Caçadores de Recompensas

1 Capitulo I – Caçada


Notas iniciais
...

Estava inquieta atrás daquela moita de tamanha médio, encontrava-se deitada com a barriga para baixo, ao lado de seu irmão mais velho. Os dedos de sua mãe esquerda mexendo, movendo um pequeno objeto redondo de prata. Uma moeda, não chegava a tocar, ela nunca precisou.

Enquanto mexia circularmente o dedo indicando, a moeda flutuando ao ar girando também sem sair de seu lugar. Passava o objeto redondo por volta da mão e entre os dedos sem qualquer esforço e sem qualquer contato.

- Pare com isso. Sabe que a mamãe não gosta quando faz. – o jovem garoto ao seu lado a repreendeu.

- Mas ela não está aqui agora, certo irmão? – soltou um pequeno sorriso travesso. Sua atenção foi tomada de seu irmão para os pequenos filetes que as folhas do arbusto deixavam passar. Com a moeda caída agora em sua mão, ela a segurou forte deixando sua atenção totalmente para o que logo ocorreria na frente de ambos.

- Irmão, ele está quase caindo na armadilha, o que faremos?

- Apenas continue aguardando. Paciência, Emma. Paciência.

- Sim.

Dois pares de olhos verdes observavam o coelho branco pular inocentemente para a pequena armadilha no meio da floresta. Quando o animal pulou para dentro da caixa, ficando preso, a garotinha correu até a mesma junto de seu irmão, Sebastian.
O menino de apenas 13 anos retirou de seu bolso uma pequena faca e esticou a sua irmã.

- Faça. – disse a ela

- Por que eu?

- Você não quer ser uma adulta forte, Emma?

Sem qualquer argumento a menina pegou o objeto pontiagudo e foi em direção ao pequeno e branco Coelho e o esfaqueio sem hesitar.

- Boa menina


*~*

Caminhavam juntos. Os irmãos eram inseparáveis, Sebastian era seu herói, ela se via nele, queria ser forte e inteligente como ele. Emma idolatrava seu irmão. Na pequena cesta encontrava o pequeno coelho agora morto, o vestidinho bege sujo com algumas gotas de sangue, mas aquilo não parecia abalá-la.
Caminhavam pela floresta sem qualquer medo, pois ainda não anoitecerá porem o por do Sol era visível.

Sebastian parou de andar e olhou para o céu. Algo estava errado, havia uma grande fumaça no ar. Algo realmente não estava certo.
Lembrou de segurar forte na pequena e branca Mão de sua irmã e correr.

- Irmão, o que está havendo?

- Corra Emma. – disse apenas

A pequena Vila no meio da floresta não era uma das melhores, pessoas boas e honestas habitavam e trabalhavam ali, algumas crianças não tinham pai, assim como eles, mesmo assim foram criados por sua mãe. A qual a amavam muito. Chegaram até a entrada da vila. Pessoas corriam com seus filhos e pareciam assustados. Algumas cabanas pegaram fogo e outras já tinham virado pó, rebaixando-se a nada.

- Irmão, o que está havendo? – a menina perguntou novamente, agora com a voz baixa. Estava com medo. Sebastian olhou desesperado para os lados, tinha que encontrar sua mãe.

Soltou a pequena cesta e pegou a pequena menina no colo, correu o mais rápido possível para sua cabana. Tudo acontecerá tão rápido, enquanto corria com sua irmã nos braços ele via pessoas serem mortas em uma fração de segundo, um minuto elas estava lá, em pé e no outras caídas mortas sem a parte do coração ou sem suas cabeças.

”Afinal, o que estava havendo?”

Chegou a sua cabana. Ela era a mais afastada da vila, era uma pequena fazenda cujo não produzia muito alimento, quase nunca conseguiam uma colheita. Colocou a menina no chão e passaram pela porta com pressa.

Procurou em toda a cabana, não havia sinal de sua mãe. Sentiu seu coração apertar, viu pela janela uma parte da vila ser completamente dominada pelas grandes chamas do fogo. Correu até Emma, a garotinha estava apavorada. Mas não era sua culpa, Emma tinha apenas seis anos, o que poderia fazer?

