Caçadores de Recompensas
9 Missão 09 - Na Outra Dimensão
Notas iniciais
Após vinte e quatro dias desde a última missão, Usuita havia fugido. Foi para uma floresta tropical, e naquele momento estava andando sem rumo. Em uma clareia, um garoto amolava sua faca enquanto assobiava uma melodia. Usuita ve e chega perto do garoto. -Licença, sabe que lugar é este? -Usuita pergunta ao garoto. — Estou perdido aqui há cerca de dois meses. Mas sempre que tento sair volto para cá. Talvez eu esteja enfeitiçado, sei lá. — diz o garoto, e se levanta. A pele levemente bronzeada estava coberta de suor, e os cabelos negros despenteados estavam sujos. Os olhos eram azuis e reluziam. — E você? O que faz aqui? -Bem. -Usuita parecia meio insegura. -Estou procurando alguma vila. Não sabe mesmo se não tem alguma por aqui? E como assim um feitiço? — Eu sei lá, há um tempo comecei a acreditar nesse tipo de coisa. Pare de fazer perguntas difíceis. — ele disse, e colocou a faca em sua bainha. -Qual o seu nome? E como se perdeu aqui? -Usuita estava curiosa. — Meu nome? — o garoto franziu o cenho. — Ah sim, Will. Eu vim parar aqui porque estava perseguindo um animal para jantar, e bati com a cabeça em uma árvore, e quando acordei não consegui mais sair. Usuita ri. -Aposto que tem amnesia, é um milagre saber seu próprio nome, isso se for seu nome. -Usuita ri mais um pouco. — Talvez — ri o garoto. — Eu não me lembro. Ainda não me disse quem é você. -Usuita Kuikku, mas pode me chamar só de Kui se preferir. -Ela da um sorrisinho. — Está bem, Kui — Will pisca para ela. — Estou com fome. Gosta de frutas silvestres? Nunca mais achei nenhum animal. -Sim. -Usuita se anima. — Que bom — Will sorri. Ele a guia pela floresta e colhe algumas frutas silvestres. As coloca em um pedaço de casca de árvore e volta para a clareira. — Aqui. As roxas são as minhas favoritas. Usuita começa a comer as frutas. -Você esta morando aqui agora? — Tenho escolha? — ele suspira. — Eu queria entender o que está acontecendo comigo... Mas não consigo. Dois meses, sem se lembrar de nada... E sem conseguir sair daqui. -Será que se você não bater a cabeça de novo suas memorias não voltam? -Usuita fala e logo come mais algumas frutas — Já tentei isso — diz ele. — Eu... Eu agradeço por tentar ajudar. Mas seja lá quem fez isso comigo... Não quer que eu me recupere. -Bem, quer vir comigo? Estou indo para alguma cidade ou vilarejo. -Usuita termina de comer as frutas e resolve deitar no chão. — Se eu conseguir — suspira ele. — Eu sempre volto aqui. Mas não custa tentar. — ele dá um sorriso fraco. -Que desanimo, então vamos só descansar um pouco, estou andando desde o reino de gelo. — Uau — disse Will, arregalando os olhos — Isso deve ser longe. Pode deitar aqui mesmo, essa clareira é o lugar mais confortável que tem. Eu fico de vigia... Se alguém aparecer. -Esta bem. -Usuita fica olhando para o céu. -Will você esta perdido aqui a dois meses certo? — Sim — respondeu Will, voltando a amolar sua faca. -Nesse tempo você não construiu nenhuma casa por aqui? — Tentei. Mas olha que legal, sempre que saí delas para procurar comida eu volto e nada. Sinto muito por não ter nada para te dar — ele diz. -Isso é muito estranho, sera que você não tem "Alzaimer"? — Eu sei lá — diz o garoto, e morde o lábio inferior — É possível, já sou todo destruído. -Will, sabe amolar laminas muito bem? — É a única coisa que tem para fazer por aqui — ele sorri. — Então posso me dizer treinado. -Entendi, pode amolar a lamina da minha espada? -Usuita fala se sentando e olhando para Will. — Claro. — Will responde. -Aqui. -Usuita desembainha sua espada. -Por favor tome cuidado. -Ela diz estendendo a espada para Will pegar. Will a pega e a gira. — É linda — ele diz, surpreso. Começa a amola-la. -É a espada que minha mãe usava. -Usuita fala sorrindo. — É incrível — diz Will — Tenho uma vaga lembrança de trabalhar num arsenal e numa ferraria antes daqui. Mas nunca vi uma lâmina tão bonita. -Obrigada, minha mãe me contava vários historias de como essa espada foi feita, ela realmente tinha muito orgulha dela. — Não é à toa — sorri Will. — Nem sei se tenho mãe ou não... -Deve ter, qual a sua idade? — Acho que tenho dezessete — ele sorri. — E você? -Eu tenho dezesseis, se você tem dezessete então deve ter mãe sim. -Usuita sorri de volta. — Pode estar certa. — concorda Will e estende a espada — Na medida. -Esta pronta? -Usuita olhava para a espada. — Sim. Não amolei muito ou poderia desgastar a lâmina e torna-la frágil, mas na medida para cortar bastante. É bem leve... — ele diz. Usuita levanta e pega a espada. -Vamos ver. -Ela vira para uma grande arvore. -Corte Estrelar!! -Ela grita e da um corte no vento em diagonal e uma luz branca sai da lamina cortando a arvore. -Uau, não da nem pra ver o corte direito. — Você é boa — diz Will. — É assim que eu gosto. -Obrigada. -Usuita fala sorrindo e logo guarda a espada na bainha. -Você tem algum ataque assim também? — Não sou muito bom em lutar com espadas. Atiro facas — ele diz. -Faz sentido e se você for um caçador? A final você disse que veio caçar né? — Acho que sim — concorda Will. — Quer ver? -Eu quero. -Usuita se senta para observar. — Fale algum alvo. Qualquer coisa. — diz ele. Usuita vê algumas maças no alto de uma arvore quie tinha ali. -Ali, acerte alguma maça. -Ela aponta para o local. Will aceita e abre seu colete, cheio de facas. Escolhe uma com cabo bem curto e de ébano. Então a arremessa e acerta três maçãs, que caem no chão. Ele anda até ali e as recolhe, colocando a faca no colete e dando uma maçã para Usuita. Usuita pega a maça e da uma mordida. -Muito bom. -Ela sorri. -Me ajuda a levantar? -Usuita estende o braço para Will a ajudar. Will pega a sua mão e seus rostos ficam próximos. Ele se afastou e enrubesceu. — O que quer fazer? -Bom, vamos caminhar até chegarmos em algum lugar, o que acha da ideia? — Está bem. — diz Will. — Por onde quer ir? Usuita olha em volta. -Não sei, vamos. -Usuita começa a andar para o norte puxando Will pela mão. Will dá um sorriso bobo e a segue. -Não, espera, foi pelo norte que eu vim, então temos que ir pelo sul. -Usuita troca a direção ainda puxando Will. Will apenas a segue, então se detém. Usuita para de andar. -Algo de errado? — Sim — diz Will — Eu conheço essa floresta como a palma da minha mão. Esse lugar... Eu nunca estive aqui. E acho que ouvi alguma coisa. Pode ser... — ele diz, desapontado — Que já tenha passado por aqui e me esqueci. -Otimo, esta começando a se lembrar, vamos continuar então? -Usuita volta a puxar Will. Will se detém novamente. — Ali! — ele diz, apontando para um vácuo entre duas árvores. — Tem alguém ali. Não sei se são instintos de caçador, mas tem alguém aí. Usuita olha. -Não estou vendo nada Will, tem certeza que viu alguém? — Não vi, mas eu não sei, ouvi. — diz Will. — Deixa para lá. Eu sou louco... Vai ficar melhor sem mim. — ele arregala os olhos e arfa. Uma mulher jovem aparece diante dele, e dá outro soco em sua barriga. Usuita se assusta e desembainha sua espada apontando para a mulher. -Quem é você e por que fez isso? -Usuita parecia brava. — Me irritei. Ele é muito sem graça — diz a mulher. — Estou brincando com ele há dois meses e ele não fez nada. -Quem é você? -Usuita pergunta de novo. — Eu? O que te importa? — murmura a mulher. Will se recupera. — Foi você — diz com ódio. -Grosseira. -Usuita fala para mulher. -Will se abaixe!! Corte Estrelar!! -Ela grita e corta em diagonal o corte de luz estava indo em direção a mulher. A mulher revira os olhos e seu bracelete prateado se torna um escudo, que não se atinge pelo golpe de Usuita. — Grosseira? Grosseira é você — ela diz, e investe contra Usuita. Will trava o golpe com uma de suas facas, e a mulher o empurra para trás com o escudo. -Cometa! -Usuita grita, seu nariz sangra um pouco. Logo apos ela gritar ela aparece atrás da mulher. -Corte Estrelar!!! -Mais uma vez corta em diagonal para acertar a mulher. O corte atinge a perna da mulher, que espreme os olhos com ódio. — Depois eu cuido de você — ela rosna, e se volta para Will. Sua espada brilhava intensamente, e ela faz um corte de dois palmos em suas costas. Ele fica preto e Will grita e cai de joelhos, empalidecendo. -Will