Caçadora Filha Da Noite - Pela Luz Da Lua

1 Isabelle conhece o Acampamento Meio-Sangue


Notas iniciais
Espero que gostem, e por favor, comentem!

Isabelle foi acordada por seu pai Michael. Ele parecia nervoso e apreensivo. Sua madrasta Miranda olhava freneticamente pelas frestas da janela do quarto de Isabelle.

–Izzy! Izzy querida, acorde! – dizia Michael em sua voz urgente.

Isabelle abriu seus olhos.

–Pai? – ela perguntou.

–Querida, eu preciso que você se esconda naquele lugar secreto está bem? – ele disse e pegou o colar de Isabelle em cima do criado mudo e prendeu-o em seu pescoço – E nunca, jamais tire isso. Nem para dormir, nem para tomar banho. Ele vai protegê-la.

Isabelle não estava entendendo o que estava acontecendo, mas Michael e Miranda estavam tão agitados e pareciam tão nervosos. Como se algo de ruim estivesse para acontecer.

Isabelle assentiu.

–Vamos Izzy, eu preciso que se esconda lá. Agora. – disse Michael sem paciência.

Isabelle se levantou e olhou nervosa em direção á Miranda.

Michael a abraçou.

–Eu te amo querida. – ele disse. Isabelle não gostou de seu tom, parecia como uma despedida.

Miranda foi até seu lado e a abraçou firmemente.

–Eu te amo como se fosse minha filha Izzy, você sabe disso. – ela disse e olhou direto em seus olhos – Se algo nos acontecer, vá até o Acampamento Meio-Sangue. – ela tirou de dentro do bolso da calça um papel amassado com um endereço – Aqui o endereço. Agora vá e se esconda.

–Mas... O que está acontecendo? – perguntou Isabelle confusa com essas despedidas e ordens. Um estrondo do que pareceu uma porta sendo explodida soou.

–Vai! Se esconda! – disse Miranda – Não saía até que nós a chamemos! Se não voltarmos vá até esse endereço. Vá!

Isabelle correu para o seu esconderijo. Uma porta secreta em seu guarda-roupa que dava á uma passagem secreta até a rua de trás de sua casa. Como aquilo fora construído? Isabelle não fazia idéia.

Isabelle também não fazia idéia de onde Miranda e Michael tiraram armas, mas lá estavam eles com espadas de bronze em punho e correndo porta á fora.

Isabelle fechou a porta do guarda-roupa e esperou em silêncio. Ela tinha um pressentimento de que o que estava acontecendo não era algo bom. Ela não sabia como, mas sentia que seu pai e Miranda estavam em perigo. Mas o que ela poderia fazer?

Ela ouviu sons de coisas quebrando e gritos e estrondos. Deus, o que acontecia lá em baixo? Fazia tanto barulho lá que Isabelle não conseguia nem ouvir seus pensamentos. Havia gritos, gritos que ela identificou ser de Michael e Miranda. Ela fechou seus olhos apertados e começou a rezar para que seu pai e Miranda estivessem bem. Fora então que depois de tanto barulho um fez-se um silêncio mortal. Seu coração batia freneticamente.

–Cadê ela? – uma voz feminina gritou furiosa e o coração de Isabelle parou de bater. Será que estavam a procurando?

Um grito e risadas sucederam.

–Nós iremos encontrá-la. – disse a Mulher – Eu sinto sua presença. Ela está aqui. – ela riu – Ou cortarei a garganta de seu amado! Oh sim! E você também Miranda! Vasculhem o lugar! Encontrem-na!

Passos na escada, objetos sendo atirados no chão. Estavam revirando a casa. Até que alguém parou em seu quarto. Vasculhou tudo, até embaixo da cama e então parou farejando o armário. Isabelle não pôde acreditar no que via, mas parecia ser um homem tipo o Tony Ramos, o corpo e o rosto peludo. Lobisomem, ela pensou. Ele rosnou e saiu do quarto. Isabelle não sabia que estava prendendo o ar até que suspirou de alívio.

