Promessas devem ser cumpridas por mais dolorosas que ela possam parecer.

Abri os olhos. Percebi que estava tremendo e respirando profundamente, o meu coração estava acelerado, a escuridão ainda predominava, pois ainda eram 3:00 Horas da manhã na movimentada cidade de New York, apesar da escuridão ainda consegui visualizar algumas luzes acesas na movimentada Times Square.

Esse mês de janeiro de 2012 tem sido um dos mais difíceis, durante anos. Costumava a ter o mesmo pesadelo há 12 anos, os mesmos trovões. A mesma escuridão. A mesma sensação de medo. Geralmente esses pesadelos sempre eram acompanhados de fortes dores de cabeça e um pouco de tremedeira, que misteriosamente sumiam quando o sol nascia, durante anos isso foi assim, bom vislumbrar a sua própria morte nunca é um bom sinal, apesar de já se estar acostumado.

Os pesadelos sempre eram idênticos, mas hoje algo mudou eu pude ver mais. Dessa vez eu estava no meu próprio corpo, eu estava no comando pela primeira vez em sete anos. O pesadelo sempre se passava no mesmo local, um lugar escuro parecia estar próximo ao mar, pois conseguia sentir um leve cheiro salgado, havia pedras negras e pontudas, os trovões anunciavam uma grande tempestade, nesse pesadelo, eu nunca era eu mesma, nunca pude fazer nada em relação a minha morte, mas eu conseguia me visualizar por meio dos olhos de outra pessoa, sempre me via correndo, ou melhor, fugindo de algo. Eu sentia que estava interligada com essa outra pessoa ou pelo menos tinha um vinculo muito forte com ela.

Na medida em que eu tentava supostamente me aproximar de mim mesma, a distância parecia aumentar. De repente eu não conseguia ver mais nada, só um forte clarão branco, uma luz tão forte que se aquilo não fosse um sonho eu acredito que aquela luz poderia me deixar cega, aquela luz era como uma bomba nuclear que acabará de explodir, liberando um grande poder destrutivo.

Não era preciso ver o meu corpo caído dentre as pedras, eu sabia que estava morta. O mais estranho era que eu podia sentir a tristeza da pessoa que me observava, era como um buraco profundo que não podia ser tampado, era uma tristeza sobre-humana, cheguei até a me perguntar se ali ainda existia alguma alma.

Há 12 anos os meus pesadelos sempre acabavam dessa mesma forma, mas hoje tinha sido diferente eu consegui ver mais, apesar de serem apenas alguns fleches do que acontecerá depois do clarão de luz. Eu pude observar um par de olhos azuis, aqueles eram de longe os olhos mais lindos que já tinha visto em toda a minha vida, eram como cristais cintilantes, eles eram tão doces e angelicais, mas apesar de tanta doçura em seu olhar pude perceber que eles eram tão resistentes como diamante.

A minha cabeça parecia uma bomba nuclear prestes a explodir, não sabia se poderia aguentar mais desses sonhos sem explicação, qual seria o real sentido disso?

Deis de pequena minha mãe dizia que eu era destinada a um grande, coisa. Todas as vezes que eu acordei chorando por causa desse pesadelo, minha mãe sempre pareceu um pouco afastada do assunto, e sempre dizia, que todos os segredos são revelados na hora certa, eu nunca entendi ao certo o que ela queria dizer só isso.

Olhei mas uma vez para o relógio, e percebi que ainda eram 3:15 ,eu sabia que depois daqueles olhos azuis eu não conseguiria dormir mais, levantei da cama e foi beber algo.Ao levantar acabei batendo o meu pé esquerdo no criado mudo.

-Merda – Resmunguei, meu dedo estava latejando.

Depois disso tive a leve impressão de ter escutado um ruído atrás de mim, olhei para trás e não vi nada, segui pelo correndo em direção à cozinha.

Peguei um copo de água e segui em direção ao meu escritório, à boa parte de se ter pesadelos de madrugada é que você consegue passar um bom tempo lendo livros, devido à insônia. Adoro ler sobre mitologia, contos, clássicos, principalmente falando sobre anjos religiões conflitos. Miguel era um dos meus anjos favoritos, não sei por que, mas sempre entendi o sofrimento dele por ter que mandar o seu pequeno e, porém malvado irmãozinho para o quinto dos infernos. Talvez me identifique um pouco com Miguel, porque quando eu tinha exatos 12 anos, o meu irmão gêmeo Nate morreu em um misterioso incêndio que nunca foi explicado pelos bombeiros, acredite a dor de perder a pessoa em que você mais amava é a pior dor que você pode sentir em toda vida, quando ele morreu eu senti que parte de mim foi com ele. Sempre me senti culpada por causa do incêndio, por não estar lá para ajudá-lo.