abaixa!! Multi-Estelar!! -Usuita começa a cortar em varias direções, vários cortes de luz começam a ir em direção da mulher. A mulher é atingida por dois deles e cambaleia. Will arfa e se encolhe, o corte brilhando num negro intenso. Ela atinge o abdome de Usuita com sua espada. — Se me matar nunca vai saber como curar seu amigo. — ela diz, sorrindo. Usuita fica de joelhos com o golpe. -Por que esta fazendo isso? — Porque é legal — a mulher diz, e sorri de modo psicótico. -Legal? Acho que não, cure logo ele ou... -Usuita da uma pausa para amedrontar a mulher. — Ai que medo — ri a mulher — Você é quem precisa de mim. Eu quero algo de você. -Do que esta falando? -Usuita estava confusa — Eu quero ver S.A. — diz a mulher. — Sei que pode me dar isso. -Não sei do que esta falando. -Usuita parecia seria. — Se não me deixar ver S.A. seu amigo morre lenta e dolorosamente — rosnou ela. -Amigo? Eu acabei de conhecer ele. -Usuita se levanta com dor. — Então não vai se importar — diz a mulher e encosta no ferimento de Will. Ele grita e se contorce. Sem que a mulher veja, retira uma de suas facas do colete. Usuita fica completamente branca e emanava energia. -Mesmo assim não vou deixar você matar ele. -Usuita começa a carregar uma esfera branca em sua mão. — Fica calma, posso fazer você se esquecer dele depois de vê-lo sofrer — ri a mulher, e pressiona mais o ferimento. Will grita e algumas lágrimas escorrem de seu rosto. — Para — ele implora. -Sera que ela tem alguma ligação com S.A? -Usuita pensa. -Pare agora ou eu atiro!! -Usuita grita para a mulher. — Ai, que medo. E depois vê seu amigo morrer. — ela diz, e se aproxima de Will — Eu não vou parar querido. — ela pega sua espada escreve em seu braço "Não". Ele grita e chora mais. — É para que fique claro — ela diz. Então se levanta. Usuita dispara a esfera mirando no peito da mulher para afasta-la e logo prepara outra esfera na mão direita. A mulher e jogada em uma árvore e cai inconsciente ao bater a cabeça. Usuita volta ao normal e corre para ver se Will estava bem, ao chegar. -Tudo bem Will? -Usuita pergunta preocupada. — Dói demais — ele diz, e morde o lábio inferior. — Desculpe, acabei de te conhecer e você já está nessa situação por causa de mim... Eu sou um idi... — ele arfa e empalidece, soluçando — Um idiota. -Pelo jeito é mesmo. -Usuita ri. -Como vamos prender aquela mulher? — Eu não sei. Ela parece ser bem forte... Tire o escudo e a espada dela, há algo naquela espada. Então.. Sei lá, a amarre na árvore. — ele diz, fechando os olhos. Usuita se levanta e retira seus equipamentos. -Gostei dessas armas, vou usar. -usutia diz equipando as armas da mulher. -Tem uma corda Will? — Não... Tente com um cipó. São bem resistentes — ele diz. — Por favor, não use isso até saber o que tem de especial. Há algo sombrio aí... -Bom, mas é melhor ficar comigo que com ela. -Usuita diz pegando um cipó alheio para amarrar a mulher. A mulher geme e um filete de sangue escorre de sua cabeça. — Me leve até S.A... -Cale a boca. -Usuita chuta a barriga da mulher. Usuita começa a amarrar a mulher na arvore enquanto ela estava sentada. — Por favor... S.A.... Eu te digo como cura-lo, eu juro... Se estiver mentindo pode me matar...- disse a mulher. -Por que quer tanto encontrar um maníaco psicótico como ele? -Usuita estava curiosa. — Eu só quero — murmurou a mulher. – ai confiar nela? — perguntou Will, com um fio de voz. — Que lindo — ela riu, de um jeito bobo — Está morrendo... -Faremos o seguinte, cure Will e eu te conto o que quer saber, fechado? -Usuita estava decidida. — Não vou cura-lo, vou te dizer como se faz — diz a mulher — Não quero mais ficar perto do idiota -Não, ou cura ele ou fica sem saber como achar S.A -Usuita começa a chantagem. — Eu não posso — ela diz — Você precisa do colar de contas, coloca-lo ali... Ele vai demorar, mas vai se recuperar. S.A, por favor... -Não acredito, quero que me traga esse colar, quando ele melhorar eu digo o que quer saber. — Não sei onde está o colar, está em algum lugar na floresta. Vai me levar a S.A. ou não? Quero saber se devo me enforcar. -Na floresta? Acha que sou idiota? -Usuita se aproxima da mulher e fica cara-a-cara com ela. -Eu sei que você sabe o lugar exato, então me conte. A mulher suspira. — Na fonte, ele sabe onde é. Próximo às rochas. Usuita se vira para Will. -Vamos até essa fonte Will, eu te sigo. — Idiota, ele não pode se mover. Dói. Me diga onde está S.A. Coloque uma conta do colar por vez. — diz a mulher. -Aaaaaahh, que dor de cabeça. -Usuita se vira para a mulher. -Você mostra o caminho então, mas não tente nenhuma gracinha. -Usuita corta os cipós que prendiam a mulher com a espada dela. A mulher empurra Usuita e tenta pegar sua espada. Usuita saca a propria espada e corta a testa da mulher. -Se afaste!! -Usuita ameaça ela com a espada. A mulher cambaleia. Pega um toco de madeira e acerta a perna de Usuita. Usuita cai no chão e derruba as duas espadas. A mulher tenta pegar a sua mas arfa. Uma faca perfura sua garganta e ela cai. — Arremesso de facas — sorri Will, com um fio de voz. Usuita estava impressionado com a frieza de Will e não se mexia. -Vai embora — diz Will. — Ela vai acordar e pensar que foi você. Vai mata-la. Usuita se levanta e pegas as duas espadas de volta, logo elas a guarda de volta na bainha de cada uma. -Você não vem? — Não consigo — diz ele. -Vamos, eu te puxo. -Usuita diz estendendo a mão para Will. Will tenta estender a mão, mas grita e se encolhe. — Queria saber o que ela fez comigo... — lentamente, estende a mão e arfa. -Vamos descobrir, vamos você não é homem? -Usuita tenta encorajar ele do jeito dela. — Isso não significa nada — ele dá um sorriso fraco e se levanta, ofegante. -Vamos. -Usuita sai andando e para logo em seguida. -Aonde fica essa fonte? — Não é longe — ele diz. — Atrás desses carvalhos. -Bom, va na frente, droga, não tenho espaço na cintura pra colocar essa bainha extra. -Usuita se referia a espada da mulher. Usuita pega o cipó e da um jeito de amarrar na bainha da espada para ele poder colocar nas costas. -Pronto, esta melhor que ficar carregando nas mãos. Ele assente e caminha com dificuldade, chegando a uma fonte. Um colar de contas de argila reluzia na margem. Usuita vê o colar e vai buscar ele. -É esse? -Ela pergunta para Will. — Deve ser — ele disse. — Nem sei o que as contas fazem. Usuita pega e leva até Will -Aqui, ela falo que você tinha que usar para melhorar. -Usuita diz dando o colar para Will Ele o pega e seus dedos queimam. — Ai! — ele diz e empalidece — Ela disse conta por conta...? -Acho que foi, agora não lembro bem. Will engole em seco. — O que ela quis dizer? -Será que é alguma espécie de troca equivalente? -Usuita fica em duvida. — Não sei — diz Will. — Conta por conta? Ela não quis dizer que era para arranca-las e enfia-las nas minhas costas, quis? -Não lembro direito, por isso não queria mata-la. Eles ouvem um ruído e ela aparece se arrastando. — Coloque conta por conta, como ele disse. Não gosto de você, mas é inimiga de S.A. — Ela fecha os olhos e morre. -Bom, vamos então, faça o que ela falo. -Usuita diz. — Eu não alcanço minhas costas — diz ele, pálido — Você não vai fazer isso comigo, vai? -Me de. -Usuita arranca o colar das mãos de Will e vai para as costas dele. -Muito bem, esta pronto? -Usuita pergunta. Will tira a camisa. — Kui, por favor... Usuita coloca o colar nas costas de Will. Will grita e se enrijece, mas nada acontece. — Kui, me diga que não vai por conta por conta... -Vou. -Usuita continua. Will grita novamente. — E se ela estiver mentindo? — ele pergunta, soluçando — Para, por favor... -Que covarde eu fui encontrar. Usuita ri e continua. — Covarde? Venha sentir iss.. — ele grita e se encolhe. — Quantas contas ainda tem? Por favor, para com isso... -Vamos, pare de choramingar. -Usuita continua. — Eu faço o que quiser, eu te imploro — ele diz, e grita. Chora um pouco mais e se sente pior a cada conta. -Esta quase acabando. -Usuita mente e continua. — Kui, isso dói demais — Will soluça, e o corte começa a ficar vermelho. -Você é um chorão em. -Usuita não parava. — E você é cruel — ele arfa, e grita — Não vou aguentar Kui... -Calma, falta bem pouco seu chorão. -Usuita continuava