Café e Chocolate
1 Capítulo Único
— Não acredito que você me fez vestir essa roupa de almofadinha. — Sun reclamou puxando sua camiseta social branca que tanto o incomodava.
— Você que quis vir, eu não te convidei. — Blake respondeu meio ríspida, ela estava com o cardápio em mãos sobre a mesa pronta para se esconder atrás dele caso necessário.
— Eu quero ver essa garota misteriosa que você tá afim e ajudar, claro, porque se for depender de você, Blake Bella-emo, você vai ficar ai olhando a garota em seu canto para o resto da vida, enquanto o possível amor de sua vida encontra outra pessoa, casa, tem filhos e você aí no canto curtindo a solidão e chupando o dedo como um gatinho abandonado.
— Chega, Sun! — Blake bateu o cardápio na cabeça de seu amigo loiro o fazendo parar com a tagarelice.
— Eu falei alguma mentira? — Ele passou a mão bem no local onde havia sido atingido. — Ai, isso doeu, por que você tá sempre me batendo?
— E por que você está sempre se intrometendo na minha vida?
— Eu já disse, então, cadê ela?
Blake voltou a sua posição inicial e escondeu parte do rosto por trás do cardápio.
— Ela ainda não chegou. — respondeu em uma voz muito baixa.
— E que horas ela chega? Estou ansioso, quero vê-la!
Blake olhou para o grande relógio de madeira negra que ficava acima do balcão da cafeteria, dois atendentes alternavam-se recebendo os pedidos e os preparando em máquinas de inox e xícaras de porcelana. Eram três e quarenta e cinco da tarde.
— Ela costuma chegar para tomar café pontualmente às quatro horas.
— Sabe, você deve gostar muito dessa garota, digo, para logo você vir para um lugar desses.
— Não é para tanto.
Blake disse aquilo, mas ela sabia que não era verdade. Ela sempre foi uma pessoa para chá, nunca seu paladar apreciou café como todas aquelas pessoas que frequentavam a cafeteria da praça faziam. Normalmente ela pediria um capuccino apenas para consumir alguma coisa, mas frequentemente a xícara voltava pela metade quando Blake ia embora.
O único motivo para Blake continuar indo todos os dias aquela cafeteria era a garota de cabelo branco. Um dia, ela estava passando pela praça e decidiu entrar ali para comprar alguma coisa para comer, talvez um doce ou um pedaço de bolo, mas achou algo muito melhor…
Ela estava sentada em uma mesa no canto da janela, um livro em uma das mãos e na outra uma xícara branca fumegante. Blake conhecia aquele livro, era um romance de época meio lento e introspectivo, não era o tipo preferido dela, mas parecia combinar bem com uma garota tão bonita e elegante. Blake achou adorável, queria ir lá e falar com ela, mas sua timidez falou mais alto e ela se sentou em uma cadeira do outro lado do estabelecimento e observou em silêncio.
Ela decidiu que voltaria no outro dia e se o destino tivesse do seu lado, ela poderia ter outra chance de falar com a garota de cabelo branco. E assim Blake fez e assim como do primeiro dia, ela voltou para casa sem ao menos trocar olhares com sua, agora, paixão platônica. E assim os dias se seguiram sem nenhum progresso.
Sun estava certo em tudo que ele havia dito, e Blake sabia, talvez ele pudesse lhe dar a coragem que lhe faltava para enfim falar com…
— É ela… — Sua boca ficou seca imediatamente ao ver a garota de cabelo branco entrando, ela estava tão linda como sempre, sua roupa branca impecável, seu longo cabelo sedoso amarrado com perfeição em um rabo de cavalo, a bolsa cara em seu ombro e livros nos braços.
— Uou! Que gata! E parece ser rica! — Sun exclamou sem a mínima discrição, para desespero de Blake, que imediatamente escondeu o rosto atrás do cardápio. — Você tem de falar com ela!
— Não! — Blake disse entre os dentes e com seu rosto ainda meio escondido, ela viu a garota caminhar até o balcão, fazer seu pedido e depois ir até a sua costumeira mesa perto da janela.
— Sim! Você tem de ir falar com ela! Do que você tem medo?
