Cachecol Azul e Cabelo Vermelho
31 Epílogo
Houve um barulho de algo úmido sendo partido. Nada mais foi ouvido, além, claro, do piano insistente que ecoava por toda aquela casa.
Sherlock finalmente conseguiu erguer a cabeça, fez isso num gemido, sentindo o ferimento em seu abdôme repuxar. Apoiou-se sobre o cotovelo, esticou a mão e pegou o punhal que encontrava-se afundado na garganta do cadáver ao seu lado. Puxou-o, desta vez apoiando-se sobre o joelho e erguendo-se mais um pouco. Ele se encontrava num verdadeiro mar de sangue, todo o chão estava ensopado daquele líquido viscoso, e um cheiro de ferro e de carne queimada enchia o ar. As paredes estavam sujas da mesma substância, e outro cadáver era visto no corredor mais à frente.
—Alguém me ajude. — ecoou de uma sala próxima.
Sherlock colocou-se pé, recoberto de sangue seco e úmido, faca em punho.Viu um vulto caminhar mais à frente, uma sombra projetando-se pelas paredes, e ele sabia a quem aquela sombra pertencia. Ele abaixou levemente a cabeça, lembrando um lobo prestes a iniciar a caçada. Era hora de assumir sua verdadeira natureza.
Enquanto isso, uma canção começou a tocar, substituindo o piano insistente e arrastando-se lenta pelas paredes e corredores.
"Nada realmente importa
Qualquer um pode ver
Nada realmente importa
Nada realmente importa para mim
De qualquer forma o vento sopra"
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