sem dó — Já foi o suficiente — ele diz, tremendo. Usuita para. -Pronto, acho que já deu. Ele arfa e se abraça. -Como esta se sentindo chorão? -Usuita brinca. — Para — ele murmura. — A cada conta parecia que ela estava me cortando outra vez... -Chorão. -Usuita joga o colar de volta na agua. -Recupero as memorias? — Não — ele disse, tremendo. Pegou a camisa ensanguentada e começou a lava-la. -Bom, vamos tentar achar alguma vila por aqui? Ele assentiu lentamente e colocou a camisa molhada. Se levantou com esforço e cambaleou. -Vamos continuar andando para o sul então. -Usuita como não sabia a direção certa andou para qualquer direção. Will a seguiu em silêncio. -Vai ficar bravo comigo agora? -Usuita pergunta. — Por quê? Você fez isso para o meu bem. -Sei la, vai saber o que tá passando em sua mente. — Estou pensando em você — ele disse, com naturalidade. -Ham? Pensando o que de mim? — Por que me ajudou? Acabou de me conhecer. Ah, e tem outra coisa que não vou dizer. -Te ajudei por que aprendi com meu irmão que só pessoas más tem quem morrer e quero que me fale a outra coisa também. -Usuita para de andar e olha para Will. — O que me dá se eu falar? — Will sorri. -Não te bato. -Usuita ri. — Não, quero outra coisa. -O que você quer? — Não sei — admitiu Will. -Eu te pago um almoço quando acharmos um restaurante, o que acha? — Faz um tempo que não como de verdade — ele diz. — Mas se eu falar não vou poder olhar mais para você. -Que besteira, me fala logo. -Usuita já estava ficando impaciente. Ele murmurou algo e desviou o olhar. -Aff, fala alto! -Usuita já estava brava — Tá, porcaria, você é linda! — ele grita e aperta o passo. Usuita ri muito. -Obrigada, não precisava de tudo isso só pra me falar algo assim. -Usuita sorri e continua andando. — Eu tenho vergonha — ele diz, timidamente. — Me deve um almoço. -Ainda bem que não falei quando eu ia pagar esse almoço. -Usuita ri um pouco. — Isso não vale — sorriu Will. Usuita só mostra a língua e continua andando. Will ri e balança a cabeça. Morde o lábio inferior e segue Usuita. -Parece que esta ficando de noite. -Usuita comenta. — Tem razão — diz Will. — Está cansada? -Sim, estou com um pouco de sono. — Eu fico de vigia, pode dormir. Ele tira a camisa e a coloca no chão. — Use de travesseiro, é ruim mas melhor que o chão. -É uma camisa suada e cheia de sangue é melhor que chão, não obrigada. -Usuita ri e se deita encostada e uma tronco. Ele revira os olhos e fica olhando o céu. Usuita dorme. Ele a observa e sorri de um modo bobo. Balança a cabeça e desliza o dedo pelo corte no braço. Usuita continua dormindo tranquila. já se podia ver estrelas no céu escuro. Ele imagina quem seria sua família, e sorri. A espada de Usuita brilha logo que a luz da lua aparece. — Uau — diz Will. A espada para de brilhar quando a lua é escondida pelas nuvens. — A Lua... — ele murmura, erguendo uma sobrancelha. -É linda não é? -Um homem encapuzado aparece do lado de Will. — Quem é você? — Will se prepara para pegar uma faca. -Quem sou eu? Um cara qualquer que não quer brigar. -A voz do homem era suave. — Então se manda e deixa a gente em paz — Will rosnou. -Como é educado em, logo nos veremos de novo. -O homem fica em ossos que desmontam o homem o fazando virar poeira. Will engole em seco e seu corte lateja. Ele faz uma careta. A lua reaparece e a espada de Usuita volta a brilhar. Will fecha os olhos e os abre, pensando no homem misterioso. Usuita acorda. -Will? Pode dormir, eu fico de guarda agora. -Ela levanta um pouco zonza. — Tem certeza? — ele perguntou. — Ah, uma coisa. — ele contou sobre o homem. Depois de ouvir Usuita faz uma cara de assustada. -B-Bem, não se preocupe, deve ser só um mago qualquer. -Ela fala meio insegura. — Está mentindo — ele diz, e seu olhar parecia perfurar sua alma. -Will? -Usuita se assusta. — O quê? — pergunta Will, e põe a mão na cabeça. Faz uma careta e se senta. -Nada -Usuita se afasta. Will empalidece e se deita de lado, fitando o chão. Usuita fica olhando para longe. Will morde o lábio inferior e observa Usuita. Um vento começa a soprar balançando as folhas das arvores. Will coloca a camisa suja e fecha os olhos. Usuita desembainha a espada da mulher e tenta dar o corte estrelar com ela. Will adormece. -Por que não funciona? -Usuita não conseguia usar o ataque dela. Will dormiu um pouco e acordou sobressaltada. — Kui? -Desculpe, acho que te acordei Will. -Usuita se desculpava. — Não, tive um sonho ruim — diz Will, esfregando a cabeça. -Pode voltar a dormir. -Usuita fala e continuava tentando dar o golpe com a espada. — Não consigo — ele diz e se senta, a observando. -Droga, o golpe não sai!! -Usuita se frustra e finca a espada no chão. Uma fenda negra se abre e Will recua. Usuita leva um susto. -O que é isso? — A espada. — diz Will, assustado. -Foi essa espada que fez isso? -Usuita estava surpresa. — Como meu corte. — disse Will — Eu disse, há algo sombrio nela. -Que ótimo!! -Usuita se anima. -De novo. -Usuita da mais um golpe com a espada. — Para — pede Will, assustado. -Droga, dessa vez nada. -Usuita guarda a espada na bainha. -Que saco. Will a observa em silêncio. -Ja descanso o que queria Will? — Vamos — diz Will, e se levanta. Usuita continua andando para onde estava antes de descansar. Will a segue e começa a assobiar. -Acho que estou vendo alguma coisa depois daquelas arvores. -Diz Usuita apontando para o lugar. — Eu não vejo nada — diz Will. — Vamos até lá. Usuita vai correndo. Will a segue e para ao seu lado, ofegante. -É uma vila. -Usuita fala animada. — Onde? — Will só vê floresta, e cogita ter enlouquecido. -Na sua frente!! -Usuita insistia. — Eu só vejo árvores — diz Will — O que há de errado comigo Kui? -Será que devíamos ter ficado mais tempo com aquilo nas suas costas? — Não sei — diz Will. — Vamos. Você vê a vila... -Me segue. -Usuita começa a andar pela vila. Will a segue, assustado. Pontos pretos começam a surgir em sua visão. — Kui... -O que? — Não consigo ver... — ele diz, desesperado. -Ham? Esta se sentindo bem? -Usuita estava preocupada — Sim, só um pouco de dor de cabeça — ele diz. — Onde você está? -Nos estamos em frente a um restaurante. — Me... Me ajuda? — ele perguntou, piscando. -O que tá acontecendo com você? — Eu não sei Kui, estou com medo — ele disse, esfregando os olhos. -Esta me assustando Will. -Usuita estava ficando brava e assustada. — Eu não posso ver, eu não sei porque... Não estou brincando — diz Will. -O que eu faço? -Usuita se desespera. — Não sei, há algum hospital aqui? — pergunta Will, com a voz embargada. -Não, vamos procurar. -Usuita começa a puxar Will pela mão em busca de um hospital. — O que está havendo comigo, Kui? — pergunta Will, assustado. -Eu não sei, não só medica. Will morde o lábio inferior. -Droga, não estou achando nenhum medico Will. — Curandeiro? Qualquer coisa... Pergunte a alguém... — balbucia Will. -Ta, fica aqui que vou procurar. -Usuita sai de perto de Will Will se desespera ainda mais e ofega. Usuita continua a perguntar aos cidadãos acordados no momento. -Kui...? Usuita continua perguntando. — Kui, você já voltou? Usuita puxa Will pela mão. — Para onde vamos? — ele pergunta. -Tem um medico no lado sul da cidade!! — Que bom — diz Will, assustado. -Aqui, chegamos. -Usuita para em frente a casa do medico Will para e pisca. -Vamos. -Usuita puxa Will para dentro e entra sem permissão. — Tem certeza que ele atende agora? — pergunta Will. -Não. -Usita arrasta Will para um sofá e os dois se sentam. Will aperta suas mãos nervosamente e ofega. -Ei, quem são vocês? -Um homem chega e pergunta. -Rápido, meu amigo não enxerga!! -Fala Usuita. -Já tento comprar um óculos pra ele? -O homem brinca. -É serio droga!! -Usuita grita. -Ta bem, deixa eu ver. -O Medico diz. Will fica parado, assustado. -Parece que tem algo de errado, mas não tenho nenhum remédio pra isso. -Diz o medico Usuita fica insegura. — Eu vou ficar assim? — sussurra Will. -Sim, afinal, pessoas grossas não merecem ajuda. -O medico tinha a mesma voz do cara da floresta. — Você — Will sussurra, assustado — Não sabia que era médico... -Agora sabe. -Diz o medico. -Will, conhece ele? -Pergunta Usuita. — O cara da floresta — diz Will. — Sinto muito. Eu queria protege-la e estava