Notas iniciais
Olá! E chegamos ao final de Café, Ciúmes e os Acasos do Amor. É o último cap. que eu estou postando e quero deixar aqui meus sinceros agradecimentos a todos que comentaram, favoritaram e recomendaram. O tempo passou rápido e parece que foi ontem que começamos a postar. Foi muito divertido e emocionante passar por todos esses capítulos, ver o amor dos nossos casais nascer e crescer. Mas não fiquem tristes porque ainda tem um epílogo que a Mila vai postar (e eu responderei os reviews dele) na semana que vem e depois disso teremos a segunda temporada com novos personagens! Muito Obrigada! Mesmo! Vocês não sabem o quanto eu estou feliz em ter postado essa história com a minha amiga Mililika. Beijos! Boa Leitura e até o epílogo. Bia Yuuji.

Quando Sam conseguiu subir no gazebo, ele sorriu e se atirou nos braços de John.

O moreno ficou tão surpreso quanto o resto da cidade e, quando voltou a si, Sam já estava pulando em cima dele e por pouco John não foi de encontro ao chão. Mas ele conseguiu manter as pernas firmes e segurou o loiro pela cintura. Apesar do susto e da incredulidade, John abraçou-o de volta até se dar conta que a mãe dele deveria estar assistindo aquilo de algum lugar ou, se não estivesse, alguém faria questão de ir fofocar o mais rápido possível para ela.

— Sam... – Balbuciou um pouco incerto. – A... A sua mãe...

— Desculpa... Eu falei que não ia te fazer se assumir tão rápido, mas aqui estou eu jogado nos teus braços na frente de todo mundo, sem pedir permissão. – Sam o abraçou mais apertado, escondendo o rosto na curva do pescoço do moreno. Sentia-se culpado por sua impulsividade.

John suspirou e o abraçou com mais força, erguendo-o um pouco do chão para que o pé dele não ficasse doendo.

— Não estou zangado. Só surpreso. E que se dane o que a cidade pensa. – Murmurou enquanto cheirava o cabelo dele, aquele cheiro bom de lavanda que só Sam tinha. – Mas sua mãe e aquele ruivo vão tentar me matar. – Avisou em tom de brincadeira, porém estava mesmo preocupado, só tentou não demonstrar.

Sam ficou aliviado por John não estar brabo e soltou um suspiro.

— Eles vão mesmo. – Murmurou, adorando aquele abraço.

John realmente não ligava para o que iriam pensar, nem para o que iriam falar, mas não estava pronto para dar um beijo cinematográfico como o que Damien deu no médico. Ele nem soube quantos minutos ficaram abraçados daquele jeito, mas logo o burburinho das pessoas começou a ficar mais alto e ele, com muito custo, se afastou, segurou a mão de Sam e sorriu para o loiro.

— Então, o Sam comprou a minha cesta e eu vou para o piquenique com ele agora. Divirtam-se com as outras atrações e lembrem que tudo que vocês comprarem aqui no festival será revertido em obras e melhorias para o orfanato.

As pessoas olhavam para ele como que pedindo uma explicação para tudo aquilo, mas John não se via obrigado a dizer nada.

— Você não tinha que ter comprado a cesta e ainda por um valor tão alto... – John falou enquanto o ajudava a descer.

— Eu estava economizando para doar ao orfanato há algum tempo... Você e sua cesta vieram de bônus. – Sam sorriu dando uma piscadela.

— Hum... E eu vou ser usado por você até de noite? Meu primo está na cidade para o festival e vai ficar com as crianças hoje... – Disse num tom cheio de segundas intenções enquanto enlaçava a cintura dele.

Sam soltou o ar pelo nariz com um sonzinho de desprezo.

— Hunf, não tinha sido você que tinha dito que não iria encostar um dedo em mim até que eu estivesse cem por cento curado? – Perguntou erguendo as sobrancelhas com ar de provocação.

— Potrinho, entenda uma coisa... Daqui a pouco eu vou estar fazendo dupla com o Homem Aranha e subindo pelas paredes com ele. Estou transando mentalmente com você há dois anos. Sabe o que são dois anos?! E seu pé está quase bom, não está? Se não estiver, eu cancelo o leilão da minha cesta, volto lá e aceito o lance da primeira garota. – Provocou usando um tom meio convencido, meio de brincadeira.

— Você não é louco de fazer isso! – Sam falou indignado pela última parte do comentário de John, colocando uma mão na cintura. Só depois ruborizou de leve pela primeira parte. Ele estava igualmente ansioso e louco de desejo pelo moreno. Não era como se naqueles dois anos ele também não houvesse se sentido em abstinência do outro. – Meu pé está tão bom que eu até vou preparar uma surpresa para você... – Murmurou em um tom baixinho e sensual, mordendo o cantinho do lábio.

John gemeu e o puxou pela cintura fazendo com que seus corpos se chocassem. Eles estavam atrás do gazebo e algumas pessoas passavam por eles olhando a cena, mas o moreno realmente não se importava. E essa era uma sensação ótima.

— Você vai querer ir nesse piquenique ou eu posso te jogar no ombro e te levar para casa nesse exato minuto? – John sussurrou perto da orelha dele enquanto uma de suas mãos deslizava para baixo da blusa do loiro.

Sam estremeceu de cima abaixo, puxando o ar com força para os pulmões. Ele segurou os ombros de John e se sentiu arrepiado.

— John... Estamos em público. Controle-se. – Sussurrou. É, Sam nunca imaginou que falaria algo assim em toda sua vida. Mas de repente ele não queria aquele bando de mexeriqueiros e curiosos olhando para eles quando passavam. De certa forma, era como se quisesse proteger John dos julgamentos alheios.

Porém o que deixou o loiro realmente nervoso foi alguém em especial, que se aproximava com passos pesados da cena. Sam congelou por um momento. As fofocas haviam chegado até Damien. E o ruivo parecia estar louco de vontade de socar John até a morte.

— Sam? – John o chamou em um tom preocupado. – Você ficou trêmulo. Está tudo bem? – Se afastou um pouco para olhá-lo e viu que o loiro estava pálido. Ele se virou na direção do que Sam estava observando com os olhos arregalados e viu que era o ruivo desocupado que se aproximava. – Bem... Provavelmente nossa noite será adiada porque ele vai me esmurrar inteiro. – Disse tentando parecer indiferente e forte. John sabia que, se Damien quisesse, poderia mandá-lo para hospital com passagem para ficar lá por um mês.

Sam balançou a cabeça em negativa e se colocou na frente de John.

— Damien, nem pense em fazer o que você está pensando em fazer! – Falou quando o ruivo chegou mais perto. Sam notou Taylor correndo atrás, carregando Fubá no colo. O cachorrinho havia fugido, e por isso Taylor se distraiu e não conseguiu impedir Damien de ir tirar satisfações com John.

