Café Belamuor

1 Introdução - Fernanda


Fazia tempo que eu não vinha nesse café, deis da época em que estava no colegial...

–Você vai querer alguma coisa?
– Oh não obrigada! Estou só esperando uma pessoa.
– Fique a vontade – (Respondeu a garçonete, com um sorriso.)
Mocinha simpática; me faz lembrar o tempo em que eu mesma usei esse aventalzinho cafona, quando estava no segundo ano...

No tempo em que eu trabalhei aqui no café, sonhava em prestar jornalismo na faculdade estadual, estudava muito e delirava com minhas grandes expectativas; me imaginava escrevendo romances épicos, viajando nas maravilhosas historias que um dia iria escrever.

Nessa mesma época, eu tinha uma grande amiga, Helena Neol, que trabalhava no mesmo turno que eu. Nós planejávamos dividir o aluguel durante a faculdade, ela também pretendia prestar jornalismo, contudo iria seguir carreira no ramo investigativo; lembro-me até que escrevia matérias para o jornal do colégio, “escândalos” como: “Diretoria ameaça cortar o velho carvalhinho” ou “Crianças organizam greves exigindo mais tempo de intervalo”.

Helena era uma garota bonita, sempre chamava atenção das pessoas para seu jeito altruísta e valente de ser, era alta e tinha cabelos longos e cacheados, morena dos olhos verdes. Éramos muito diferentes; eu era baixinha, mais magra, com cabelos ruivos e olhos castanho-avermelhados, acho que até me esforçava pra não chamar atenção, tinha pavor só de pensar em muitas pessoas olhando para mim.
Apesar de tudo, eu e a Helena éramos inseparáveis. Algumas pessoas diziam que ela me usava, que eu era como a servazinha ou bichinho que seguia ela; Helena simplesmente ignorava esses comentários, e me dizia que eles só estavam com inveja da nossa amizade. Eu sorria e concordava. Ela sempre foi muito independente, autoconfiante... E realmente, as vezes parecia que ela só andava comigo por conveniência, mas ela sempre me tratava como de igual para igual, como se a popularidade e o prestigio que ela tinha (e eu não) não fizessem a menor diferença, isso me fazia sentir tão feliz!

- Ham... Mocinha? Será que você poderia me trazer uma xícara de chocolate quente?

- Claro — disse a mesma garota enquanto limpava o balcão

***

Hum... São 13h15, cheguei bem cedo, melhor eu me ocupar um pouco nas minhas lembranças...