com medo. Usuita desembainha sua espada. -S.A?!! -Ela pergunta surpresa já em guarda. — Por favor me ajude... -Não confie nele Will, é por causa dele que matei meu irmão. -Usuita estava tremendo. -Não foi culpa minha se ele foi fraco. -S.A ria. — Deixe-a em paz! — gritou Will. -Corte Estrelar!! -Usuita da um corte em diagonal para cortar S.A no meio. S.A para o corte de luz com a mão e muda sua trajetória para Will. Will grita e lança uma faca para a direção da voz de S.A. Usuita desvia o corte de luz para não acertar Will, S.A desvia facilmente das facas. -Só isso? Fracos. -Diz S.A. — Deixe-a em paz — diz Will, desejando ver. S.A aparece na frente de Usuita em um piscar de olhos e a agarra pelo pescoço. -Vamos morrer querida? -S.A fala sorrindo. Usuita estava sendo sufocada bem na frente de Will — Onde você está? — pergunta Will, desesperado. Começa a tatear o ar e encontra S.A. Então o derruba no chão e cai ao seu lado de costas. Grita devido ao corte. S.A solta Usuita nisso, seu braço direito fica em ossos e ele levanta. -Idiota. -S.A diz e coloca a mão no esquelética dentro do peito de Will. Usuita é prendida por um esqueleto que surgiu do chão e não conseguia se mexer. -Will!!! -Ela grita. -Vamos arrancar essa alma. -S.A diz puxando a alma de Will para fora do corpo. Will grita desesperadamente, tentando soltar a mão de S.A. — Para, por favor! — implora, chorando. Arfa e empalidece. -Não. -S.A fala e continua puxando. Aonde S.A estava puxando a Alma começava a sangrar e ficar com marcas como se tivessem sido queimados. Will grita e seus cortes brilham com intensidade. — Eu te imploro... — ele arfa. S.A não parava e a alma estava quase fora, o corpo de Will começa a sangrar inteiramente. Will grita e corta fora a mão de S.A. A lamina que Will usa passa reto pela mão esquelética, a Alma estava por um tris te sair. — Por favor — diz Will, com um fio de voz. -Esta querendo que ei fique sem jantar? -S.A sorri e para de puxar a alma. Will ofega e treme. — O que S.A. significa? — pergunta, arfando. -Ja que vai morrer eu te direi, S.A significa Sorrow Aiabel. -S.A diz e puxa a Alma de Will para fora. Os olhos de Will se arregalam e ele abre a boca. -Will!! -Usuita se desespera. -Morreu. -S.A diz friamente. A cabeça de Will pende, uma lágrima escorrendo por seu rosto. Os cortes feitos pela mulher brilham e voltam a ser negros. S.A se prepara para devorar a alma de Will O olhar vago de Will pousava sobre Usuita. Usuita tinha paralizado de medo. S.A come a alma de Will. -Gosto estranho. -S.A comenta. O corpo de Will começa a se desintegrar. Usuita começa a chorar enquanto olhava para S.A Começa a chover. Tudo fica preto, Usuita pisca e quando abre os olhos acorda assustada na floresta no momento que ela e Will tinham parado para descansar. -WILL!! -Usuita grita. — O que foi? — Will pergunta, preocupado. -Você esta bem!!. -Usuita levanta e abraça Will bem forte. Will, surpreso, retribui o abraço — O que houve? Usuita cora e para de abraça. -Ah, foi só um sonho que eu tive, mas agora esta tudo bem. -Ela da uma rizada para disfarçar. — Tem certeza? — Will preocupa-se. Ele estava em parte desapontado por ela não o abraçar mais. -Sim. -Usuita tenta disfarçar ainda e estava corada. Will morde o lábio inferior e assente. — Kui, os cortes voltaram a doer. Estão ficando negros outra vez. -O que vamos fazer? -Usuita parecia preocupada. — Não sei — diz Will. Ele empalidece — O colar de novo não... -Bem lembrado Will. -Usuita sorri. -Vamos buscar ele. — Por favor, não — diz Will, pálido. — Aquilo dói demais... Por favor... -Mas te curo não curo? — Eu não sei, mas dói demais... -Se for pra te curar então não faz mal. -Usuita pega Will pela mão e começa a puxar ele de volta para o lago. — Não, por favor, eu imploro... — Will diz, tremendo. -Não, vamos logo Will. — Kui, me escuta, aquilo é horrível... -Ta bom, mas te curo. -Usuita já via o lago. Will se detém e olha assustado para o colar. -Chegamos. -Usuita vai pegar o colar na agua. Will tira a camiseta lentamente, extremamente pálido e tremendo. — Kui... -Usuita se aproxima e coloca o colar nas costas de Will. Will grita e arfa, se encolhendo. — Ainda vai fazer conta por conta? — pergunta, tremendo. -Sim. -Usuita continua. Will grita. — Para, por favor... — ele diz. — Talvez algum médico saiba de outro jeito... -Temos algum medico aqui? Não! -Usuita continua — Kui... — ele murmura. Então arfa e fecha os olhos, soluçando. Desnorteado com a dor, se apoia com os braços no chão e começa a vomitar. -Usuita continua — Kui, por que faz isso comigo? — pergunta Will baixinho. Arfa e estremece. Usuita continua sem dó. — Não vai adiantar eu pedir para você parar, não é? — ele diz, com um fio de voz. -Não. -Usuita continua. Kazan aparece atrás de Usuita por um portal interdimensional. Will arfa e se encolhe. — Kui, falta muito? -Muito! -Usuita fala sem notar a presença de Kazan. Kazan fica com uma "gota" e pensa. -Eles nem me notaram? — Tem alguém aí? — Will pergunta, e morde o lábio inferior. Usuita ignora tudo e continua o que fazia Kazan vai para frente de Will por mais um portal. — O que...? — diz Will e arfa. — Nem uma pausa, Kui? Usuita para ao ver Kazan. -Kazan? -Ela pergunta. -Pois é não Usuita?A Rachel está morta... Will não diz nada, apenas observa. -Morreu? Como? -Usuita fica surpresa -Bom...S.A... — Quem é esse, afinal? — pergunta Will. -Um velho conhecido. -Usuita fala disfarçando a raiva. -Prazer, meu nome é Kazan Moeru Akuma. — Eu sou o Will... — ele faz uma careta. — O Will. Não lembro o resto. Usuita senta no chão triste. -Usuita, eu vi, você é a chave para derrotar o S.A Will ergue uma sobrancelha. -O que quer dizer Kazan? -Eu vi, no espelho, você é necessária para derrotar o S.A Usuita. — O que quer com a Kui? — pergunta Will, apreensivo. -Não sei do que esta falando Kazan. -Usuita, eu vi Rachel morrer na minha frente por eu não ter te encontrado a tempo, você é uma parte do enigma que preciso desvendar para matar S.A. Will se afasta do colar e franze o cenho. -Não, esta errado Kazan. -Não estou, eu consegui nocautear e quase matar Siren, eu POSSO fazer isso. — Kui, do que ele está falando? -Não sei Will, vamos embora da qui? -Usuita lenvanta. -Já vi que vou ter que explodir esse universo. — Vamos — diz Will, e se levanta com esforço, colocando sua camisa e pegando suas facas. Usuita segura a mão de Will e sai andando com ele. -Bando de idiotas. -Kazan cria um portal embaixo de Will e o manda para frente do espelho, logo após o segue. — O quê? — diz Will. -Kazan!! -Usuita grita e logo vai buscar Will. -Ah, você veio como eu previ Usuita. -O portal se fecha e as coordenadas são marcadas no chão. -Olhe o espelho. — Deixa ela em paz — rosna Will. -Me dá isso. -Usuita pega o espelho e taca no chão o fazendo rachar. -Usuita, você acabou de matar seu namorado. -Kazan cria um portal que parece uma parede de anti-matéria que avança e engole Will. Will cambaleia e coça a cabeça. — Mas o quê...? -Faça tudo voltar ao normal agora ou vou te matar Kazan!! -Usuita parecia decidida. Usuita desembainha sua espada e a espada da mulher ficando com uma em a cada mão. -Eu não vou fazer nada, ao destruir o espelho você jogos antimatéria nele, só isso, nem mesmo a alma dele existe agora Usuita, se quiser pode tentar me matar, mas não acho que consigas. Will arfa e põe a mão no corte do braço, que se reabria. -"Nunca deixe um inocente morrer na sua frente"... -Usuita diz. -Era o que meu irmão me falava. Eu falhei? -Ela se pergunta tremendo. -Falhou, por ser imprudente. -Kazan organiza a matéria em volta do corte de Will para acelerar a cura. Will se assusta e pisca. Usuita deixa cair uma lagrima e cai de joelhos no chão, sua tiara brilha e um portal abre ao lado de Usuita. O portal abre e mostra um cara com partes robóticas substituindo os braços e um tapa olho de ferro no olho esquerdo, seu cabelo era branco e a única roupa que vestia era uma calça jeans preta, varias correntes percorriam o seu corpo como acessórios, em suas costas havia uma espada longa de duas mãos, sua lamina era curva em forma de lua. -Está bem, se arrepende do que fez Usuita? Will se preocupa por Kui. -Vai morrer Kazan, S.A me disse que havia um