Ouviu então gritos e resmungos e então mais gritos, gritos horripilantes que fez seus cabelos ficarem em pé.

–Eu irei encontrá-la. – disse a mulher.

E então ela sabia que estava sozinha na casa.

Ela andou pela passagem até estar numa pequena câmara onde havia uma mesa com um arco prateado escrito LUNAE LUMEN que ela sabia que significava Luar, uma aljava prateada com flechas prateadas, uma adaga de bronze, uma mochila preta que quando olhou dentro havia roupas, sapatos e uma quantia em dinheiro. Era como se tivessem planejado essa fuga. Como se esperassem que um dia isso fosse acontecer. Pois seu pai havia insistido que ela fosse a aulas de arco e flecha e ela era muito, muito boa nisso e também sabia como manusear uma adaga.

Ela queria chorar, porém se manteve forte. Não sabia o que diabos houve ali. Mas ela faria o que lhe foi dito. Iria para esse tal Acampamento Meio-Sangue falar com o tal de Quíron.

Ela trocou seu pijama por calça skinny preta, camiseta regata branca, uma jaqueta de couro preta e um all star branco. Com uma fita de cetim prata que encontrara na bolsa ela amarrou desajeitadamente seu cabelo em um rabo de cavalo. Ela não passou maquiagem porque nem mesmo na mochila tinha, aliás, ela nem precisava. Seus cílios eram longos e grossos sem precisar de um rímel, suas bochechas eram levemente coradas sem usar blush, e sua boca era rosada sem batom. Ela tinha 1, 60m, sua pele era tão pálida quanto porcelana, longos cabelos negros que iam ondulados até a cintura, e penetrantes olhos amarelos prateados. E então saiu para a rua.

Era noite e a lua brilhava cheia no céu. Temerosa, ela foi se esgueirando atrás de carros até a frente de sua casa. Havia viaturas de polícia na frente e cercaram a casa com uma fita amarela. Estava destruída sua casa. Ela se virou para longe daquele cenário desolador. Ela tinha que ir para o Acampamento Meio-Sangue.

***

Ela havia pegado um táxi que a deixou um pouco atrás de uma enorme árvore.

–Tem certeza que é aqui senhorita? – perguntou o motorista de cenho franzido.

Isabelle olhou para a janela e depois sorriu para o senhor.

–Tenho sim. – ela disse – Obrigada. – ela pagou-o e desceu do táxi. Esperou até que ele tivesse sumido de vista para subir a colina.

Ela congelou quando viu o que tinha ao lado do enorme pinheiro. Era um dragão, um de verdade. Ele estava dormindo bem ao lado do enorme pinheiro que tinha uma estranha lã dourada no meio. Isabelle tinha que descer ali, mas ainda estava congelada de medo do dragão. E se ele fosse comê-la?

Ela respirou fundo e passou bem longe dele. Ela continuou correndo depois que passou pelo dragão e só parou quando estava em frente á duas pilastras do estilo grego que lá em cima estava escrito em grego, mas ela conseguiu ler com um pouco de esforço ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE.

Então era ali.

Era noite, então não havia ninguém por ali. Ela estava emocionalmente esgotada. Seu coração doía e as lágrimas ardiam para escapar, mas se manteve firme.

A sua frente tinha um enorme estabelecimento que a lembrava um museu. Ela andou até lá e não podia acreditar. Era um centauro parado no meio da varada.

Isabelle não agüentou. Em um dia seus pais foram seqüestrados e podiam estar mortos, sua casa estava destruída, ela havia visto um lobisomem, um dragão, e agora olhava para um centauro. O mundo girou e saiu de foco até que ela desabou no chão da varanda e a última coisa que viu era a cara de surpresa e espanto do centauro.

***

Isabelle piscou antes de abrir seus olhos completamente. Ela estava deitada em uma cama que não era sua. Ela olhou ao seu redor. Estava em um quarto claro, a janela dava para uma vista de campos de morangos, fazia um lindo dia lá fora. Ao seu lado estava sentada uma garota do que aparentava sua idade de cabelos loiros de cachos perfeitos e olhos cinza tempestuosos. Quando viu que Isabelle havia acordado se endireitou na cadeira e sorriu.