Mas como um bom irmão, ele a abraçou, abraçou forte.

- Estou com medo – a ouviu dizer.

- Eu sei, mas tudo vai ficar bem. Eu prometo que a protegerei de tudo.

- Com força a porta foi aberta, ele estava de costas e temeu que o pior estivesse chegado. Assustou-se quando alguém o tocou no ombro.

- Sebby, temos de ir... Eles não podem achá-los. – A voz calma e aconchegante de sua mãe o fez se sentir seguro. A mulher dos cabelos castanhos claros pegou a pequena menina no colo e correu para o pequeno quarto, afastou a cômoda média da cor marrom escuro e puxou uma pequena porta que havia no chão.

- Entrem rápido. – disse

- A garotinha obedeceu, Sebastian por fim olhou bem sua mãe. Ele queria saber o que estava acontecendo, ele tinha o direito de saber. Afinal, pessoas estavam morrendo pessoa que ele conhecia, seus amigos. Pessoas boas e honestas.

- Mãe, o que está acontecendo?

- Não há tempo. – disse a mulher, o garoto segurou forte o pulso de sua mãe.

- Mãe, o que está acontecendo? – Repetiu a pergunta, dessa vez em um tom mais alto

- Meu trabalho é proteger vocês, custe o que custar. Não posso deixar que eles os achem.

- Eles quem?

- Os Demônios. – Disse a mulher. Viu que seu filho por um momento perdeu o noção da realidade, então segurou em seu rosto carinhosamente – Vocês são a melhor coisa que me aconteceu. Ouça, ficará tudo bem e quando eu não estive quero que cuide da Emma. Agora vá, esconda-se e não deixe que eles os achem.

Fechou a pequena porta assim que seu filho mais velho entrou, trancou e jogou um tapete velho por cima, colocou então a cômoda em seu devido lugar.

No subterrâneo os irmãos encontraram um pequeno túnel. Sentiu-se mal por deixar sua mãe. Mas prometerá a ela que cuidaria de sua pequena irmã, e cumpriria sua promessa. Os dois caminharam para dentro do túnel e em momento nenhum Sebastian soltou a pequena e fria mão de sua irmãzinha.

Na superfície, a mulher de vestido verde escuro esperava para o ataque. Sentiu rápida a presença do inimigo se aproximando.

- Eu sei que está ai. – disse forte

O homem apareceu em frente a porta em um raio de segundos, usava capa preta e roupas também na cor preta, apenas seus olhos e sua pele destacavam-se. Pele tão branca como porcelana, e os olhos tão vermelhos como sangue e eles brilhavam sobre o desejo de matar.

Ele sorriu ao ver a determinação da mulher a sua frente.

- Onde está? – disse calmo, porem sua voz demonstrava irritação

- Não vai achá-la. Ela não está mais aqui – ele rosnou ao ouvir suas palavras. — A profecia se cumprirá não importa o quanto demore. Se for dez, vinte ou até mesmo cem anos.

- Eu vou matá-la sua Bruxa asquerosa – Rosnou entre palavras

A mulher sorriu.

- Vamos acabar com isso. – Levantou seu a mão retirando da manga um pequeno objeto de madeixa com um cristal quase na ponta, sussurrou algumas palavras e uma grande quantidade de raio saiu do pequeno objeto. O homem a sua frente não teve dificuldades, desviou e logo chegou até a mulher, batendo a mão na mão dela arrancando sua varinha, segurou forte em seu pescoço.

- Eu vou achá-la, não importa se não for agora ou se for daqui a mil anos. Eu vou achá-la e então a matarei.

A mulher riu irônico. O olhou bem nos olhos

- Este não é mais o seu tempo, Edom.

Com a outra mão livre, fez-se um sinal e então em uma fração de segundo a casa, ela e o homem explodiram. Eles queimaram ao fogo.

*~*


De ante dos destroços uma mão chegou a superfície. Com força o ser em baixo forçou as costas nuas contra vários destroços, empurrando-os. Mesmo com dificuldade se colocou de pé. O braço quebrado para trás, o pulso torto. Ele estava irado.