guerreiro mais poderoso que ele em outra dimensão, ai esta ele. -Usuita fala e o homem passa pelo portal ficando do lado de Usuita. -Usuita? Faz tempo que não te vejo, achou S.A para mim? -O homem pergunta a Usuita sem ligar muito para a cena. -Suponho que sim senhor, ele está nessa dimensão, estou tentando mata-lo. -Kazan transporta Will para trás de Usuita. — Kui? — diz Will. — Quem é ele? -Um amigo que conheci enquanto fugia do reino do gelo. -Usuita fala e logo aponta para Kazan. -Ele tentou matar eu e Will e esta ameaçando destruir essa dimensão. -Ela fala seria para o homem. -Matar minha "filha" e ainda destruir dimensões, sabe isso não é muito legal de se fazer, terei que acabar com você cara. -O homem diz já empunhando sua espada. -Só estou o fazendo para derrotar S.A de uma vez por todas, e se for preciso, tirarei você também de meu caminho, eu sou a justiça desse universo, S.A está o corrompendo, se o universo for completamente corrompido terei que destrui-lo para que não infecte os outros, e quem é você? — Kui...? — sussurra Will. -O que Will? -Usuita sussura de volta. -Eu? Pode me chamar de Tenshi, quem sabe eu diga meu nome inteiro antes de te matar. -Tenshi fala animado. -Sua alma é muito interessante, parece que vai ser uma luta boa. -Tenshi diz. -Ah, se vai mesmo lutar comigo já lhe digo, a luta só pode acabar com minha vitória, pois ela será eterna. — Eu não vejo — diz Will. -Não vê? -Usuita fica confusa. -Vamos ver o que mais tem no seu corpo. -Tenshi observa mais um pouco. -É, você é forte, mas não vai ganhar. -Tenshi é coberto por um tornado e logo que reaparece ele estava com um pano cobrindo da cintura pra baixo e suas partes de robô haviam virado carne de novo. -Não me importa o que você é, eu não morro... — Não estou vendo nada — ele diz, desesperado. Usuita se preocupa. Uma grande ventania aparece do nada. -Te dou o primeiro ataque, só precisa achar a verdade para conseguir me atingir. -Diz Tenshi. -Antes de lutar eu curarei Will, não sou tão cruel. -Kazan ultrapassa os ventos e organiza a matéria para recriar o sentido da visão para Will. — Não adianta, está tudo escuro — diz Will, e esfrega os olhos. — Kui... Usuita pega Will e começa a se afastar. -Vamos pra longe deles Will. -Diz Usuita enquanto corre junto com Will. O vento começa a cortar o corpo de Kazan aos poucos, a corrente de ar estava parecendo uma lamina. -Tenshi, nem me importo com essa dor, você sabe o que aconteceu com ele? — O que está havendo comigo Kui? Foi repentino, eu não vejo nada. -Não sei Will, mas vamos correr daqui logo. -Diz Usuita ainda correndo muito. O vento corta o pescoço de Kazan até a metade. -Morreu? -Pergunta Tenshi. Kazan vira pó e voa com o vento. — Está bem — murmura Will, assustado. Usuita continua correndo junto com Will até que para e olha para trás. Tenshi cria um pote em sua mão e faz o vento prender cada grão de pó no pote e o tampa com o pó todo dentro. -Eu sabia que comer a alma da de Rigth ia ser bom. -Diz Tenshi baixinho. -Você não pode fazer nada contra anti-matéria. -O pote é consumido num vortice de antimateria, porém o pó continua normal. — O que está havendo lá? -Eu não sei direito, parece que meu amigo ganho. -Diz Usuita. Tenshi cria um diamante em forma de pote em volta a poeira e o tampa com o mesmo. -Inútil. -O pote é novamente destruído com antimatéria. — Para onde vai me levar? — pergunta Will. -Vamos esperar a luta acabar e já decido. -Diz Usuita concentrado na luta. -Você é chato mesmo em pó. -Diz Tenshi e junta o pé e cria um estomago fechado para prende-lo. -Quero ver agora. -Mais fácil ainda. -O pó está novamente solto. O ar começa a aquecer em volta de Tenshi. — E agora? — pergunta Will. -Não sei, vamos lá ver. -Usuita pega Will pela mão e começa a guiar ele. -Venha então, Usuita vem também!! -Tenshi grita e sai correndo de volta para o portal. Logo Usuita passa correndo pelo portal junto com Will e os estavam na dimensão de Tenshi no meio de uma vila. Kazan se torna uma fênix e passa pelo portal logo atrás deles. Will tropeça em uma pedra e cai. Faz uma careta. — Kui, acho que torci meu pé. Usuita para e fica na frente de Will para proteger ele. -Idiota. -Tenshi fala e Kazan voa em direção a uma caixa de vidro que se fecha logo apos ele entrar. -Boa sorte para tentar sair dai, dessa vez revesti a parte de fora com uma camada de diamante de vinte centímetros. -Fala Tenshi. -Nada é problema, você sabe as propriedades da antimatéria? -A Caixa é destruída e Will começa a se recuperar um pouco mais rápido. — Não posso andar — diz Will. — O que está vendo? -Kazan ta insistindo, se segura Will. -Usuita fala se segurando em Will e depois com a mão livre fica a espada no chão e se segura firme nela. -Vou gastar algumas almas, mas você já em canso. -Tenshi começa a sangrar por todo o corpo. -Adeus cara das materias. -Tenshi cria um buraco negro de um metro bem na frente do peito de KAzan que suga Kazan para dentro e logo se fecha. Tenshi cai exausto no chão. Kazan reaparece atrás de Tenshi. -Buracos negros são só portais para outras realidades, se eu não fosse o que sou, morreria no processo. Will assente e sua, mordendo o lábio inferior. Tenshi cria um peso de uma tonelada em cima da cabeça de Kazan que o esmaga, Tenshi sangra mais. O Peso some e Kazan volta a sua forma humana. -Só vai se machucar mais, eu falei, a luta só tem um final, a minha vitória. Tenshi volta ao normal. -Se afaste dele!! Corte Estrelar!! -Usutia grita e lança um corte de luz em direção do pescoço de Kazan. — Por que não param de brigar? — pergunta Will a Kui. — Devem estar se destruindo. Kazan simplesmente se restaura. -É o que estou pensando Will, eles são suicidas, ainda não dei um único golpe e eles estão se matando. — Estou me referindo a você — diz Will. — Também se encaixa. Não fala nada sobre a Kui! Tenshi se levanta com dificuldade e vira para Kazan, ele estende a mão para Kazan para um cumprimento. -Percebeu que temos um único inimigo em comum? -Kazan aperta a mão de Tenshi. -Ah, Will, não tem como eu me machucar, eu só estou me restaurando, não lutando. — Mas os está destruindo — diz Will — Kui, o que há? Usuita sabia o que Tenshi planejava fazer e deixa lagrimas escorrerem de seus olhos. -Selamento Vermelho, Classe A, Imediata, Potencia Maxima... -Tenshi diz serio e a mão que Kazan apertava começa a brilhar. Uma luz cobre os dois e o selamento é completado prendendo Tenshi e Kazan em um rubi preto. Usuita anda até o rubi. -Tenshi, você é um idiota, você podia me ajudar a matar S.A mas preferiu se trancar aqui comigo? — Kui...? Usuita pega o rubi e fica olhando para ele. -Acabo, perdi meu amigo e estamos presos nesse lugar. -Usuita fala chorando um pouco. -Calado. -Tenshi diz a Kazan. -E pior, trancou eles naquela dimensão... — Podemos sair... — diz Will — Eu consigo, Kui, calma. -Do que esta falando Will? -Usuita vira para ele. -Já mandei se calar. -Diz Tenshi para Kazan. -Pra que você fez isso? Orgulho? — Não estamos presos — diz Will — Vai ficar tudo bem. Há algo para eu usar de bengala? Usuita guarda o rubi no bolso. -Vem, eu te guio. -Usuita pega na mão de Will. -Para onde vamos? -Tenshi, se vou ficar aqui preso posso pelo menos saber seu nome todo? — Não consigo andar. Foi mal, eu só trago problemas. -Vamos, consegue sim. -Usuita sai andando puxando Will junto. Tenshi começa a meditar e ignora Kazan. -Idiota, vou ter que sair daqui então. -Kazan começa a corroer pouco a pouco o rubi e a matéria em volta dele. Will faz uma careta ao colocar o peso do corpo sobre o pé torcido, mas não diz nada. O selamento começa a enfraquecer Kazan com seus movimentos, ele estava perdendo poder e selamento ficava mais forte. -O que tá acontecendo com você? — Usuita pergunta já brava com Will. -Droga. -Kazan para. -Tenshi, eu sou imortal, pode pelo menos devorar minha alma pra eu não ter que ficar aqui? — Nada — mente Will, e anda, disfarçando que manca. Tenshi continua ignorando Kazan. -Então vamos correr. -Usuita começa a correr puxando Will junto. -Então está bem, vou fortalecer tanto o selo que será impossivel te tirar daqui e eu morrerei. Will não aguenta e cai, o pé latejando. — Não foi nada — diz, e se levanta cautelosamente. -O sol esta