–Hey. Como se sente? – ela perguntou.

Isabelle se sentou na cama. Como ela se sentia? Bem, como deve se sentir quando seu mundo cai em pedaços? Emocionalmente, ela se sentia uma droga. Fisicamente, ela se sentia bem.

–Eu estou bem. – respondeu Isabelle.

A garota sorriu.

–A propósito, eu sou Annabeth Chase. – ela disse.

–Isabelle Mercer. – Isabelle se apresentou – Huh, então, onde eu estou?

Annabeth pressionou os lábios nervosamente antes de respondê-la.

–Na enfermaria da Casa Grande. – ela disse – Você desmaiou então a trouxemos até aqui. – ela pausou – Mas não havia ferimentos, apenas estava cansada. – ela franziu as sombracelhas – Você estava inteira, sem nenhum arranhão. Como? Você foi atacada por algum monstro?

Isabelle não sabia do que Annabeth falava. Ela não fora atacada por monstros, mas seus pais sim. Pensar neles fez seu coração se apertar em seu peito.

–Eu não sei de nenhum monstro. – respondeu Isabelle sinceramente, e de endireitou – Ouça. Eu vim porque minha madrasta disse-me para vir para cá antes de sermos atacados.

Annabeth ficou pensativa por alguns instantes.

–Você sabe o que você é? – ela finalmente perguntou cuidadosa.

Que pergunta estranha. Ela era uma pessoa. Uma humana. Duh. O que Annabeth esperava que Isabelle dissesse? Que era uma ET?

–Humm, eu sou uma... Pessoa? – respondeu Isabelle como se fosse óbvio.

Annabeth franziu a testa e suspirou irritada.

–Sim, sim, mas... – ela pausou e pressionou os lábios – Você sabe do que eu estou falando?

–Desculpe. – disse Isabelle com um sorriso nervoso e balançou a cabeça.

–Styx! – exclamou Annabeth – Você não sabe que é uma meio-sangue!

–Uma o quê? – disse Isabelle confusa.

–Meio-sangue. – repetiu Annabeth como se tivesse dito aquilo um milhão de vezes – Uma semideusa. Você sabe o que é semideusa não é? Meio humana...

–Meio deusa. – interrompeu Isabelle – Mas eu não sou isso. Eu não posso ser!

Annabeth suspirou.

– Você se sente melhor? – ela perguntou e Isabelle assentiu – Bom, porque temos que falar com Quíron.

***

Annabeth a levou até a varanda da Casa Grande. Isabelle ficou surpresa por ver o centauro de ontem à noite na varanda conversando com um lindo garoto que parecia ter sua idade, cabelos pretos e olhos verdes-mar. Eles interromperam a conversa quando elas chegaram perto. O centauro e o garoto sorriram para Isabelle.

–Está acordada! – disse o centauro, como se a conhecesse há muito tempo.

Não, ainda estou dormindo. Duh. Pensou Isabelle, mas achou que seria inconveniente uma brincadeira agora, então apenas sorriu.

–Que é ela? – perguntou o garoto para Annabeth.

–Isabelle Mercer. – ela disse – Esses são Percy Jackson e Quíron. – Isabelle notou que falou o nome de Percy com carinho. Ele deve ser o namorado dela, ela supôs.

Quíron. Espere. Ela se lembrava de um centauro chamado Quíron na mitologia grega, mas não podia ser o mesmo, ele estava morto.

–Quíron, O Quíron? – ela perguntou – Mas ele não estava morto?

Quíron riu e Percy sorriu.

–Se eu ganhasse um dracma por cada vez que um meio-sangue me diz isso. – Quíron disse – Não Isabelle, eu não posso ser morto até que a humanidade não precise mais de mim.

Isabelle franziu a testa.

–Tipo, imortal? – ela perguntou.

–Não exatamente. – ele disse – Sente-se. – ele gesticulou para uma cadeira ao seu lado.