— Como assim não fazer o que eu estou pensando em fazer? – Damien perguntou furioso. – Eu vou dar uns socos na cara desse idiota, é lógico! E ainda vai ser pouco! Como ele pode te enganar desse jeito?!

— Enganar? – John retrucou com os olhos estreitos.

— Você acha que esse cara é sincero, Sam? Ele está mentindo para você e você está caindo feito um pato! – Damien estourou. – Sai daí antes que eu te arranque à força da frente dele!

— Ele não está me enganando! – Sam exclamou. Ouvir o ruivo falar aquilo era assustador, pois era seu maior medo. Mas John havia falado para os filhos, e o apresentado à mãe. Era real. Ele sabia que era. Sam tinha muito medo de se magoar de novo, mas ele acreditava em John. – Você pensa que só você tem o direito de ser feliz?! Que só você pode ficar com a pessoa que você ama?!

Damien trincou os dentes e suas mãos estavam fechadas em punhos tão apertados que mais um pouco e ele acabaria se ferindo.

— O que eu sei é que ele sempre quis te ver pelas costas! Esqueceu o que ele disse naquele dia no bar? Ele disse que...

Antes que Damien pudesse completar a frase e lembrá-lo das coisas horríveis que John já havia dito, o moreno praticamente voou em cima do ruivo e acertou um gancho de direita no queixo dele. Obviamente Damien revidou e os dois logo estavam trocando socos e pontapés e um bando de pessoas já se amontoava ao redor da cena.

— Eu amo o Sam, seu idiota! Se eu falava aquelas coisas, era porque tinha ciúmes! – John gritou enquanto segurava Damien pelo colarinho. De alguma forma ele conseguira imobilizar o ruivo, mas ele sabia que aquilo não iria durar muito.

— Não me venha com as suas mentiras! – Damien retrucou e acertou um soco no rosto de John e foi tão forte que o moreno caiu no chão, completamente zonzo.

— John! – Sam se ajoelhou ao lado do moreno e o ajudou a se sentar. – DAMIEN, SEU BRUTO! – Gritou furioso. Ele sabia que Damien estava apenas tentando protegê-lo, mas era difícil pensar nisso ao ver John sangrando. – Você está bem? – Tocou o rosto do moreno com preocupação.

Nesse momento, Taylor segurou Damien pelo braço. Ainda carregava Fubá na outra mão, então seria difícil conter o namorado se ele quisesse continuar com a pancadaria.

— Damien...! – Sussurrou alto para que ele o escutasse. – Sam e John estão juntos! Estão felizes! John pediu desculpas ao Sam por tudo que ele fez e falou de errado no passado. Não cabe a nós dois nos intrometermos na relação deles dessa forma!

— Pediu desculpas uma ova! Você acha que eu não sei que ele tentou passar com o trator por cima do Sam? – Damien exclamou, bufando de raiva e doido que John levantasse para que ele pudesse dar mais alguns sopapos nele.

— Não adianta. Ele não vai acreditar em nada do que vocês digam. – John falou enquanto tentava levantar, mas o mundo ainda parecia estar girando. – E, sinceramente, eu não me importo com o que ele pensa.

— O Sam é meu amigo, é como um irmão mais novo pra mim! Não vou deixar você magoá-lo! – Damien exclamou e praticamente rosnou enquanto falava.

— Damien! – Sam se levantou também e mancou até o ruivo. Colocou as mãos nos ombros dele. – Damien, olha pra mim. – Pediu, quase suplicando. Só continuou quando Damien, relutantemente, abaixou a cabeça para olhá-lo. – Você sabe o quanto eu sou grato pela forma que você me protege, não sabe? Porque eu sou. Você foi meu melhor amigo nesses últimos dois anos. E eu te amo, te amo como o irmão mais velho, forte e bonitão que eu nunca tive. Então, por favor, acredita em mim quando eu digo... Eu amo o John, e ele me ama também. Ele errou muito no passado sim, mas... Ele me pediu desculpas. Foi o suficiente pra mim. Talvez eu seja idiota por isso. Mas eu quero essa oportunidade de ser feliz! Se eu deixar passar, aí sim com certeza eu serei um idiota! Então... Mesmo que você não aceite, eu não vou mudar de opinião, nem voltar atrás. Só que é importante pra mim que você entenda e aceite. Não precisa ser agora, só... Em algum momento.

As lágrimas enfim começaram a escorrer pelos olhos de Sam. Várias, em fila, de maneira silenciosa. Ele se arrependeu do que falou no início para o ruivo, na defensiva. Ele sabia que Damien apenas queria vê-lo feliz. Mas ele teria que entender, em algum momento, que sua chance de felicidade estava com John.

O ruivo abriu e fechou a boca várias vezes, totalmente incrédulo pelas lágrimas que via rolando pelo rosto do loiro.

— Não dá, Sam, não dá. – O ruivo disse enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro. – Eu não consigo acreditar que ele deixou de ser aquele homofóbico imbecil. Eu não vou mais tentar bater nele, nem tentar abrir os seus olhos, mas não me peça para aceitar isso assim.

John levantou e foi até Sam. Puxou-o um pouco do chão para que ele parasse de se apoiar nos próprios pés.

— Nós vamos ter a cidade inteira contra nós. – John falou em um tom baixo. – Tenho certeza que o Sam queria ao menos contar com o seu apoio.

— Não fala comigo que eu só consigo pensar em quebrar os teus dentes. – Damien rosnou parecendo usar toda a sua força de vontade para não partir para cima do moreno outra vez.

Naquele momento, Camille, Carl, Max, Dakota e as crianças apareceram.

— O que está acontecendo aqui? – Camille perguntou. – Disseram que vocês dois estavam tentando se matar de novo!

— Eu vou para casa. – Damien disse dando as costas para o novo casal. – Você vai ficar, Taylor?

Taylor suspirou. Aquele ruivo era teimoso demais!

— Depois explico tudo. – Taylor falou para Camille, depois se desculpou com Sam e então seguiu com Damien.

— Acho que as pessoas vão falar desse festival por um longo tempo. – Sam falou cansado. Ele se despediu de Camille e dos outros rapidamente, querendo evitar dar alguma explicação, e pediu a John que fossem para a casa dele, pois poderia assim cuidar dos machucados dele.

John ligou para o primo. As crianças estavam com ele e, para evitar que elas o vissem naquele estado, pediu a Conrad para continuar tomando conta delas pelo resto do dia.

XxxX

Devon acabou levando Tim até a beira de um dos lagos. Ele provavelmente recém havia descongelado, pois alguns outros continuavam congelados. O lugar era muito bonito, a água era uma mistura de verde com azul, havia pinheiros ao redor e a visão da montanha envolta por um nevoeiro branco era estupenda. O vento fresco deixava a nuca arrepiada, mas o sol da tarde aliviava a sensação.