— E se ela me achar estranha? Ou se ela já tiver com uma pessoa? Ou se ela achar que eu estou a perseguindo…
— Do jeito como você tá fazendo agora? — Sun interrompeu e Blake parou com a boca aberta sem saber o que responder.
— Ah, você entendeu o que eu quis dizer.
— Não, o que eu entendi é que você só pensa nos “e se” ruins. — Blake levantou uma sobrancelha e abaixou o cardápio para ver seu amigo melhor, então Sun continuou — E se ela gosta de você? E se ela não tiver ninguém? E se ela também te achar bonita? Que por acaso, precisa ser muito cego ou ter muito mal gosto para pensar o contrário.
Blake fechou o cardápio na mesa e sorriu para ele, Sun retribuiu o sorriso:
— Sabe, se você não for lá e tentar, nunca vai saber e vai ficar ai se torturando para sempre.
— Você… tem razão! Eu vou lá! — Blake se levantou, mas logo seu sorriso morreu em seus lábios e ela voltou a se sentar. — Mas o que eu vou dizer? Eu não posso dizer que estou a duas semanas olhando ela de longe, ela vai pensar que eu sou uma stalker!
— É porque você é! — Sun riu. — Ok, desculpe, não precisa me olhar com essa cara feia! Finge que é a primeira vez que você a viu, diz que a achou interessante ou melhor ainda, puxa assunto com o livro que ela tá lendo, você sabe tudo de livros! Você é a bookgirl!
— Sun! — Blake o censurou, mas logo abriu um sorriso. — É uma boa ideia, obrigada.
Sun levantou o polegar em apoio ao ver a amiga começar a ir na direção da garota de cabelo branco. A cada passo que Blake dava ela se sentiu mais nervosa, suas mãos suavam da mesma forma de quando ela tinha de fazer uma apresentação em público na escola, ela tentou se concentrar no que diria quando enfim chegasse lá. O livro que ela estava lendo era diferente, e por Deus, Blake conhecia e adorava aquele livro, O Homem de Duas Almas, ela tinha a perfeita desculpa para falar com sua paixão, mas claro, algo tinha de dar errado.
Ela parou bem diante da mesa, a menina de cabelo branco levantou a cabeça e olhou diretamente para ela e o coração de Blake deu um pulo, ela abriu a boca, mas antes que qualquer som saísse, ela esbarrou no atendente, ele se desequilibrou e caiu sobre a mesa e a bandeja por cima da garota. Ela estava tão distraída que não o havia notado.
Blake viu com horror o café quente arruinar a roupa da garota, ela se levantou em um pulo soltando um pequeno grito espantado.
— Ah, meu Deus! Me perdoe, senhorita Schnee! — O pobre atendente disse em completo desespero, ele tentou limpar a roupa da garota com um pano, mas o café havia deixando uma mancha feia no delicado tecido branco.
Blake ficou paralisada, completamente sem ação, logo apareceu o gerente e outros funcionários, todos pedindo desculpas pelo ocorrido, o atendente que havia se envolvido no acidente era o mais desesperado pensando que aquilo significaria um demissão certa, mas a garota falou que tinha sido um acidente e que não havia motivos para uma dispensa. Foi a primeira vez que Blake ouviu sua voz, ela achou que era bonita e apropriada, apesar do barulho a sua volta, ela podia ouvir outros cliente cochichando sobre, ela queria sair dali e enfiar sua cabeça em um buraco e esquecer de tudo, mas suas pernas não se moviam. Felizmente para ela, Sun estava lá, ele agarrou seu braço e a puxou para fora.
— Nossa, mas que chegada, em? — Ele falou quase rindo.
— Ah não, Sun, eu estraguei tudo! — Ela cobriu o rosto com as mãos completamente envergonhada.
— Eh, você estragou tudo, mas… — Blake levantou a cabeça um pouco para olhar seu amigo. — Mas não significa que não tenha conserto.
~**~
Weiss entrou em sua cafeteria preferida, ela já frequentava aquele estabelecimento a meses, a comida era boa e o ambiente agradável, mas o que lhe fazia ir ali todas as tardes era o café do lugar, tinham uma ampla variedade para saciar sua constante necessidade de cafeína.
