Caçadora de Asas
26 Ordem a se seguir
Notas iniciais
Depois daquele dia nenhuma das minhas noites foram tranquilas, sempre tinha pesadelos, mas não me lembrava de nenhum, simplesmente acordava no meio da noite desesperada. Em compensação os dias era melhores.
Houve mais uma morte, de noite perto de casa, corri para o lugar, mas não encontrei ninguém vivo. Tinha um garoto jogado chão, aparentemente da mesma idade que eu, cabelos ruivos e olhos azuis. Sua morte ocasionou do único corte que havia em seu corpo, no pescoço, seria um akuma branco que não devia ter matado ninguém, pois havia sangue por entre as mãos que seguravam o local ferido.
Como estava com minha espada nas costas fui procurar o assassino, corri por todos os quarteirões perto do ocorrido, mas nada. Também não sabia quem procurava, ninguém, ou nenhum akuma, sairia com a arma de um crime nas mãos depois de cometê-lo. Comecei a andar sem rumo, talvez uma mancha de sangue ajudaria ou alguém suspeito andando com uma espada nas costas.
Eu no momento me enquadrava como suspeita, se a espada não estivesse dentro de um protetor de taco de basebol. Estava com um moleton preto fechado, com capuz, mas quando me dei conta que precisava prestar atenção em cada detalhe a minha volta o retirei.
Passando perto de carrinhos de lanche avistei Marco com sua tia, que vieram me comprimentar e me convidar a lanchar juntos a eles, Marco estava um pouco sujo de katchup na calça. Sua tia pisara em um espirando nele enquanto andavam, por isso ele ganhou um sanduíche, como um pedido de desculpas. Me despedi, recusei o convite e continuei minha procura.
Encontrei três esquinas a frente o Adriano, pacificamente andando para algum lugar, resolvi segui-lo para conseguir alguma informação. Depois de 1 hora o seguindo já estava cansada e ele possivelmente sabia que eu o seguia, por isso diminuia cada vez nossa distância. Ele parou em um beco deserto, eu tinha minha espada na bainha em mãos e a bati na cabeça dele no momento em que ele se virou para mim. Adriano caiu no chão desacordado, devo ter batido no ponto certo, pois não tinha tanta força comparado a ele.
– John você pode me buscar? — perguntei ligando para Jonathan.
– Claro, mas por que saiu de casa à meia noite? — perguntou sonolento, percebi que já estava pegando as chaves.
– Vem que você verá.
Passados 28 minutos, eu havia contado não podia parar de pensar no ser desacordado aos meus pés, John chegou com a estrada. Me olhou em dúvida por um pequeno tempo, mas logo me jogou uma corda e me ajudou a amarrar o cara e pôr ele na carroceria.
– Explicações? — perguntou na metade do caminho de volta para casa — Pelo menos isso você me deve.
– Teve uma morte hoje — respondi sem sentimentos — eu procurava um assassino e este era um Foice Negra.
– Por que era? — indagou desesperado.
– Calma, eu não o matei. Era porque Nick morreu, sem líder sem grupo.
Seguimos até em casa, ele ainda desacordado, colocamos Adriano em uma cadeira. Depois de mais um tempo ele acordou, meio confuso, pois ria muito.
– Você é uma akuma? — perguntou entre as risadas.
– Eu pergunto — respondi fria, queria saber explicações — por que me seguia?
– Não a segui, nem sei se você é uma akuma.
– Sou.
– Isso vai ser divertido — respondeu ainda rindo.
– O que será divertido? Foi você que matou um akuma a mais ou menos uma semana?
– Não vou contar e foi, ou deve ter sido, não me lembro a data que eu mato traidores.
– Traidores? — perguntei colocando uma cadeira a frente dele e sentei nela.
– Sim, traidores. Agora que Nick morreu e só falta um pra mim caçar acho que posso te contar.
– Não é posso, você deve. Vou te matar se não souber o que eu quero — falei o ameaçando o que o fez rir.
– Matar como princesa? — zombou enquanto Gust entrava pela porta com uma máscara de Jason na cara — Chamo reforços??
– Não me leva a sério convidei um amigo — havia ligado para ele, como não havia viajado ainda concordou em me ajudar no interrogatório — Quem você matou era da Foice Negra?
– Sim, o que mais quer saber? Os nomes?
– Ficaria contente — respondi sem alterar minha expressão.
– O primeiro foi Eliot. — ao dizer aquele nome Gust avançou sobre ele e eu o contive — Calma grandalhão, deixe eu explicar o porquê.
