Caçada

15 Vinhas congeladas.


Tínhamos que esperar até amanhecer, dissera Sebastian. E ficamos esperando, de fato. Algumas das meninas dormiram mais um pouco, mas continuei acordada, junto com Thalia. Ficamos uma contando historias para a outra. Ela me contou a vez em que fora quase morta e transformada em um pinheiro. Depois que conheceu um rapaz que era um verdadeiro Cabeça de Algas, mas que agora não estava mais no Acampamento, já que estava em uma idade avançada. E eu contei sobre o tempo em que eu ficava lendo livros e sendo infernizada pelas outras garotas. As historias de Thalia eram mais interessantes, de modo que eu mais ouvi do que falei naquelas outras 4 horas.

Quando sentimos o sol tocando nossa pele, Thalia se levantou rapidamente.

- Caçadoras, acordar!- disse em tom de autoridade e todas acordaram na hora. Parecia mesmo que vivíamos em alguma base militar.

-Vamos nos organizar. – sugeri a Thalia e ela concordou.

-Hoje é a vez de quem na patrulha? – perguntou ela, observando a todas.

Bruna, Lucy e Helena ergueram a mão.

- Certo, Nyx, Morfeu e Demeter são fortes unidos, então não vejo o porque enviar mais alguém. Mas creio que Mandy e Jessica terão que ajudar as três na patrulha.

As outras duas concordaram.

- Penny, Emma e Katie, vocês podem me acompanhar? – perguntou ela. Eu, Em e Katie concordamos.

Seguimos para a grande casa e eu já entendia o porque ela havia escolhido nós três. Emma, por ser filha de Atena poderia nos ajudar com sua opinião e boa maneira de persuadir. Katie era filha de Dionisio então, tendo ela do nosso lado, Dionisio seria obrigado a nos ouvir. E eu, por ser a pessoa que tinha tido a visão e que sabia sobre o plano dos deuses. Ela não havia dito sobre Lucy, porque a nossa querida Morfina estava meio chorosa ainda.

Quando chegamos na Grande Casa, logo fomos recebidas pelo Centauro que era professor de alguma coisa ali.

-Quíron. – cumprimentou Thalia, dando um minúsculo sorriso para o velho Centauro.

- É bom revê-la Thalia. Igualmente a você, Katie, Srta. Emma e... – ele me fitou curioso.

- Penélope. – respondi, baixando a cabeça por um momento.

- O que vieram fazer aqui, bravas Caçadoras? – perguntou ele, sorrindo.

- Queremos uma missão, Quíron. – respondeu Thalia.

Quíron pareceu um pouco intrigado.

- Presumo que precisam de um semideus do Acampamento para conseguirem uma missão, Thalia.

- Eu me candidato. – respondeu uma voz que eu conhecia muito bem. Bem até demais. Sebastian apareceu sorrindo, com tantas filhas de Afrodite a suspirar e tentar jogar charme para ele. Mas ele me olhava com tamanha intensidade que me deixou um pouco zonza até.

- Sendo assim... – disse Quiron, dando de ombros. Ele sumiu por um segundo e logo voltou com o Senhor D., nas suas tradicionais roupas de havaiana e um tigre estampado.

- O que eles querem agora? – resmungou ele. Katherine sorriu ao ver o pai.

- Papai. – disse, cumprimentando-o com um enorme sorriso. Por incrível que pareça, Dionisio correspondeu a esse sorriso com um outro, tão grande que quase rasgava sua cara.

- Katy, minha querida.

Katherine revirou os olhos e foi abraçar o pai por um momento, mais logo o soltou, por motivos que eu desconhecia. Senhor D voltou a atenção para Quíron que ainda não havia o respondido.

- As jovens Caçadoras e Sebastian querem uma missão.

- Ah, então Simas quer uma missão? Não será tão desastrosa quanto a anterior, ou será? – perguntou ele, olhando atentamente para Sebastian/ Simas, sei lá. Ele sempre trocava o nome dos heróis, se não fossem seus filhos, é claro.

- Ele não ira fracassar, Senhor. Ou melhor, nós não iremos fracassar. – respondeu Thalia, lançando um olhar para o “irmão”.

-Creio que não pedi sua opinião, Dalia. – disse ele friamente.

Limpei a garganta, tentando amenizar o conflito entre irmãos.

- Senhor Dionisio, precisamos de uma missão.

- E por que precisam de uma missão, Polly?

Dei um grande suspiro tentando acalmar meus nervos. Não era a primeira vez em que ele havia me chamado de Polly. Polly, Petunia, Patricia... Realmente, ele não conseguia dizer Penélope corretamente.

- Por que tive uma visão. – respondi, olhando friamente pare ele.

- E o que viu nessa “grande visão”?

- Que os deuses estão em guerra com os primordiais, afim de acabar com a raça dos mortais.

Nem tive tempo de processar alguma coisa. Só senti grandes vinhas grossas envolvendo meu corpo e espinhos tentando perfurar minha pele. Os olhos escuros de Dionisio era a única coisa que eu podia ver.

- Papai!- gritou Katie, mas ele não deu atenção.

-Como sabe da Guerra, Penélope? – berrou ele, me fitando com aqueles olhos monstruosos.

Apesar do medo, eu parecia um tanto quanto calma. Dei um longo sorriso para ele e, por um segundo, me senti parecida com Despina. Apaguei o sorriso de minha face.

- A visão, Senhor D. – respondi amargamente.

As vinhas apertaram mais e mais meu corpo que começou a doer de verdade. O pingente em meu pescoço ficou mais frio que o normal, tal como a tiara. Eu sentia a formigarão em todo o meu corpo, mas não era eu quem estava controlando aquilo. Era como se os objetos que se relacionavam com meus poderes estivessem tomando posse de mim.

A vinha forte que parecia tão difícil de ser quebrada começou a desenrolar de meu corpo magro. Onde ela me tocava, começou a congelar e a morrer aos poucos, ficando completamente negra no fim. Dionisio me olhou furioso.

- Despina e seu ódio pela natureza. – resmungou ele. Limpei minhas roupas e olhei para ele.

- Então é verdade sobre a Guerra? – perguntei.

- Claro que sim, Petunia. Não deveríamos falar isso, mas pelo jeito você já sabe, então não tenho o porque...

Um raio sinistro e um trovão de arrepiar.

- Senhor D... – avisou Quíron, olhando para ele.

Dionisio deu um longo suspiro e se virou para Sebastian, que ainda sorria, esperando brilhar tanto quanto seu pai.

- Simas terá então sua missão. Mas terá que esperar pelo nosso belo Oraculo. – disse, sarcasticamente.

Dei de ombros. Tinhamos que arrumar outra coisa para fazer, que ótimo.

- Vou fazer patrulha pelo bosque. – resmunguei para Thalia.

Caminhei com Nevasca aos meus pés, me acompanhando e se esfregando em mim. Ouvi quando Sebastian me chamou, mas continuei caminhando, sem olhar para trás. Meu estomago já estava afundado demais.