Notas iniciais
Oi, oi, oi! É a Mila postando! Capítulo mais "cedo" para compensar a falta de capítulo no sábado passado. Obrigada pelos amáveis comentários, vocês são lindos demais, sabiam? Agradecemos o carinho e a compressão! Deixo então aquele abraço especial a DCC, Who Says, Annie Granger, Lola Evans, Pattysouza, Christine Ávila, Laura Jessy, Imperfect Girl, DanyRock Chan, LuOrtensi, Lunazn, MaruChan, September, luanfelix, cut, LunaBiju, Naine, Yume Spectrum, Yuna, SopaDeBatata, Ruth Echelon, Wildest Dreams, Yves, Ghii, Lucica, Ti Rorschach, Julia, Lucy, Shiro Yukiio e A pessoa! E boa leitura!

Damien estava irritado. Não. Ele não estava irritado. Ele estava fulo da vida porque Gabi prendeu-o no escritório e o proibiu de ir à reunião no orfanato. Só de birra ele passou a tarde lendo pornô gay no computador e não escreveu coisa nenhuma!

Quando anoiteceu, a diab... Editora destrancou a porta e perguntou pelos roteiros.

— Não escrevi! – Damien disse com um sorriso malvado e levou um soco na boca do estômago. – Não é assim que se convence alguém, sabia? O Taylor sim sabe como ser persuasivo.

— Eu ABSOLUTAMENTE não quero saber como o Taylor fez para te convencer. Eu sei que há mulheres por aí que são loucas por esse tipo coisa, mas eu não tenho esse fetiche! – Gabi disse irada enquanto voltava à sala, e Damien foi atrás fazendo drama e reclamando pelos cotovelos.

Interrompendo o amável momento, Taylor, Tim e um homem que Damien nunca havia visto antes entraram na casa.

— Taylor! Ela me deixou trancado a tarde inteira! – Disse emburrado enquanto apontava para Gabi, que bufou e girou os olhos.

— E não deu certo. – Ela lamentou. – Use do seu poder mágico nele, Taylor.

— Damien, esse é o Max, meu pai. Pai, esse é o Damien, meu namorado. – Taylor apresentou, ignorando os dramas da casa. – Ele é o autor de “A Man’s Death!”

— Não é possível! Meu genro é o gênio que escreve aquele seriado maravilhoso?! – Max falou e foi até Damien, dando-lhe um abraço de urso. – Meu filho finalmente teve bom gosto na hora de arranjar um namorado! – O soltou e ficou dando tapinhas nas costas do ruivo.

— Pai! – Taylor revirou os olhos.

— Errr... Obrigado? – Damien disse com os olhos esbugalhados. – Quer dizer, obrigado, senhor. É um prazer conhecê-lo, senhor. Taylor não me avisou que o senhor estava chegando hoje. Eu teria me preparado melhor para recebê-lo, senhor! – O ruivo disse todo atarantado. Estava conhecendo o seu sogro. Tinha que agradá-lo! E ele nunca havia tido um sogro antes para agradar, então não fazia a mínima ideia de como fazer isso.

Tim deu uma risadinha ao lado de Taylor e pegou no colo Fubá, que estava dando voltinhas ao redor das pernas de todos querendo carinho e atenção.

— Vamos lá, Fubá. Vamos ver o que tem na geladeira e que não engorde o pai. Ele tem que comer folhas e perder parte dessa pança que ele ganhou enquanto esteve sozinho em Toronto. – Disse ao cachorrinho, que respondeu com lambidinhas na mão do Hastings mais novo.

— Eu vou com você, Timothy. – Gabi o acompanhou não querendo ficar na sala em um momento tão íntimo para o casal.

— Pelo amor de Deus, quantas vezes pretende me chamar de “senhor” em apenas uma frase?! – Max disse estafado, dando tapinhas agora na bochecha do ruivo, quando ficaram os três sozinhos na sala. – Não precisa de todo esse formalismo. Você é da família agora. Pode me chamar de pai.

— Pai! – Taylor bateu a mão contra a testa de novo. – Damien, meu pai é louco. Apenas isso.

— Olhe pra ele. – Max apontou para Taylor cheio de orgulho. – Lembro quando era um menininho. Desde pequeno era responsável. Cuidava do Tim, carregava-o para cima e para baixo depois que a mãe deles... Se foi. – Max evitou a palavra “fugiu”. – Ele sempre foi muito estudioso, imagina, um médico na família! Meus dois garotos são, um médico, outro professor, como posso ser mais feliz? Sinto orgulho todos os dias. Ambos merecem ser muito felizes. Então, cuide bem do meu querido Taylor.

Taylor suspirou, mas acabou sorrindo. Apesar daquele jeito doido e inconveniente, ele amava o pai.

Enquanto Max falava, Damien pensou em responder um “sim, senhor!”, mas seus pensamentos foram se desfazendo à medida que o homem enchia o peito, orgulhoso, para falar dos filhos. Era algo que Damien nunca teve... Família para se orgulhar dele.

— Eu vou cuidar. – O ruivo disse com a voz embargada. – Eu sei que Taylor é especial e eu ainda não acredito na sorte que eu tive por ele entrar na vida. Cuidar dele e fazê-lo feliz é minha prioridade. Pode ter certeza disso.

Max olhou sério e, internamente, impressionado para o ruivo. Ele pôde sentir a sinceridade nas palavras do rapaz. E, nos dias de hoje, era difícil encontrar homens capazes de falar daquela forma, expondo os sentimentos e inseguranças. Ele apertou o ombro do genro com mais força.

— Eu sei, filho, eu sei. – Ele disse encorajador. – Agora venha cá e me dê outro abraço! – Puxou-o para mais um abraço de urso.

— Pai! – Taylor chamou de novo, mas dessa vez rindo. Ouvir o ruivo falar aquelas coisas mexeu com ele. Max puxou-o junto para o abraço.

— Assim que eu gosto! Família reunida. Onde está Tim?! – Max perguntou antes de o abraço terminar. – Eu vou ir estrategicamente para cozinha atrás de meu outro filho e dar oportunidade para vocês dois trocarem uns beijos sem constrangimentos. – O mais velho piscou e foi em direção à cozinha na ponta dos pés.

— Às vezes não sei o que faço com meu pai. – Taylor suspirou com um sorriso cansado. – Aquele ali não tem mais correção.

