Café
1 Capítulo único
Notas iniciais
Uma leve brisa bateu balançando vagarosamente os cabelos negros da arqueóloga que sentada em uma cadeira de praia laranja, lia seu livro de runas antigas. Já estava muito tarde, constatou ao olhar para o céu coberto por pontinhas iluminadas com a simples finalidade de decorar a infinidade azul.
Sorriu. Gostava muito de observar as estrelas em seu conforto no navio e com o amigável som do balançar das ondas.
Terminou o capítulo e logo em seguida fechou o livro. Sentia seus lábios secos e uma vontade de bebericar aquele sabor amargo e ao mesmo doce tomou-lhe a boca. Dirigiu-se à cozinha escura, iluminada apenas pelo luar azulado. Colocara a água do café para ferver e enquanto o fazia, uma voz rouca atrás de si assustou-lhe levemente. Não virou para trás para encarar o dono daquela voz. Já o conhecia muito bem.
"Você nunca dorme?" O esverdeado perguntou-lhe, recostado à geladeira. Trazia consigo o mesmo olhar entediado de sempre.
"Pergunto-me o mesmo de ti. Acordado ainda essa hora, senhor espadachim?"
"Você sabe que eu não durmo cedo... Só desci aqui para pegar um copo d’água."
"Eu sei." Não pôde deixar de sorrir. Já tinha imaginado a resposta, antes mesmo dela ser proferida pelo ex-caçador de recompensas.
"Érr... E você?" Perguntou, coçando a nuca.
"Queria muito ler meu livro e acabei não notando o horário."
E então, o silêncio se fez presente.
Aquele silêncio já era um antigo conhecido em situações como aquela. Nutrir diálogos produtivos nunca fora a especialidade daqueles dois, devido às personalidades marcantes e por vezes distintas.
Não que isso fosse um defeito, para Robin, aquela era uma das qualidades de seu relacionamento com Zoro. Por ser uma grande amante de mistérios, a arqueóloga gostaria de desvendar todos os segredos existentes no espadachim pelas próprias mãos. E ficar em silêncio ao seu lado apenas apreciando a companhia afável, era muito melhor que questionar-lhe algo pessoal. Tinha noção de que isso também era de agrado do Roronoa, da mesma forma que era para si. Por ser recíproco, estava muito bom do jeito que estava. Não tentaria mudar nada e nem mesmo queria.
Finalmente pronto, o vapor da bebida quente tocou o seu rosto. Com a xícara favorita em mãos (comprada na última ilha que o Thousand Sunny atracara), seguiu o caminho rumo à porta aproveitando um gole de café. Teria saído com sucesso se braços fortes não tivessem agarrado a sua cintura.
"Faz um tempo..." O esverdeado apertou o abraço aproveitando para inalar o perfume floral presente no vestido da morena "Que não passamos um momento juntos."
"Eu vejo você e nossa tripulação todos os dias. É meio que impossível não estar ao seu lado."
"Não dessa forma." Mostrou um olhar carrancudo como se fosse a coisa mais óbvia já dita.
Desvencilhando um pouco do abraço, a arqueóloga pousou a xícara em uma mesa próxima. Agora seus olhos azuis celestiais encaravam os negros tenebrosos. Zoro apertou o olhar. Aquele era o sinal de onde iriam parar logo logo.
Não foi preciso muito para um singelo toque no rosto se transformar em um demorado encostar de lábios. Mais que do que gostava de beijos simples dados por aqueles lábios macios, o espadachim adorava sentir o gosto agridoce de café.
Era um sabor único, típico de Robin.
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