Estralaram- se as costas e o pescoço, com a mão ele puxou o braço para seu lugar e logo também o pulso quebrado. A explosão retira queimada parte de suas roupas, queimado parte de seu corpo. Porem em questão de meninos grandes feridas se tornou pequenas e insignificantes tornando-se cicatrizes minúsculas e desaparecendo por fim.

Observou a cena em volta. Apenas cinzas. Arvores não se existiam mais naquele lugar, seus olhos foram até o local que ficaria a casa.

Nada.

Sentiu seu corpo endurecer. Estava realmente zangado, a Bruxa tinha o enganado. Tinha sido apenas uma distração para que a aberração fugisse. A garota comprometia sua liderança. Comprometia seu reinado, sua coroa.

“- Não haverá profecia“

Ele jurou.

Ele um dia a acharia, e então a mataria e nada o impediria.

... Nada.

- AHHHHHH

O Grito grosso e rouco espantou aves que se alojavam ali perto. Edom jamais descansaria.

*~*

“Quando eu e meu irmão éramos pequenos ouvimos historias sobre nunca sair a noite. Sobre coisas ruins, coisas que não devem ser compreendidas. Eu nunca coloquei minhas crenças nesse tipo de coisa. Que garotinha tola eu era. Nossa vila foi destruída por algo que ninguém sabia coisas que andavam na escuridão da noite. Eles se rebelaram, mataram pessoas conhecidas e amadas. Graças a minha mãe eu e meu irmão conseguimos escapar, porem isso custou a vida dela. Eu e meu irmãos fomos embora naquela noite, sem nada. Sozinhos. Nunca mais voltamos... Afinal, não havia para o que voltar “

15 de Agosto de 1890, 19: 00 PM, tarde

Ouviam-se barulhos de pegadas rápidas. Os flocos de neve já fizeram a pele de seu rosto anestesiar, o nariz queimava toda a vez que respirava forte. Corria, seguindo atentamente as pegadas grandes em frente, tinha perdido a fera de vista por alguns segundos e agora tinha que correr atrás do prejuízo. Armas carregadas em suas mãos, ela desviara rápido de arvores e pedras cobertas por uma grossa camada de neve. Então de repente ela parou, não havia mais o que seguir. As pegadas haviam sumido.

O que se via agora era um grande lago congelado.

- Emma – A figura ruiva ofegava. Olhou o lago assim como ela – Vamos voltar. Não há nada aqui, se havia já se foi – Respirou fundo, tomando fôlego e se recompondo.

- Certo. – disse calma, mas a frustração e irritação eram notáveis em sua voz baixa e doce.

Guardou suas armas, caminhou para trás, refazendo o caminho que tinha feito minutos atrás.

- E você tem que parar de vestir-se com meus trajes, são masculinos – Disse seu irmão, observando o vestuário da jovem.

- Não vejo como posso correr de vestido e salto alto. – retrucou por fim

“ Meu irmão e eu carregamos a mesma dor, carregamos o mesmo desejo de vingança. Vingar nossa mãe é nosso maior foco, vingar as pessoas que morreram inocentemente. Não vamos descansar até caçarmos o ultimo, até que a terra esteja livre. Não vamos parar, enquanto estivermos saúde e força iremos continuar. Esse é o nosso trabalho. Caçar e exterminar. “


- Porra, eu estou louco por um banho quente agora. Não é uma boa idéia?

- Sim, você tem razão – apenas sorriu.

Avistaram o grande portão na cor clara, era considerada uma das vilas mais belas daquela região e agora ela estava em ruínas.

- Vão embora. Já sofremos com a praga que nossos Deuses enviaram a nós. Partam, e levem a praga convosco.

A moça jovem não pode deixar de arquear uma sobrancelha.