forte não é Will? Será que da pra gente almoçar em algum lugar? -Usuita pergunta para Will. Kazan corrói cada vez mais o cristal. — Claro — Will dá um sorriso fraco — Onde sugere? O selamento absorve cada vez mais o poder que Kazan soltava. -Não sei, vamos andar por aqui. -Usuita sai andando com Will procurando um restaurante ou lugar pra comer. -Vou tentar uma coisa antes. -Kazan para de tentar destruir o cristal e tenta abrir um portal. — Kui... Vou ficar cego para sempre? -Isso é um selamento seu idiota. -Tenshi fala para Kazan que leva um choque grande ao tentar abrir o portal que logo consome o poder para o selamento. -Não sei Will, quer procurar um medico? -Usuita pergunta a Will. -Acha que eu não sei?Vou te trancar aqui pra sempre e me matar. — Está bem. — respondeu Will, assustado. Usuita solta a mão de Will e vai para uma banca ali perto perguntar aonde tinha algum medico. Usuita volta e fala para Will. -Tem um medico a alguns quarteirões daqui, vamos! -Usuita fala e logo puxa Will para o lugar. -De verdade, precisava nos trancar aqui? Eles entram no pequeno consultório, um jovem está absorto na leitura de um volume grosso. -Vamos sentar no sofá Will e esperar. -Usuita guia Will até o sofá e os dois sentam. TEnshi ignorava Kazan. Kazan começa a falar sozinho em voz alta de Rachel. O jovem os nota e pega uma adaga. — Não tenho dinheiro! Usuita fica sem entender. -Ta louco? -Ela fala ao garoto. Kazan começa a chorar ao se lembrar de sua perda. — Não querem me roubar ou torturar? — o jovem está surpreso. -A gente ta numa clinica e não em um beco e eu também não sou uma ladra. -Usuita fica brava. Kazan não para, ele sentia muita saudade de sua quase noiva. — É que por aqui tem muita gente dessa laia. Sou agredido quase diariamente. O que querem? -Meu amigo esta cego. -Usuita se refere a Will. Kazan para por um instante. O jovem se aproxima e guia Will até uma maca. Observa seus olhos e morde o lábio inferior. Usuita só observava ansiosa. Kazan continua calado e uma aura de trevas começam a rodar ele. O jovem lê uma parte de seu livro e olha novamente para os olhos de Will. Pousou o olhar sobre suas costas. — A magia do corte o está degenerando. A visão é a primeira a sumir. -Tem como curar? -Usuita pergunta nervosa. — Essa magia é perigosa, não sei controla-la. Com magia inversa posso apenas retardar o procedimento de sua morte, mas não para-lo. -Will, agora você escolhe, o que quer fazer? -Usuita pergunta a Will. — Magia inversa? Como assim? — pergunta Will. — Usar a magia oposta à que usaram na espada que te cortou, aplicando-a do mesmo modo. — diz o jovem. -Então essa espada tem a cura? -Usuita pergunta desembainhando a espada da mulher. — Não. A minha tem. — o jovem desembainha uma espada branca, realmente oposta à da mulher. — Vai me cortar com isso? — Will empalidece. -Entendi, então faça! O jovem faz Will tirar a camisa e deitar de barriga para baixo. — Estão prontos? -Vai! -Usuita fala animada. O jovem assente e prepara o golpe. Então corta Will como a mulher, e este dá um grito agonizante. Usuita tapa os ouvidos com as mãos para não ouvir o grito. O jovem nega com a cabeça e repete o golpe. Will grita outra vez e soluça. O jovem repete diversas vezes, Will grita diversas vezes, então, satisfeito, lava a espada. As costas de Will estão ensanguentadas e em carne viva, e este soluça. Usuita se assusta com a cena. — Ele vai ficar fraco por um tempo — diz o jovem. — Vou deixa-lo se recuperar então lavo os cortes. — ele volta a ler. Will estremece. -Will, como se sente? -Usuita pergunta preocupada a Will. Will tenta falar, mas geme e arfa. Soluça e estremece. — Kui... -Sim Will? -Usuita estava muito preocupada. — Dói... Onde você está? Pode segurar minha mão...? -Ah, claro Will. -Usuita segura a mão de Will com carinho. -Logo você vai ficar bome e voltar a ver. Will soluça e aperta a mão de Kui. — Obrigado... -De nada. -Usuita fala animada para confortar Will. — Por que eu? Por que isso aconteceu comigo? -Não sei, acho que deve ser azar. -Usuita fala tentando explicar. — Odeio o meu azar... Pelo menos tenho você. — ele arfa e aperta sua mão com mais força. Usuita cora. -Tomara que melhore logo. Ele morde o lábio inferior. — Queria poder te ver. -Logo vai poder. -Usuita diz contente. O jovem se aproxima. — Posso lavar os cortes? — pergunta. Will aperta sua mão com força. -Pode, preciso me afastar? -Usuita pergunta. — Não — implora Will, o jovem assente. — Estão prontos? -Sim. -Usuita concorda. O jovem limpa o corte e o costura, saindo para arranjar uma camisa nova. Will estremece. -Will? -Diz Usuita. — Isso dói. Estou com medo, e se der errado? -Bom, ai já era. -Usuita ri para tentar animar ele. Ele ri e pisca. Então tenciona as costas e faz uma careta. -Estou exausta de hoje, tanta coisa aconteceu. -Usuita parecia cansada do dia. — Dorme — sugere Will. -Aonde? -Usuita ri. — No sofá. -No meio da clinica? — Sim. Usuita vai e deita no sofá. -Você vai ficar bem? — Acho que sobrevivo... Usuita se sente aliviada e tenta dormir. Will sorri, olhando para ela. Adormece. Usuita acorda depois de um tempo e ve Will. -Will? Will acorda e esfrega os olhos. Pode ver, mas com dificuldade. Identifica Usuita e, excitado, se senta, esquecendo das costas. Arfa e deita novamente. -Melhoro? -Usuita pergunta a Will — Estou te vendo... — diz Will. Usuita da um sorriso. -Que ótimo. Will retribui o sorriso e se levanta lentamente. Veste a camisa que o jovem lhe deixou e pega suas adagas. -Já vamos embora? -Usuita fala se sentando. — Para onde? — pergunta Will. -Não sei, você não falo que conseguia voltar pra nossa dimensão? — Eu disse que daria um jeito. Mas a esperta daqui é você, eu sou o esquecido. Só conheço aquela floresta. -Como você espera dar um jeito então? -Usuita fica confusa. — Eu não sei, ficar parado não ajuda — diz Will, nervoso — Eu não tenho poderes, mas alguém aqui deve ter. -Temos que procurar então? -Usuita se desanima — A animada não era você? -Era -Diz Usuita triste — Como assim? — pergunta Will. -Tudo que aconteceu... -Usuita parecia triste — Kui, eu sei, mas... Eu não consigo sem você. -Consegue sim. -Usuita estava depressiva — Não, eu não consigo. — diz Will, decepcionado. — Se vai me deixar sozinho estou indo. -Você não entende Will, sempre que eu ando perco algo... — Acha que os outros também não perdem? — diz Will, bravo. Ele anda até a porta — Se deprimir por isso... Ah, deixa para lá. — ele suspira e sai. Usuita fica sentada Will bufa e anda pela cidade, entrando em um restaurante. Usuita se deita e começa a chorar sem ela querer. Will mordisca um pão então deixa algumas moedas na mesa e anda, sentando-se em um banco na rua. Usuita levanta e sai da clinica, ela senta do lado de fora da clinica em um banco alheio por ali. Will enterra o rosto entre as mãos e morde o lábio inferior. Usuita fica pensativa no banco. Will olha para o céu, e gira uma das adagas entre os dedos. Usuita desembainha sua espada e fica olhando ára ela. Will se levanta e guarda a adaga. Usuita finca a espada no chão e olha em volta procurando Will. Will está escalando uma árvore a alguns metros de distância dali. Usuita continua procurando Will. Will se senta em um dos galhos mais baixos e observa Kui. Usuita não acha Will e fica de cabeça baixa. Will morde o lábio inferior e deixa cair uma das facas no chão. Usuita pega o rubi do selamento e fica olhando para ele. Will pula da árvore e cai agachado. Pega sua adaga e fica de pé atrás de Kui. Usuita deixava cair algumas lagrimas no rubi — Pelo menos ele está vivo. -Will? Do que esta falando? — Seu amigo. -Ele cuido de mim quando eu vim pra esse lugar sem querer, ele e a mulher dele me acolheram e foram gentis comigo sem me conhecerem. -Usuita fala triste — Eu também — sorri Will. — Mas eu sou demais mesmo. Você vem ou não? -Tá. -Usuita se levanta. — O que vamos fazer? Eu ainda não sou inteligente. -Não sei Will. — Nem eu. -Vamos procurar um lugar pra passar a noite? -Usuita estende a mão para Will. — Claro — diz Will, e pega sua mão. Usuita puxa Will e os dois ficam andando pela vila procurando uma hospedaria. Uma chama a atenção de Will e ele puxa Kui para lá. -O que foi Will? -Usuita pergunta sem entender. — Esse