a vezes eu penso...

no tempo que passou...

as memorias que gravei...

no que me tornei.

e nessa noite fria

sem ninguém

sem vontade de dormir

olhando para o nada

o pensamento voa para longe...

tão longe no tempo...

que traz memórias trancadas em meu coração.

me fazendo se arrepender de tudo aquilo que evitei

de tudo aquilo que fingi não ver

da covardia que meus pensamentos me fazem ter

me tornando agora uma pessoa solitária

sem esperança

acreditando e quase afirmando sua solidão eterna

tendo medo da escuridão que terá que enfrentar sozinho

rezando para seus dias continuarem a amanhecer

tendo medo de seu próprio coração

acreditando que exista alguém que me compreenda

mesmo sendo inútil

procurando forças no ódio

me levanto cada vez mais pior

talvez eu encontre alguém

talvez alguém me tire daqui

talvez...

eu era assim

eu ainda estou lá

estou quase saindo

mas meus passos são lentos

tenho medo da vida

medo dela acabar

medo de não sair de lá a tempo

tenho medo de mim mesmo.