- A desgraça e a praga já estavam sobre vocês antes mesmo de eu e meu irmão chegarmos. Porem dentro de vossos corações há ignorância e orgulho para admitirem que necessitem sim de nossa ajuda. – Seu irmão tomou as dores para si

Mordeu o lábio inferior. Sebastian tinha sido paciente e compreensivo. Porem Emma não negará que os achava fracos

- Eles enviarão a Luz

Não pode deixar de olhar o aldeão que dirá aquilo. Depois de tudo ele ainda tinha crenças. Emma riu irônica, caminhou calmamente até ele, ficando pouca coisa de distancia.

- Acha mesmo que esses Deuses podem ajudá-los? Então se eles existem e podem mesmo fazer alguma coisa, onde eles escondem-se em todos esses anos?

- Tudo há de ter um tempo. Quando eles se calam, deve-se pensar que está trabalhando

- Esses tal Deuses descansam enquanto pessoas morrem. Seus Deuses observam tudo o que acontece aqui e mesmo assim não fazem nada. Para mim eles não existem então, caso contrário eles teriam feito algo, não?

Há essa hora, Emma já segurava a gora da camisa surrada do aldeão. Fechou os olhos, respirou fundo e o soltou.

- Vocês devem ter ouvido os rumores... Sobre nós. Eu e meu irmão não brincamos em serviço, aquela fera está solta, mas não por muito tempo. E quanto a nós, tanto faz se nos chamam de demônios ou de anjos. No final, receberemos o pagamento do mesmo modo.

Olhou uma ultima vez para o aldeão, seus olhos verdes demonstravam desprezo e sarcasmo.

- Conversaremos com seu prefeito – disse por fim

Virou se calmamente e caminhou. O jovem ruivo observava sua irmã andar. Balançou a cabeça negativamente, pois ele sabia que sua irmã jamais mediria suas palavras. Ela jamais iria mudar.


*~*

- Talvez se montarmos um perímetro nessas três áreas poderíamos ter algum avanço. O Xerife diz que talvez o demônio esteja escondido a... – foi cortado

- O que vocês pensam? Que ele é um animal selvagem?

- Emma, pega leve. – disse Sebastian

- Sebastian, não. – Encarou o prefeito – O lobo vive aqui, na vila. Ele come aqui, dorme aqui. Ele é uma pessoa normal, ele pensa, ele sabe exatamente o que fazer e o que não fazer. Pode ser qualquer um. Então escute, de dia procuraremos e a noite o esperaremos. Ele sabe que está sendo caçado. Sabe onde estamos, pense. Eu e meu irmão somos uma ameaça afinal. Acredite, ele logo se mostrará.

- Sim, e com o festival de inverno chegando pode ser uma boa armadinha para o lobo e uma boa distração para seu povo. – Sebastian disse por fim

- Festival? Quando? – A garota ruiva perguntou

- Daqui a duas noites

Ela sorriu.

- Perfeito – Levou seu olhar até a lua. Tão grande e brilhante, combinava perfeitamente com toda a neve e o frio.

16 de Agosto, manha 09: 00

Um dia antes do Festival

A Vila estava agitada, cada aldeão ajudava a organizar o festival. Para Emma aquilo era uma total perda de tempo, ela só queria matar.

Os olhos verdes esmeraldas observava cada movimento atentamente.

Sebastian ficou responsável por vigiar a entrada da vila, seu local de briga? Lugares altos, topos de arvores. Ele era bom com a mira. Emma por sua vez ficava em baixo onde tudo acontecia. Sempre preferiu o combate corpo a corpo, era rápida com as armas e facas.

Olhando para a vila, ela pode notar que tudo a lembrará a sua antiga vila. De certo modo era lindo aquele lugar. Porem ela nunca ficaria nunca regressaria. Ela jamais descansaria e teria uma vida normal até se vingar... Ela jamais perdoaria.

Um barulho a fez sair de seus pensamentos, em um movimento rápido ela pegou suas armas e as mirou para a direção de onde vinha o barulho. Baixou sua guarda quando notou que eram apenas duas crianças. As crianças assustaram-se com a atitude da jovem. Em fim, ela não os culpava.

A decoração estava quase toda pronta. Emma só tinha que esperar. Esperar para matar.