Ela se sentou em sua habitual mesa e quando o atendente veio até ela entregar seu pedido, Weiss viu que havia um prato a mais:
— Desculpe, acho que se enganou, eu não pedi isso.
— Alguém lhe mandou. — O atendente sorriu e lhe deu uma piscadela, Weiss reconheceu que era o mesmo funcionário que derramou café em cima dela uma semana antes.
Weiss fechou a cara assim que ele deu as costas e saiu, ela viu um pequeno cartão ao lado do prato onde uma mini torta de chocolate estava esperando para ser comida, ela já imaginava o que aquilo significava e ela não estava gostando. Na hora do acidente, Weiss perdoou imediatamente o funcionário, apesar de uma de suas melhores roupas ter sido arruinada, mas usar isso para flertar como ela? Isso era inaceitável!
Começou a ler apenas para se certificar e assim que viu um pedido de desculpas ela franzindo o cenho, Weiss levaria o caso a gerência, sem dúvidas, mas alguma coisa estava estranha. Logo abaixo do pedido de desculpa havia um trecho do livro que ela estava lendo:
“Às vezes a única coisa que falta para duas almas distintas se unirem é dar uma chance para que uma ponte seja criada a fim de ligá-las.”
Weiss não pode deixar de abrir a boca impressionada, aquela era justamente um dos trechos que ela mais havia gostado, inclusive, o marcou com um post-it. Não! Ela balançou a cabeça, não era possível! Como ele poderia saber daquilo? Ele estava a espionando? Que absurdo! Um funcionário fazendo aquilo com uma cliente?
— Não pude deixar de notar que estávamos lendo o mesmo livro. — Uma voz feminina disse e Weiss levantou a cabeça apressada para ver uma bonita garota morena de olhos cor de âmbar. — Desculpe te importunar e… desculpe pelo que aconteceu semana passada.
Weiss a reconheceu.
— Você? Eu lembro de você.
Ela viu o rosto da menina corar.
— Me desculpe… — murmurou se virando. — Vou deixá-la em paz.
— Não, espera! Foi você quem escreveu isso? — Ela assentiu hesitante. — Ah, que alívio.
— Alívio? — Ela parecia bem confusa com a fala de Weiss.
— Sim, eu achei que aquele funcionário estava dando encima de mim. — explicou sorrindo para a outra garota. — Senta, se você quiser. — Weiss fez um gesto com a mão para ela sentar-se na cadeira a frente.
— Obrigada. — disse com sua melhor tentativa de sorriso.
— Meu nome é Weiss. — Ela se apresentou.
— Blake, meu nome é Blake.
— Então, você também está lendo O Homem de Duas Almas? — Puxou assunto antes que o silêncio se arrastasse mais.
— Sim! Relendo para falar a verdade, é um dos meus livros preferidos. — Blake se animou e Weiss percebeu claramente a mudança de humor da garota apenas por mencionar aquele assunto.
— Eu estou gostando bastante, como sabia que aquela era minha parte preferida? — perguntou Weiss.
Um vermelho se arrastou pelo rosto de Blake.
— É sua parte preferida? Eu não sabia… é uma das minhas partes preferidas também.
— Então você escolheu por que era a sua parte preferida?
— Não, na verdade… — Blake se interrompeu comprimindo os lábios para não dizer algo constrangedor.
— Na verdade... ? — Weiss insistiu, para o desespero de Blake.
— Sim, foi por isso. — mentiu. — Acho que é uma feliz coincidência que nós duas temos a mesma parte preferida. —Blake examinou a mesa como se fosse a coisa mais interessante do mundo, apenas para não precisar olhar para os olhos de Weiss que obviamente não acreditou nela.
— Suponho que sim… mal pergunte, onde está seu pedido? — perguntou levando sua xícara de café aos lábios.
— Ah… eu… acho que esqueci de pedir.
Weiss a avaliou por alguns instantes, na cabeça de Blake ela estava fazendo papel de idiota.
— Então vamos pedir alguma coisa para você. — Ela levantou o braço e em um instante o atendente estava lá.
