabou seguindo Davi e o encontrou chorando em um cantinho.

— Desculpa. – Murmurou sem jeito. – Eu não queria fazer você chorar. Se você gosta do colo dele, não vou dizer mais nada sobre isso.

— Você é igualzinho os meninos do colégio... Que ficam me chamando de fracote, bichinha e... – Fungou para conseguir continuar. – E dizendo que sou indesejado, porque minha mãe me abandonou... – Seu choro continuou, contido.

Phil arregalou os olhos e se ajoelhou do lado dele.

— Quê? Como assim eu sou igual aqueles lá? – Ele exclamou enquanto espalmava as mãos nas bochechas de Davi e olhava diretamente nos olhos dele. – Eu nunca chamei ninguém de bichinha nem vou chamar! – Afirmou. Primeiro que ele nem sabia que tipo de coisa era aquela. Como ia chamar alguém de algo sem nem saber do que estava chamando? – E eles não sabem de nada sobre a sua mãe! Meus pais também brigam de vez em quando. Os seus podem voltar a se entender um dia, não podem? Ela não te abandonou. – Falava todo atrapalhado na tentativa de consolá-lo.

Davi fungou e abaixou o rosto. Para perplexidade de Phil, ele o abraçou.

— Eles não vão se entender. Ela tem uma nova família bem longe daqui. Eu odeio ir para lá, porque ela só dá atenção pros novos filhos dela... – Sussurrou, abraçando Phil. Depois se afastou com as bochechas coradas. – D-Desculpe. – Disse.

— Então não vai. – Phil disse como se fosse a solução mais simples do mundo. – Diz pra o seu pai que não quer ir. Se ele te obrigar a ir... – O menino baixou o tom de voz e encostou a testa na dele pronto para propor uma travessura. – Você foge e eu te escondo lá em casa.

O rosto de Davi se iluminou.

— Sério!? – Perguntou, mas depois pareceu culpado por antecedência. – Mas o papai ficaria tão preocupado...!

— Humpf! – Phil resmungou. – Pais tem que aprender a não ficar obrigando a gente a fazer o que a gente não quer! Leve isso como uma lição para ele! – Ele disse usando o tom de “sabedoria”.

— Mas... – Davi hesitou, colocando um dedo sobre o queixo. – Eles geralmente querem o nosso bem, não?

— Quase sempre. – Phil encolheu os ombros. – Só que você diz que não gosta de ir pra casa da sua mãe e que fica triste quando vai. E ficar triste não é legal. Eu vi você sorrindo pra Charlie. É bonito. – Phil colocou o indicador na bochecha de Davi e começou a cutucá-la de leve. – Você tem que sorrir. E se for pra casa da sua mãe não vai sorrir. Deixar o seu pai um tiquinho preocupado não tem problema. Eles sempre perdoam a gente depois. – Ele parou e pensou um pouco. – Depois do castigo perdoam a gente.

Davi começou a se encolher ao ter a bochecha cutucada, soltando uma risada entrecortada. Ele corou com o elogio ao seu sorriso e sentiu algo no peito, mas nem entendia o que era (Amizade? Com alguém da sua idade?). Só sabia que era bom, então ele olhou para Phil e abriu um sorrisão.

— Então você me esconde na sua casa! – Falou animado.

— Sério? – Phil se ergueu de um salto e começou a esfregar as mãos. Ele gostou de ver Davi sorrindo para ele. Talvez tivesse ficado com um pouquinho de raiva por ele ter sorrido para Charlie e o deixado de lado antes e por isso foi chato. – Então vamos começar a preparar tudo! – Disse com um sorriso sapeca nos lábios. – Vamos falar com o Oliver! Ele vai ajudar. A boba da Charlie não. Ela conta tudo pra mamãe!

— Charlie não é boba. É minha amiga. – Davi rebateu logo, cruzando os braços.

Phil ia rebater, mas os adultos começaram a aparecer. John apareceu e o pegou no colo, perguntando o que havia acontecido, pois havia rastros de choro em seu rosto. Davi mentiu e disse que havia tropeçado e batido o joelho. Taylor e Tim vinham logo depois. Tim aparentemente reclamava por também precisar fazer uma cesta a ser leiloada.

Max e Camille saíram do orfanato de braços dados. Max soltava frases elogiosas, e Camille ria e abanava a mão, dispensando-o, os dois aos sorrisinhos. Atrás deles, seguia um Carl nada contente com Charlie no colo, acompanhado de Dakota, que segurava Oliver pela mão. Por fim, vinha Sam junto com Mirian, que o ajudava a caminhar e falava que chamaria um táxi.

— Filho, vamos! – Dakota chamou por Phil.

— Tô indo! – Ele ergueu a mão e se virou para Davi que estava no colo do pai. – Você tem celular? – Perguntou ao menino.

— Para que uma criança de seis anos precisa de um celular? – John respondeu pelo filho.

— Pra falar com os amiguinhos, ora! – Phil retrucou como se fosse a resposta mais óbvia do mundo. – A gente se fala na escola, então. Convence o seu pai a te dar um celular! – Abanou a mão em um “tchau” e correu para perto dos pais.

— Davi! – John exclamou exaltado. – O que você andou conversando com esse menino?

— Nada, pai... – Davi murmurou, abraçando-o e escondendo o rosto no pescoço do pai.

Sam passou por eles e se despediu apenas de Davi, praticamente ignorando John para que a mãe não desconfiasse de nada.

John observou Sam e a mãe se afastarem e sentiu um aperto no peito pela ignorada que levou. Ok, ele entendia, mas meio que seu lado irracional ficou chateado por Sam não assumir a relação dos dois para Mirian. Era assim que Sam se sentia quando John o ignorava antes? Se fosse, John tinha mais uma coisa pela qual pedir desculpas de joelhos.

— Pai, o celular... – Davi começou a falar.

— Nem comece! – John o interrompeu. Era só o que faltava. Seu filho falou cinco minutos com o filho encrenqueiro de Carl e já estava querendo colocar as “asinhas” de fora.

Ah, mas John teria uma conversa séria com Carl sobre Phil enchendo a cabeça de outras crianças.

Notas finais
Tivemos tantas coisas nesse cap. Banho, John e Sam, Sam e Davi, Pai do Taylor e do Tim, Devon levando outro fora do Tim ahuahauhauhauhauhauahu Mas com certeza eu não consigo parar de vomitar arco-iris com o Davi e o Phil. Que fofura é essa? Não aguento. É fofura demais em duas pessoas! Até o próximo cap. :) Beijos!!!! Bia.