*~*


17 de Agosto, 19: 30 PM

Dia do festival


Seus punhos doíam suas pernas já não eram sentidas por conta de todo o frio que fazia. Como odiava esperar. O boneco de madeira recusava-se a quebrar, não importasse o quanto o socava.

Retiro duas adagas escondidas em suas roupas, acertando o centro dos alvos. Ela não conseguia parar

- Vai com calma, até mesmo criancinhas temem a você... Criancinhas.

Parou e observou seu irmão aproximar-se a ela. Sua respiração era notável, estava ofegante.

- Onde esteve? – Pronunciou-se Emma voltando a socar o boneco a sua frente.

- Estava calculando o perímetro — deu de ombros, como se não desse a mínima. Emma nada disse. Mantinha-se ocupada descontando sua ansiedade no boneco

- Se quer tanto brigar. Por que não brigar com alguém que pode defender-se? Seria então uma luta justa – disse o jovem ruivo, retirando o arco e as flechas e as colocando no chão

A jovem ruiva nada disse, apenas sorriu. Arrumaram-se, frente a frente sem tirarem os olhos um do outro. Sebastian deu o primeiro golpe, sorriu quando sua irmãzinha defendeu-se. Ele atacou novamente e depois novamente e ela apenas defendeu. Dobrou o joelho direito, acertando o estomago de sua irmã, segurou seus finos pulsos e a empurrou forte para trás, pressionado-a contra uma arvores qualquer.

- Parece cansada, irmãzinha. – zombou o homem.

- Olhe de novo, irmão.

Jogou a cabeça para trás, levantando um das pernas, chutando-o para longe, correu até ele, jogando-se em cima de seu corpo acertando-lhe um soco. Sebastian puxou forte o cabelo médio na cor alaranjado de sua Irma, jogando-a para o lado. Aproveitou o pequeno tempo e se recompôs rápido.

- Hein... – Saíram de seu pequeno treinamento com Joshua observando perplexo para a cena em sua frente. — Vai começar – O homem disse antes de se retirar rapidamente

Sebastian vestiu suas armas e olhou para o ponto de cabelos alaranjados atrás de si.

- Vamos?

- Preciso de um minuto.

- Certo. – O jovem ruivo disse antes de sair.

A jovem caminhou calmamente até suas armas e as pegou, para logo se retirar. Foi rapidamente ao seu posto de vigia, de acordo com o plano. Ela não deixaria a besta escapar... Não novamente.

O povo estava em festa, estavam felizes. Ou pelo menos, fingiam estar. Havia uma grande fogueira na praça principal. Decorações em todas as casas, tochas espalhadas, boa musica e vinho. Muito vinho

O povo agia como tolo, mas Emma devia admitir que o vinho fosse realmente muito bom.

Levou até sua boca a mão que segurava a caneca, tomando outro gole, inclinou suficiente o corpo para frente de modo que pudesse apoiar seus cotovelos na cerca de madeira da pequena varanda de onde estava. Ao fazer tal movimento, bateu contra a palma de sua mão um pequeno objeto um tanto quente, deslizou seus olhos para seu pulso, levantando o pulso para que pudesse ver melhor.

A moeda agora virará um pequeno, mas nunca insignificante pingente. Em toda a corrente de prata em seu pulso fino, a moeda era o único objeto encontrado ali.

Desviou o olhar para logo após levar novamente à caneca a boca, tomando outro gole.

A sua direita havia dois guardas armados, a sua esquerda mais três. Sebastian estava liderando uma pequena equipe em cima, entre as arvores e prédios, estavam camuflados. Mas o foco era o chão, não se podiam saber quando um Lobisomem estava por perto, eles eram calmos ao andar, eram rápidos e pensavam antes de agir. Era difícil acompanhar os passos de um lobisomem, porem não era impossível.


Enquanto apreciava sua caneca de vinho, Emma observava as pessoas dançar, beber e brincar umas com as outras, mas por dentro estavam tão assustadas quanto um passarinho com uma asa quebrada.