— O que posso fazer para servi-la, senhorita Schnee? — Ele disse educado.
— O que você gostaria? — Weiss perguntou se virando para Blake.
— Ah, pode ser qualquer coisa. — Sorriu um pouco forçada.
— Que tal um expresso? Pode ser? — Blake assentiu e logo o atendente se foi. — Por favor, me acompanhe. — Weiss disse empurrando o prato com a torta de chocolate para mais perto da outra garota.
— Obrigada. — Blake sentiu seu rosto corar com a gentileza da outra garota.
Logo o atendente voltou, muito mais rápido que o habitual, ele colocou a xícara de expresso na frente de Blake.
— Mais alguma coisa que eu posso fazer pela senhorita Schnee? — Weiss o dispensou educadamente.
— Impressão minha, ou ele te trata melhor do que os outros clientes? — perguntou Blake.
— Possivelmente. — respondeu Weiss quase indiferente. — Não pense que gosto, mas por causa do meu sobrenome as pessoas tendem a me dar um tratamento diferenciado onde eu chego, eu não gosto dessa distinção, mas não há nada que eu possa fazer para evitar isso.
— Entendi, eu sei como é.
— Sabe?
— Sim, meu pai foi prefeito por muitos anos da cidade onde eu nasci, as pessoas também me tratavam diferente… eu detestava toda aquela atenção que me davam.
Weiss sorriu para ela:
— Parece que temos muito mais coisas em comum do que apenas o livro.
Blake sentiu seu rosto queimando, mas um sorriso apareceu em seus lábios, ela estava consciente de que ela estava sendo bem pouco discreta com suas reações, então ela levou a xícara de expresso a boca para disfarçar, mas o gosto amargo do café puro fez seu rosto contrair em repulsa.
— O que houve? O café está ruim? — Weiss perguntou preocupada.
— Não, é que eu…
— Você?
— Eu não gosto de café. — admitiu.
Weiss fez uma cara confusa e olhou avaliativa para Blake.
— Então o que faz em uma cafeteria, se você não gosta de café? — perguntou já imaginando a resposta.
— Por… sua causa. — confessou.
— Então no final das contas o bilhete era um flerte mesmo. — Weiss disse levando sua xícara a boca novamente e assim disfarçando um pequeno sorriso que surgiu em seus lábios.
— Me desculpe, eu… eu sei que isso é bem chato, vou te deixar em paz. — Blake começou a se levantar.
— Espere! Quem disse que acho chato? — Blake voltou a se sentar e Weiss continuou. — Eu reparei em você também, mas vi você com aquele rapaz loiro…
— O Sun? — Ela interrompeu. — Ele é meu amigo, amigo de infância.
— Bom saber. — Weiss sorriu.
Blake levantou uma sobrancelha e um sorriso torto pintou em seu rosto.
— Não! O que eu quis dizer é que… é que sabe, eu… na verdade… — Weiss se atrapalhou sem conseguir articular uma desculpa enquanto fazia seu melhor para disfarçar a vermelhidão que se espalhava por seu rosto.
— Eu já entendi, não precisa se justificar.
— Claro que precisa, não quero que pense que eu sou algum tipo de esquisita assediadora, porque eu estava… te olhando. — A voz de Weiss foi abaixando a cada palavra dita até o ponto de não passar de um sussurro, ela não conseguia manter contato visual com Blake tamanha era sua vergonha.
Ela escutou uma risada e quando levantou a cabeça, viu Blake lutando para conter o riso, Weiss estava prestes a perguntar de forma aborrecida o que havia de tão engraçado, mas a morena falou primeiro:
— Que engraçado, eu estava exatamente na mesma situação, desde a primeira vez que te vi, queria falar com você, mas estava tão paranoia imaginando que você pensaria que eu era uma stalker estranha que não fiz nada.
Weiss se demorou alguns segundo vendo Blake que pela primeira vez parecia verdadeiramente relaxada… ela achou adorável. Se a morena pudesse ficar mais bonita do que já era, seria daquela forma: rindo.
— Quando eu te vi indo na minha direção naquele dia, quase tivesse um ataque do coração. — Weiss riu também.
