Cadente
4 Catástrofe
Não entendo, o que eu fiz de errado? Sinto que todos me odeiam. Estou rodeada por todos que eu conheço. Estão apontando para mim. Mas não ouço nada. Estou surda, tentei falar, também não consigo! Vou correr. Sei que posso me libertar dessa agonia!
Todos ficaram para traz. Minha mãe. Meus amigos e o Aaron. Finalmente eu pude falar!
— Estou livre!
Bimp,Bimp,Bimp
Ah, estou cansada, nem começou o dia, aliás, nem o ano direito, e já estou sem saco.Odeio acordar antes do despertador. Estou com preguiça de abrir os olhos. Tive um sonho estranho. Mas me senti bem apesar de tudo. Costumo não sonhar ou lembrar-me do que eu sonhei.
Meu despertador não tem esse som. Começo a sentir algumas dores, meu pulso. Não consigo respirar direito! Sinto alguma coisa em minha garganta! Estou desesperada! Ainda não acordei? Abro meus olhos!
acho que estou em um hospital! A luz incomoda meus olhos! Não consigo enxergar direito. Continuo a ouvir o Bip. E o som começa a ficar mais constante e meu desespero piora! Tento retirar o tubo que está em minha garganta.
— Doutor!!
Uma voz feminina que eu nunca ouvi antes.
Definitivamente estou em um hospital! O que aconteceu!? Não me lembro! Estava discutindo com o Aaron e depois?!
— Enfermeiras! Ajudem-me a desentuba-la! Ouço uma voz masculina
O bip começa a ficar mais constante! E começo a ficar sem controle
— Rápido, me dêem uma injeção de sedativo.
Sinto uma dor e não consigo raciocinar.
— Olivia? Ouço uma voz familiar.
Abro os meus olhos e vejo minha mãe. Ela está diferente. Não sei dizer o que!
— Graças a deus! E seus olhos começam a lacrimejar
Ela me abraça forte e sinto algumas dores nos braços.
— Com cuidado senhorita! Ela ainda está com dor. Diz uma enfermeira baixinha do meu lado.
— oo que...
Não consigo falar direito. Minha voz não está saindo.
— Ela vai ter dificuldade para falar durante os próximos dias por causa do tubo. Fala a enfermeira.
— Tudo bem! Mas o que importa é que ela acordou!! Diz minha mãe com alivio.
— Irei chamar o doutor Marinho, para tirar sua duvidas!
Observo enquanto a enfermeira sai da sala. Ela tem um andar engraçado. E mais baixa que eu e roliça, tem os cabelos e a pele negra. Tem um ar maternal.
— Sei que você está confusa! Mas não precisa se preocupar, o pior já passou! Minha mãe fala tentando segurar o choro.
Um homem alto, de pele morena clara, com aspecto latino de jaleco entra na sala.
— Boa tarde, Viola! Fala o médico apertando a mão da minha mãe!
— Doutor! Diz minha mãe retribuindo. Enxugando as lágrimas com a manga da blusa
Ele pega uma espécie de lanterna, se aproxima de mim. Ele está com a luz nos meu olhos.
— Muito bom! Diz o doutor.
— A resposta está muito boa. Completa ele.
— Toc, toc
Ouço batidas no vidro.
— Podem entrar! Diz o médico olhando para mim.
Entra no quarto dois homens. Um está com uma roupa militar e o outro está de terno escuro. O militar é alto, branco. Por baixo do chapéu, percebi que seu cabelo é castanho. E o de terno é um pouco mais alto que minha mãe, é branco e tem o cabelo raspado.
— Será que podemos conversar agora doutor? Diz o homem de terno.
— Vocês podem falar. Mas a paciente está impossibilitada de falar. Responde o médico.
— Tudo bem doutor. Iremos comunicá-la o que está ocorrendo. E depois conversaremos.
O médico sai do quarto.
— Senhora. Diz o homem de terno
— Se quiserem posso sair. Diz minha mãe.
— Não haverá necessidade. Interrompe o militar.
O militar se aproxima de mim e me cumprimenta.
— Boa tarde senhorita, meu nome é Daniel Morgan sou General de divisão do exercito. E eu e o senhor Douglas Florian agente estadual estamos aqui para informá-la ...
O homem de terno interrompe o Militar.