Após estender a toalha de piquenique no chão e se sentar, Devon deu três batidinhas no lugar ao seu lado, dando a entender que queria que Tim sentasse ali. Ele sorriu para o garoto, que parecia tão carrancudo quanto das outras vezes em que tentara conversar com ele. O loiro suspirou e se deitou parcialmente, usando um antebraço para manter o tronco erguido.

— Sei que está irritado comigo. Mas eu queria dar aquele valor ao orfanato. Visitei-o uns dias atrás e achei muito legal o que fazem lá. – Explicou enquanto esperava que o garoto teimoso se sentasse. – E ter uma chance de conversar com você sem que pudesse fugir de mim pareceu uma boa ideia.

Tim desarmou um pouco a postura defensiva e, após hesitar um pouco, sentou onde Devon havia indicado.

— Eu agradeço a doação. Tenho certeza que vai ser de muita ajuda lá para o orfanato. – O rapaz murmurou enquanto pegava uma pedrinha e atirava em direção à água, fazendo com que ela quicasse um pouco sobre a superfície antes de afundar. – Só não sei por que você insiste em querer conversar comigo. Nós não temos nada em comum para sustentar mais de cinco minutos de conversa.

— Não tem como você saber, já que nunca tentou conversar comigo. – Devon então se deitou de vez, cruzando os braços atrás da cabeça. O céu estava límpido, azul e agradável. Ele respirou fundo, apreciando aquele ar puro das montanhas. – Você foi a primeira pessoa em muitos anos que não ficou deslumbrada ao me ver. Meio que me fez lembrar do eu de antigamente... Às vezes dá saudades... Naquela época eu não tinha os medos de agora. Não que eu não tivesse medo, mas eram outras inseguranças.

A mão de Tim estava a meio caminho de pegar outra pedrinha quando escutou o que o loiro disse. Ele franziu a testa e virou um pouco a cabeça para olhá-lo. Os bíceps de Devon estavam flexionados e Tim pôde ver o quão forte ele era.

O que eu ‘tô pensando? Nunca prestei atenção no corpo de outro homem antes!”, o professor pensou confuso e achou melhor voltar a atirar as pedrinhas no lago e parar de olhar para os braços do ator. Tim, na verdade, sempre pensou que não conseguisse sentir desejo por outra pessoa. Ele amou muito a namorada, eles eram amigos de infância e perdê-la foi quase como perder uma parte de si, mas nunca sentira aquele fogo, aquele frio na barriga... E nenhum homem ou mulher havia chamado sua atenção verdadeiramente. Então, sentir algo dentro da sua barriga ao olhar para Devon o deixava nervoso e arredio.

— Incrível! Você sentiu insegurança na vida em algum momento! – Disse tentando aparentar indiferença. – Pensei que você já tivesse nascido convencido.

Ok, seu nervosismo também o fazia falar coisas que certamente magoariam Devon, mas controlar sua língua estava meio difícil naquele momento.

Devon riu divertido. Ok, ele gostava de garotos difíceis. Era bom, para variar, não ser bajulado.

— Admito que sempre fui meio arrogante... Isso me ajudou bastante a conseguir entrar em Hollywood. Quanto mais ousadia e presença você tem, mais conseguirá chamar atenção. – Falou mantendo o tom ameno. – É um mundo de enganações e aparências... Não me entenda mal, eu adoro o que eu faço. Desde pequeno eu queria ser ator, atuar em filmes de ação, salvar a mocinha do perigo... Foi dureza no início, já que eu não tinha pais famosos, ou ricos. É um trabalho cheio de incertezas. Se a gente não aprende a fingir que não tem nenhum medo, acaba devorado pelos tubarões e de volta à sarjeta de onde saiu... – Murmurou a parte final mais para si mesmo. Devon não gostava muito de se lembrar da infância pobre, em que às vezes a mãe precisava trazer os restos de comida da lanchonete em que trabalhava para eles terem o que comer no jantar.

— Não parece fácil. – Tim comentou e acabou se largando ao lado dele e olhou para o céu. Um vento mais frio correu e o menor se encolheu um pouco. – Não consigo imaginar como é viver assim. Sem saber quem gosta de você pra valer e quem está por perto só por interesse.

Ouvir Devon falando daquele jeito fez com que Tim se sentisse um pouco mais próximo a ele. Não vê-lo só como o astro de Hollywood, mas também como um cara comum, com seus medos, ambições e sonhos. O professor estava quase começando a se sentir mais à vontade, porém, em um movimento rápido, Devon girou o corpo e ficou sobre Tim, usando os antebraços para manter uma distância entre seus corpos.

O loiro sorriu de lado, entre satisfeito e decidido.

— É por isso que você me interessa. – Falou para o mais novo. – Sinto que, se você gostar de mim, vai ser pelo que eu sou, não pela minha fama. E se não gostar, bem, também será pelo que eu sou. – Deu de ombros e sorriu ainda mais enviesado, gostando da maneira como Tim pareceu corar, apesar de ser um pouco difícil de ter certeza, devido à pele negra.

Timothy sentiu que estava ficando vermelho da raiz do cabelo até o dedão do pé. Aquele... Aquele... Aquele convencido de uma figa! E ainda ousava ficar com aquele sorrisinho de canto de boca! O professor colocou as mãos no peitoral do ator com a intenção de afastá-lo, mas isso não foi uma boa ideia já que isso o fez sentir o calor que emanava do corpo dele junto à sensação dos músculos fortes se contraindo sob o seu toque. O mais novo abriu e fechou a boca diversas vezes sem conseguir formular uma resposta coerente.

— Não é como se a gente fosse continuar se vendo. – Murmurou enquanto desviava os olhos com o coração batendo forte. – Nós somos de mundos completamente diferentes. Quando você voltar para a sua vida agitada, vai se esquecer do rapaz tímido e intelectual, e eu vou afundar nos meus livros e esquecer você também.

Devon pegou as mãos de Tim e as prendeu contra o chão, acima da cabeça dele. Aproximou o rosto até deixar seus lábios roçarem na orelha do mais novo.

— Só vou esquecer se você quiser que eu esqueça. Acredite ou não, tenho ótima memória. – Sussurrou.

A boca de Tim caiu aberta diante daquele flerte descarado, seus olhos se arregalaram e todo o seu corpo se arrepiou ante aquela voz sussurrada em sua orelha. Ele tentou se soltar, mas Devon mantinha suas mãos bem presas.

— Me larga. – Disse tentando manter a voz firme, mas com pouco sucesso. – Você estava aos beijos com a Gabrielle no sofá da casa do Damien! Acha mesmo que eu vou cair na sua conversa mole sabendo que você só quer brincar comigo?