— E eu? Estava tão nervosa que minhas mãos estavam suando! Nem vi o garçom! — O sorriso de Blake desapareceu em um segundo. — Me desculpe por aquilo, foi um desastre. — Ela cobriu o rosto com as mãos.
— Imagina, é claro que você não fez de propósito. — Weiss disse e Blake a olhou agradecida. — Sem falar, que seu pedido de desculpas é adorável. — Ela apontou para o prato de torta e o bilhete.
Blake sorriu se sentindo nervosa novamente, mas aquela vez, era um nervosismo agradável de perceber que estava sendo correspondida por Weiss.
— Você nem tocou na torta. — advertiu.
— Vamos comer juntas? — propôs Weiss e Blake assentiu. — Comerei um pouco para não fazer uma desfeita, mas eu não sou muito fã de chocolate. — comentou.
— O que? Você não gosta de chocolate? Mas todos amam chocolate! — exclamou Blake e Weiss deu de ombros como se não fosse algo de importância. — Eu amo chocolate.
— Então pedirei um chocolate quente para você.
— Servem isso aqui? — Blake pareceu confusa por um instante.
— Não tem no cardápio, mas… quem negaria um pedido de Weiss Schnee. — ela terminou a frase dando uma piscadela e Blake sorriu.
Weiss chamou o atendente e pediu o chocolate quente que Blake ficou muito feliz de aceitar, as duas dividiram a torta, mas a morena acabou comendo a maior parte, não houve tempo para reparem nesse detalhes, elas estavam muito distraídas conversando, sorrindo e trocando olhares que aos poucos iam se tornando cada vezes menos tímidos.
Sentindo-se mais corajosa do que nunca, Blake deslizou sua mão pela mesa até encontrar com a de Weiss que sorriu satisfeita com o contando.
— Eu adorei te conhecer. — Weiss disse.
— Eu também adorei te conhecer.
Elas sentiam que poderia passar horas apenas se olhando daquela forma, mas o rosto de Weiss se fechou em uma fração de segundo.
— Meu Deus! Já está de noite! — exclamou olhando pela janela da cafeteria. — É melhor eu ir, se não, vou ter problemas.
— Espere, não quer que eu te leve até a sua casa? Ou você veio de carro? — Blake se levantou apressada vendo Weiss arrumar suas coisas com certa urgência.
— Não, eu moro perto daqui.
— Então deixa eu te acompanhar?
Weiss a olhou, parecia esta pensando nos prós e contras de aceitar, por fim, ela sorriu e disse:
— Claro, que mal há nisso.
Blake acompanhou Weiss por alguns quarteirões até chegarem a seu prédio de apartamento, conversando uma com a outra, a caminhada foi surpreendente rápida e ambas as meninas não puderam disfarçar a decepção em seus rostos quando enfim chegaram a seu destino e perceberam que teriam de se despedir.
— Então é aqui? — Blake falou meio desanimada olhando para a entrada do prédio.
— Sim, terceiro andar, apartamento 22. — Weiss disse distraída. — Caso você queria vir me visitar… qualquer dia. — Se apressou a completar.
— Você… eh… mora sozinha? — Blake se sentiu extremamente nervosa novamente por perguntar aquilo.
Weiss levantou uma sobrancelha para ela.
— Não é nada disso que você está pensando, eu apenas, quer dizer, ah, esquece isso que eu acabei de perguntar. — Blake estava pronta para se despedir, correr para casa, enfiar sua cabeça nos travesseiros e esquecer aquele papelão que ela havia feito.
— Está tudo bem, Blake. — Weiss respondeu calmamente. — Não tem problema nisso, e respondeu a sua pergunta, não, eu tenho uma colega de quarto atrapalhada chamada Ruby, nos dividimos as despesas e estudamos na mesma faculdade.
— Entendi… — Blake se sentiu mais tranquila pela serenidade que Weiss estava tratando todo o assunto. — Então, vamos nos encontrar de novo?
— Depende… — Weiss tinha um sorriso divertido no rosto.
— Depende de que? — Blake se inquietou esperando a exigência da outra garota.