– Estamos ouvindo — rosnou Gust, a voz dele saiu alterada, quase irreconhecível, não se podia mecher com o amigo do meio irmão babaca dele, principalmente quando este lhe pediu ajuda.
– No ano passado éramos um grupo de nove pessoas, mas uma delas resolveu não matar e fugiu do grupo. Depois desta todos nós tinhamos que provar que queriamos poder, matando um akuma, mas não um qualquer e sim um próximo. Assim provariamos que o nosso objetivo era maior que qualquer laço criado. Os novos integrantes deviam, depois de recolher o próprio sangue, matar alguém, matando esta pessoa eles fechariam um pacto de sangue com Nick e estariam ligados a ele, tendo proteção e um lugar no reino de poder quando Nick ascendesse.
– Mas e os antigos? — perguntei bem interessada já sabia desta história, mas não com a possibilidade de aprofundar no assunto, Gust não estava tão a sangue frio segundo a nova descoberta.
– Os antigos já tinham feito o pacto e tinham segurança, mas depois da recusa e saida deste membro todos tiveram que matar seu primeiro akuma.
– Conte-me quem é este cara que desencadeou isso.
– Só digo nome de quem já matei. Como carrasco jurei só pronunciar o nome dos meus alvos somente depois deles terem sucumbido pela minha espada. Que por acaso ainda está comigo na minha perna esquerda, se puderem retirá-la.
Gust fez o favor de retirar a espada, Adriano estava comperando mais do que eu esperando. Talvez a morte de todos os FN's o abalou muito, mas segundo ele havia um traidor vivo ainda.
– Continuando, depois deste cara que desistiu sair do grupo mais uma pessoa saiu — ele engoliu a seco — minha namorada. Ela não queria matar o akuma mais importante para ela, sua irmã mais velha, ela sempre cuidara dela.
– E esses dois foram tidos como traidores?
– Isso, ninguém poderia saber disso, dos nossos planos, da nossa real existência. Como eu sou órfão não tinha nenhum akuma importante para mim, não matando ninguém. Letícia era a mais importante e como fazia parte do grupo não precisava matar. Quando ela saiu Nicke designou a matar todos os traidores, me mantendo distante do grupo, assim poderia ver melhor que não seguiria a ideologia proposta.
– Então você a matou não é? — perguntei tentando ligar todos os fatos — E o protetor dela era este bracelete?
– Sim — gritou ele — como consegui isso?
– Eu o feri naquele dia.
– Por que? Não faz sentido, foi um homem que me feriu e por que você pegou o protetor dela? Ela ainda estava viva.
– Como?
– Isso mesmo que você ouviu — ele não zoava mais, somente chorava — ele disse que me odiava, que eu era um monstro que nunca mais olharia para mim. Assim eu a ataquei, mas não a matei depois que cobri o local com um toldo da loja ao lado fui atacada e fugi. Por que você retirou o protetor dela?!?!?!?! Ela poderia ter sobrevivido, já tinha o sangue para fingir que tinha matado. Minha primeira morte.
– Sinto lhe dizer, mas quando cheguei ela já havia morrido.
– Está mentindo! — gritou desesperado — Ela ainda estava viva, você a matou então e roubou o bracelete dela. Só a feri para poder falar pro Nick que cumpri a ordem. Você a matou!
– Eu não a matei — continuei serena e peguei sua espada — Veja este corte que acabei de fazer em mim, ainda tenho sangue eu não a matei.
– Pelo menos posso ficar com o bracelete dela?
– Sim, — o entreguei e pondo no seu pulso — mas fique longe de confusão.
– Não tenho mais que caçar, só mais um, o traidor que começou tudo. Talvez ele já tenha matado, os dados de mortes dos Foices Negras com as morte de akumas não batem e só nós estamos atuando na área os outros morreram. Posso sair?
– Pode — respondi fria, não me importava com que ele matava da FN, havia sinceridade no olhar dele.
Soltei ele, mas antes Gust o socou quadro vezes, o marcando para que não esquecesse o trato de só mais uma morte. No caso ele estaria fazendo justiça, se eu fizera isso antes nada impedia que ele fizesse. Ao sair de casa ele retirou o anel e voou embora, não queria o ver mais, muiti menos o comvidei para entrar. Quando sua camisa rasgava para as asas serem libertadas percebi várias cicatrizes por ele, mas no local onde devia haver a que eu fiz tinha um dragão. Ele cobriu a marca que denunciava quem assassinou o próprio amor.
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