Devon ergueu a cabeça e olhou para Tim com uma expressão entre inocente e brincalhona.

— Mas eu só estou aqui propondo uma amizade. Ou você pensou em outra coisa? – Ergueu uma sobrancelha.

De novo Tim sentiu que estava ficando vermelho, mas agora era de raiva. Muita, muita, muita raiva! Taylor costumava dizer que Tim era a pessoa mais pacata do universo, mas quando se enfezava era pior do que cutucar uma onça com vara curta. Sem pensar duas vezes, o menor ergueu o joelho e acertou, sem dó nem piedade, no meio das pernas de Devon. Foi o suficiente para que o ator caísse de lado gemendo de dor.

— Que fique bem claro uma coisa: eu sou pequeno, mas posso me defender, idiota! E, não, eu não pensei em nada porque você e eu não existimos na mesma frase! – Exclamou entre os dentes enquanto levantava e rumava para o mais longe possível daquele ator idiota.

E pensar que por um segundo pensou que estava se sentindo mais próximo dele!

Devon continuou deitado gemendo de dor por algum tempo.

— Ele realmente não sabe brincar... – Murmurou com a voz doída, ainda apertando a região duramente atingida entre as pernas.

XxxX

— Bem, ainda estou vivo. Acho que isso é bom, mas ele acabou com o nosso piquenique. – John disse enquanto estacionava na frente da casa do loiro. Ele notou que Sam estava abatido e se virou, colocando uma mão sobre a coxa do namorado. – Potrinho, não fica assim. Ele vai aceitar, uma hora ou outra... Acho que o Taylor vai dar uns puxões de orelha nele. Aquele ruivo às vezes parece um menino birrento... E de meninos birrentos eu entendo. Theo às vezes age tal como ele agiu quando as coisas não acontecem da maneira que ele quer.

Sam suspirou daquele seu jeito exagerado e dramático.

— Não quero perder a amizade dele. – Declarou. – Mas também não posso abrir mão de você.

— Você não vai ter que abrir mão de nada. – John garantiu enquanto subia e descia a mão pela perna dele. – Ele ficou surpreso e reagiu mal. Foi apenas isso. Quando esfriar a cabeça, vai ver as coisas de outra forma. A reação da sua mãe me preocupa mais porque ela sim tem mais poder para tentar te convencer a terminar comigo, mas felizmente acho que hoje não teremos que enfrentá-la já que o Sr. Marcus vai mantê-la ocupada.

— Não seja bobo! – Sam falou, envolvendo os braços ao redor dos ombros do moreno. – Ninguém nunca me convenceria a isso se você continuar agindo dessa maneira... – Roçou os lábios aos dele.

John gemeu e o puxou pela cintura enquanto sua língua invadia a boca do loiro. Estava louco para beijá-lo desde cedo, mas a oportunidade não surgiu e agora ele estava colocando todo o seu desejo e saudade naquele beijo.

— Vamos entrar. – Disse quando suas bocas se desencontraram e encostava sua testa na dele. – Caso contrário eu vou te deitar aqui mesmo.

Sam ainda estava zonzo pelo beijo, mas conseguiu concordar fracamente, ficando nervoso com a perspectiva do que estava por vir. E como não ficaria? John tinha um efeito único sobre seu corpo. Era incrível como bastava aquele moreno pegá-lo de jeito, que perdia toda a linha de raciocínio. Como o moreno diria, virava um potrinho mansinho, mansinho... Ele já estava até gostando do apelido.

Entraram apressados para dentro e, nesse meio tempo, o loiro conferiu o celular.

— Minha mãe mandou uma mensagem. Disse que volta tarde porque vai jantar com o Sr. Marcus. Aparentemente, ele está impedindo que a fofoca sobre nós dois chegue nela. – Sam jogou seu celular por cima do ombro, deixando-o cair no sofá. – Temos a casa só para nós dois por algumas horas...

— Me lembre de ajudar o Sr. Marcus mais vezes. – John disse sorrindo, totalmente agradecido ao homem, e já foi pegando Sam no colo sem querer perder mais nenhum minuto. Ele não sabia quando teriam uma oportunidade como aquela outra vez. Conhecendo o caminho, levou o loiro nos braços até o quarto dele, já entrando lá em meio a um beijo ansioso e nem um pouco gentil. Colocou Sam na cama sem deixar de beijá-lo enquanto suas mãos trabalhavam na própria camisa.

Sam se remexeu sob o moreno, correndo as mãos pelos braços fortes. John não era malhado de academia. Parecia ter um corpo forte de sua própria constituição. O beijo foi interrompido quando John terminou de tirar a camisa e a jogou para o chão. O loiro mordeu o lábio, admirando-o e já sentindo todo o corpo esquentar. Mas, se continuassem nesse ritmo, não conseguiria fazer a surpresa para ele.

O mais novo tentou se afastar, mas John puxou-o pelas coxas.

— Aonde pensa que vai? – Ele sussurrou, começando a beijá-lo no pescoço. Sam ronronou, apertando os ombros do moreno.

— J-John... – Gemeu baixinho, tentando não se render completamente. – Preparei algo para você.

— Sério que você quer se afastar de mim agora? – John subiu a blusa dele e começou a chupar um dos mamilos do loiro enquanto sua outra mão deslizava pelo abdômen magro dele. O moreno não estava muito disposto a deixá-lo sair da cama, mas Sam continuou dizendo que queria mostrar-lhe algo, e John acabou bufando enquanto rolava de lado e saía de cima, permitindo que escapasse. – Espero que seja algo muito bom. – Resmungou contrariado.

— Você precisa aprender a ser mais paciente. – Sam murmurou e, com uma mordidinha no lábio inferior do moreno, colocou uma venda nos olhos dele e saiu da cama. John o chamou com ar de dúvida, mas o loiro fez um som para que ficasse calado.

Sam já tinha tudo preparado, então se arrumar e colocar a música certa no iphone foi barbada. A música que começou a tocar foi La Tortura, da Shakira.

— Você mandou eu tentar de novo quando estivesse com o pé curado. – Sam lembrou-o em um ar sensual. Estava usando uma calça larga como a cantora usava em seus shows e um colete entreaberto, lembrando levemente as roupas de uma dança do ventre.

Sam era fã de Shakira desde novo e, quando pequeno, treinava escondido do pai as coreografias da cantora. Ele iniciou a dança ao ritmo da música sensual e quente quando John afastou a venda dos olhos.