— Depende se você beija bem ou não. — Weiss sorriu se virando diretamente para morena e a viu com uma expressão estupefata no rosto. — O que? Rápido demais? Eu achei que nós poderíamos… ah, me desculpe, eu não queria… oh não, só me desculpe. — Weiss virou o rosto para esconder sua vergonha.
Blake balançou a cabeça para ter certeza que não estava sonhando e que o que tinha acontecido era completamente real… definitivamente… era! Teve absoluta certeza quando puxou Weiss em seus braços, ela fez uma expressão surpreendida, mas logo sorriu quando Blake colocou uma de suas mãos em seu rosto e depois fechou a distância entre elas.
Uma onda agradável percorreu todo o corpo de Weiss, a única coisa que ela conseguia pensar era que os lábios de Blake eram macios e tinham gosto de chocolate. Ela nunca havia apreciado chocolate, até aquele dado momento, pois agora ela passou a pensar que o gosto de chocolate era delicioso.
Os lábios de Weiss, por outro lado, tinham sabor de café e Blake, que nunca foi de apreciar café, pensou que não poderia ter sabor melhor para experimentar.
— Faz tempo que eu não faço isso… — Weiss murmurou ainda de olhos fechados quando elas se separaram só um instante.
— Eu também. — Não era mentira, fazia tempo que Blake não ficava com ninguém e por isso ela não estava tão disposta a deixar Weiss ir tão rápido, ela a beijou mais uma vez, agora com um pouco mais de intensidade.
Weiss estava começando a perder o pouco de controle que lhe restava, ela sabia disso no momento que acabou deixando escapar um pequeno gemido dentro do beijo, isso pareceu animar Blake que tocou em seu lábios com a língua, ela tinha certeza que não a recusaria, mas quando o carro passou perto delas o bom senso caiu nas duas garotas como um balde de água fria. Elas estavam na calçada de frente para a entrada do apartamento de Weiss. Elas se separaram em uma fração de segundo, para contragosto de seus corpos que ainda desejavam ficarem juntos.
— Me desculpe, espero que isso não te cause problemas. — falou Blake soando culpada pelo ocorrido.
— Não se desculpe, isso foi realmente alguma coisa.
Blake sorriu querendo não parecer presunçosa, mas era difícil disfarçar quando era exatamente assim que ela se sentia.
— Significa que vamos nos encontrar de novo?
— Oh, sim, com certeza, sim! — Weiss lhe deu um sorriu torto que Blake gostou de interpretar como lascivo.
Ela sorriu e se despediu de Weiss combinando de se encontrarem na mesma cafeteria e no mesmo horário no dia seguinte, a morena se inclinou só um pouco e beijou de forma casta os lábios de Weiss antes de ver ela entrar pela porta do prédio, Blake não pode deixar de suspirar aliviada e depois sorrir animadamente pensando em como tudo tinha ido muito melhor do que tudo que ela havia imaginado. Correu para casa, ela tinha de contar tudo que aconteceu para Sun, claro que ouviria um monte de piadas e provocações, mas Blake não se importava, ela estava feliz demais, até mesmo as brincadeiras de seu amigo seriam ótimas se significasse pensar em Weiss.
Weiss fechou a porta de seu apartamento atrás de si e soltou um suspiro alegre se encostando na madeira, ela ficou de olhos fechado com um sorriso bobo na cara, quando ela levantou naquela manhã, jamais imaginaria que o dia teria uma reviravolta daquelas.
— Bem vinda de volta! — As palavras de Ruby fizeram Weiss pular de susto.
— Nossa, Ruby, não ande por ai como um fantasma, me assustou.
— Hum…. sei. — Sua colega de quarto estava a olhando de um jeito suspeito, ela mal conseguia segurar o sorriso para disfarçar.
— O que é? Qual o seu problema?
— Qualé, Weiss! Me conta sobre sua namorada!
— O que?! Como você… — Os olhos de Weiss desviaram para a janela que estava aberta e dava uma vista perfeita para a frente do prédio. — Que inferno, Ruby! Você estava me espionando! Que falta de educação!
— Aaaah, vai, me conta sobre ela!
Weiss suspirou derrotada, mas um sorriu pintou em seus lábios ao pensar em Blake:
— Ok, senta, looooonga história.
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