— Eu gostei dele! – Damien sorriu enquanto o puxava pela cintura para deixá-lo preso entre os seus braços. – Não tive uma figura paterna na minha vida. O marido da tia Camille faleceu quando eu era muito novo. Vai ser bom ter um pai pra me inspirar pra escrever. – Disse bem humorado enquanto o abraçava e escondia o rosto na curva do pescoço dele, inspirando profundamente. – Estava com saudade do teu cheiro.

Taylor estremeceu inteiro.

— Você é bem escritor mesmo, né... Aproveita tudo como forma de inspiração. – Riu e o abraçou de volta. Ficou um pequeno momento em silêncio, antes de dizer: — Damien, eu andei pensando em algo. Espero que não fique chateado comigo por sugerir, mas... – Mordeu o lábio, hesitando.

— O quê? – Damien o incentivou a falar, mas estava só meio ouvindo já que estava um tanto ocupado dando beijinhos no pescoço dele.

— Eu pensei de irmos ao hospital onde trataram sua mãe... Descobrir o que aconteceu com ela. – Falou, temendo a reação do ruivo. – Não saber o que aconteceu ainda te atormenta. Talvez seja bom para você colocar um ponto final nessa história, acalmar seu coração... – Explicou e então restou-lhe esperar pela resposta.

Damien o segurou pelos ombros e o afastou devagar.

— Ir... Ir até o hospital? – O ruivo repetiu e sua voz tremeu bastante. – Eu não sei, Taylor. Acho... Acho que eu não vou conseguir entrar lá.

— Eu vou estar com você o tempo todo. Podemos ir até lá e, se você não conseguir entrar, tudo bem. Voltamos e repensamos sobre isso depois. Só... Pense sobre isso, ok? Se você não quer entender melhor o que aconteceu. – Acariciou as bochechas do ruivo com seus polegares e esticou um pouco o corpo para depositar um beijinho nos lábios dele. — O desconhecimento é sempre pior do que a verdade...

— Se você vai comigo, então eu acho que posso tentar enfrentar. – Damien afirmou, mas seu tom ainda não era lá muito certo. Ele entendia o que o namorado estava dizendo, mas não sabia bem como reagiria quando estivesse na porta do hospital. – Nós podemos ir até lá na sexta... É um hospital em outra cidade. Se você não tiver nada programado, podemos passar o final de semana lá. – A possibilidade de ficar sozinho com Taylor deixou-o um pouco mais animado. A casa estava entupida e seria uma oportunidade para ficarem sozinhos.

— Vou avisar que não abrirei a clínica na sexta. – Disse dando mais um beijo no ruivo. – Vou gostar de conhecer outra cidade dos arredores. E já aproveito e me informo melhor como encaminhar pacientes para o hospital, caso necessário. – Comentou e depois encarou Damien mais detidamente. – Estou orgulhoso de você por simplesmente tentar.

Damien sorriu e voltou a abraçá-lo, sentindo-se aquecido e confiante por aquele elogio.

— Taylooooooooooor! O pai ‘tá querendo comer macarrão com queijo! Diz que não pode! – Tim gritou da cozinha.

— Acho melhor irmos lá. – Taylor riu.

XxxX

John ajeitou a gola da camisa enquanto se preparava para tocar a campainha da casa de Sam. A mãe do loiro estava trabalhando aquele horário, mas ainda assim ele sabia que era um risco a correr. Queria falar com o namorado, ligou diversas vezes, mas caiu na caixa postal todas em todas elas, então acabou indo até lá. Teo e Davi haviam ido para a casa da mãe naquela manhã bem cedo e agora John estava planejando “sequestrar” Sam um pouquinho. Ele sabia que Taylor havia dado folga para Sam porque iria viajar, ou algo assim, Sam não explicou lá muito bem. Só disse que estaria de folga na sexta.

Ele tocou a campainha e esperou torcendo para que a “sogra” não atendesse.

Sam estava deitado meio sonolento no sofá assistindo um seriado qualquer na televisão. Aquele pé imobilizado era tão frustrante que ele escutou o celular tocar mais cedo no segundo andar, mas não encontrou vontade para subir as escadas logo após toda a luta para descê-las. Acabou cochilando no sofá e agora praguejou ao escutar a campainha. Por que sua mãe tinha que estar trabalhando numa hora dessas?

Resmungando baixinho, Sam pegou uma muleta e foi até a porta. Seus cabelos estavam uma bagunça, seu rosto estava amassado, ele estava apenas com as calças do pijama e ainda por cima tinha de usar aquela muleta. Então não, ele não ficou feliz em ver John. Ou melhor, ele não estava feliz em John vê-lo naquele estado de defunto! A única vantagem é que ao menos havia escovado os dentes depois de acordar.

— John! – Exclamou e olhou para os lados, como se buscasse uma boa justificativa para fechar a porta na cara do moreno. – Ahn... Nós tínhamos combinado alguma coisa para hoje?

John abriu e fechou a boca diversas vezes procurando se lembrar do motivo que o levou até a casa de Sam. Seu cérebro meio que entrou em curto ao ver o loiro apenas de calça de pijama, larga, com o torso despido, o cabeço amarrado em um rabo de cavalo frouxo que estava deixando mais fios fora do que dentro, as bochechas coradas... O moreno, sem pensar que estavam na porta da casa dele, puxou-o pela cintura e roçou a boca na dele.

Sam soltou um gritinho baixo de susto e segurou John pelos ombros, arregalando os olhos. Sua muleta caiu no chão.

— John...! Estamos na porta da minha casa! – Sussurrou nervoso. Com dificuldade, puxou aquele moreno doido para dentro e fechou a porta. – Você enlouqueceu? Se minha mãe estivesse em casa...

— Ahm... Desculpe. Meu cérebro entrou em curto quando você atendeu a porta com cara de quem acabou de fazer muito sexo e está só o trapo. – John disse sem qualquer freio na língua. – Eu pretendo te deixar exatamente com essa cara quando o seu pé ficar bom.

Sam abriu a boca, horrorizado. Aquele doido havia mesmo batido a cabeça! Suas bochechas queimaram, e Sam desejou chutá-lo em algum lugar.

— Idiota...! Eu não estou com cara de quem fez muito sexo, eu recém acordei! – Dramático, Sam colocou as mãos sobre o rosto. – Eu estou horrível. E não posso nem correr para me arrumar por causa desse pé!