Isabelle sentou-se com Annabeth ao seu lado e Percy sucedendo-a.

–Diga-me Isabelle, o que você sabe sobre mitologia grega?

–Não muito. – confessou e deu de ombros – São apenas mitos, certos?

Quíron sorriu.

–A maioria dos mitos não são apenas mitos. – ele disse – Eu sou um mito?

Bem, estava claro que não era. Ele estava em carne e osso em sua frente. Isabelle sacudiu a cabeça.

–Resumindo, os mitos são verdadeiros. Existem monstros, profecias, Olimpo e deuses de verdade. Os deuses se apaixonam por mortais e tem filhos com eles. Essas crianças são chamadas de semideuses. Meio deus, meio humano. Mas também é usado o termo meio-sangue. – ele disse – E você, Isabelle Mercer, é uma meio-sangue.

De algum jeito Isabelle acreditou em suas palavras. Como não poderia? Ela estava olhando para o centauro Quíron, já vira até um dragão. Mas se ela era meio-sangue, sua mãe tinha de ser divina.

Ela mordeu seu lábio inferior. A pergunta quase saindo. Mas não perguntou afinal. Ela não estava preparada par saber. Ainda.

–E o único lugar seguro para um semideus é o Acampamento Meio-Sangue. – falou Percy que permanecera em silêncio por todo esse tempo – Alguns morrem antes de descobrirem ser meio-sangue. Os monstros descobrem antes.

Isabelle franziu o cenho.

–Com que idade se descobre ser um meio-sangue? – ela perguntou.

–Com dez, doze anos. – respondeu Annabeth – Mas você tem... Dezesseis? – Isabelle assentiu – E nunca soube o que era? – ela perguntou – Você já foi atacada por monstro Isabelle?

–Bem, eu nem sequer imaginava que mitologia poderia ser verdade. – disse Isabelle – Quanto mais saber que era uma meio-sangue. E eu nunca fui atacada por monstros.

Percy assentiu.

–Sim, você chegou aqui e não estava machucada. O que significa que não foi atacada por monstros. – ele franziu o cenho – Mas como eles não a descobriram? E como você chegou aqui?

O coração se Isabelle se apertou. Lembrar de seu pai e Miranda, que precisam de sua ajuda, doía em seu peito. Talvez eles pudessem ajudá-la a encontrá-los.

–Minha madrasta me mandou aqui. – ela disse – Era noite quando meu pai me acordou e estava tão nervoso e apreensivo. Ele insistiu que eu usasse sempre meu colar, que nunca o tirasse. Minha madrasta, Miranda, olhava toda hora para a janela. Eles me disseram para esconder-me no meu esconderijo até que me chamassem que é um tipo de passagem no meu armário que dá para uma câmara que saiu na rua detrás de minha casa. Eles me disseram que me amavam, mas soou como uma despedida... – sua voz se quebrou e uma lágrima escapou de seus olhos – E Miranda me deu o endereço do acampamento disse que deveria vir para cá se algo lhes acontecesse e foi então que a casa foi invadida e eu me escondi, mas eles saíram do quarto com espadas de bronze em punho. – as lágrimas desciam desenfreadas agora – Eu os ouvi gritarem e teve barulhos tão altos e tinha uma mulher gritando com ele e perguntava onde eu estava e então um lobisomem... – ela os olhou – Eu juro que era um lobisomem aquilo. Ele... Ele bagunçou meu quarto e quase me achou e então teve mais gritos e a mulher disse que iria me encontrar e eu fiquei com medo e andei até a câmara do esconderijo que tinha em cima da mesa meu arco, minha aljava, minha adaga e uma bolsa contendo roupas e sapatos e dinheiro dentro. Era como se esperassem que isso fosse acontecer um dia. Estava tudo preparado para uma possível fuga. Então eu peguei um táxi e vim para cá.

Todos estavam em silêncio, e fizeram uma troca de olhares que dizia claramente que algo não estava bem.

–Posso ver seu colar? – por fim disse Annabeth.