Fui até o meu escritório peguei o livro que estava lendo e voltei para o quarto, quando abri a porta senti um profundo arrepio que veio dos pés a te os pescoço, então percebi que a janela estava aberta, estranho, pois jurava que tinha deixado-a fechada. Na medida em que me aproximava da janela fui sentindo mais frio, New York em janeiro é realmente bem fria, então coloquei a minha mão no vidro gelado da Janela para poder fechá-la, pude jurar que tinha escutado uma voz rouca chamando-me.

- Mabelle — Ao escutar o meu nome rapidamente olhei para trás, e não vi nada que possa ter sussurrado o meu nome. Quando retornei as minhas mãos no vidro gelado, pude ouvi mais uma vez o meu nome sendo chamado –Mabelle- só que desta vez o som parecia mais próximo.

-Venha para mim — A voz misteriosa disse me virei assustada, eu não estava ficando doida eu realmente escutei a quilo.

-Venha pra mim — Escutei mais uma vez

Naquele momento eu estava realmente assustada, meus olhos se encheram de lagrimas, nunca fui uma garota de chorar, mas aquilo estava ficando realmente assustador.

-Quem está ai — Perguntei me apoiando na janela, que agora estava fechada.

-Venha para mim — A voz retrucou suavemente.

A minha mãe sempre foi muito religiosa, e me ensinou deis de pequena que quando eu estive-se em apuros, ou simplesmente com medo, eu devia rezar que Deus me ajudaria, mas naquele momento eu sabia que Deus não me ajudaria, eu tinha que me virar por conta própria.

- O seu destino é ser minha — a voz falou mais uma vez.

- Que tipo de maluco é você — gritei – Saia das sombras se você tem coragem.

Eu sabia que tinha feito à coisa errada. Na medida em que ele foi saindo das sobras o meu coração foi acelerando mais, e mais. Acho que não seria preciso ele sair das sombras para me matar eu ia morrer ali mesmo, por conta de um ataque cardíaco. Ele tinha um capuz preto, não dava par ver o seu rosto direito só deu para perceber que ele tinha cabelos escuros, e olhos mais escuros ainda, ele empunhava uma adaga, com alguns símbolos antigos grifados na lamina pontuda, pude reconhecer alguns de um livro que falava sobre magia negra, aquele símbolo, significava, signi... Sacrifício.

Nunca tinha visto este homem em toda a minha vida, nem tive a menor ideia de como ele possa ter entrado no meu apartamento, pela janela seria improvável, pois eu moro no vigésimo segundo andar .

Não seria boa coisa o que ele pretendia fazer com aquela adaga. Não tinha mais para onde ir ele estava vindo à minha direção atrás de mim só havia uma janela fechada e uma parede, e eu não tinha nenhum objeto com que eu pudesse me defender.

Fechei os olhos mais uma vez pensando o que eu poderia fazer naquele momento, além de berrar que nem uma doida, de nada isso adiantaria agora. Tive uma bizarra ideia que envolveria um pouco de arranhões, essa era a minha única opção.

Bati o meu cotovelo direito o mais forte que pude já janela, aquela era a pior ideia que eu tinha tido em toda a minha vida, fui ate o chão e pequei o maior pedaço de vidro que pude encontra, com as mãos nuas. No exato momento que pequei o pedaço afiado do vidro, o senti perfurando a minha pele, aquele não era o momento de sentir dor disse para si mesma em pensamento. Neste mesmo tempo o homem de cabelos negros com a adaga se jogou em cima de mim, eu senti aquele pedaço de vidro entrando nele, mas de nada adiantou ele estava encima de mim, imobilizando as minhas pernas, enquanto eu lutava para não ter a garganta decapitada pela afiada adaga que estava a centímetros do meu pescoço.

A minha mão esquerda estava em seu estomago junto ao caco de vidro, não sei se o caco machucava mais a minha mão ou o estomago dele, pois ambos estavam seriamente machucados.

No momento em que fiquei cara a cara com ele, senti uma sensação de que eu já o conhecia. Que já tinha o visto antes em algum lugar, só não me lembrava de onde, nem quando.

Uma breve imagem de fogo passou pela a minha mente, e eu retornei ao dia do incêndio em que eu vi o meu irmão morrer. Agora eu tinha certeza que já tinha visto aqueles olhos profundamente negros em algum lugar, eu vi aqueles mesmos olhos no dia do incêndio. Não acreditava que depois de tanto tempo eu pude perceber que aquele incêndio não foi um acidente, e agora eu sentia que estava cara a cara com o mostro que matou meu irmão, e que agora estava tentando me matar.

Eu comecei a sentir um odeio imenso, o medo tinha acabado, agora eu estava cheia de raiva.