John sentiu o corpo reagir de imediato à medida que Sam começava a balançar os quadris de um lado para o outro com um sorriso travesso nos lábios. Ele começou a girar devagar enquanto rebolava com as mãos nos cabelos. John se lembrou do dia em que Sam dançou no bar e uma pequena onda de ciúmes o invadiu, mas logo ele a afastou já que naquele momento não havia mais nenhum olho curioso assistindo a toda a desenvoltura do loiro.

— Sam... – John gemeu. Seu coração batia acelerado e seu pênis estava completamente desperto. Mas ele foi ignorado e sentiu que teria um infarto naquele exato momento, pois Sam subiu na cama, uma perna de cada lado de seu corpo e começou a dançar por cima dele.

Ay amor me duele tanto
Me duele tanto
Que no creas más en mis promesas

Ay amor
Es una tortura
Perderte

Yo se que no he sido un santo
Pero lo puedo arreglar amor

— Você me quer? – Sam sussurrou provocando, inclinando-se sobre o moreno, e seus lábios percorreram o peitoral dele, sua mão brincou no cós da calça. – Me deseja?

John pegou Sam pelos cabelos, um pouco acima da nuca, segurando a cabeça dele próxima à sua, seus lábios quase se encontrando. Seus olhos estavam fixos nos lábios do loiro. Antes que Sam tentasse escapar de novo, John o fez sentar em seu colo com as pernas em volta de sua cintura e o beijou com paixão enquanto seu corpo se movimentava para cima fazendo com que seu pênis mostrasse para Sam o quanto o desejava, o quanto estava louco por ele, o quanto o queria.

— Tortura foram esses dois anos longe de você. – Sussurrou antes de deslizar os lábios pelo rosto dele, pelo queixo, pelo pescoço, pelo peito. – E seria tortura te perder agora. – Disse, se referindo à letra da música. – Eu não estou te enganando, Sam. Não estou mentindo. Eu te amo.

Sam afundou as mãos nos cabelos do moreno, sua cabeça pendeu para trás, criando uma cascata com os cabelos compridos. Ele gemeu, sentindo aquele fogo enlouquecedor que só conseguia sentir com John. O loiro começou a ondular os quadris, deixando a ereção de ambos roçar, enquanto John apertava com firmeza sua coxa, a outra deslizando nos cabelos pelas suas costas.

— John... – Sam chamou e segurou o rosto dele, voltando a aproximar seus rostos, deixando as respirações pesadas se condensarem no espaço entre seus lábios. – Faça aquilo que fez naquela noite... Aquilo que me fez viciar em você, não conseguir te esquecer. Teus toques, tuas mãos, tua boca... – Roçou a boca na dele, gemendo baixo e movendo o quadril. Passou a língua pelo lábio inferior de John antes de mordiscá-lo.

John inverteu as posições e fez sua boca encontrar na dele outra vez enquanto suas mãos arrancavam a roupa do mais novo com pressa. Teve que se afastar para sorrir quando viu que Sam estava sem cueca... De novo.

— Você gosta de me provocar. – Murmurou ao segurar as mãos do loiro para o alto e, antes que ele pudesse retrucar, segurou-lhe o pênis com uma das mãos e começou a massageá-lo lentamente, indo até a ponta onde gotas de pré-gozo já se acumulavam e voltando sem pressa alguma. Enquanto Sam ofegava e gemia, John começou a descer os lábios pelo peito e abdome dele, deixando várias marcas vermelhas.

Enquanto tentava transparecer que estava totalmente seguro e dono das suas ações, John se sentia ansioso. A fala de Sam o deixara inquieto e inseguro. Naquela noite, a primeira e única, ele estava bêbado e nem lembrava muito bem o que havia feito para que Sam dissesse ter ficado viciado. E se Sam não gostasse dessa vez? Um frio de medo percorreu a espinha do moreno. Como ele disse para Sam, seria tortura perdê-lo agora e John não sabia o que iria fazer se isso acontecesse.

Mas ele decidiu parar de se preocupar e deixar o corpo agir, seus instintos tomarem conta. Então, sem pensar muito, ele continuou com a trilha de beijos e substitui a mão pela sua boca. Começou a lamber e sugar o pênis de Sam sem muita pressa, lentamente, de uma forma que ele sabia que era uma verdadeira tortura.

Sam arqueou o corpo, exalando o ar de seus pulmões numa só golfada de ar suspirado. Ele não estava esperando por aquilo. Suas pernas dobraram involuntariamente e suas mãos agarraram o lençol da cama. Ele gemeu, como num choramingo, e um de seus pés subiu para as costas de John, deslizando pelos músculos firmes. John agarrou seus glúteos e o puxou mais para sua boca, fazendo Sam gemer mais alto e levar a mão então aos cabelos, mal conseguindo respirar.

— John, seu desgraçado...! – Falou ofegante, se contorcendo sobre a cama, sem saber onde se segurar, mesmo que não estivesse caindo. – Você mentiu...! Você já fez isso com outros caras...! Safado, cachorro, ordinário... Ah! – Gemeu entrecortado enquanto o xingava com pouco ar.

John só não se afastou naquele momento para dar uma resposta porque sabia que iria apanhar caso parasse o que estava fazendo. Ele continuou lambendo e sugando até sentir que Sam estava a ponto de explodir e só então resolveu se afastar.

— Não, eu não fiz com outros caras, mas como eu te disse tive dois anos para idealizar isso tudo várias, várias e várias vezes. – John contou enquanto deslizava a mão entre as nádegas firmes de Sam e logo um dedo estava abrindo o caminho para o seu pênis.

Sam estava em tal estado que nem conseguir responder imediatamente. Apenas gemeu de novo ao sentir o dedo de John explorá-lo. Virou de bruços para dar mais “liberdade” ao moreno, dobrando uma perna para facilitar o acesso. Suas costas já estavam suadas e seus cabelos se grudavam nelas.

— Eu juro que castro alguém se descobrir que você está mentindo. – Sam ameaçou, mas sua voz não estava nem um pouco firme. Ele agarrou um travesseiro e o mordeu, abafando mais um gemido quando sentiu John tocando-o na próstata. – Não é possível! Você achou rápido demais! – Afundou o rosto no travesseiro, enquanto seu traseiro se empinava mais, como um reflexo às ondas de prazer. – Você é tão bom nisso. – Ronronou abafado, seu tom entre impressionado, entre tímido por admitir.

John deu uma risadinha e se sentiu confiante para introduzir mais um dedo. Enquanto isso ele começou a distribuir beijos pelas costas do loiro.

— Você tem lubrificante e camisinha? – Perguntou quando chegou perto da orelha dele. – Como eu não estou mentindo e não fiz com ninguém nesse tempo, estou limpo então se você deixar eu gostaria de fazer sem nada entre a gente. Sentir você se apertar em volta de mim enquanto eu estoco bem devagar. – Sussurrou antes de mordiscar a orelha dele.