lugar, me desperta algo... É familiar. -Familiar? Como assim? -Usuita ainda confusa. — Eu acho que já estive aqui antes... Antes de eu ir para a floresta. -Como se estamos em outra dimensão? — Eu não sei — diz Will. — Só é familiar. -Estranho, vamos passar a noite aqui? -Usuita pergunta. — Está bem — diz Will. -Vamos então. -Usuita puxa Will para dentro do lugar. Will a segue e observa as pessoas. Uma mulher atarracada no caixa ergue uma sobrancelha ao ve-los, e arruma os óculos de fundo de garrafa. -Will, vai la pegar os quartos pra gente. -Usuita aponta para o lugar. Will assente e anda até o balcão onde a mulher está. — Olá, queremos dois quartos, por favor. — ele diz, sorrindo. A mulher tira uma foto debaixo de seu bolso e a compara com Will. — William Samuel Bale? — ela diz. Usuita não entendia e só escutava. — O quê? — diz Will. — Você é William Samuel Bale? — pergunta a mulher. Will coça a cabeça, e a mulher estende a foto. É de um garoto realmente parecido com ele, mas sete anos mais novo. Ele abre a boca e a fecha. -É você Will? -Pergunta Usuita olhando a foto. — Eu não sei — diz Will. — William sumiu há dois meses, quando saiu para perseguir algum animal. Ele dizia que era especial — diz a mulher, e limpa uma lágrima — E não voltou. -Você é mãe dele? -Usuita fica curiosa. — Ele é meu sobrinho — diz a mulher. — Sua mãe e seu pai foram para o mar. Tem dois irmãos mais novos, gêmeos. -Que estranho. -Usuita ri. -Viu Will, achamos sua família. -Usuita sorri para Will. — Tia? — diz Will. A mulher ri e o abraça. Duas crianças de cerca de dez anos aparecem. ambos com cabelos cor de caramelo, olhos azuis e pele bronzeada. O garoto tinha um machado e a garota uma maquina fotográfica. — O que foi? — pergunta o garoto. -Aaaahh, como são fofos!! -Usuita se encanta com as crianças e logo vai mexer nelas. O garoto se afasta, bravo. — Fofo? Ela talvez, mas eu? FOFO?? Quem você foi arranjar, tia... Will? — ele arregala os olhos ao ver o irmão, que sorri. Então larga o machado e corre até ele. -Will, como você não lembra de ter uma família tão fofa?!! -Usuita continua mexendo na garota a acariciando. A garota sorri de modo angelical e Will afaga o cabelo do irmão. — Eu não sei — ele ri. — Tia, podemos ficar aqui até Kui decidir o que fazer? A mulher assente, sorrindo. Usuita estava sorrindo e se divertindo muito la mexendo na garota. -Qual seu nome? -Usuita pergunta a garota. — Cassandra, mas pode me chamar de Cassie. — diz a garota. — E você? -Usuita, mas pode me chamar de Kui, você tem um nome muito bonito Cassie. -Usuita fala sorrindo. — Obrigada, Kui — diz a garota. — Você quer ver as coisas do Will? — nesse ponto Will ergueu uma sobrancelha. -Coisas do Will? -Usuita da um sorriso. -Claro, vamos. -Ela diz animada. A garota sorri e pega a mão de Kui, Will abre a boca. Ela corre escadas a cima e leva Usuita até o antigo quarto de Kui. Móbiles de aviões de papel estão pendurados, a cama está arrumada. Em uma mesa estão diversos papeis e um barco de madeira. Há um violão apoiado na parede e na parede há diversos papeis e desenhos. -Uau, quanta coisa, ele toca violão? -Usuita fica curiosa. — Sim — responde Cassandra — E piano. Mas o piano fica no meu quarto. Esse barco na mesa ele fez com meu pai, queria ser marinheiro. -Pera, o Will queria ser marinheiro? -Usuita se surpreende. — Sim, não sei se ainda quer. O papai sempre foi um lobo do mar, e Will sempre quis ser como ele. Nunca viu o mar. — diz Cassandra, e passa o dedo pelo barco. -É um pouco triste isso. -Usuita observa a garota mexendo no barco. -E você Cassie? O que quer ser? — Eu vou ser jornalista — diz Cassie. -Muito legal, então você tem muita coragem né? -Usuita pergunta sorrindo. — Claro que sim — responde Cassandra — Eu tenho que estar lá sempre. E meu irmão quer ser lenhador. -Seu irmão parece ser bem serio, vocês tem a mesma idade? — Temos sim, ele é meu gêmeo — diz Cassandra — Mas eu sou mais legal. Temos dez anos. -Muito legal, Cassie, você pode me levar a algum refeitório por aqui ou uma cozinha, eu não como a um tempão. -Usuita pede meio sem graça e envergonhada. Cassandra ri e a leva até a cozinha. Lá a faz sentar e estende um livro. — Will sempre escrevia aqui — ela diz. — Não diga que te dei. Pode ler enquanto preparo uns bolinhos. Ela começa a bater os ovos. No livro, com uma caligrafia trabalhada, há letras de músicas, lembranças e desejos de ir ao mar. E desenhos. Usuita lia o livro atentamente. -Uau, incrível. -Usuita comenta. — Ele adora isso — diz Cassandra. — Tem algumas fotos antigas dele no final. Tem uma dele com o pai na frente do barco que fizeram. Usuita vira para a ultima folha para ver as fotos, ela vira o livro para Cassie. -Esse é o pai de vocês? -Usuita pergunta apontando para a foto. — É sim — responde Cassie, colocando os bolos em forminhas e estendendo um — Minha mãe está nessa foto. — Ela aponta para uma, onde um homem loiro e alto está envolvendo uma mulher sorridente com cabelos escuros. Will está com cerca de catorze anos, e os gêmeos estão sujos de terra. Usuita sorri. -Para onde eles foram Cassie? — Meus pais? Eles partiram para viajar pelo mar há dois anos. — diz Cassandra. -Mas você não sabe para onde eles foram? -Usuita estava muito curiosa. — Eles queriam encontrar alguma coisa, mas eu não lembro o que. Não dão sinal de vida há um ano e meio. No início eles mandavam cartas, postais e fotos. Mamãe me mandou um lindo colar de conchas. Mas depois... Pararam. — diz Cassandra, mordendo um dos bolos. -Entendi, tomara que logo eles voltem né. -Usuita falava contente e logo pega um bolo e da uma mordida. -Que delicia. Cassie sorri e Will e seu irmão entram na cozinha. — Bolinhos — Will sorri e enfia três na boca. Seu irmão faz igual. Will arregala os olhos ao ver o livro. O apanha e coloca no bolso. -Sua irmã e muito fofa Will. -Usuita diz a Will e logo da mais uma mordida no bolo. Will revira os olhos e afaga os cabelos de Cassandra, que o empurra. Usuita ri da cena e continua comendo. — Pete, temos que tomar banho. — diz Cassandra. — Não, eu... — começa Pete, mas Cassandra o interrompe. — VAMOS! — ela o puxa para longe, deixando Will e Kui sozinhos. Will ri e se apoia no batente da janela. -Will, então você é mesmo dessa dimensão em. -Usuita fala sorrindo mas logo o sorriso some e ela fica triste. — O que foi? — pergunta Will, sentando-se. -Nada, onde é o meu quarto? -Usuita tenta disfarçar a tristeza, mas não consegue. — Você não me engana — diz Will, e coloca uma mecha do cabelo de Kui atrás de sua orelha. — O que foi? -Nada Will, só estou um pouco preocupada, por favor, onde é o meu quarto? -Usuita estava com a cabeça meio baixa. — Não quer me contar, não é? — diz Will, baixa o olhar e dá de ombros. — É só subir. O seu é o terceiro, ao lado do de Cassie. Usuita some até o quarto dela e senta na cama tirando uma foto do bolso e olhando pra ela. Will morde o lábio inferior e suspira. Pula pela janela e anda até o lago, onde se senta e joga pedras na água, observando as ondas. -Irmão... -Usuita fala baixinho olhando pra foto segurando as lágrimas. Will tira a camisa e mergulha, como em um flashback se vê com apenas dez anos. Seu pai ria e o levantava. Usaita se deita e começa a olhar para o teto enquanto pensava. Ele ria com o pai e os dois mergulharam. "Vou ao mar" seu pai disse. "Porque é parte de mim". Não. Ele tinha dezessete anos, seus pais não estavam ali. Ele mergulha e fica ali por um tempo, então sai e se senta na beirada. Chora silenciosamente e morde o lábio inferior. Seu pai pedira para protege-los. Ele faria isso. Usuita resolve sair do quarto e andar pela casa. Ele coloca a camisa e volta para a casa. Entra no quarto e observa o navio que fez com o pai. Usuita volta para a cozinha e se senta numa cadeira lá. Ele ri e desce as escadas correndo, para roubar mais um bolo. Vai para a cozinha e vê Kui. -Will? -Usuita leva um pequeno susto. — Se assustou? — pergunta Will, e balança a cabeça para secar o cabelo. — Foi mal. Só vim roubar um bolo. -Foi nada? Esta todo molhado praticamente. -Usuita ri. — Fui dar um mergulho. Eu gosto da água — diz Will. -Will, você ainda vais eguir seu sonho no mar? -Usuita pergunta meio triste, mas disfarçando