Então, em questão de segundo a trompa foi soprada. A música parou, pessoas pararam. Tudo parou. A fera estava lá, de acordo com o plano. Um vulto preto passou pela praça em um raio de segundos, arrastando e derrubando tudo o que se encontrava em seu caminho. Emma jogou a caneca vazia no chão e pulou da sacada de onde estava, colocou as mãos nas coxas, onde encontrava suas armas, as pegando.

Observou bem. Mirou e esperou. O vulto preto passou novamente e ela atirou, atirou varias vezes repetidamente na direção que via a fera. A essa altura os aldeões já corriam para se esconderem. Em um movimento rápido a fera avançou na jovem, acertando uma pata em seu antebraço, já que Emma o colocou na frente de seu rosto. A força da pata da fera a jogou para trás. Ao cair no chão derrubou uma de suas armar, mesmo com as costas doendo por conta da queda tratou logo de se levantar rapidamente. Novamente a fera avançou, Emma pulou para lado dando uma cambalhota, ainda com uma arma ela mirou voltando a atirar, sua arma travou.

“Merda...“

O lobo pulou em cima de si, jogando-a no chão mais uma vez. Emma viu quando o lobo levantou a pata da frente, pronto para amassar sua cabeça, não tinha como mexer-se. Suas mãos tocadas ao chão, seus dedos apertaram forte a terra e já sentindo seu corpo esquentar e tremer olhou então para a fera paralisada em cima de si e então num raio de segundo a fez voar. Voou afastando-se de Emma, era o suficiente para se recompor, colocar-se de pé mesmo ainda cambaleando por conta do que acabará de fazer. Ela simplesmente não conseguia controlar, ela viu uma das flechas de seu irmão passar de raspão no corpo do lobo. Os guardas apareceram porem, alguns foram mortos em questão de minutos, outros ficaram gravemente feridos.

Não seria nada fácil.

Sebastian agora estava em solo, no chão. Com o arco e flechas em mãos ele mirou e atirou no lobisomem, mas a fera era rápida, desviou e saiu de cima de sua irmã. Ainda meio zonza Emma levantou-se, agora ao lado de seu irmão Emma pegou em seu bolso de dentro da jaqueta preta dois socos inglês, posicionando em suas mãos, agachou e pegou duas adagas escondidas em suas botas pretas.

Estavam frente a frente, a fera e os irmãos. O lobo correu contra eles em uma velocidade extraordinária. O jovem ruivo atirou flechas descontroladamente a cada passo que a fera se aproximava, Emma correu de encontro contra o ser duas vezes maior que seu corpo, em um movimento rápido a jovem jogou uma de suas adagas, o lobo desviou, mas foi o suficiente para Emma se aproximar e certá-lo com a outra adaga.

Com os socos ingleses ainda em suas mãos ela socou a cara do lobo que rosnou e a empurrou forte, passou as unhas de raspão em sua barriga fina, fazendo a moça soltar um pequeno gemido de dor.

Soltou rápido o arco e tirou de sua jaqueta também preta duas pistolas. Atirando contra o lobo. Tiros de pratas que acertaram as costas da fera, fazendo-a olhar para trás. Olhar para Sebastian.

Com a fera olhando para seu irmão, aproveitou a oportunidade e agarrou a fera em cima de si, com o impulso com o pé direito ela montou da fera que agora corria em círculos e rosnava. Brava, tentando livrar-se dela.

Olhando a cena a poucos metros de distância, Sebastian em um movimento rápido pegou uma das adagas de sua irmã jogadas ao chão.

- Emma... – gritou, e a jogou. As mãos pequenas pegaram no ar e com uma força sobrenatural a fera a jogou para o alto. Emma levantou as mãos e segurou forte em sua adaga e então tudo ficou lento.

A fera machucada não conseguiu se mover rápido o suficiente para desviar-se do ataque que vinha de cima. Emma ao alcançar o chão acertará em cheio a cabeça da fera com uma adaga. A fera ficou mole e caiu, um filete de sangue escorreu pela cara do lobo. Sebastian caminhou até sua irmã e o corpo da fera, mirou e atirou uma, duas vezes.

- Golpe duplo. – zombou ele.