Jonh riu enquanto o pegava no colo e o levou até o sofá. Sam, desde que a muleta caiu, estava se apoiando no moreno e, por mais que John gostasse de ter o loiro pertinho assim, não era bom deixá-lo em pé muito tempo.

— Você não está horrível. Está lindo e muito sexy. Claro que seria mais sexy ainda se estivesse usando um pijama meu, mas nem tudo no mundo é perfeito. – John afirmou enquanto sentava ao lado dele e tirou uma mecha loira que deslizou para o rosto de Sam. – E eu liguei várias vezes para perguntar se a sua mãe estava em casa, mas você não atendeu então eu vim. Quero te levar até a cidade vizinha para... Para conhecer a minha mãe.

Sam demorou um pouquinho para processar a informação. Ele se distraiu imaginando como seria colocar um pijama de John, com o cheiro másculo dele... E isso depois de fazerem amor. Sam corou todo com a ideia. Mas de vermelhas, suas bochechas tornaram-se pálidas ao processar as últimas palavras do namorado.

— C-Conhecer a sua mãe? – Perguntou com cara de quem havia acabado de ver o fantasma do Michael Jackson dançando Thriller na sala de casa. – Você quer que eu conheça a sua mãe?! Você vai contar a ela sobre nós dois?! – Exclamou sentindo o coração bater tão forte que parecia uma bomba-relógio prestes a explodir.

— Eu já contei. – John falou em um tom calmo e puxou Sam para que ficassem abraçados. – Ela só disse que queria falar com você. Como os meninos foram para a casa da mãe e o médico te deu folga... Pensei que seria um bom dia.

Sam sentiu um princípio de falta de ar.

— É uma armadilha! Ela quer me ver para dar um jeito de me matar. Me jogar no bueiro! Me envenenar! John...! Eu não sei se você lembra, mas sua mãe, quando morava em Canmore, costumava falar para minha mãe que ela deveria educar melhor o filho dela. Ou seja, eu! – Sam falou sem conseguir se refrear. Depois mordeu a língua. Ele não queria colocar John contra a mãe ou algo assim, mas não se sentia inclinado a ir visitar a mulher para receber patadas. Já bastava as que havia recebido do filho dela nos dois últimos anos.

— Eu não sabia disso... – John disse lentamente. – Mas eu realmente queria que você fosse. Eu falei com ela pelo telefone e ela não falou muito, então não sei como vai ser reação dela ao nos ver. Sendo sincero, eu não queria ir sozinho. – Falou em um murmúrio. Lá no fundo ele estava com medo da reação da mãe. Ela já vivia em outra cidade há algum tempo e não participava efetivamente da vida do filho já que casou de novo e eles acabavam tendo poucas oportunidades de se ver (claro que ele ia até lá levar os netos para ver a avó e ela também vinha visitá-los, porém não com frequência), mas ainda assim a aprovação dela era importante para ele.

Sam notou a insegurança do moreno e, balançado, acabou suspirando. Ergueu a mão e acariciou os fios castanhos do cabelo dele, apreciando a textura um pouco rude, de quem não tem costume de ficar passando condicionador, ou qualquer produto “amaciante” nos cabelos.

— Sabe... Nesse momento, e apenas nesse momento, que fique registrado, — Sam deixou bem claro. – Você está sendo muito mais corajoso do que eu. Eu realmente não estava esperando visitar a sua mãe tão cedo... Muito menos que você falasse sobre nós agora. Mas... – Sam desviou brevemente o olhar. – Isso me faz acreditar que você está mesmo sério sobre a gente e... Isso me deixa tão feliz. – Sam murmurou a última parte, sentindo a voz tremular pela emoção. Ele abraçou-se ao moreno, escondendo o rosto na curva do pescoço dele. – Eu nunca te deixaria dar esse passo sozinho.

Quando Sam começou a falar, John quase riu e disse que Sam estava sendo Sam outra vez, mas ficou mudo quando ele disse estar feliz. Ele passou o braço em volta da cintura dele e o puxou para o seu colo. Sam ficou sentado de lado, com as pernas estiradas no sofá. John queria as pernas do loiro em volta da sua cintura, mas com aquele pé imobilizado isso não seria possível naquele momento.

— Quantas vezes vou ter que te dizer que eu estou sério, potrinho? – John sussurrou com os lábios quase roçando nos dele. – Estou apavorado com a reação dela... Mas é a minha mãe. Eu quero que ela saiba e, se possível, quero que ela aprove. Se ela não aprovar... Bem, pelo menos eu vou ter tentado. – Suas bocas estavam quase se encontrando, mas John virou o rosto. – Se eu te beijar agora não vou conseguir parar e, se a gente realmente for, temos que sair logo pra chegar antes do almoço.

Sam fez uma careta por não receber um beijo, mas não insistiu. Sentia-se um “trapo”, como John bem apontara antes, e dar uns amassos desse jeito não fazia parte de nenhum de seus sonhos eróticos.

— Tudo bem. Eu vou me arrumar e nós vamos. Preciso arrumar uma desculpa para não almoçar com a minha mãe... – Sam comentou e se abraçou mais ao moreno. – Me leva pro quarto?

Os lábios de John se entreabriram enquanto imagens nada decentes dele no quarto com Sam invadiram a sua mente. Ele gemeu enquanto sentia seu pênis ficar todo animado dentro da calça.

Mas ele não verbalizou seus pensamentos e se levantou erguendo Sam em seus braços.

— Você tem uma cama de casal no quarto? – John perguntou enquanto subia as escadas com o loiro bem seguro contra o seu corpo.

— Mais ou menos... É daquelas camas que tem um tamanho intermediário entre cama de solteiro e de casal. Eu preferia uma cama de casal, claro, mas meu quarto não é tão grande assim. – Sam comentou e, atraído pelo pescoço do moreno, deu alguns beijinhos ali, também mordendo-o de leve.

John quase tropeçou no meio da escada ao sentir os lábios de Sam em sua pele. Ele teve que focar para não parar e prensá-lo na parede no meio da escada. Não era lugar nem o momento. E se a mãe dele aparecesse do nada?

No piso superior havia três quartos, Sam indicou o dele e John o levou até lá.

O quarto de Sam estava mais ou menos organizado. Havia algumas roupas pelo chão e a parede estava lotada de pôsteres com divas do pop.

John acabou soltando uma gargalhada.