-Você matou o meu Irmão... – Disse assustada.

-Aquele pirralho, sim eu o matei, foi fácil o ver sufocando em meio ao fogo. – Disse em um tom calmo.

-Foi até legal ver ele se debatendo, em quanto eu apertava o seu pescoço.

- Por quê?! – Gritei com uma voz tremula de choro.

-Ah, foi só um engano, o que realmente queríamos era você.

- Ele não significava nada, tudo que importa é você. – Disse enquanto seus olhos eram arregalados e um pequeno sorriso sádico abria em sua boca.

Aquelas palavras encheram-me de fúria, o meu corpo estava fervendo de raiva, prestes a explodir. Usei toda a força que me restava para enviar, mas profundamente aquele pedaço de vidro no seu estomago, não importava o quando a minha mão estava machucada fiz aquilo por Nate. E enquanto ele se retorcia pela dor do caco de vidro rasgando as suas tripas, o empurrei para traz ficando em cima dele, cara a cara.

Peguei a sua adaga que ele tinha deixado cair pelo golpe surpresa, a ergui no alto, logo a enfiei bem no meio do seu coração, se supostamente ele tive-se um. Porém ele ainda teve forças suficientes para dizer algumas ultimas palavras.

-Você realmente é a escolhida — a sua boca estava cheia de sangue que pingava no tapete persa no meu quarto, eu sabia que ele tinha morrido, apesar de seus olhos ainda continuarem abertos.

Agora as gotas de chuva pingavam, dentro do quarto, o deixando mais frio e sombrio. Não consegui conter as lagrimas, tinha acabado de matar o assassino do meu irmão, que tinha tentado me matar, aquela foi uma das minhas piores experiências de minha vida, quem dera que essa fosse a pior, eu não sabia o que me esperava daqui para frete.

Levantei-me e fui em direção à cama, que foi onde eu sentei, coloquei as mãos sobre o rosto para chorar livremente, senti o sol nascendo e iluminado o quarto pela janela quebrada.

Eu não sei de onde veio àquela força, aquela energia. Ela era tão forte, tão poderosa. Era como milhões de fogos de artifício explodindo dentro do meu corpo frágil, de maneira que eu quiser-se mais e mais. Tirei a mão do rosto para poder enxugar as lagrimas, foi quando eu olhei para onde possivelmente estaria o corpo do homem, que tentará me matar minutos antes. O Corpo não estava mais lá.

Levantei-me para ver melhor, quem dera que os meus olhos estivessem me pregando peças, o corpo já frio não estava mais lá, ele não poderia estar vivo eu tinha enfiado a sua adaga o mais fundo que pude em seu coração.

Pelo menos nenhum humano sobreviveria depois de um golpe desses, o cenário da briga ainda estava a vista, a janela quebrada as manchas de sangue em todo o tapete persa que estava agora destroçado. Aquilo não era possível, ele não poderia ter sumido em poucos segundos em que fechei os olhos.

Olhei para as minhas mãos e vi que elas estavam cheias de sangue, tanto meu quanto do assassino, fui até o banheiro, chorar agora não adiantaria de nada. Olhei-me no espelho e passei os dedos já molhados, por dentre os cabelos colocando-os totalmente para traz em um rabo de cavalo, havia algumas marcas de sangue nas minhas bochechas, abaixei para poder lavá-lo na pia com água quente, quando levantei tive a impressão de ter visto o reflexo do homem que tentou me matar, agora sem capuz e nenhuma evidencia de ter sido esfaqueado, bem atrás de mim, olhei para o local em que tinha o visto e não me deparei com nada, mas mesmo assim continuava muito assustada com tudo o que estava acontecendo.

Essa era a primeira vez que matei alguém, não era uma sensação boa, porém eu não sentia culpa, ele tinha matado o meu irmão ele merecia aquilo, mas eu ainda não consegui explicar como o seu corpo tinha desaparecido, aquilo fora realmente estranho, eu acreditava que isso deveria ter uma explicação sensata, mas nada que acontecia comigo parecia sensato.

Os meus olhos estavam como uma cachoeira, por mais que eu tenta-se prender o choro, eu não conseguia parar, aquilo já estava no automático. Sai do banheiro e peguei a minha bolsa, um sobretudo que estava ao lado da porta, e sai, não podia ficar mais ali.Tinha que ir a um hospital para tratar dos meus cortes na mão, que no momento por incrível que pareça não estava sangrando.

Peguei o primeiro taxi que apareceu, eu ainda estava de pijamas por baixo do, sobretudo preto.

New York sempre foi uma cidade meio louca, deve ter sido por isso que o motorista do Taxi não disse nada sobre os meus ferimentos nem as minhas vestes.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!