Caderno de Poesias

6 À noite que me chama


Sempre que fecho os olhos posso ver-te

Vejo duas orbes profanadas por minhas mãos

É teu rosto, culto e oculto, deformado

Só teus olhos posso eu ver.

De cabeça inclinada tu me chama

Há medo em tua voz, mas a máscara oculta.

Me chama e pede liberdade.

– Que queres e tu terás!

Sorriso. Sua voz treme, ressonando pela escuridão

– Tenho tudo que quero.

Um muxoxo, acho que tu não gosta de ser o que és,

Escravo da beleza e da voluptuosidade.

Sempre que fecho os olhos posso ver-te

Vejo teu rosto empalidecido e duas orbes.

Malditas sejam elas!

S. Blackmont


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