— Bem, eu estava preocupado que não fosse aguentar e tentar te agarrar aqui, mas a Lady Gaga me fez brochar.

Sam fez um biquinho enquanto o moreno o colocava sentado na cama.

— Não fale mal das minhas divas. – Ele olhou com carinho para os pôsters da P!ink, Lady Gaga, Katty Perry, Shakira, Beyonce, Madonna, Cristina Aguilera, Rihanna... Elas haviam o acompanhado durante quase toda sua adolescência. – Você adora quando eu danço que nem a Shakira que eu sei. – Sam começou a mover os braços como a cantora e cantou:

Ay amor, me duele tanto, me duele tanto

Que te fueras sin decir adónde

Ay amor, fue una tortura perderte

Yo sé que no he sido un santo

Pero lo puedo arreglar, amor

Ele parou e colocou um dedo sobre os lábios.

— Sinto que o efeito da dança fica diminuído quando estou com o pé torcido e de pijama. – Ponderou, reflexivo.

John soltou uma gargalhada mais alta ainda. Ele se inclinou e encostou a testa na dele.

— Tente de novo quando estiver com o pé bom. Talvez tenha sorte. – Sugeriu com ar de brincadeira. Obviamente ele possivelmente teria um ataque cardíaco se Sam fizesse um show só pra ele, mas não admitiria isso. – Eu quis muito te tirar de cima daquele palco naquela vez em que você inventou de dançar... Minha cabeça dizia “Vai até lá, o jogue nas costas e o leve até o seu carro para que vocês transem até perder os sentidos!”, mas meu corpo se recusou a obedecer.

Sam ruborizou, mas tentou disfarçar soltando uma risadinha esnobe e um “hunf!” pelo nariz.

— É claro que você quis. Só era teimoso demais para aproveitar esse corpinho sexy antes. – Disse, passando a mão pelo próprio corpo de maneira exagerada, jogando os cabelos para trás. Depois riu de si mesmo. Com um sorrisinho safado, que mordia de leve o lábio inferior, deitou-se na cama, usando os antebraços para se sustentar. Seus cabelos escorreram do rabo de cavalo. – Então, você vai ou não vai me ajudar a trocar de roupa?

Como John iria conseguir resistir a isso? Ele não ia conseguir. Mesmo com todas as divas do pop “assistindo” à cena, ele estava ficando excitado outra vez. Ele lambeu os lábios enquanto tentava desviar os olhos do peito nu do namorado. Sam era tão branco que John não precisaria se esforçar muito para deixá-lo todo marcado.

Lentamente, o moreno levou uma das mãos até o cós da calça do pijama.

— Será que vou descobrir que você está sem cueca outra vez? – Perguntou com a voz rouca.

— E quem é que dorme de pijama com cueca por baixo nos dias de hoje? – Sam perguntou, ficando nervoso conforme o tecido descia. É, estava mesmo nu por baixo. E já quase inteiramente excitado. Seu corpo todo esquentou quando John jogou a calça do pijama no chão e parou para encará-lo.

Sam falou alguma coisa enquanto John o despia, mas o moreno realmente não o escutou. Quando o loiro ficou completamente nu diante dele, o pênis de John apontou com força contra a calça. Ele tentou se concentrar, tentou pensar que não tinham tempo naquele momento, mas seu corpo não estava obedecendo e quando se deu conta ele já estava meio deitado em cima de Sam, mordiscando as coxas cobertas por pelos loiros finos, sua mão já agarrando o falo ereto do namorado, masturbando-o enquanto seus lábios subiam pelo abdômen dele. Mãos, boca, pele contra pele. John não conseguia se afastar.

Sam jogou a cabeça para trás, gemendo baixinho. O prazer pareceu escorrer por seu corpo, como um líquido escaldante queimando-o por dentro e por fora. Quando o moreno o cobriu por inteiro, Sam o abraçou com pernas e braços, desfrutando da paixão dos toques rudes e fortes. A maneira como a barba dele arranhou-lhe o pescoço, deixando a pele da região avermelhada, latejante e sensível fez Sam agarrar os cabelos castanhos dele com força e gemer entre a dor e o prazer.

— John... Eu te amo. – Ronronou no calor do momento, a voz embriagada.

John parou tudo que estava fazendo e olhou para o rosto de Sam. Era a primeira vez que ele ouvia aquilo. Ele sentiu um sentimento indescritível crescer dentro do peito, uma felicidade que ele jamais imaginou que pudesse existir.

Sorrindo, ele tocou de leve a bochecha de Sam antes de se inclinar para beijá-lo.

— Eu também te amo. – Sussurrou antes de sugar o lábio inferior dele e depois iniciar um beijo cheio de fogo.

Aquela altura ele já tinha esquecido completamente do pé e do pulso machucados de Sam e puxou-o para que ele ficasse sentado em seu colo, mas, ao fazer esse movimento, acabou segurando o pulso ferido de Sam com força e arrancou um gemido de dor do loiro. Imediatamente John se afastou e olhou com uma mescla de medo e preocupação para Sam.

— Ai, droga. – Sam apertou o pulso, levando o braço contra o peito. O pulso voltou a doer horrivelmente, e o loiro xingou-o mentalmente por atrapalhar o amasso. – Acho que preciso de um analgésico...

— Merda! Eu sou um cavalo chucro mesmo! Não posso colocar minhas mãos em você sem te machucar! – John coçou a cabeça e começou a andar de um lado para o outro do quarto. – Até seus machucados sararem, eu vou ficar longe! – Afirmou.

— Quê?! Não, isso é muito tempo! É só cuidar na próxima vez... – Sam abriu um sorrisinho, apesar de seu rosto ainda estar um pouco torcido pela dor. – Meu garanhão chucro.

John torceu o nariz de leve. Primeiro pelo “cuidar na próxima vez”, pois ele sabia que não conseguia ser cuidadoso. Não quando Sam o deixava incapaz de raciocinar direito. Segundo, pelo apelido. Agora eram o potrinho e o garanhão e com certeza Sam o chamaria daquela forma sempre que John o chamasse de potrinho.

Mas lá no fundo ele estava feliz por ter uma “piada interna” com apelidos só deles.

