Café
1 A Xícara de Café
Notas iniciais
Essa história era até então algo muito pessoal, tanto que não postei. Mostrei para as pessoas mais próximas à mim e todas choraram e gostaram muito, então por que não ? Boa leitura.
Uma mulher de cabelos negros e olhos castanhos estava passando na rua de Londres com o seu vestido longo e creme. Ela passou na porta de um café que ela sempre tinha vontade de entrar e pela primeira vez, resolveu arriscar. Era uma quarta feira de Sol, o que era raro, o relógio marcava três horas da tarde. Após pedir um café e um biscoito, se sentou em uma mesa e tirou uma xícara da sua bolsa. Todos olharam estranho para ela quando começou a colocar o café na sua xícara. Ninguém entendia o motivo daquilo, mas ela sabia.
Assim que terminou, deixou a mesa sem olhar para trás e acabou esquecendo a xícara por distração enquanto lia um livro. Um homem que estava à mesa ao lado percebeu e logo foi correndo atrás da moça. Quando a alcançou e ela olhou em seus olhos azuis, a mulher soube naquele momento. Era o garoto de olhos azuis e cabelos castanhos que havia conhecido quando criança e tinha sido seu primeiro amor da adolescência. Era quem havia lhe dado aquela xícara.Os dois começaram a conversar e nisso, passaram a se encontrar todas as quartas, às três horas da tarde no mesmo café. A amizade cresceu, o amor se formou e então tudo se fortaleceu após resolverem casar e ter duas filhas. Anos se passaram e continuaram com a mesma rotina, se encontrarem no mesmo café, as quartas, com o relógio marcando três horas da tarde. Quando o homem completou 75 anos e a moça 70, ele faleceu. A rotina dela não se quebrou porém, continuou fazendo a mesma coisa que fazia quando seu marido era vivo. Um dia, contudo, ela se sentiu muito cansada para sair de casa e resolveu fazer uma coisa diferente. Ela arrumou a mesa como fazia todas as manhãs e noites quando seu marido era vivo, se sentou em seu lugar e arrumou a mesa para dois. Pegou o retrato dele de quando era mais novo e colocou na mesa no seu lugar de sempre. O espelho de frente para ela refletiu seus cabelos brancos, pele enrugada e olhos castanhos, mas ele permanecia o mesmo, como ela via aos seus olhos mesmo quando estava velho. O relógio marcou três horas. Sua filha no mesmo dia, resolveu visitá-la pois sabia que ela ficava muito sozinha por agora. A filha pegou sua chave da casa e abriu sorrindo. Entrou chamando por sua mãe e seus olhos a encontraram. A moça estava deitada na mesa com um braço dobrado e o outro estendido alcançando o retrato do seu falecido marido. Ele sorria para ela e a mesma continha um leve sorriso no seu rosto. Ao mesmo tempo naquele dia, quando o relógio parou de bater três horas, o seu coração o acompanhou.
Notas finais
Não quis colocar nomes nas personagens e nem falas porque achei desnecessário. Acho que essa história não pertence à mim, mas sim aos meus personagens, então quis manter algo bem neutro. Cada um imagine um nome, um diálogo, tudo. Espero que tenham gostado!
Beijoooos! ;)
Beijoooos! ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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