Sam sentiu um formigamento se espalhar a partir de sua orelha e estremeceu.

— A única vez que transei sem camisinha foi com você, naquela noite. Então também estou limpo. Fiz os testes há pouco tempo. – Mordeu o lábio, já se sentindo em um estado de excitação e antecipação insanos. – Tem lubrificante no criado-mudo...

John se inclinou um pouco para pegar o tubo de lubrificante, mas não parou de movimentar os dedos.

— Não gosto muito de saber que houve outros. – Disse em um tom enciumado.

— Ninguém mandou ficar perdendo tempo. – Sam juntou seus cabelos e colocou-os de um só lado. – Me pegou virgem e depois me soltou no mundo.

John bufou enquanto retirava os dedos e virou Sam de barriga para cima outra vez. Sob o olhar atento do loiro começou a passar o lubrificante em seu membro ereto.

— Eu já disse uma vez e repito: isso acabou. – Disse em um tom sério enquanto afastava as pernas dele. – E nós vamos fazer assim para que você veja bem quem é o seu namorado, futuro marido e único homem.

O coração de Sam pareceu falhar várias batidas consecutivas antes de começar a bater como um louco. Ele se sentiu zonzo de novo. John era tão sexy quando falava autoritário e ciumento assim. Ainda mais quando estava nu. Sam nem conseguiu contestar (ele nem queria contestar), apenas mordeu o cantinho do lábio e concordou com a cabeça.

— Sim, senhor. – Murmurou provocativo, subindo o pé pelo abdômen do moreno. – Sou só seu...

John largou o tubo de lubrificante, não aguentando mais espertar e, segurando a coxa de Sam por trás, posicionou-se para penetrá-lo. Tentou ser delicado e ir com calma, mas sempre quando estava com aquele loiro não conseguia se acalmar e pensar com clareza. Ele precisava dele e não podia mais esperar nem mais um segundo. Então acabou sendo afoito e apressado como um adolescente virgem e com o corpo em chamas.

Sam gemeu de dor ao ser penetrado com um único movimento, mas ele deveria ter tendências masoquistas, porque, mesmo com a dor, seu corpo continuou excitado e queimando, desejando mais. Suas unhas arranharam as costas de John, seu pescoço foi arranhado de volta pela barba do moreno. John se moveu e foi mais fundo, capturando seus lábios em um beijo faminto. Mas Sam não conseguiu ficar muito tempo preso ao beijo. Ele precisava gemer. Muito. Não conseguia se controlar. Graças aos céus não havia mais ninguém naquela casa. Sam era um tanto... Escandaloso. E John mal parecia deixá-lo respirar.

— John... – Segurou o rosto dele, olhando-o diretamente os orbes castanhos. Nenhum dos dois estava bêbado dessa vez, e não havia mais nenhuma incerteza entre eles. – Eu te amo... Te amo... – Sussurrou e o abraçou.

John se sentiu estonteado pela forma profunda pela qual Sam o fitava. Sim, não havia dúvidas de que ele havia sido um idiota por ter deixado aqueles dois anos passarem, mas iria reparar seu erro e não deixaria Sam sair de seus braços nunca mais.

Ele aumentou o ritmo das estocadas enquanto uma de suas mãos deslizava até o falo de Sam e começava a masturbá-lo no mesmo ritmo louco que impunha. Ele gemia na orelha de loiro e murmurava coisas desconexas como “muito apertado”, “gostoso, quente” e “potrinho”, mas não conseguia formular uma frase completa. Seus corpos estavam grudados e empapados de suor, mas isso não importava. Pelo contrário. Só aumentava o desejo de John. Após incontáveis minutos, ele se afastou um pouco para ver o rosto afogueado do loiro e sorriu antes de ondular o quadril com mais força.

Sam afundou as unhas em seu tórax, arranhando-o, e gritou abafado, jogando a cabeça contra o travesseiro.

— Sam, eu vou... Ah... – John ofegou sem conseguir se segurar ao ver o loiro se contorcer de prazer e derramar o sêmen entre seus corpos. Com mais algumas estocadas fortes, gozou, escondendo o rosto na curva do pescoço do namorado, gemendo alto.

Os braços de Sam estavam jogados no travesseiro, ele respirava ofegante, sentindo todo o calor e peso do corpo de John contra o seu. Havia tentado se segurar ao máximo, mas não deu muito certo. Seus cabelos deviam estar uma bagunça pelo travesseiro e colchão, a pele deveria estar vermelha tanto nas bochechas, quanto nos lugares em que John o havia segurado e apertado. Sentia-se suado e pegajoso, assim como John. Era nesses momentos que Sam sentia vontade de correr para o banheiro e se arrumar. Nunca gostou que o vissem desarrumado.

Mas John o esgotara tanto que ele sequer conseguia se mover.

— Você... Conseguiu me deixar “só o trapo”. – O loiro usou a mesma expressão que John havia utilizado no outro dia, quando o vira apenas de calça de pijamas e cabelos bagunçados.

John deu uma risadinha enquanto rolava para o lado e esqueceu que a cama era apertada demais e quase caiu. Ele puxou Sam para perto, fazendo-o deitar sobre o seu peito.

— Se você ficar olhando pra mim com essa cara sexy não vou nem te dar tempo de respirar antes da segunda rodada. – O moreno murmurou perto da orelha dele. – Sabe, eu achava que fosse impossível me apaixonar ainda mais por você, mas estava totalmente enganado.

Se antes Sam não estava vermelho, agora com certeza ele estava. Seu coração se amolecia todo quando John falava essas coisas.

— Ainda é estranho ouvir você falando essas coisas. – Deu uma risadinha e escondeu o rosto no peito do moreno. – Mas vou gostar de me acostumar com isso...

— Eu também não me imaginava falando esse tipo de coisa. Mas, não sei, quando eu te vi cair daquele jeito... Algo mudou em mim. A vida passa muito depressa pra ficar se prendendo demais. – John disse, deslizando a mão pelas costas suadas do loiro. – E eu falei sério sobre o casamento. – Provocou.

Sam ergueu os olhos e acariciou o rosto do moreno, sentindo a barba por fazer roçando em seus dedos.

— Adoro sua barba. – Desconversou totalmente.

John bufou pela tentativa de escapada do loiro e o fitou intensamente enquanto segurava a mão dele. Começou a beijar os dedos dele um por um até chegar ao anelar e parar nele.

– Você tem medo de uma aliança aqui ou ter uma bagagem comigo? – Perguntou sério.

Sam abriu e fechou a boca, tentou escapar do assunto, desviar o olhar, mas pela maneira como John o encarava, seria uma tentativa frustrada.

