E eu pensando que hoje seria um ótimo dia com fadas brilhantes voando ao me redor..com certeza me enganei, acordei com o “pé esquerdo” como diz a gíria popular; Ted e Hermán, meus dois irmãos, pegaram minha identificação de entrar no colégio e jogaram para Óto, nosso Tigre cor de vinho, ele simplesmente devorou minha quinta identificação. Agora não vou conseguir entrar no colégio, a menos que... mais é claro acho que ainda tenho uma pedra pigmento esmeralda, essa pedra realiza o teletransporte, é só esfregar ela na palma da mão e falar a palavra certa e depois visualizar o lugar pra qual você quer ir e pronto.

Corri para o quarto de bugigangas com o maior cuidado para não acordar minha mãe, demorei um pouco mas consegui encontrar um pedaço da pedra:

– Ótimo! Agora é só torcer para ninguém me pegue — Afinal é proibido entrar no colégio de forma que não seja mostrando a identificação.

E em um momento estava no quarto de bugigangas falando a palavra magica “ Telestrumtó̱ra” , e no outro na sala vazia da detenção, sai de fininho, fechando a porta com todo o cuidado e cochichei:

– Yeah! Eu sou um gênio!

– Eu não teria tanta certeza disso Senhorita Melissa. — Disse uma voz atras de mim.

Quando me virei dei de cara com o brutamontes do professor de alquimia, acho que ele deve ser o gigante mais mal encarado de todos; afinal até hoje não conheci um gigante que não seja mal encarado.

– Ola professor. — Eu disse tentando me esgueirar dele.

– Mais uma vez atrasada , e usando material indevido para entrar nos aposentos da escola, você sabe que é estritamente proibido usar qualquer material para te trazer para dentro da escola,e ainda mais agora que temos o detector de teletransporte...

Eu realmente tinha me esquecido do novo equipamento, o detector de teletransportes, argh como pude, eu mesma tinha ajudado a colocar ele na sala de equipamentos da diretoria.

– Sabe o que aconteceu, meu Ti....

– Chega dessas desculpinhas Srta. Melissa!É sempre a mesma coisa. Já para sua aula... Que falta de respeito...que...

Deixei ele falando sozinho e corri para a aula, não sei qual é pior levar sermão do professor de alquimia ou assistir a aula teoria de como capturar criaturas misticas, esse professor era um anãozinho, com uma cicatriz no olho, que segundo ele foi causada por um dragão.

Minha mente estava muito longe naquela manhã, estava viajando através dos portões das grandes cidades, mas de repente toda essa “viagem” para fora da ilha de Klein foi interrompida por uma sombra que se fez em cima de mim...Um garoto, da tribo dos gigantes, bem ele não era tão grande assim em comparação do meu professor de alquimia, ele devia ter 2 metros de altura, de qualquer forma para nós anões era extremamente grande.Nunca o tinha visto no colégio, pelo jeito era aluno transferido de outra cidade.

Percebi que todos estavam olhando para ele com olhares estranhos e zombando, e eu realmente fiquei incomodada com isso, quer dizer só porque ele era diferente, ou de outra cidade não significava que deveria ser tratado diferente, então Tiffany, minha amiga, me cutucou e cochichou:

– Fiquei sabendo que toda a cidade dele foi engolida por uma avalanche.

– Então vamos falar com ele, deve ser ruim estar em uma cidade nova e ser excluído por todos, ainda mais depois de uma tragédia dessas.

Então puxei Tif para ir comigo, paramos na frente dele e eu acenei:

– Olá, você é novo aqui certo?

Ele se abaixou um pouco, então pude ver melhor o rosto dele, tinha olhos castanhos e cabelo preto na altura do queixo, bem posso dizer que era uma bela aparência para um gigante:

– Sou sim, meu nome é Arthur e o de vocês?

– O meu é Melissa, e dela Tiffany, ela é meio vergonhosa por isso não fala muito.

Ele riu:

– Muito prazer meninas, obrigado por terem coragem de vir falar comigo, quer dizer até agora, alem dos professores, foram as únicas que falaram alguma coisa ao invés de ficar encarando.

– Oh não foi nada.- disse Tiffany

– Não tem por que ficar te encarando, você parece ser uma boa pessoa, e não ligue pra esse tipo de gente que só fica encarando!

Passamos o resto das aulas junto com Arthur nosso mais novo colega. Talvez meu dia não tenha sido totalmente ruim.

Com o passar das semanas, fomos ficando cada vez mais próximos, até mesmo Tiffany conseguiu se sentir mais a vontade perto dele. Arthur nos contou que a cidade dele ficava perto do monte Jexnês , e em um dia comum, sem ninguém esperar houve a avalanche, e então ele veio morar com seus avós aqui na ilha de Klein; ele explicou também que ele era mestiço , a mãe dele era uma mulher comum e o pai dele um gigante, por isso ele não é tão alto.

Quatro semanas depois de ter conhecido Arthur, decidi chama-lo para o nossa “guilda” , Tiffany e Eu montamos uma Guilda, tá mais pra clube das preguiçosas mas enfim, nós geralmente vamos para lá pra estudar ou coisa do tipo, mas as coisas vão mudar, eu tive uma ideia fantástica espero que eles concordem comigo.

Era uma quinta-feira e estava chovendo, ao chegar na sala de aula fui direto falar com eles, afinal ficar enrolando só ia me deixar mais ansiosa:

– Tenho um assunto muito importante pra falar com vocês, então vamos nos encontrar hoje ao por do sol, na rua da cachoeira morta.

– Hora essas, mas posso saber por que dona Mel? — disse Tef me encarando

– Como eu disse é um assunto muito importante, e aproveitamos e já mostramos a Arthur nossa...- Olhei para os lados para ver se não havia ninguém prestando atenção na nossa conversa – nossa guilda

– Guilda?! Que história é essa ? Vocês são algum tipo de grupo secreto que trabalha pro governo? Ou sei lá espiões?- Disse Arthur apavorado.

– Fale baixo Art! Não é nada disso, pelo menos não por enquanto.

– Não estou gostando nada disso Mel, você esta sendo muito misteriosa – disse Tif desconfiada.

– Essa é a intenção minha adorável Tif! Então está certo, hoje ao por do sol da rua da cachoeira morta, e não se atrasem.