— Senhor, por favor, pode deixar que eu explico os procedimentos para a senhorita Olivia Larter.
— Tudo bem. Só queria me apresentar a ela. Por que daqui para frente teremos muito contato.
O militar faz uma espécie de reverencia e sai da sala.
— Senhorita Olivia. Sou Douglas Florian, meu superior já me apresentou. Sou um agente estadual. Trabalho para o exercito. Diz o homem de terno.
— Sei que tudo parece muito confuso. Não sei o que você se lembra do dia em que ocorreu a anomalia.
Anomalia? O que será que ele está falando.
— Pegaremos seu depoimento, quando a senhora conseguir falar. Fala ele ajeitando um broche do terno.
— — a senhora foi a ultima sobrevivente a acordar do coma.
O bip começa a ficar mais constante.
O que ele quis dizer com sobrevivente? O que aconteceu? Estou ficando nervosa.
Ele percebe minha exaltação
— a senhora precisa se acalmar. Não queremos chamar o doutor para seda-la. Fala ele com certo tom de ameaça.
— Senhor. Ela ainda não sabe o que ocorreu. Diz minha mãe meio que suplicando a ele.
— Não se preocupe senhora. Ela terá que saber de qualquer jeito, já que está envolvida. Responde ele.
Estou muito assustada. Quero saber o que aconteceu com meus amigos.
Tento falar.
— Senhora, não se esforce. A senhora precisa estar bem na hora do depoimento.
Estou ficando com raiva desse tal de Florian. Ele começa a me contar uma historia sem sentido
— A sua escola. Foi alvo de uma anomalia rara, que não podemos entrar em detalhe. Mas você e mais 50 alunos foram vitimas dela. Todos entraram em coma depois disso.
Não compreendo o que ele fala.
— A senhora foi a ultima a acordar. Depois de dois meses.
DOIS MESES? Isso é brincadeira. Não consigo entender? Por que estão brincando comigo?
— O senhor pode ser mais gentil com ela? Fala minha mãe chorando.
— senhora, temos que ser práticos, quanto mais rápido ela superar, menos demorara os procedimento.Fala ele olhando para minha mãe.
— Temo que a senhora fique em choque depois das outras informações. Irei chamar uma enfermeira.
Ele apertou o botão que fica do lado da minha cama .
A mesma enfermeira que estava aqui volta.
— Algum problema? Fala ela gentilmente com tom de duvida.
— Nenhuma senhora. Mas temo que fiquemos com problemas. Fala ele rispidamente. E continua a falar
— O colégio público Trumman, tem no total cerca de 300 alunos e um corpo docente de 20 professores, cinco funcionários e dois faxineiros. Desse total, de 327 pessoas ,60 pessoas foram atingidos pela a anomalia, os outros não resistiram.
Como assim não resistiram? O que ele quer dizer com isso? Estou ficando sem ar.
O bip apita.
— Enfermeira! Acho melhor sedar a paciente.
Acho que um dos meus maiores medos, é perder todos aqueles que eu amo.
— Olivia? Ouço a voz da minha mãe.
Fui sedada de novo.
— o Agente Florian já foi. Mas ele irá querer falar de novo com você. Sei que ele não é muito educado. Mas era necessário.
— Não se preocupe Aaron e suas amigas estão bem.
Era tudo o que eu queria ouvir. Fiquei aliviada.
— O que aconteceu de verdade? Falo roucamente
— Tudo o que eu mais queria era ouvir sua voz. Fala ela emocionada.
— Não sei de tudo. Mas trouxe alguém para falar com você.
Olho para a porta e vejo ele. Ele parece mais maduro. Está com roupas mais adultas. Ele está me olhando com um olhar aliviado.
— Liv! Fala ele se aproximando de mim.
— Vou deixar vocês sozinhos. Fala a minha mãe.
Sinto que ele está com uma aura diferente. Sua presença está imponente.
A última coisa que eu me lembro dele. Foi nossa primeira briga.
— Que saudades que senti de você! Sinto ternura em suas palavras.
— Não entendo. Digo
— Não precisa ter pressa! Irei te explicar tudo o que ocorreu! Não precisa ficar mal.