— John, nós recém começamos a namorar... – Murmurou. – É meio cedo para falar de casamento... – Sam ficou completamente vermelho. Não era exatamente medo, ou talvez fosse um pouco, mas principalmente culpa do casamento frustrado e, se fosse sincero, horrível de seus pais. Uma união falida de conveniências.

Sam havia desenvolvido uma resistência à ideia de casamentos no papel.

— Tudo bem. Vamos esquecer isso por enquanto. – John falou, mas seu tom não era lá muito feliz. Ele não queria pressionar Sam, tinham que enfrentar a cidade e a mãe do loiro, mas John queria muito que Sam fosse ao menos se acostumando com a ideia. – Já respirou? Porque eu já estou me sentindo pronto para outra. – Disse enquanto rolava para cima dele outra vez.

— Estou mais do que pronto. Estou sempre pronto. – Garantiu, e nem imaginava o quanto se arrependeria dessa frase mais tarde. Ele, no entanto, fez com que John rolasse novamente e montou no moreno. – Mas dessa vez, eu fico por cima, garanhão. – Sorriu malicioso e se inclinou para beijá-lo.

XxxX

Damien entrou em casa bufando de raiva. Gabi estava no sofá zapeando a televisão e ergueu as sobrancelhas ao vê-lo chegar daquele jeito.

— Você sai para espairecer e volta mil vezes pior. – Ela comentou.

— Não começa senão eu te chuto daqui de casa agora mesmo! – O ruivo exclamou enquanto caminhava em direção à cozinha. Ele queria TANTO esmurrar alguma coisa e, como havia um saco de areia guardado em um armário no quintal, Damien pretendia extravasar a raiva nele. Ele ouviu quando Taylor fechou a porta da sala, mas não esperou pelo médico. Era melhor ficar longe dele porque, irritado como estava, acabariam brigando.

— O que raios aconteceu com ele? – Gabi perguntou para Taylor. – Alguém tentou comprar a sua cesta?

— Muito pior do que isso. – Taylor suspirou estafado e soltou Fubá na sala. Não deu maiores explicações, apenas seguiu o ruivo, encontrando-o no quintal batendo contra um saco de areia pendurado numa árvore. – Você realmente vai criar tanto drama em cima daquilo? É escolha do Sam, a vida dele! Se ele está feliz, por que não apoiar? John parecia sincero.

— Sincero? Você viu como o John trata o Sam! Ele está mentindo pra ele. Vai humilhá-lo na frente da cidade toda! Você vai ver! – O ruivo exclamou irritado enquanto acertava um golpe mais forte no saco de areia. – E Sam não me ouviu! Ele está pensando com o pênis e não com cabeça! – Bufou.

— Você acha mesmo que o John iria abraçar o Sam daquela forma na frente de toda cidade, apenas para humilhá-lo depois? Você anda vendo filmes da Disney demais, Damien. – Taylor revirou os olhos. – Se continuar agindo assim, vai magoar o Sam e estragar a amizade de vocês.

O ruivo parou de bater no saco de areia e se virou para o namorado com os olhos apertados.

— Está me chamando de criança? – Ele perguntou em um tom baixo e irritado. – Claro. Eu sou a criança! Eu só quero o melhor para o Sam. Assim como eu só queria o melhor para você quando falei com o Tim sem a sua permissão! Não estou fazendo nada de errado!

— É exatamente isso! – Taylor disse. – Você está sendo igualmente teimoso de novo! Às vezes devemos deixar as pessoas tomarem suas próprias decisões. Você não precisava ter estragado o piquenique deles E o nosso daquela forma. Podia ter esperado para conversar com o Sam com calma e entender a situação. Parar, pensar, refletir. A vida não pode ser feita de atitudes inconsequentes o tempo todo, Damien! – Cansado, o médico deu as costas ao ruivo e saiu dali, antes que acabassem brigando ainda mais.

Damien voltou a socar o saco de areia com mais força ainda. A culpa não era dele! Era todinha de John! Aquele idiota homofóbico de uma figa que havia estragado o seu dia. Como Sam conseguia beijar a boca daquele imbecil era um completo mistério para o ruivo. Não depois de toda porcaria que John jorrou durante todo aquele tempo. Como Sam conseguiu perdoá-lo assim?

O tempo foi passando e Damien continuou lá socando o saco de areia com raiva até que suas forças e seu fôlego começaram a acabar. Suas mãos, que estavam sem proteção alguma, foram quem mais sofreram com sua onda de irritação e estavam cheias de feridas nos punhos. Cansado, suado e desejando um banho, Damien entrou em casa e deu de cara com a “gangue” toda reunida em volta da mesa da cozinha. Camille, Max, Dakota, Carl, Phil, Davi, Charlie, Oliver, Tim, Devon, Gabrielle, Taylor e Fubá estavam comendo alguma coisa que tia Camille preparara.

— Damien! – Foi Gabrielle quem gritou ao vê-lo entrar. – O que diab... – Ea parou de xingar ao se lembrar da presença das crianças. – O que você fez com as suas mãos? Você sabe que precisa delas para escrever, seu inconsequente!

— Escrever o quê? – Tia Camille perguntou curiosa. É, Damien ainda não tinha dito para ela o que ele fazia. Na verdade, ele nem sabia como seu sogro não dera com a língua nos dentes. Para todos, havia dito que Devon e ele se conheceram jogando pela internet (uma mentira deslavada) e o ator resolveu passar as férias na casa do amigo. A empresária dele, no caso Gabrielle, viera junto para que o loiro não fizesse nenhuma estripulia.

— São só arranhões. – Disse como se não fosse nada demais. – Vou tomar uma ducha.

E, sim, ele estava deliberadamente evitando olhar para Taylor.

— Não, senhor! O que quer dizer com “escrever”? – Tia Camille insistiu.

— Eu sou autor de um seriado! – Damien estourou. Estava cansado e queria todo mundo fora das suas vistas naquele minuto, mas ele seria pisoteado, chutado e trucidado se tentasse mandá-los porta afora agora. – E de algumas histórias em quadrinhos também. É isso! O Devon não é meu amigo coisa nenhuma. Ele é o ator que faz o personagem principal e veio aqui com a Gabrielle me amolar porque, quando o Taylor saiu de casa, eu fiquei no fundo do poço e atrasei os episódios! Satisfeita? – Disse tudo num fôlego só e saiu da cozinha, pisando duro antes que Camille e os outros conseguissem se recuperar da informação repentina.

Ele foi para o quarto e estava abrindo a porta do guarda-roupa quando percebeu que Fubá o seguira e estava agora ao lado dele balançando o rabinho com cara de “quero colo”.