— Vamos. Vou te ajudar a se vestir. Senão a gente não sai hoje mesmo. – John foi até o armário e perguntou qual roupa o loiro queria. Sam foi dizendo e John foi pegando, e depois o ajudou a se vestir. Naquele meio tempo, John quase agarrou o loiro de novo, mas se manteve firme. Havia acabado de prometer que não iria encostar um só dedo nele! Não podia ceder em menos de cinco minutos.

Depois que Sam estava pronto, John o segurou no colo e o levou até a sala. Antes de saírem, Sam tomou o remédio e disse estar melhor quando John insinuou que poderiam ir quando o loiro não estivesse sentindo dor.

— Ok, vamos lá... – John disse enquanto dava partida no carro. Ele respirou fundo, olhou para Sam mais uma vez e pisou no acelerador antes que acabasse perdendo a coragem.

Sam colocou a mão sobre a coxa do moreno, querendo transmitir-lhe força. E ficou assim durante a viagem, fazendo carinhos aqui e ali no namorado.

XxxX

Damien olhou para a escadaria do hospital e respirou fundo. Deu um passo, mas parou. Olhou outra vez, mais um passo e acabou dando dois para trás.

— Não dá. Tenho péssimas lembranças desse lugar. – Murmurou enquanto balançava a cabeça.

Taylor se compadeceu da expressão transtornada do ruivo e se aproximou um pouco mais dele, enlaçando sua mão na dele.

— Estamos aqui justamente para amenizar essas lembranças. – Taylor olhou para o mais alto. – Mas não precisa se forçar. Qualquer que for sua decisão, eu vou estar do seu lado.

O ruivo apertou a mão do namorado com mais força, respirou fundo e começou outra vez a andar em direção à escadaria. Subiu o primeiro degrau e depois o outro, mais um, e outro até que chegaram na entrada.

— Você acha... Acha que eles não fizeram tudo o que podiam para salvá-la? – Damien perguntou enquanto olhava de um lado para o outro, mas não havia ninguém na recepção. Aparentemente o clima estava tranquilo. Damien lembrava que chegar ali e ficar sentado na cadeira enquanto esperava pela mãe. Ela sempre voltava lá de dentro sorrindo. Não importava a situação. Ela sempre estava sorrindo.

— Isso vamos descobrir... Temos de pedir pelo prontuário dela. – Taylor guiou o ruivo com ele até a recepção. Eles tiveram que aguardar um pouco, mas enfim uma moça apareceu.

— Desculpem. Em que posso ajudar? – Ela perguntou solícita.

— Oi. Gostaríamos de ter acesso a um prontuário... É da mãe dele. Ela faleceu nesse hospital há alguns anos. – Taylor explicou.

— Ah... Vocês terão de ir até a Central de Informações para solicitar. Lá eles imprimem tudo, ou buscam os prontuários mais antigos em papel. – A atendente falou. – É no segundo andar, seguindo para a direita após subir as escadas.

Taylor agradeceu, a moça lhes deu crachás de identificação, e então ele e Damien subiram para o segundo andar. O médico notava a tensão nos ombros do ruivo, por isso apertava a mão dele com força para tentar transmitir um pouco de segurança ao namorado. Taylor acreditava que saber a verdade sobre a morte da mãe realmente faria bem ao ruivo, que enfim poderia deixar aquelas memórias amargas para trás, sem que elas continuassem a machucá-lo.

Quando chegaram à Central de Informações, Taylor acariciou a mão de Damien.

— Você precisa solicitar. – Disse a ele, num tom brando.

Damien se aproximou do balcão, meio que no automático, e pediu para a moça que estava lá para ver o prontuário de Layla Van Persen. A mulher consultou algo no computador e depois entregou um formulário para que ele preenchesse e disse que enquanto isso iria procurar no arquivo já que era um caso antigo.

Quando o ruivo segurou a caneta e começou a preencher as perguntas, percebeu que estava tremendo.

— É ridículo... Um homem do meu tamanho tremendo assim por causa de um papel. – Disse, tentando sorrir, mas não conseguiu.

Taylor segurou o braço do ruivo e descansou a cabeça nele, soltando um suspiro.

— Eu te amo, sabia? – Afirmou e perguntou. E amava justamente por o ruivo ter aquele lado sensível, por não ser apenas um cara bonito e musculoso. Por ser muito além disso. Taylor riu. – Nunca achei que fosse dizer isso a alguém em tão pouco tempo de namoro... Me sinto bobo.

Para Damien foi como se de repente toda a tensão tivesse sido tirada de suas costas. Ou pelo, menos como se parte da tensão tivesse sido dividida. Como se ele tivesse percebido que não precisava suportar todo aquele peso sozinho porque Taylor o amava e estava lá para apoiá-lo independentemente do que aquele papel fosse dizer sobre a morte da sua mãe.

Ele sorriu, enquanto voltava a sua atenção para o formulário de requerimento, e a outra mão deslizou pelo braço de Taylor até alcançar a mão do médico.

— Somos dois bobos, então. – O ruivo afirmou.

— Aqui está, Sr. Van Persen. – A mulher voltou trazendo o prontuário. – O senhor deseja que eu chame um médico para ajudá-lo a entender o prontuário?

— Não. Tudo bem. Meu namorado aqui é médico. Ele vai me ajudar. – Disse sem se importar com a cara de tacho que a mulher fez quando Damien chamou Taylor de namorado.

O mais velho ergueu as sobrancelhas. Não esperava que o ruivo começasse a se referir aos dois como namorados para terceiros tão cedo. Isso o fez sorrir, reforçava o fato de que Damien não estava apenas de curioso. É, Taylor ainda tinha das suas inseguranças, mas elas diminuíam a cada dia.

Os dois foram para uma salinha mais particular onde poderiam ler o prontuário com calma. Havia muitas folhas ali.

— Você quer ler, ou prefere que eu leia e depois te explique? – Perguntou ao ruivo.

— Se eu tentar ler não vou entender nada e só vou ficar me sentindo angustiado. – Damien entregou o prontuário para ele. – Melhor você ver e me explicar.

Taylor assentiu e começou a ler do início. Seus olhos acostumados à letra de médicos e às siglas e nomes médicos facilitou. Ele leu tudo com agilidade. Suas suspeitas se confirmaram. E ele selecionou uma parte em específico do prontuário para que Damien lesse.

— Você deveria ler isso daqui primeiro. – Entregou ao namorado e apontou uma parte em específico.

