Cadê você, filhota?
5 A presença da falta
Notas iniciais
William escuta o ruído das chaves e corre para a sala, os braços estendidos. Filhota! Arrietty se desvencilha. Oi, pai, vim buscar o Hunter. O gato! E pensar que o amor de um pai valeria menos que um gato!
Arrietty demora apenas o suficiente para convencer Hunter a entrar no transportador. Não, não está interessada em jantar. Mas o papai cozinhou uma comida tão gostosa... Você é um desastre na cozinha.
Ela vai embora sem cerimônias. Está feito. Tudo o que a prendia àquele apartamento foi levado. Mas William ficou.
Olha entristecido a ausência do piano. Ainda enxerga Helena sentada no banquinho, ensinando a Arrietty o nome de cada nota, de cada música.
Durante anos, acostumou-se ao som de Helena tocando de manhã até a noite, estação após estação. Depois, acostumou-se à Arrietty. As músicas, em certo sentido, eram as mesmas. Mas eram diferentes, carregadas de uma nostalgia, um quase renascimento. Às vezes se recostava no batente da porta, esquecido do que precisava dizer. Observava a filha em transe, imersa em um mundo seu.
Saber que Arrietty foi embora o entristece, e também ufana. Sua filhota não precisa mais dele. Assim como um dia ele não precisou mais de Amália.
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