— Hey, bola de pelo. – Disse enquanto pegava o cachorrinho no colo. – Eu acho que acabei de ser muito grosso com a tia Camille, né? – Perguntou ao filhote, que apenas tentou lamber a ferida em sua mão. – Pelo que eu sei, a tua baba não tem poder de cura. – Resmungou enquanto colocava o cachorrinho no chão. Fubá começou a choramingar e ficou sob duas patas, apoiando as outras duas na perna do ruivo. – Você sabia que o Sam e o John estão namorando, Fubá? – Começou um monólogo com o cachorro enquanto tirava a blusa encharcada de suor. – Eu notei que o Sam andava mais feliz ultimamente, mas jamais imaginei... Eu nunca sequer suspeitei que ele gostasse do John! Não depois de todas as coisas que o John já falou pra ele. Aquele loiro só pode ser masoquista! Será que eles usam aqueles negócios de sadomaso na cama... Urgh! Melhor parar de pensar nisso. Não quero imagens mentais daqueles dois na cama senão ficarei eternamente com o pinto murcho. Enfim... Onde eu estava? Ah sim, o Sam ficou triste quando eu surtei de raiva. Mas é que... É que... Argh! Eu só quero vê-lo feliz. Eu não menti quando falei que ele é como um irmão mais novo pra mim. O Sam já passou por tanta coisa... Quando o Taylor me falou do Tim, eu também só queria vê-lo feliz. É errado usar qualquer meio desde que o fim seja a felicidade dos outros? – O ruivo sentou na ponta da cama e ficou encarando o chão. – Se a situação fosse contrária... Eu gostaria que o Sam me apoiasse. Na verdade, ele até me apoiou muito quando eu falei pra ele que estava confuso em relação aos meus sentimentos pelo Taylor e bem, se não fosse por aquele loiro doido eu acho que eu e o Taylor não teríamos nos entendido... Ele foi um bom amigo nesse momento e eu queria retribuir, mas ele tinha que escolher justamente o John?

Fubá estava lá parado diante dele com a linguinha de fora o olhando com uma cara de que estava escutando com muita atenção, mas que no fundo apenas queria alguns afagos. Por fim, ele latiu e balançou o rabinho. Damien sorriu e pegou o cachorrinho no colo outra vez.

Depois da bomba que Damien atirou na cozinha, Taylor escapuliu antes que sobrasse para ele. Ele estava mais calmo em relação à atitude do ruivo no festival, mas voltou a ficar possesso com a forma rude e chocante com que Damien contou a verdade. Certamente tia Camille, Carl e Dakota ficariam magoados tanto pelas mentiras, quanto pela forma que receberam a notícia.

Chegando ao quarto, Taylor entreouviu o monólogo de Damien com o cachorro. Ele suspirou, entendendo o ponto de vista do namorado. Mas não que concordasse com a forma dele de demonstrá-lo. Não concordara quando ele se intrometera em sua vida, não concordaria agora que ele queria se meter na de Sam.

— Você não deveria ter contado daquela maneira. — Taylor falou entrando no quarto.

Damien olhou para Taylor por um segundo antes de colocar Fubá no chão e ir até o armário para pegar uma roupa limpa.

— Não estou nos meus melhores dias. – Disse enquanto dava de ombros. – E você não queria que eu falasse a verdade para eles? Falei. Assunto encerrado. Agora eles sabem que eu não sou um riquinho metido à besta que só fica na piscina nadando em dinheiro.

Sem se importar com a presença do namorado (até porque ele já o tinha visto nu e passado a língua nele inteiro várias vezes), o ruivo começou a tirar a calça.

— Não desconte sua raiva nas pessoas que não tem nada a ver com ela, Damien. – Taylor falou, mantendo a calma. Ele se aproximou e segurou o braço do ruivo, virando-o para si. Pegou as mãos dele e as analisou, preocupado. Depois as beijou onde não estavam machucadas. – Eu entendo que esteja frustrado. E me desculpe por antes, eu também estava estressado porque perdi a chance de ficar trocando beijos, afagos e morangos com meu namorado.

O ruivo abriu e fechou a boca diversas vezes se sentindo muito culpado por ter falado daquele jeito com tia Camille e os outros. E também sentindo uma calma que não sentia desde que soube que Sam e John estavam juntos.

— Desculpe. – Ele murmurou após um suspiro e abraçou o médico antes que ele tivesse chance de dizer qualquer coisa. – Eu vou pedir desculpas para a tia Camille e os outros... E para o Sam também. Para o John... Não. Só vou jogar na cara dele que não sou um desocupado que nem ele pensa. – Birrou. – E... Nunca é tarde para os morangos... E café... – Disse antes de beijar o ombro dele.

Taylor riu abraçando-o em retorno, aconchegado nos braços fortes do ruivo. Era onde queria estar desde o começo da tarde. Ficou feliz em ver o namorado admitindo que não agira da melhor maneira.

— Morangos com café... Só você para pensar numa combinação dessas. – Taylor brincou sorrindo divertido. – Acho que você vai ganhar ainda mais fama quando toda a cidade ficar sabendo que um escritor famoso esteve morando aqui durante todo esse tempo. – O médico pensou nas mulheres dando ainda mais mole para o ruivo. Não foi um pensamento legal.

Damien gemeu ao pensar que lá se foi a sua privacidade.

— Eu vou conversar com a tia Camille e pedir para que, por tudo que é mais sagrado, ela não saia por aí contando pra todo mundo sobre mim. Não quero ter que dar entrevistas, nem autógrafos e essas coisas.

O ruivo se afastou um pouco e fitou Taylor nos olhos.

— Seria bom Taylor coberto de café, mas, infelizmente, iria te queimar então vou ficar só na vontade. Mas... – Abriu um sorriso safado. – Podemos ter Taylor coberto de morango ou Taylor coberto de sorvete... Meu aniversário está chegando. Eu não me incomodaria de ganhar Taylor coberto de alguma coisa de presente.

Taylor sentiu suas bochechas esquentarem com as ideias safadas do namorado.

— Besta. – Resmungou, mas abria um sorrisinho. – Vá tomar banho, limpe esses machucados e depois vá para a cozinha. Você tem algumas desculpas para dar. Enquanto isso, eu seguro as pontas. – Deu um selinho no ruivo.

Damien o abraçou por trás e afundou o rosto na curva do pescoço dele.

— Você não quer me ajudar a tomar banho? Minhas mãos estão doendo tanto... – Fez manha. – E você sabe que sem mãos boas, sem Henry.

— Você não me convence com essa. – Taylor disse, apesar de sua preocupação com as mãos e, claro, com os escritos do ruivo. Ele o empurrou em direção ao banheiro, ignorando os formigamentos quentes em seu corpo. – Toda a família está na cozinha, sexo só depois, seu safado.

Damien resmungou, mas acabou aceitando. Já Taylor respirou fundo antes de retornar à cozinha.

Ele esperava que seu pai houvesse amansado a tia Camille naquele meio tempo.