Confuso, já que esperava que Taylor fosse apenas dizer de uma vez o que vitimou a sua mãe, Damien segurou os papéis e seus olhos se encheram de lágrimas quando viu o pedido que a mãe havia feito: “Paciente entende o diagnóstico e o prognóstico de sua doença. Ela pede para que os médicos não contem para seus pais e para o filho o que ela tem, para poupá-los da dor e da preocupação.”

— Por que ela fez isso? Por que pediu uma coisa dessas? – Damien não conseguiu impedir que as lágrimas rolassem pelo seu rosto. – Por que quis sofrer sozinha? Ela sempre... – Um soluço escapou e o ruivo levou uma das mãos à boca tentando controlar o choro. – Sempre estava sorrindo. Mesmo quando estava nitidamente com dor... Ela me dizia sorrindo que estava bem.

Taylor sentiu seus olhos umedecerem também e segurou a mão do namorado com ambas as suas. Beijou-o na palma e depois descansou a bochecha na mão de Damien.

— Ela devia ser uma mulher muito forte. – Murmurou e o beijou de novo. – Damien, sua mãe morreu por câncer de pâncreas. Quando os sintomas começaram e ela veio ao hospital pela primeira vez, a chance de sobrevivência dela com quimioterapia já era muito baixa. Ela escolheu não receber nenhum tratamento. – Taylor mostrou outra parte do prontuário ao ruivo.

Ali dizia: “Paciente recusa-se a iniciar quimioterapia. Prefere não sofrer os efeitos adversos do tratamento. Deseja voltar para a casa e passar seus últimos dias com o filho.”

— Então... Não havia nada que os médicos pudessem fazer? Não foi culpa deles, mas escolha dela? – Damien sussurrou enquanto lia e relia o trecho em que dizia que ela preferira voltar para casa e passar os últimos dias com ele.

O ruivo não aguentou mais. Começou a soluçar, chorando como chorou quando ela morreu e abraçou Taylor com força, buscando o calor e o carinho do corpo dele.

Taylor o abraçou de volta apertado, acariciando os cabelos macios e vermelho-escuros do mais novo. Era tão sofrido vê-lo chorando... Mas ele precisava colocar aquilo para fora. Estava guardando rancores e dores por muito tempo.

Agora, ele podia entender o que havia realmente acontecido.

— Tudo que ela queria era estar ao seu lado. – Taylor sussurrou, beijando-o nos cabelos, no rosto, abraçando e deixando-se ser abraçado.

Damien chorou e chorou, até ficar sem ar e depois ficou por incontáveis minutos abraçando Taylor. No final estava com um pouco de dor de cabeça, mas não quis dizer nada para não deixá-lo preocupado. Bem, ele entendia a mãe. Ela queria poupar as pessoas que amava do sofrimento, porém ela deveria ter ao menos dito a ele que estava doente e que os médicos estavam tentando ajudá-la como podiam.

— Obrigado. – O ruivo murmurou com a voz rouca. – Vou devolver o prontuário e enquanto isso você pode perguntar como transferir os pacientes quando precisar.

Após um beijo leve, cada um foi resolver os assuntos pendentes e depois se encontraram na recepção do hospital. De lá, foram de carro para o hotel no qual Damien reservara um quarto para passarem o final de semana. Ele não se sentia bem para falar sobre a mãe, então todo o caminho até o hotel foi feito em silêncio, mas ele sentiu a mão de Taylor acariciando sua perna e isso o deixou mais tranquilo.

— Bem, acho que é aqui. – Disse enquanto conferia o endereço em que o GPS os levou. Eles chegaram à cidade e foram direto para o hospital, logo não conheciam muito. – Tudo o que eu quero agora é um banho!

Taylor enrugou a testa e suas sobrancelhas subiram lentamente. Aquele hotel parecia caro e incrível. Bem, aí estava uma vantagem em namorar um riquinho folgado. O médico riu ao se lembrar da forma como pensava em Damien há alguns meses.

— Também quero. – Falou, se espreguiçando. – Você vai ensaboar minhas costas? – Provocou sorrindo para amenizar o clima pesado que os rondava desde o hospital.

Damien engasgou com o ar, mas logo em seguida começou a rir.

— Parece que alguém tem planos “perversos” para me seduzir. – Ele comentou com ar de brincadeira enquanto parava o carro. Um manobrista se aproximou e Damien entregou as chaves para ele. Quando se aproximaram da recepção, o ruivo disse o nome e a mocinha, toda solícita, foi logo entregando a chave para ele.

— O esperávamos desde cedo. A suíte máster já está pronta e um funcionário ainda há pouco foi verificar a temperatura da água da terma privada do quarto. Aproveitem a estada! – Ela disse ao entregar o cartão-chave.

— O nosso quarto tem uma terma só para nós dois, então eu vou fazer muito mais do que apenas esfregar as suas costas – Damien sussurrou pertinho da orelha do médico retomando a conversa que estavam tendo no carro.

Taylor se arrepiou, mas revirou os olhos.

— Você deve ter alugado o quarto mais caro daqui! – Sussurrou em resposta. – Sério, vocês ricos...

— Eu confesso que nem olhei o preço... – Damien disse blasé. – Mas você acha mesmo que eu ia deixar você mostrar o seu corpo nu no banho coletivo? Nunca! – Acrescentou em um tom ciumento.

Taylor riu com gosto.

— Como você é bobo... Como se alguém fosse ficar reparando em mim. Mais fácil meterem o olho em você, isso sim. – Balançou a cabeça, no entanto admitiu: — Mas eu gosto desse seu lado ciumento. É fofo.

— Eu já disse mil vezes que seu sorriso desnorteia as pessoas! – Damien exclamou exasperado. Ele colocou o cartão e abriu a porta. Uma pessoa havia se oferecido para guiá-los até o quarto, mas Damien dispensou e só pediu que as malas fossem levadas até lá o mais rápido possível. Eles entraram e o ruivo olhou direto para a enorme cama de casal. – Bem, essa cama com certeza será muito usada!

Já Taylor entrou no quarto e não aguentou: se atirou na cama como uma criança faria. Aquele colchão era tão macio e confortável. Ele rolou sobre ele e parou de bruços. Olhou por cima do ombro com um sorrisinho malicioso.

— Só a cama será muito usada? – Perguntou.