Isabelle não entendeu porque Annabeth queria ver seu colar, mas tirou-o de dentro da camisa e mostrou a ela a corrente de prata com um pequeno pingente de lua crescente. Annabeth arregalou os olhos e ficou pasma.

–Styx! É obvio! É ela! – exclamou ela – Ela tem um arco e flecha de prata, sua adaga de prata e esse colar encantado! Além que Isabelle se parece muito com ela! Ela é filha de Ártemis!

Percy olhou Isabelle com um misto de surpresa e algo como... Pena? Por que ele sentiria pena de Isabelle? Ser filha de Ártemis é tão ruim assim?

–Mas Ártemis não odeia os homens? – ele perguntou confuso – E ela não tem esse voto de castidade?

–Atena também tem um voto de castidade Percy. – disse Annabeth – E você sabe que para os deuses há outra maneira de gerar um filho sem...

–Espere. – interrompeu Isabelle – Vocês falam como se ser filha de Ártemis fosse algo ruim.

Ela reprimia toda a emoção que sentia por dentro. Certo, agora ela finalmente sabia quem era sua mãe. Seu pai nunca falara de sua mãe que agora ela descobrira ser Ártemis. A única coisa que sabia é que fora abandonada com o pai recém-nascida.

A sala ficou tensa e eles agiam estranhos, como se tivessem um segredo que não queriam contar á ela. Ou talvez não pudessem.

Quíron que estava preso em seus pensamentos sorriu para Isabelle, mas pareceu um sorriso forçado:

–Ser um meio-sangue não é algo muito bom Isabelle. Heróis têm um destino trágico. Bem crianças, eu tenho que contar aos deuses sobre Isabelle. – ele disse – Vocês dois mostrem o acampamento á Isabelle e a leve até o Chalé 8. – e trotou para dentro da Casa Grande.

–E eles não ficarão muito felizes com isso. – disse Percy.

–Essa foi uma observação um pouco tarde para se fazer não é? – disse Isabelle com um pequeno sorriso genuíno e uma sombracelha arqueada.

Eles riram.

–Vai se acostumando. Percy é um pouco lerdo para certas coisas. – disse Annabeth com um sorriso malévolo.

–Ei! – ele reclamou e Annabeth riu.

–Mas é o meu lerdo. – ela disse segurando a mão dele. Eles se olhavam com tanto carinho e amor. Definitivamente esses dois namoravam.

Isabelle não pôde deixar de comentar.

–Vocês são tão fofos juntos. – ela disse.

Annabeth corou e Percy sorriu largamente.

–Vamos te mostrar o acampamento. – disse Annabeth disse mudando de assunto.

–Bem, você vai. – disse Percy olhando para Annabeth depois para Isabelle – Desculpe, mas eu tenho que dar aula de espada agora. Te vejo depois. – ele deu um beijo rápido em Annabeth – Você também. – e saiu correndo.

–Vamos. – disse Annabeth virando-se para Isabelle – Vamos conhecer o Acampamento Meio-Sangue.

***

Isabelle achou o acampamento muito legal. Annabeth lhe mostrou a quadra de vôlei, a sala de artes e ofícios onde os campistas são incentivados a fazer seus próprios projetos, o anfiteatro, a parede de escalada, o pavilhão do refeitório, os chalés, a arena de combate, o arsenal, os campos de morangos e os estábulos.

Entretanto, era um pouco difícil para ela receber tanta atenção. Ela sempre fora discreta, mas para onde quer que fosse com Annabeth ela ouvia sussurros e as pessoas a olhavam com curiosidade. Quando Annabeth estava levando-a para conhecer o tal Chalé 8 ela ouviu alguém dizer “É ela. Ela que pode nos salvar” e outra pessoa disse “Sim, mas pode nos condenar a morte.” Isso assustou Isabelle. Muito. Como ela poderia salvar ou condenar alguém a morte?

