Um menino nascera em 1879, em uma pequena, porém agitada cidade ao sul do país – não tão ao sul que a fizesse presenciar e participar das intrigas envolvendo nativos e mexicanos, mas o suficiente para ter a herança do Oeste -. A cidade não tinha um nome definido, as pessoas apenas as chamavam como queriam, mas um nome de certo definia perfeitamente a cidade, e também atraia a atenção para ela: Young Brotherhood, e era isso que a cidade era, um novo lar, não, não apenas isso, mas sim uma nova família para aqueles que precisavam. Era estranho uma cidade razoavelmente distante de um porto ser um imã para forasteiros e imigrantes, principalmente ciganos, não é contra a natureza cigana se estabelecer em um lugar? Por que tantos vivendo felizes e tranquilos juntos? Desde os reservados nômades das terras áridas, até os dançantes romanis das regiões eslovacas, todos estavam ali, talvez o fim da era do Oeste estivesse chegando, e mesmo que os famosos duelos ao meio dia estivessem escassos ultimamente, a cidade ainda preservava aquele tom rustico e de um modo teatral do velho oeste (ainda que fosse apenas conhecido como Oeste), acredito que este seja o motivo de tantos visitantes e novos moradores.

Young Brotherhood havia sido fundada em 1877, apenas dois anos se passaram desde que a primeira família havia se alojado com sua plantação de ágapes e já havia 3 mil pessoas alojadas por ali, o que era extremamente curioso, as plantações eram pequenas e a carne animal era rara, até mesmo os porcos eram mantidos vivos por seus donos, como se fossem companheiros de estimação. Uma certeza que tenho é que a comida que circulava naquela cidade não era suficiente para mais de mil pessoas, algo acontecia ali, talvez uma conspiração? Um estoque clandestino advindo de roubo de trens? Difícil saber, a cidade deixou de existir tem um bom tempo, mas vamos devagar e chegarei lá, você ainda não está preparado para tanto conhecimento.

1890, agora com 11 anos, o garoto se chamava Michelle, havia herdado o nome de seu avô paterno, era alto e magro, com um sorriso inspirador e que falava de maneira impecável, se pudesse se comunicar com o Deus, conseguiria convence-lo a dar um nó em uma gota d’água – era o que seu pai sempre dizia, e todos acreditavam, acho que essa eloquência era um dom dos Della Negra. O pai de Michelle (e filho de Michelle) tirava seu sustento de um bar clichê da época, jarro para cuspidas, armas e decorações com pólvora, fumo e diferentes tipos de papel para cigarros, charutos e cigarrilhas, não vamos esquecer-nos das dançarinas com plumas e do publico escroto. A mãe de Michelle também trabalhava no bar, mas como dançarina e cantora nas horas vagas, sem duvidas sabia encantar qualquer um, homem ou mulher. Michelle parecia ter herdado o dom da fala e manipulação de seu pai, o dom da sedução e charme de sua mãe e a beleza de um anjo. Podemos dizer que ele nasceu para dominar aquela cidade.

Michelle parecia ter herdado o dom da fala e manipulação de seu pai, o dom da sedução e charme de sua mãe e a beleza de um anjo. Podemos dizer que ele nasceu para dominar aquela cidade, isso é, caso ele quisesse isso, o garoto parecia não ter grande ambições, viveu até seus 17 anos apenas ajudando seus pais e sendo um rapaz como qualquer outro, mesmo quando Fabio, um dos coordenadores da cidade — um homem sagaz e galanteador, sempre bem vestido e cercado de pretendentes – o convidou para participar da parte diplomática que lidava com o comercio e relações da cidade, Michele recusou imediatamente, não via motivos para se envolver com essa gente importante. Era feliz e com diversas amizades, e ainda mais gente querendo se aproximar. Conseguira a amizade até da garota considerada a mais complicada da região: Jade Rosengerb.