Damien empurrou a porta com o pé para fechá-la e foi até a cama em passos lentos. Ele subiu no colchão, deixando Taylor entre as suas pernas, inclinou-se e começou a subir as mãos pelas costas dele, erguendo a camisa que ele usava e expondo a pele negra e brilhosa. Sem pensar duas vezes, o ruivo começou a distribuir beijos, iniciando do cós até a nuca. Durante todo o trajeto, ele alternava os beijos com mordidas e lambidas. Taylor apenas suspirava, arrepiado e rendido.

— Os três tubos de lubrificante vão ser pouco. – O ruivo sussurrou perto da orelha dele antes de mordiscá-la.

Taylor estremeceu sentindo o corpo maior de Damien cobrindo-o, a ereção dele já pressionada entre seus glúteos. Ele moveu o quadril para friccionar melhor o volume do ruivo contra si. Era grande, estava duro, e Taylor já se sentia da mesma forma. Seu pênis latejava contra o colchão.

— Damien...

A campainha do quarto tocou e eles ouviram alguém chamar do lado de fora.

— Serviço de quarto! Trouxe suas malas!

Damien grunhiu enquanto levantava. Ele jogou parte do edredom sobre Taylor e foi atender. O pobre rapaz quase saiu correndo quando o ruivo abriu a porta com aquela cara de que iria matar um.

— Obrigado. – Damien disse mórbido, deu uma gorjeta, pegou as malas, fechou a porta na cara do funcionário do hotel e depois voltou correndo para a cama. Ele já foi tirando a blusa pelo caminho e se enfiou embaixo do edredom com Taylor. O coração de Damien bateu com força contra o peito quando ele descobriu que o médico havia tirado a roupa e já estava o esperando nu. Taylor soltou uma risadinha divertida frente à surpresa do ruivo. – Droga... Você vai me matar assim, Tay.

O ruivo foi direto para o pênis ereto do namorado e começou a lambê-lo enquanto sua mão alcançava um dos mamilos e começava a apertá-lo e acariciá-lo. Taylor gemeu e arqueou as costas, dobrando uma perna pelo reflexo do prazer.

— Damien...! Espera... – Ofegou. – Melhor tomarmos um banho antes. – Sua mão afundou nos cabelos do namorado.

Damien gemeu e continuou a lamber o pênis do namorado, mas Taylor continuou pedindo para ele parar. Impaciente, o ruivo se afastou, pegou-o no colo e o levou até a terma privada que ficava no lado exterior do quarto. O ruivo empurrou a porta com o pé e foi andando até lá. O lugar era lindo e absolutamente privado, mas Damien nem se importou com a beleza.

— Ok, banho. – Ele disse e foi descendo Taylor com cuidado na terma de águas mornas. Depois tirou a cueca, entrou também e, não dando chance para o médico respirar ou pensar, voltou a agarrar o pênis dele, acariciando-o, subindo e descendo a mão de uma forma habilidosa. – ‘Tô me sentindo com um adolescente com hormônios em fúria! – Ele admitiu enquanto prensava Taylor contra a parede de pedras da terma e começava a lamber o pescoço dele.

As pernas de Taylor envolveram a cintura do ruivo, e seus braços os ombros dele. Seus dedos arranharam as costas largas, enquanto a cabeça pendia para o lado, dando maior acesso aos lábios dele em seu pescoço. Antes Taylor achava que Damien estava brincando sobre usar os três tubos de lubrificante, agora ele começava a desconfiar que ele estivera falando sério.

— Se formos pensar... Não faz mesmo tanto tempo que você saiu da adolescência. – Taylor falou para implicar com ele, mas sua voz tremeu mais do que gostaria. Um gemido se seguiu à brincadeira. Damien unira seus falos e agora os masturbava juntos.

— Está me chamando de pivete? – Damien retrucou em meio aos gemidos. Ele havia ficado louco de tesão quando Taylor os masturbou juntos na primeira vez em que trocaram aquelas carícias mais ousadas e ficou um bom tempo desejando fazer ele próprio aquele tipo de movimento.

Ele se afastou um pouco e puxou Taylor para o seu colo. Em seguida, procurou a boca dele com a sua enquanto uma das mãos continuava mantendo os falos juntos e a outra descia até as nádegas do médico, e, sem qualquer aviso ou pudor, o ruivo introduziu um dedo.

— Então, vou deixar de ser “virgem” agora? – Perguntou com sorriso sacana após interromper o beijo e moveu o dedo com mais força dentro de Taylor.

Taylor afundou as unhas curtas nos ombros de Damien, fechando os olhos e gemendo ao esconder o rosto no pescoço dele. Céus... Bem que diziam que “cabeças-vermelhas” eram cheios de fogo. E pensar que até uns dias atrás Damien estava inseguro e tímido. “Esse pervertido aprendeu rapidinho”, Taylor pensou suprimindo mais um gemido e o mordeu no pescoço como “vingança”. Damien gemeu um pouco de dor quando sentiu os dentes de Taylor em sua pele, mas nem reclamou. Até aceitaria levar mais algumas mordidas depois.

— Pivete não, mas virgem sim. E sim, eu pretendo resolver isso hoje. – Taylor sussurrou contra a orelha de Damien assim que conseguiu respirar fundo sem ser interrompido por algum gemido teimoso.

— Hoje não... Vai resolver é agora. – Ele sussurrou enquanto introduzia um segundo dedo e começava um movimento de tesoura abrindo e fechando para alargá-lo mais. O lubrificante havia ficado dentro da mala e Damien não iria sair dali naquele momento para buscar. – A água vai ajudar... Depois temos a tarde toda na cama para usar o lubrificante. – Verbalizou seus pensamentos. – Estou viciado em você, Tay, mais do que estou viciado no seu café e isso é um baita elogio. – Brincou, mas em seguida um longo gemido escapou dos lábios do ruivo quando Taylor começou a se movimentar, ondulando o quadril, e ele sentia como se estivesse recebendo diversos choques de prazer pelo corpo fazendo-o perder completamente a linha de raciocínio.

O coração do médico batia como um louco, frenético, viciado, libertino, após as palavras do ruivo. Ofegante, ele segurou o rosto do ruivo e afundou seus lábios nos dele, sentindo imediatamente a língua de Damien buscar pela sua. Taylor o segurou forte, roçando seus corpos, sentindo os músculos firmes do peitoral do namorado contra seu corpo magro.

Taylor afastou o braço do ruivo após eles perderem o ar e tirou os dedos de Damien de seu interior.