Isabelle se sentia perdida e confusa. Era realmente difícil para ela assimilar tanta coisa em poucas horas. Seu mundo fora virado de cabeça para baixo em tão pouco tempo, que ela não sabia como reagir. Gritava e saia correndo? Teria um ataque histérico de risadas? Como reagir quando descobre que mitos gregos não são mitos, mas realidade, e que você faz parte dele?

Annabeth levou-a pela trilha no lado da canoagem que levava de volta aos chalés.

–Então. – disse Isabelle quando o silêncio tornou-se desconfortável – Você é filha de quem?

Annabeth soltou um longo suspiro, como se estivesse cansada.

–Minha patrona é Atena. – ela disse – Deusa da sabedoria e da estratégia.

Isabelle assentiu.

–E você já a conheceu? – ela perguntou.

Annabeth assentiu.

–Sim, algumas vezes. – ela disse.

Elas ficaram em silêncio por um tempo até que Isabelle criou coragem e perguntou.

–Como é minha... – ela se interrompeu. Ela ia dizer mãe. – Como é Ártemis.

Annabeth riu.

–Eu estava esperando que você perguntasse. – ela disse – Bem, Ártemis é determinada e objetiva, sabe correr atrás do que quer e consegue definir os melhores caminhos para obtê-lo.

Isabelle era assim também, ela só não garante a parte de “consegue definir os melhores caminhos para obtê-lo.”

Ela sorriu pequeno.

–Isso me soou familiar. – ela disse – Bem, talvez não a parte de melhores caminhos.

Annabeth riu.

–Ártemis é uma deusa com uma personalidade decidida, objetiva, amiga e muito sociável. – ela continuou.

Isabelle assentiu.

–Então, resumindo, ela é legal. – disse Isabelle com um sorriso.

Elas pararam em frente um chalé de acampamento aparentemente normal durante o dia. Annabeth disse que possui um fulgor prateado no escuro. Imagens de animais e lanças enfeitam as paredes. Isabelle entrou e encontrou seu arco e flecha, sua bolsa e sua adaga em cima de um beliche. Esse chalé inteiro para ela.

–Então é tudo meu. – disse Isabelle sentando-se na cama que tinha suas coisas.

–Quando as caçadoras não nos visitam e dormem aqui... – ela disse e sorriu – Então sim.

Isabelle deixou-se cair de costas na cama e com um suspiro fechou os olhos.

–Isso é uma loucura. – ela disse e então subitamente abriu os olhos – Quando que vamos procurar meus pais?

Annabeth desviou o olhar para longe.

–Precisamos entender o que aconteceu primeiro. – ela disse – Se aconteceu como contou, não tem como eles ainda estarem...

Isabelle se sentou ereta na cama.

–Mortos? – concluiu ela – Eu sei que parece loucura isso, mas eu sinto que não estão. Eles estão vivos. Tem que estar.

Depois de um momento de silêncio Annabeth por fim a olhou. Curiosidade brilhando em seus olhos.

–Você disse que viu um lobisomem no seu quarto. – ela lembrou – Tem certeza?

Isabelle assentiu.

–Sim, aquilo definitivamente era um lobisomem. – ela disse – Se parecia com o Tony Ramos, mas não era.

Annabeth não riu, mas Isabelle também não esperava que ela o fizesse.

–Annabeth... – disse Isabelle segurando o pingente de lua – Como você sabe? Você disse que meu colar era encantado. Então, como sabe?

Annabeth sorriu.

–Ártemis é associada à lua e a magia. – ela disse simplesmente – Seu pai disse para nunca tirá-lo e você nunca foi atacada por um monstro. Isso porque seu colar é encantado. Ele deve ter sido encantado para protegê-la. E quem é a deusa da magia que é também sua mãe? Duh, Ártemis.

Isabelle pensou por um momento antes de falar.

–Isso significa que ela se importa? – ela perguntou.

–Acho que sim. – disse Annabeth – Eu vou te deixar um pouco sozinha. Quando uma trombeta soar é porque é a hora do jantar. Apenas siga os campistas até o Pavilhão do Refeitório. – disse Annabeth depois se foi, deixando Isabelle sozinha no Chalé 8.

***