com um sorriso. — Eu não sei. — diz Will. — Talvez eu os encontre. Ou não. -Entendi. -Usuita fica triste e não consegue mais disfarçar. — Por que está triste? — pergunta Will. — Não minta. -Eu só estava lembrando de algumas coisas. -Usuita fala um pouco triste. -O mar é perigoso. -Ela diz baixo. — É claro que é. Essa é uma das melhores partes. — diz Will. — O mar, é selvagem. Indomável. Um barco... Eu não sei. Deixa para lá. -Você pode morrer la Will!! -Usuita olha diretamente para Will, ela estava chorando. — Eu posso sim — diz Will. — É um risco que eu assumo. -Idiota!! -Usuita grita e sai andando pro quarto dela. Ao chegar no quarto ela se tranca e deita na cama. Will bufa. — Como se eu não soubesse o que é perder alguém para o mar. — ele revira os olhos e rouba seu bolo. Usuita tenta abrir o portal para casa com sua tiara, mas não conseguia. Will bate na porta de Kui. Então abre e joga o rubi na cama. — Esqueceu lá em baixo — ele diz, secamente, então vai para o seu quarto. -Ele mudou... -Usuita pensa e sai do quarto e do local. Usuita caminha para o porto. Will pula da janela e cai agachado no chão. Então se levanta e começa a desenhar o rosto de Kui na terra. Usuita chega ao porto e desembainha suas duas espadas. -Energia Negra... -Ela diz e fica na forma de ser de energia negra. Ele desmancha o desenho e volta para casa. Assobia enquanto ajuda Cassandra a lavar a louça. Usuita começa a atacar o porto e todos os marinheiros que estavam ali. Will ouve um estardalhaço no porto e corre até lá, adaga na mão. Cassie ajuda os marinheiros feridos e ele vai lutar. Usuita estava destruindo todos os barcos de la. Will sobe em um dos barcos e ajuda marinheiros a saírem de lá. Então se prepara para atacar. -Duplo Corte Estrelar!! -Usuita grita e da um golpe na mesma direção com as duas espadas em um navio que chegava no porto. O navio é cortado na metade e começa a afundar. Will olha para Kui, horrorizado. Nada até o barco e ajuda os sobreviventes a escaparem. Usuita estava cega pela tristeza e não estava em si. -Corte Espacial! -Ela corta com a espada da mulher em direção a Will. Uma luz negra estava indo em direção de Will. Will arregala os olhos e é jogado para longe, batendo a cabeça em um pedaço do barco e a cortando. Luta para permanecer consciente e respirar, e ajuda um marinheiro a nadar. Seu corte nas costas se reabrira e saia sangue negro dele, assim como de seu nariz e sua boca. Usuita continua o ataque ao porto, Ela fica na frente de Cassie e prepara para dar um golpe com as duas espadas. Cassie arregala os olhos e Pete recebe os golpes por ela. Ele grita e cai de joelhos. Cassie olha com ódio para Kui. Usuita acorda com o grito de Pete e volta ao normal, ela larga as espadas e começa a tremer assustada. Cassie se ajoelha ao lado do cadáver do irmão e Will se arrasta até o porto. -O que eu fiz? -Usuita diz olhando para as mãos dela. — Você devia ter morrido! — grita Cassandra, soluçando. — Não sei como Will já gostou de você! É uma monstra! -Eu não queria fazer isso. -Usuita diz e cai de joelhos. -Não era pra isso acontecer!! -Ela grita. — Aconteceu! — grita Kui. Então leva o cadáver do irmão até o lado de Will. -Por favor, me deculpe Will, eu não queria. -Diz Usuita solução e chorando. Kui a ignora e acaricia o rosto de Will. O corte se abria mais e mais e ele arfa. Usuita não sabia o que fazer mais, ela esta apavorada. A cabeça de Will pende para o lado e ele vomita sangue negro. Estremece. -Will? -Usuita levanta e corre até Will. -Que sangue é esse? — O sangue da sua espada — diz Cassandra — A espada negra. Você lanço um Corte Espacial com ela! -E-Eu não lembro disso, como posso ajudar? -Usuita estava muito preocupada. Will estava ardendo em febre e o médico aparece com sua espada. — Faça você, tenho de cuidar dos outros — ele diz e corre, dando a espada para Kui. -Esta bem. -Usuita estava insegura. -Cassie, me ajuda, tire a camisa de seu irmão, vou fazer igual ao médico. — Cassie obedece, assustada e vira o irmão de costas. -Will, esta pronto? -Usuita pergunta ainda insegura. Will não responde e vomita mais. -Esta bem, vamos começar então. -Usuita começa a fazer o mesmo que o médico nas costas de Will. Will dá gritos agonizantes e começa a vomitar, então grita mais. Ele suplica para parar e grita. Usuita continua o processo. -Esta quase Will. Will grita mais e quase desmaia com a dor. Usuita termina. -Pronto Will, acabo. -Usuita diz com um sorriso forçado para confortar Will. Will a ignora e arfa, vomitando. -Will... -Usuita se afasta. -Me desculpe. -Ela pega as espadas dela do chão e corre para longe. Will murmura "Kui" e desmaia. Usuita corre e vai parar em um lago por acaso, o mesmo lago que Will havia nadado mais cedo. Will se levanta, cambaleante, e vai atrás de Kui. Sem olhar para ela, mergulha e lembra de seu pai. Usuita vê Will mergulhando, mas estava envergonhada de mais para falar com ele e fica sentada abraçando os joelhos perto de uma arvore perto daquele lago. Will emerge e cospe água. Usuita estava controlando o choro e as palavras de seu irmão circulavam em sua mente "Nunca mate inocentes". Will se senta na beira do lago e molha os pés. Usuita chorava baixinho. Will começa a assoviar e fecha os olhos. Estava começando a escurecer e a lua logo aparecia fazendo a espada de Usuita brilhar. — Por que brilha? — murmura Will. -Ela foi feita sob banho de luz da lua... -Usuita fala apos escutar Will. — Hum — diz Will. — Por que está aí atrás? -Não sei. -Usuita diz limpando as lagrimas. — Vem. -Não mereço... — Vem logo — resmunga ele. -Não mereço!! -Grita ela. — PARA! — grita Will, e se volta para ela. — Que droga, chega... Usuita fica calada. — Eu cansei disso, já foi... — ele murmura. Usuita continua calada e começa a chorar de novo. Will suspira e se agacha ao lado dela. Se agacha e apoia um braço no joelho. Com a mão livre ele levanta o rosto de Kui. — Fica calma. Não foi porque quis. Usuita olha para Will ainda chorando e abraça ele forte. -Desculpa. -Ela fala baixinha. — Esquece — ele diz, e acaricia seu cabelo. Usuita continua o abraço. -Obrigada. -Diz Usuita ainda chorando. — Já passou — diz Will. — Não sei porque, mas não consigo ficar bravo. Acho... Acho que gosto muito de você. Usuita fica surpresa. -Como assim Will? -Usuita para de abraçar e fica corada. — Eu gosto de você — ele diz, e desvia o olhar. Anda até o lago e se senta na beira. -Will. -Usuita vai até Will e senta do lado dele. -Por que? -Ela pergunta ainda corada. — Você... Eu não sei. Não consigo tirar você da minha cabeça. — diz Will. Usuita da um sorriso ainda corada e pega a mão de Will. Will se aproxima dela e olha nos seus olhos. -Will? -Usuita olhava direto nos olhos dele. — Sim — ele diz. Usuita beija Will. Will, surpreso, retribui o beijo e põe as mãos na sua cintura, aproximando-a mais. Usuita acaba o beijo e da um sorriso bobo. Will a abraça forte. -O que vamos fazer agora Will? -Usuita diz ainda no abraço. — Vamos achar meus pais e seu irmão. Usuita assente. -Estou com sono, me sinto muito cansada. -Ela comenta. — Dorme — diz Will, e a envolve. -Aqui? -Sim. Usuita sorri e logo adormece, ela tinha exigido muito de seu corpo ja. Will a observa e sorri. A espada continuava brilhando. Will a observa e também adormece. Enquanto isso em algum outro lugar, S.A observava Usuita através de um espelho. -Bem-vinda a minha dimensão Usuita. -Ele fala rindo malignamente sozinho no escuro. Usuita continua dormindo. Will também continua dormindo. Algumas horas se passaram e Usuita acorda. -Will? -Ela olha para trás e percebe que os dois estavam dormindo em conchinha. Usuita se cora de novo Will acorda e esfrega os olhos. Usuita levanta. -Esta acordado Will? -Ela pergunta. — Sim — ele murmura se levantando. -Ainda esta de noite, que horas será que são? — Não sei — diz Will. Usuita vê que estava suja. -Will, se importa de ficar de costas e cobrir os olhos? Will cora e obedece. Usuita tira a roupa e da um mergulho pra se lavar. -Ah, a água tá gelada. -Ela reclama. Will cora ainda mais e morde o lábio inferior. Kui se veste e os dois voltam para a casa, de mãos dadas, imaginando se encontrarão quem procuram.
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