— Como médico eu deveria tratar o seu vício. Mas nesse caso, eu acho que só quero te deixar mais dependente. – Murmurou com um riso. Ele segurou o pênis do namorado e, lentamente, deixou-se descer contra ele. Mordeu os lábios com a dor inicial assim que o primeiro centímetro entrou. Sua testa encostou-se à do namorado e, de olhos fechados, ele gemeu baixinho e tentou descer mais um pouquinho, com calma.

O primeiro impulso do ruivo foi de dizer para Taylor não fazer aquilo, já que achava que não o havia preparado o bastante e ele não era exatamente pequeno, porém sua voz se perdeu em algum lugar quando ele sentiu que estava dentro. Quente e apertado. Cada vez mais fundo. Era mesmo real? Ele soltou um gemido abafado e começou a impulsionar o corpo levando o corpo de Taylor em movimento com o seu, fazendo a água ondular ao redor, criando pequenas ondas. Ele escorregou os braços pelo corpo de Taylor e apertou com força a cintura dele. O falo de Taylor estava preso entre os dois e Damien ficou hipnotizado quando viu o médico começar a se tocar enquanto acompanhava o ritmo ainda lento que o ruivo estava impondo.

— Eu te amo, Tay. – Disse com a voz rouca, os lábios quase roçando nos dele. – Olhe para mim. Veja o quanto eu te amo. – Pediu já que os olhos de Taylor estavam fechados. – O quanto eu te quero e como eu não vou ser capaz nunca de te deixar escapar de mim.

Taylor abriu os olhos e eles se encontraram com os orbes profundos e intensos de Damien. Seu coração explodia no peito, enquanto a água parecia tornar-se insuportavelmente quente, escaldante. Taylor subiu as mãos e acariciou o rosto e os cabelos do ruivo, sua testa ainda encostada à dele, seu quadril se movendo iniciando um ritmo um pouco mais rápido em meio àquela troca de olhares.

— Estou vendo... – Taylor murmurou, roçando seus lábios. – Estou louco por você. Eu nunca tentaria escapar.

Damien sorriu radiante, sentindo uma felicidade que ele jamais imaginou que um dia pudesse sentir, e ondulou o corpo acompanhando o ritmo de Taylor. Eles gemeram e voltaram a se beijar. Era romântico e lento, mas ao mesmo tempo quente e enlouquecedor. Damien queria prolongar aquele momento por horas, de sentir Taylor tremendo em seus braços, ofegante entre seus beijos, chamando por seu nome; seus olhos se encontrando e desencontrando, mas seus corpos sempre unidos e quentes.

Mas ambos aumentavam gradativamente o ritmo, as ondas na água ficavam maiores, e eles geravam sons que certamente alcançariam os vizinhos de quarto, caso não estivessem numa área reservada. Taylor sentia Damien entrando fundo e forte, aumentando o ritmo, tornando difícil de acompanhar, quase selvagem. Sua cabeça pendia para trás, Damien o abraçava firme, e a respiração agitada dele criava cócegas em seu pescoço.

Eles se perdiam um no outro. Pertenciam um ao outro. Amavam um ao outro.

As energias eram gastas de maneira vertiginosa. Até que o ruivo sentiu que estava muito próximo e tornou o ritmo alucinado, outra vez apertando a cintura do namorado com mais força. Certamente deixaria marcas pelo corpo todo do médico, e Damien certamente adoraria se gabar disso mais tarde.

— Estou perto... – Gemeu o ruivo, mas ele queria que Taylor gozasse primeiro, queria dar prazer a ele antes de ter sua própria satisfação.

Taylor segurou os ombros do namorado. Seu corpo correspondia inteiro, ele sentia as contrações no pênis, e a cada vez que Damien esmagava sua próstata, elas duplicavam, espalhando os espasmos pelo resto do corpo. Gemeu o nome do ruivo, buscando seus lábios novamente, sentindo que também estava muito próximo.

— Damien, eu vou... – Mordeu o lábio, abafando o grito que soltaria. Ejaculou na água e abraçou-se ao ruivo, mole nos braços dele.

Damien ficou satisfeito ao sentir Taylor estremecer contra seu corpo, e ele nunca pensou que a visão da pessoa que amava gozando em seus braços pudesse ser tão quente e sexy. Ele queria ver Taylor com a cabeça atirada para trás, gemendo o nome dele, corado e quente muitas e muitas vezes. O ruivo permitiu-se se liberar dentro do namorado, também gemendo o nome dele. Por pouco Damien não afundou na água, mas ele conseguiu se manter firme e procurou se encostar a uma das pedras mantendo Taylor em cima dele o tempo inteiro.

— Isso é quase tão bom quanto o café – Disse em tom de riso.

— Quase tão bom? Quase? – Uma sobrancelha de Taylor subiu e, com um riso, ele deu um soco no braço do namorado. – Besta...! – Tentou se levantar e se afastar, fingindo-se de indignado, mas aquele ruivo bem que merecia mais uns tapas.

— Hey, hey! – Damien o segurou, impedindo-o de se afastar, e depois fez com que ele encostasse a cabeça em seu peito. – Tudo bem. Isso é mil vezes melhor do que o café, mas você não pode deixar de fazer o café só por causa disso. – Ele começou a descer e subir a mão pelas costas do namorado em um carinho lento. – Obrigado por ter vindo comigo e por ter me apoiado. Eu jamais conseguiria sem você. – Murmurou.

— Bobo... – Murmurou. – Não precisa agradecer. Eu fico feliz que você confiou em mim para fazermos aquilo juntos.

Damien esfregou de leve seu nariz no pescoço dele antes de buscar a boca para mais um beijo.

— Sabe... Eu quero de novo. – Disse todo ansioso já sentindo o pênis meio ereto só por causa daquele beijo. – Na cama! – Exclamou erguendo o namorado nos braços.

— Damien! Espera! – Taylor riu e até tentou escapar. Mas não deu muito certo, Damien conseguiu prendê-lo na cama muito pouco depois. Aos risos, eles voltaram a se beijar e tocar.

Naquele final de semana, certamente eles mal sairiam daquela cama.

Notas finais
UHUL, primeiro lemon! Melhor maneira de comemorar a vitória do Damien sobre seus traumas! Nos vemos no próximo sábado? Esperamos vocês nos comentários! Obrigada pelo acompanhamento e até lá!