Tentei captar tudo o que ele me disse. Tudo era muito surreal. Não podia acreditar. Mesmo com suas palavras gentis, foi como se me jogassem uma bomba na cabeça. ( Literalmente)
Ele me disse que um meteoro, ou algo do tipo que ele ainda não sabe caiu em nossa escola. Houve muitas mortes, apenas 60 pessoas sobreviveram, todos os sobreviventes ficaram em coma, e conforme passou os dias essas pessoas acordaram. Ele foi o primeiro a acordar. Ele acordou na primeira semana depois do ocorrido. A maioria acordou no primeiro mês. Apenas eu e mais dois acordamos no segundo mês.
Sei que é muita coisa para assimilar, tudo parece irreal. Metade de mim ainda acredita que tudo isso é um sonho. A outra sabe que a dor é real.
Aaron não pode me contar tudo. Ele disse que o resto eu vou saber conforme o tempo. Ele não demorou a ir embora. Logo depois que ele me contou o que houve, disse que não podia ficar mais , que tudo ainda estava um caos. E por ultimo ele me disse que todos os sobreviventes voltariam à escola.
Minha mãe ficou até a noite comigo. Disse que ela tinha que descansar, eu estava bem melhor.
No final, iria passar a noite sozinha no hospital.
Acordei no meio da madrugada com Junie, a enfermeira, colhendo um pouco do meu sangue.
— Te acordei? Desculpe-me. Força do hábito. Colhíamos seu sangue a essa hora quando você estava em coma. Disse a enfermeira
Senti um calafrio quando ela falou.
— Pode voltar a dormir criança, só precisamos do seu sangue para fazer alguns testes.
Pode ter certeza que eu não consegui dormir mais. E só uma coisa estava na minha cabeça! Precisava sair logo daqui!
Não demorou muito e amanheceu. Minha mãe chegou por voltas das 8:00 trazendo comida de verdade, e não isso que servem aqui.
Não pude comer muito, já que Junie selecionou o que eu podia comer.
— Como vai você hoje? Disse o Dr. Marinho entrando na sala e me apontando o estetoscópio.
— Bem melhor apesar de tudo. Falei tentando fazer uma cara boa
— Hum você parece cansada.
— Só tive um pouco de insônia esta noite.
— Vejo que você já está comendo bem.
— O que eu posso fazer? Minha mãe cozinha bem.
O doutor riu. E perguntei a ele quando poderia voltar para casa.
— Infelizmente só depois que fazermos todos os testes com você.
Fiquei emburrada. Queria ver meus amigos. Saber se eles estavam bem! E prestar homenagem a aqueles que já se foram.
Acho que o sangue que colheram de mim essa semana daria para alimentar uma família de vampiros. Fora os vários outros testes. Não sabia que isso me esgotaria tanto. Minha mãe esteve ao meu lado enquanto pode. Mas não recebi mais nenhuma visita de ninguém, nem recados. Não me abalei por isso. Sei que meus amigos têm problemas também.
Havia se passado uma semana e o Dr. Marinho me deu alta.
— Vamos querida. Dizia a minha mãe passando pela porta.
Finalmente iria para casa. Estava preocupada com meus amigos, e com saudade da minha casa.
Chegando em casa. Logo vi Mark o pai do Aaron na entrada.
— Bem vinda! Dizia ele enquanto me abraçava.
Notei que Aaron não tinha vindo com ele.
— Infelizmente Aaron não veio, ele tinha um problema na escola. Disse Mark.
Depois que ele disse isso, não dei nenhuma resposta e o silencio insuportável ficou no ar.
— Vamos, queremos te contar uma coisa. Disse minha mãe quebrando o gelo.
Sei que todos têm problemas, mas eu estava esperando ver meus amigos hoje.
Meu quarto não havia mudado em nada, o mesmo papel de parede horrível. Minha cama estava do mesmo jeito que eu tinha deixado. Até as fotos no meu mural, estavam la. Peguei uma foto que havíamos tirado nas férias de verão. Estávamos no lago, eu Aaron ,Sarah e Samantha.
Toc Toc. Minha mãe bateu na porta.
— Liv, fiz seu prato preferido.
Meu prato preferido era lasanha, uma coisa que minha mãe não sabia cozinhar.
Cheguei na sala falando
— Aposto que quem fez essa lasanha foi o Mark disse com desdém
Todos riram.
Depois do jantar nos despedimos de Mark que disse que Aaron iria vir amanhã.
Estava morrendo de saudades dele e das meninas.
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