Emma sorriu, agachou e retirou sua adaga da cabeça da fera.


Pouco a pouco os aldeões escondidos apareceram curiosos e ainda assustados. Faziam uma roda em volta de Emma, Sebastian e o corpo morto do lobo

- A fera está... Morta...? – podia ouvir várias pessoas dizerem umas as outras. O prefeito aproximou-se dos irmãos caçadores, olhou para o corpo morto e depois olhou para os irmãos a sua frente.

- Vocês conseguiram. – disse

- Você ainda não viu a melhor parte – Ironizou Emma – Observe.

Então, os pelos pretos ficaram brancos e caíram, agora seria pele humana, o rosto denominava rosto de mulher, cabelo na cor vermelha sangue.

Rosto jovem e era linda, porem também era uma praga e agora estava morta.

- Ophelie... – uma moça sussurrou. Emma a olhou

- Ela vivia aqui?

- Vivia, mas sumiu de repente há alguns anos... Ela era uma jovem tão boa, quem imaginaria algo assim.

- Quando se é algo como um lobo não existe bondade. Era apenas uma farsa. Demônio bom é demônio morto. – a moça ruiva disse por fim

- O machucado em seu braço... – disse o prefeito

- É só um aranhão, uma pessoa humana só pode ser amaldiçoada se for mordido. Somente a mordida pode transformá-los em demônios – respondeu por fim.

Sebastian já tinha em suas mãos seu arco novamente. Mirou na cabeça da moça que antes era a fera e atirou. A flecha agora tinha em sua porta uma linha de aço. O jovem ruivo arrastou o corpo pálido e nu da moça até o centro da praça principal.

- O que irão fazer com o corpo? – Perguntou o prefeito

- Iremos queimar – Respondeu Sebastian

Emma massageou seu ombro, estava toda dolorida, seu antebraço ardia muito e com certeza logo conseguir-se ver grandes borrões roxos em sua pele branca. Porem o mais importante, eles tinha matado a fera, tudo foi de acordo com o plano.

Enquanto o corpo da moça queimava na grande fogueira no centro da praça principal, Emma observava tudo da janela da sala do prefeito enquanto dava um ultimo grande gole no delicioso vinho quente. Os aldeões vibravam e dançavam. A noite se foi repleta de bebidas e pessoas alegres e logo se chegou o dia. O nascer do Sol de inverno. Emma e Sebastian receberam o pagamento. Certificaram de arrumar suas coisas e irem embora.

Pessoas sempre precisavam de ajuda, demônios sempre estavam lá. Eles nunca descansariam, eles nunca parariam. Levavam com si o mesmo desejo, eles achariam o demônio que destruiu sua vila, que matou sua mãe, que matou pessoas conhecidas. Pessoas boas.

Eles jamais iriam perdoar. Eles jamais parariam.


”Eu e meu irmão enfrentamos muitas coisas, varias e varias vezes estivemos entre a vida e a morte. Demos e treinamos muito para chegarmos aonde estamos, para sermos o que somos hoje. Porem no final, apenas sobrevivemos por que tínhamos um ao outro. Nos carregamos a mesma dor, a dor de perder pessoas importantes e por isso ajudamos aqueles que temem, perdemos pessoas importantes e juramos fazer o possível para impedir que outras pessoas sintam essa dor, que percam pessoas importantes também... Esse é o nosso trabalho.“


Caminhava calmos, porem sempre atentos. O raio fraco de Sol não incomodava seus olhos, na verdade o frio ainda era bastante notável, não estavam longe da vila que poucas horas saíram.
O jovem colocou a mão no bolso, retirando algo como um papel amarelado enrolado com uma fita em volta na cor bege

- Próxima parada, Madge Falls – Disse Sebastian sorrindo

Não pode deixar de soltar um pequeno sorriso. Madge era uma grande cidade, uma das mais belas do país.

Emma não pode deixar de soltar um pequeno sorriso de canto.

*~*

Notas finais
Ficaria grata se compartilhassem suas opiniões comigo, assim saberei onde posso melhor e tudo mais.

Espero que tenham gostado. Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.